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  • A nova era das finanças embarcadas: quando a inteligência artificial antecipa necessidades

    Falar em finanças embarcadas, durante muito tempo, significava pensar, principalmente, na possibilidade de oferecer um serviço financeiro dentro de uma jornada que originalmente não era bancária. Uma conta digital em um varejista, crédito dentro de um marketplace ou um meio de pagamento incorporado a uma plataforma são alguns exemplos que ajudaram a popularizar esse modelo e a aproximar os serviços financeiros de diferentes momentos da vida dos consumidores. Esse movimento amadureceu e as finanças embarcadas deixaram de representar apenas conveniência para ocupar um espaço cada vez mais estratégico nos modelos de negócios. Um estudo da Boston Consulting Group (BCG) ajuda a dimensionar esse potencial. Na América do Norte e na Europa, o mercado endereçável de embedded finance é estimado em US$ 185 bilhões, enquanto a penetração atual está próxima de US$ 32 bilhões. Isso significa que mais de 80% desse potencial ainda está em aberto. A distância entre o tamanho da oportunidade e o que já foi capturado mostra que existe um espaço significativo para a evolução desse mercado, mas também revela um desafio importante. À medida que a experiência financeira se torna mais simples e fluida para quem está na ponta, cresce a sofisticação necessária nos bastidores para conectar dados, serviços e diferentes ecossistemas com segurança. É justamente nessa relação que a inteligência artificial começa a acrescentar uma nova dimensão às finanças embarcadas. A próxima etapa desse mercado não depende apenas da disponibilidade de crédito, pagamentos ou contas digitais no lugar certo. A IA amplia a capacidade de interpretar dados e contexto para identificar uma necessidade e apoiar a próxima melhor ação dentro daquela jornada. Com isso, o modelo pode avançar de uma lógica predominantemente reativa, na qual o cliente procura um produto ou inicia uma solicitação, para uma experiência capaz de compreender melhor o que ele pretende resolver e oferecer uma resposta coerente com aquele momento. Essa mudança ganha importância porque o consumidor já não enxerga sua experiência financeira de forma isolada. Ao fazer uma compra, contratar um serviço ou utilizar uma plataforma digital, ele espera resolver suas necessidades sem precisar interromper a jornada, trocar de ambiente ou compreender toda a infraestrutura financeira que sustenta aquela experiência. A complexidade pode permanecer nos bastidores, mas isso não significa tornar invisíveis aspectos essenciais da relação financeira, como condições, consentimento, segurança e responsabilidades, que precisam continuar claros para o cliente. Pense em alguém que deseja comprar um carro. Para essa pessoa, a necessidade não começa em um produto financeiro, tampouco na escolha prévia de uma modalidade de crédito. Seu objetivo é comprar um carro, e uma experiência financeira inteligente pode interpretar essa intenção, avaliar o contexto e conectar as alternativas adequadas para que a pessoa tome sua decisão com clareza e segurança. A mesma lógica começa a ganhar espaço nas relações entre empresas. Um pequeno varejista que vende por meio de um marketplace, por exemplo, pode precisar reforçar o caixa para comprar estoque antes de uma data de maior demanda. A partir do histórico de vendas, do