9 em cada 10 planejadores financeiros no Brasil já usam ou pretendem adotar IA

A inteligência artificial já ocupa espaço concreto nas empresas de planejamento financeiro brasileiras. Segundo pesquisa do Financial Planning Standards Board (FPSB), 91% dos planejadores financeiros no país afirmam que suas empresas já utilizam IA ou planejam adotá-la nos próximos 12 meses. No mundo, esse percentual é de 79%. O levantamento reúne a visão global do FPSB e o recorte brasileiro, obtido com profissionais CFP associados à Planejar, única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). A pesquisa foi realizada entre 22 de maio e 6 de julho de 2026.
Entre os profissionais brasileiros, 66% afirmam que suas empresas já utilizam IA, enquanto 15% estão em fase de testes ou projetos-piloto e 10% planejam adotar a tecnologia nos próximos 12 meses. Apenas 9% não utilizam e não pretendem implementar a ferramenta nesse período, contra 20% no mundo. Os efeitos sobre a rotina profissional também aparecem nos resultados: 97% dos respondentes brasileiros afirmam que a IA melhorou sua eficiência no trabalho, sendo 41% de forma significativa e 15% de maneira muito significativa. No cenário global, o índice é de 93%.
Entre os profissionais de planejamento financeiro de todo o mundo, a tecnologia já aparece em diferentes frentes de atendimento aos clientes.. Comunicação com clientes lidera, com 51% das respostas, seguida por análise de mercado e pesquisa de produtos (42%), coleta de dados dos clientes (36%) e definição do perfil de risco (35%). A análise de mercado e pesquisa foi o uso que mais cresceu em relação ao levantamento anterior, passando de 28% para 42%. “Mais do que acelerar processos, a inteligência artificial começa a ampliar a capacidade de análise e auxiliar diferentes etapas do trabalho. Ela é um instrumento fundamental de apoio às relações humanas.”, afirma Ana Leoni, CEO da Planejar.
IA é vista como aliada, mas exige atenção à confiabilidade
Também entre os consumidores, a inteligência artificial começa a influenciar a dinâmica das conversas sobre finanças. No Brasil, 39% dos planejadores afirmam que os clientes utilizam essas ferramentas principalmente para validar ou comparar orientações profissionais, enquanto 24% apontam a educação financeira em geral e 15% a exploração de cenários ou projeções financeiras personalizadas. No mundo, a utilização é bastante diferente: 33% apontam como principal uso da IA, a educação financeira e 26% usam para explorar cenários ou realizar projeções personalizadas. Apenas 25% validam ou comparam orientações profissionais com a inteligência artificial.
O levantamento global mostra ainda que 21% dos planejadores no mundo e 17% no Brasil perceberam aumento da necessidade de contextualizar ou corrigir informações produzidas pelos clientes com o uso de IA.
Ainda segundo Leoni, estamos entrando em uma fase em que o cliente chega à conversa mais informado, com novas perguntas e, muitas vezes, munido de respostas produzidas por ferramentas de inteligência artificial. “Isso eleva o nível da discussão e amplia a responsabilidade do planejador. O diferencial deixa de estar apenas no acesso à informação e passa pela capacidade de compreender prioridades e particularidades, contextualizar riscos e transformar conhecimento em decisões alinhadas aos objetivos e à realidade de cada cliente”, pontua.
As perspectivas para a tecnologia também são positivas entre os profissionais brasileiros: 67% esperam que a IA ajude a atender melhor seus clientes, enquanto 63% acreditam que ela aumentará a qualidade das orientações de planejamento financeiro. Os percentuais sobem para 83% e 75% no cenário global.
Para 55% dos profissionais no Brasil, e 70% no mundo, a ferramenta poderá ampliar o acesso ao planejamento financeiro para populações com acesso limitado a esses serviços. Ao mesmo tempo, a adoção traz pontos de atenção para o setor. Precisão e confiabilidade dos resultados aparecem como principal preocupação entre os planejadores do mundo, com 53%, e também dos brasileiros, citadas por 15%.. No ambiente empresarial, 42% das organizações já adotam algum tipo de política ou orientação para o uso de IA no Brasil, contra 48% no mundo.
O estudo do FPSB está em seu segundo ano e acompanha os impactos da tecnologia sobre a atuação dos profissionais e a relação com os clientes. A edição de 2026 ouviu 8.095 planejadores financeiros de 24 países, sendo 51% profissionais CFP®. No Brasil, a pesquisa contou com a participação de 302 profissionais CFP®. A versão global do estudo pode ser acessada aqui.





















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