

há 19 horas


A Hurst Capital anunciou uma nova oferta de Certificados de Recebíveis (CRs) que proporciona exposição indireta à Revolut, fintech fundada no Reino Unido que alcançou valuation de US$ 115 bilhões em uma operação secundária realizada em 2026. A estrutura foi desenvolvida para permitir que investidores tenham acesso econômico à empresa por meio de um veículo que investe em participação ligada às ações da companhia.
A operação é lastreada em direitos creditórios decorrentes do investimento da HRM One Limited na OurCrowd (Investment in Rev) L.P., veículo que detém exposição à Revolut. Ela integra a estratégia da Hurst de ampliar o acesso a ativos do mercado privado internacional, segmento que reúne empresas que permanecem mais tempo fechadas antes de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO). Segundo a fintech brasileira, esse movimento tem ampliado o interesse de investidores por oportunidades associadas à fase pré-IPO, período em que parte relevante da valorização das companhias ocorre fora dos mercados públicos.
O interesse dos investidores pela oferta foi imediato. O evento de apresentação da operação aconteceu por volta das 20h de quinta-feira (15/10) e, apenas duas horas depois, por volta das 22h, cerca de 60% das cotas já haviam sido comercializadas. Segundo a Hurst, o desempenho reforça a forte demanda por operações ligadas ao mercado privado internacional e segue o mesmo padrão de sucesso observado em ofertas anteriores relacionadas a empresas como Kalshi, OpenAI e SpaceX.
A estrutura prevê participação nos resultados de futuros eventos de liquidez relacionados à empresa, incluindo uma eventual abertura de capital, operações no mercado secundário, ofertas de aquisição ou outros mecanismos de liquidez previstos na documentação da operação.
De acordo com os dados apresentados pela Hurst, a Revolut encerrou 2025 com receita de US$ 6 bilhões, lucro antes de impostos de US$ 2,3 bilhões e mais de 80 milhões de clientes em mais de 40 países. A companhia também registrou volume transacionado de US$ 1,8 trilhão ao longo do período.
Breno Reis, CEO da Hurst, avalia que a Revolut se diferencia de parte das companhias normalmente associadas ao universo de tecnologia por já operar de forma lucrativa e apresentar escala global. A fintech britânica atua em segmentos como pagamentos, cartões, câmbio, investimentos, soluções para empresas e crédito. Segundo o material da oferta, aproximadamente 76% da receita da companhia é proveniente de tarifas e serviços financeiros, enquanto a unidade Revolut Business respondeu por cerca de 16% da receita em 2025.
Ao longo dos últimos anos, a empresa registrou sucessivas rodadas de valorização. O valuation passou de US$ 5,5 bilhões em 2020 para US$ 33 bilhões em 2021, alcançando US$ 115 bilhões em 2026 na mais recente transação secundária citada na documentação da operação. Segundo a Hurst, esse crescimento reflete o avanço operacional da companhia e sua expansão internacional. A empresa informa ainda que a Revolut opera atualmente em mais de 30 países e considera os Estados Unidos como uma das principais frentes de crescimento para os próximos anos.
Entre os fatores monitorados pelo mercado está o avanço do processo regulatório para a ampliação das operações bancárias da Revolut nos Estados Unidos. De acordo com a Hurst, a companhia já recebeu aprovações relevantes de órgãos reguladores locais e aguarda etapas adicionais do processo para ampliar sua atuação naquele mercado.
A tese de investimento está relacionada à expectativa de novos eventos de liquidez para a companhia, que avalia uma abertura de capital com valuation entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões, com possibilidade de listagem simultânea em bolsas dos Estados Unidos e do Reino Unido. A expectativa da estrutura é capturar eventual valorização associada à transição da empresa do mercado privado para o mercado público.
De acordo com Reis, o mercado global vem registrando um aumento do período de permanência das empresas fora das bolsas, fazendo com que parte relevante da geração de valor ocorra antes do IPO. “O mercado privado concentra uma parcela crescente da criação de valor das empresas de tecnologia e inovação. Nosso objetivo é permitir que investidores tenham acesso, de forma regulada e estruturada, a companhias que já alcançaram escala global, geração de receita e resultados operacionais relevantes”, afirma.
Reis destaca que o crescimento da disponibilidade de capital privado nos últimos anos tem permitido que empresas posterguem suas aberturas de capital. “O IPO passou a representar, em muitos casos, um evento de liquidez para investidores que participaram de etapas anteriores da trajetória dessas empresas. Isso criou um mercado cada vez mais relevante para operações de pré-IPO”, diz.
A estrutura foi desenvolvida para permitir acesso local a um mercado tradicionalmente restrito a investidores institucionais, fundos especializados e family offices. Na prática, os recursos captados são direcionados para a aquisição da participação econômica vinculada à Revolut. Quando ocorre um evento de liquidez, os valores recebidos percorrem a cadeia da operação até serem distribuídos aos investidores, de acordo com as condições previstas na estrutura.
O CR possui horizonte estimado entre 18 e 24 meses e rentabilidade projetada entre 12% e 20% ao ano em dólares, de acordo com os cenários apresentados aos investidores. O instrumento foi estruturado nos termos da Resolução CVM nº 88, que regulamenta ofertas públicas realizadas por plataformas eletrônicas de investimento participativo.
A nova oferta dá sequência à estratégia da Hurst no segmento de pré-IPOs. Em 2026, a gestora realizou operações relacionadas a empresas como SpaceX, Kalshi e OpenAI. “Mas não se trata apenas de pré-IPO. Essa oferta também reforça nossa estratégia de ampliar o acesso a ativos alternativos e operações ligadas ao mercado privado internacional, segmento que vem atraindo atenção crescente de investidores em busca de exposição a empresas ainda não listadas em bolsa”, conclui o executivo.


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