fluxo financeiro e de outros dados autorizados, a tecnologia pode ajudar a identificar essa necessidade e apresentar uma alternativa de crédito adequada ao contexto do negócio, dentro da própria plataforma que a empresa já utiliza. O serviço financeiro deixa de exigir uma jornada paralela e passa a integrar uma necessidade concreta da operação. Nos dois casos, quanto mais simples parece a experiência para o usuário, maior tende a ser a sofisticação tecnológica que a sustenta. Para que uma resposta financeira apareça de forma contextualizada, é necessário conectar dados, pagamentos, crédito, prevenção a fraudes, segurança, compliance e diferentes ecossistemas. A inteligência artificial acrescenta capacidade de interpretação e apoio à decisão, mas depende de uma arquitetura robusta e preparada para as exigências de um setor altamente regulado. Por isso, não acredito em uma discussão sobre inteligência artificial no mercado financeiro dissociada de segurança, governança e infraestrutura. A tecnologia pode ampliar a capacidade de personalização e automação, mas seu valor depende da qualidade e do uso autorizado dos dados, das regras que orientam as decisões e da integração com os serviços responsáveis pela execução de uma operação financeira. Inteligência, nesse contexto, não significa retirar controles da jornada, mas utilizar melhor a tecnologia para que complexidade e segurança coexistam com uma experiência mais simples. Essa evolução também exige uma infraestrutura capaz de conectar diferentes capacidades financeiras e tecnológicas sem transferir sua complexidade para o usuário. Interoperabilidade, segurança, compliance e integração deixam de ser apenas questões técnicas e passam a ter impacto direto sobre a experiência, a velocidade de inovação e a possibilidade de criar modelos de negócios. É justamente essa convergência que considero uma das transformações mais relevantes dos próximos anos. As fronteiras entre serviços financeiros, tecnologia e outros setores da economia devem se tornar menos perceptíveis na experiência do consumidor, enquanto bancos, fintechs, varejistas, empresas de telecomunicações e plataformas digitais passam a assumir novos papéis nas jornadas financeiras. A tendência não elimina as responsabilidades de cada participante, mas amplia as possibilidades de integração entre diferentes ecossistemas. A evolução das finanças embarcadas passa, portanto, por uma mudança de lógica, em vez de esperar que o consumidor procure um produto financeiro, a tecnologia permite que o serviço faça parte naturalmente da jornada na qual aquela necessidade surge. Essa é talvez uma das mudanças mais importantes da próxima fase, o serviço financeiro deixa de ser o ponto de partida da jornada e passa a trabalhar a favor dela. O banco deixa de aparecer apenas quando é necessário movimentar dinheiro e passa a estar presente quando existe algo a realizar, uma compra, um investimento, a expansão de um negócio ou um novo projeto. É nessa mudança de lugar que se abre a possibilidade de reconstruir a relação com o cliente, menos baseada na oferta de produtos e mais conectada aos seus objetivos; com menos interrupções e maior capacidade de ajudar a vida e os negócios a acontecerem. *Conteúdo escrito por Jorge Iglesias, CEO da Topaz, uma das maiores empresas de tecnologia especializada em soluções financeiras digitais do mundo e parte do Grupo Stefanini.

