Dinheiro 2.0 acelera crédito e reduz barreiras no mercado financeiro
- Fincatch

- há 2 dias
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A digitalização do dinheiro começa a alterar, de forma estrutural, a engrenagem do crédito no país. Estudos do Bank for International Settlements mostram que processos baseados em infraestrutura digital podem reduzir em até 40% o tempo de liquidação de operações financeiras, enquanto dados do Banco Mundial indicam queda relevante de custos quando intermediários são substituídos por fluxos mais diretos e automatizados. No Brasil, esse movimento se intensifica com a combinação entre avanços regulatórios e o uso de tecnologia para estruturar ativos do mundo real.
É nesse contexto que a DeFin, fintech criada por Beny Fard, passa a operar com uma frente dedicada à Renda Fixa Digital. A iniciativa nasce para enfrentar uma distorção persistente do sistema financeiro nacional: empresas de médio porte com operação saudável e histórico consistente seguem fora do radar do crédito estruturado, apesar de sustentarem uma parcela majoritária dos postos de trabalho formais no país, conforme dados do Sebrae.
Embora a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tenha avançado com normas como a Resolução 88, que regula ofertas públicas por plataformas eletrônicas, e com marcos voltados à tokenização de ativos, a complexidade técnica ainda limita a escala dessas operações. Para Beny Fard, especialista em investimentos e sócio da DeFin, o problema não está na falta de tecnologia, mas na ausência de rigor e análise de estruturação financeira. “O mercado não precisa apenas de inovação digital. Precisa de estrutura, análise de risco e governança para que o investidor institucional confie nesses ativos”, afirma.
O modelo adotado pela DeFin segue o conceito de Investment Banking as a Service, no qual a estruturação de operações de dívida e crédito é oferecida de forma modular a escritórios de investimento, consultorias e plataformas digitais. Na prática, isso permite reduzir custos fixos e acelerar o acesso ao capital, mantendo padrões próximos aos exigidos pelo sistema bancário tradicional. “Estamos encurtando o caminho entre quem precisa de crédito e quem tem recursos para investir, sem perder profundidade analítica”, diz Fard.
Dados da Associação Brasileira de Fintechs indicam que mais de 60% das fintechs que operam no país já buscam modelos alternativos ao crédito bancário clássico. A tokenização de recebíveis, direitos creditórios, debêntures e outros instrumentos de renda fixa surge como uma das principais apostas, ao permitir fracionamento, rastreabilidade e maior transparência. O desafio, segundo o especialista, é garantir que a velocidade dessas operações não comprometa a segurança jurídica e financeira.
Na avaliação de Fard, a consolidação do chamado Dinheiro 2.0 passa justamente por esse equilíbrio. “Menos intermediários e menos burocracia não significam menos proteção. Pelo contrário. Quando bem estruturada, a tecnologia amplia a transparência e reduz assimetrias de informação”, conclui. Ele destaca que a integração entre análise financeira tradicional e infraestrutura blockchain tende a aproximar o mercado de capitais da economia real.
A aposta da DeFin reflete uma tendência mais ampla de transformação do sistema financeiro. À medida que regulação, dados e tecnologia convergem, o crédito deixa de ser um privilégio restrito a grandes corporações e passa a ser um instrumento mais acessível para empresas em crescimento. Para o mercado, o recado é claro: o dinheiro muda de forma, mas a confiança continua sendo o principal ativo.




















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