Fim do teto de R$ 500 pode ampliar disputa entre Pix e Cartão de Débito no Varejo

O fim do teto fixo de R$ 500 para pagamentos via Pix por aproximação, que entrou em vigor nesta quinta-feira (1º), pode ampliar a presença da modalidade no varejo e aumentar a disputa com o cartão de débito no momento da compra. Com a mudança determinada pelo Banco Central, as transações por aproximação passam a seguir os limites estabelecidos para cada usuário, assim como ocorre nas demais formas de utilização do Pix.
Até então, o pagamento realizado aproximando o celular ou outro dispositivo compatível da maquininha estava sujeito a um teto específico de R$ 500 por transação. Agora, o usuário poderá solicitar à instituição financeira aumento ou redução dos limites por operação e por dia, respeitando os parâmetros e controles de segurança de sua conta.
Na avaliação de José Tadeu Bijos, CEO e presidente da Multipagamentos, a mudança amplia o espaço para que o Pix avance justamente sobre uma das experiências em que o cartão ainda tem forte presença: o pagamento presencial rápido, sem necessidade de digitar chaves ou ler QR Codes.
“O Pix por aproximação entra em uma disputa muito mais direta com o cartão de débito porque passa a entregar uma experiência semelhante para o consumidor. É uma modalidade que tende a ganhar espaço principalmente entre usuários que já utilizam carteiras digitais e querem fazer o pagamento com o celular de forma rápida, sem depender necessariamente de um cartão físico”, afirma Bijos.
Para as empresas que recebem o pagamento, porém, a mudança tende a ser menos perceptível na liquidação financeira. Independentemente de a transação ter começado por uma chave, QR Code ou aproximação, o recurso continua chegando como Pix à conta da empresa.
A transformação ocorre principalmente na jornada de iniciação do pagamento e na infraestrutura necessária para que essa experiência funcione no ponto de venda. O Pix por aproximação utiliza tecnologia NFC e pode ser iniciado por aplicativos ou carteiras digitais compatíveis, que fazem a comunicação com as instituições participantes para concluir a operação.
Esse modelo também aproxima o Pix de uma lógica já conhecida dos consumidores nos pagamentos contactless com cartões. A diferença é que, em vez de uma transação percorrer a estrutura tradicional de cartões, o pagamento é liquidado pela infraestrutura do Pix.
“O que muda para o varejo não é necessariamente a forma como ele recebe o dinheiro no final da operação, mas a quantidade de jornadas que passam a disputar aquele mesmo momento de pagamento. Cartão, Pix, carteira digital e outras formas de iniciação começam a conviver de maneira cada vez mais parecida para o consumidor”, explica o executivo.
Para Bijos, a expansão da modalidade também deve colocar mais atenção sobre segurança e prevenção a fraudes. Os pagamentos por aproximação já seguem requisitos de autenticação e segurança definidos pelo Banco Central, mas o aumento do volume e dos valores das transações tende a exigir evolução contínua dos mecanismos de identificação, monitoramento e tratamento de ocorrências.
“O mercado de cartões construiu ao longo de décadas uma infraestrutura bastante sofisticada de prevenção a fraude, autenticação e tratamento de disputas. No Pix, esse ecossistema também está evoluindo. À medida que o pagamento por aproximação passa a ser usado em mais situações e para valores maiores, segurança e experiência precisam avançar juntas”, afirma Bijos.
Outro elemento dessa transformação é o papel das instituições que iniciam pagamentos. Carteiras digitais podem funcionar como iniciadoras da transação sem necessariamente movimentar diretamente os recursos: elas dão início à jornada, enquanto a liquidação ocorre entre as instituições participantes do sistema financeiro.
Segundo Bijos, esse modelo deve ganhar relevância à medida que o consumidor se acostuma a escolher o meio de pagamento dentro de uma mesma experiência digital. “A tendência é caminharmos para uma experiência em que pagar com Pix por aproximação seja tão natural quanto hoje é aproximar um cartão. Para as empresas, o desafio será estar preparadas para aceitar diferentes jornadas sem aumentar a complexidade operacional para o consumidor.”
A mudança foi estabelecida pela Instrução Normativa BCB nº 746. Segundo o Banco Central, a retirada do teto específico busca equiparar o Pix por aproximação às demais formas de utilização do Pix e permitir transações de valores mais elevados sem abandonar os mecanismos de gestão de limites e segurança.





















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