  • Movimentando R$ 3,2 bilhões em pagamentos, Open Finance terá novas regras de segurança em novembro

    A partir de 3 de novembro de 2026, instituições participantes do Open Finance brasileiro precisarão atender a novos requisitos de segurança relacionados à validação de certificados digitais, conforme a versão 5.0 do Manual de Segurança do ecossistema, divulgada pela Instrução Normativa BCB nº 720/2026. As exigências determinam que as organizações utilizem mecanismos para verificar a validade dos certificados empregados nas operações e garantam que essa verificação continue funcionando mesmo diante de indisponibilidades temporárias. Segundo a LC SEC, consultoria especializada em cibersegurança e compliance, a mudança reforça a importância de avaliar não apenas a existência dos controles exigidos pela regulamentação, mas também sua eficácia em condições reais de operação. A atualização ocorre em um momento de expansão do Open Finance no país. Segundo estudo da Zetta, associação de instituições financeiras digitais, realizado com dados da AtlasIntel, o ecossistema brasileiro alcançou cerca de 240 milhões de consentimentos ativos em julho de 2026, ante 41,9 milhões em dezembro de 2023, e reúne aproximadamente 800 instituições participantes. Apesar do avanço em escala, a pesquisa mostra que 81,9% dos entrevistados já ouviram falar do Open Finance, mas apenas 21% se consideram informados sobre seu funcionamento, evidenciando uma lacuna de conhecimento sobre o sistema. Entre os pontos que passam a ser obrigatórios em novembro estão os itens 3.28 a 3.30 do Manual de Segurança, que definem requisitos para validar certificados digitais conforme os parâmetros da Estrutura de Governança do Open Finance, inclusive quando os mecanismos de consulta estiverem indisponíveis. Já o item 6.18 estabelece critérios para a frequência de atualização, a tolerância a falhas e os meios alternativos de verificação. Essas medidas permitem identificar certificados revogados ou comprometidos e agir adequadamente, preservando a segurança das comunicações entre as instituições. Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, a proximidade do prazo exige que as instituições avaliem a efetividade dos controles implementados, em vez de se limitarem à revisão de documentos e políticas internas. “Um controle de segurança só cumpre seu papel quando funciona nas condições reais de operação, inclusive diante de falhas e tentativas de exploração. No caso dos certificados digitais, não basta verificar se eles estão configurados: é necessário testar se a instituição consegue identificar alterações em sua validade e manter os mecanismos de verificação mesmo quando há indisponibilidade temporária. O mesmo raciocínio vale para autenticação, criptografia e proteção das APIs”, afirma. Segundo o Relatório de Cidadania Financeira 2025 do Banco Central, as iniciações de pagamentos realizadas por meio do Open Finance movimentaram R$ 3,2 bilhões em 2024, mais de cinco vezes os R$ 624 milhões registrados no ano anterior. O Manual de Segurança também estabelece requisitos para controles como autenticação multifator (MFA) em acessos administrativos remotos, TLS 1.2 ou superior nas APIs, Perfect Forward Secrecy (PFS), hardening de sistemas, atualizações de segurança, gestão de vulnerabilidades e trilhas de auditoria. Além de implementar essas medidas, as instituições devem analisar vulnerabilidades durante o desenvolvimento e a operação das APIs, classificar e priorizar os problemas conforme o risco e revisar periodicamente as configurações para manter apenas portas e serviços autorizados habilitados. Na avaliação da LC SEC, as instituições devem aproveitar o período anterior ao prazo regulatório para revisar a gestão de certificados, testar cenários de indisponibilidade dos mecanismos de validação, conferir regras de firewall e segmentação de redes, verificar configurações de TLS, validar os acessos administrativos e realizar testes de vulnerabilidade e de intrusão nas aplicações envolvidas. A regulamentação prevê o monitoramento dos acessos às APIs e a manutenção de registros de auditoria, com atenção a erros internos, requisições inválidas, volumes de tráfego e padrões de atividade que possam indicar problemas de segurança. Também estabelece procedimentos de resposta a situações como acessos não autorizados, vazamentos de dados, ataques de negação de serviço e falhas de integridade. Para os consumidores, grande parte desses mecanismos permanece invisível, embora seja essencial para sustentar a confiança no compartilhamento de informações financeiras entre instituições. A entrada em vigor das novas exigências em 3 de novembro representa um marco regulatório, mas não encerra o trabalho de segurança, uma vez que certificados expiram ou são revogados, vulnerabilidades são descobertas e APIs passam por mudanças contínuas. “A conformidade precisa ser demonstrável. É importante que a instituição consiga apresentar evidências de que os controles estão ativos, foram testados e respondem adequadamente a falhas e ameaças. Os testes de intrusão e as avaliações de vulnerabilidade ajudam a identificar diferenças entre o que está previsto na documentação e o nível de proteção que realmente existe no ambiente”, explica Luiz Claudio.

  • Panorama das fintechs brasileiras 2026

    O Brasil tem hoje 2.215 fintechs ativas no mapeamento da Fincatch. Em fevereiro de 2017 eram 244. Em menos de dez anos, o setor ficou nove vezes maior e passou a disputar espaço com bancos tradicionais em crédito, pagamentos, investimentos e seguros. Para entender esse ecossistema de ponta a ponta, reunimos tudo em um único material: o Panorama das fintechs brasileiras 2026. São 10 páginas com o mapeamento por categoria, dados de sede, porte e fundadores, a evolução do setor, os principais prêmios do último ano e a lista atualizada de unicórnios e empresas de capital aberto. O que você encontra no material Mapeamento por categoria: as 2.215 fintechs distribuídas em 14 segmentos, de Gestão Empresarial a Cartões, com o peso de cada um no total. Onde ficam as fintechs: mapa do Brasil por estado, as 10 cidades com mais sedes e a divisão por região. Porte e fundadores: número de funcionários, gênero e idade de quem funda fintechs no país. Crescimento: a evolução do número de fintechs desde 2017 e o ano de fundação das empresas da base. Fintechs premiadas: LinkedIn Top Startups, Prêmio Reclame AQUI, CNBC/Statista, Forbes World's Best Banks, GPTW, iBest, Marcas Mais Valiosas e FinTech Magazine Top 100 Leaders. Unicórnios e capital aberto: quem vale mais de US$ 1 bilhão com capital fechado e quem já está listado na B3, na Nasdaq ou na NYSE, incluindo os IPOs de 2026. Destaques em números Gestão Empresarial lidera: 18,65% das fintechs atendem a rotina financeira de empresas. Em seguida vêm Pagamentos (15,89%), Crédito (13,86%) e Tecnologia (11,60%). São Paulo concentra o setor: 55,8% das fintechs que informam sede estão no estado. Só a capital paulista tem 777. O Sudeste reúne 1.209 sedes. A maioria é pequena: 68% das fintechs com porte informado têm até 50 funcionários. A faixa mais comum é de 11 a 50. Pouca diversidade entre fundadores: só 13% dos fundadores são mulheres, e 72,3% dos times fundadores são formados apenas por homens. Fundadores entre 31 e 50 anos: essa faixa responde por 72% dos fundadores com idade informada. Um setor jovem: 71% das fintechs da base foram fundadas de 2015 para cá. O pico foi 2018, com 151 novas empresas. Nubank, Inter e C6 Bank no topo: os três aparecem entre os 10 melhores bancos do Brasil no Forbes World's Best Banks 2026, com o Nubank em 1º lugar. Dois IPOs em 2026: PicPay (Nasdaq, janeiro) e Agibank (NYSE, fevereiro) se juntaram ao grupo de fintechs brasileiras de capital aberto. Como o mapeamento foi feito A base da Fincatch reúne fintechs ativas no Brasil, levantadas a partir de sites e redes sociais das próprias instituições, Banco Central, aceleradoras, hubs, portais de notícias, estudos, LinkedIn e Receita Federal. Cada empresa conta uma vez, e cada indicador considera apenas as fintechs que informam aquele dado. A série histórica de crescimento usa dados da Distrito e do FintechLab. As listas de prêmios, unicórnios e empresas listadas trazem as fontes em cada página e estão atualizadas até outubro de 2026. Baixe o material completo O Panorama das fintechs brasileiras 2026 é gratuito e está em PDF, pronto para usar em apresentações, estudos e análises de mercado. Baixar o Panorama das fintechs brasileiras 2026

  • Vai trocar de celular? Proteja suas contas bancárias

    A troca do aparelho celular exige cuidados além da transferência de fotos e contatos. O dispositivo antigo pode manter informações pessoais e acessos a aplicativos bancários e contas de e-mail. Por isso, antes de entregá-lo a outra pessoa, é importante concluir a migração, conferir o funcionamento dos serviços no novo modelo e apagar os dados armazenados. Em 4 de setembro de 2026, o Pix superou 318,1 milhões de transações em um único dia, novo recorde divulgado pelo Banco Central. O volume mostra a dimensão dos pagamentos digitais no país e ajuda a explicar por que a proteção do telefone passou a integrar os cuidados com a vida financeira. O cuidado também vale para quem recebe um celular usado de um familiar, orienta Marina Fernandes, gerente de Experiência do Cliente do Banco Mercantil, instituição financeira especializada no público 50+. Antes de passar o aparelho adiante, o antigo dono deve apagar suas informações. Quem o recebe precisa instalar os aplicativos pelas lojas oficiais e configurar os próprios acessos. Familiares podem ajudar nessa etapa, mas senhas e códigos de confirmação devem permanecer sob controle do titular da conta. “Quando alguém ajuda a configurar o aparelho, o cliente precisa acompanhar as etapas e saber quais aplicativos foram instalados. Se receber um pedido inesperado de senha ou código, deve interromper o processo e procurar o banco pelos canais oficiais”, afirma a especialista. Antes de entregar o aparelho antigo, o consumidor deve conferir se consegue acessar as contas pelo novo e se o e-mail e o telefone cadastrados para recuperação estão atualizados. Caso também mude de número, precisa informar as instituições com as quais mantém relacionamento. A mudança de dispositivo também pode ser usada como pretexto para golpes. Mensagens que prometem liberar o aplicativo, solicitam códigos de confirmação ou direcionam o cliente a páginas desconhecidas exigem atenção. A orientação é evitar links recebidos de terceiros e buscar a instituição por um canal oficial que o consumidor já conhece. “A troca de celular pode virar pretexto para contatos falsos que prometem liberar o acesso à conta. Se alguém pedir um código recebido por mensagem ou orientar a instalação por um link, o cliente deve interromper a conversa e procurar o banco diretamente”, alerta Marina. Depois de confirmar o acesso no novo celular, é preciso seguir as instruções do fabricante para apagar o conteúdo do antigo e restaurar as configurações de fábrica. Chips físicos e cartões de memória devem ser retirados e conferidos separadamente. Se o equipamento não for reutilizado, pode ser encaminhado a um ponto de coleta de eletrônicos após a exclusão dos dados.

  • Novo Decreto do SAC amplia exigências para bancos, fintechs e instituições de pagamento

    O Decreto nº 13.135/2026, publicado em 13 de outubro, estabelece novas regras para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), com impactos para bancos, instituições financeiras, instituições de pagamento e demais prestadores de serviços sujeitos à regulação ou supervisão do Banco Central. A norma substitui o Decreto nº 11.034/2022 e entra em vigor em 2 de novembro. Uma das principais mudanças está na inclusão expressa dos fornecedores de serviços financeiros, de pagamento, de crédito e de outros serviços de natureza financeira oferecidos ao consumidor por plataformas ou outros meios digitais. O Decreto anterior se referia genericamente aos serviços regulados pelo Poder Executivo federal, o que permitia questionamentos sobre sua aplicação às instituições supervisionadas pelo Banco Central. Para Thiago do Amaral Santos, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e especialista em regulação financeira, meios de pagamento e ativos virtuais, a alteração proporciona maior segurança jurídica sobre o alcance da regulamentação. “A mudança é especialmente relevante porque elimina uma importante incerteza sobre a aplicação das regras de SAC ao setor financeiro. O Decreto anterior utilizava uma referência genérica aos serviços regulados pelo Poder Executivo federal. Agora, o texto contempla expressamente serviços financeiros, de pagamento e de crédito sujeitos à regulação ou supervisão do Banco Central. Isso reduz o espaço para questionamentos sobre a incidência da regulamentação e amplia a segurança jurídica para consumidores e instituições”, explica. Nem todas as relações estão abrangidas A aplicação do Decreto pressupõe a existência de relação de consumo e o enquadramento do fornecedor nas hipóteses previstas na norma. Estão, em princípio, abrangidas as relações entre bancos e correntistas pessoas físicas, emissores de cartões e portadores, instituições de pagamento e consumidores que utilizam contas digitais, transferências ou outros serviços de pagamento, além de financeiras e pessoas físicas que contratam crédito pessoal. As regras também poderão alcançar prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs) que ofereçam serviços com criptoativos diretamente a consumidores, desde que atendidos os requisitos de incidência do Decreto. Por outro lado, contratos entre credenciadoras ou subcredenciadoras e lojistas, relações entre instituidores e participantes de arranjos de pagamento e operações interbancárias possuem natureza predominantemente empresarial. A relação entre fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e seus cotistas também não configura automaticamente uma relação de consumo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já afastou a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em controvérsias envolvendo credenciadoras, subcredenciadoras e estabelecimentos comerciais. Nos julgamentos dos Recursos Especiais nº 1.990.962/RS e nº 2.212.357/RS, a Corte reconheceu a natureza interempresarial dessas relações, considerando que os serviços são contratados para o desenvolvimento da atividade econômica dos lojistas. “Essa jurisprudência ganha relevância com o novo Decreto porque demonstra que a prestação de serviços de pagamento não caracteriza, por si só, uma relação de consumo. Os contratos entre credenciadoras, subcredenciadoras e estabelecimentos comerciais possuem, em regra, natureza empresarial. Portanto, não se pode presumir a aplicação das obrigações de SAC a essas relações apenas porque envolvem serviços de pagamento. Isso não afasta eventuais obrigações específicas de atendimento previstas nas regras aplicáveis à atividade”, observa Amaral. Atendimento humano e inteligência artificial terão novas exigências O Decreto mantém obrigações anteriores, como atendimento telefônico obrigatório, gratuidade do SAC, resposta às demandas em até sete dias corridos e cancelamento com efeitos imediatos, ressalvadas as hipóteses de processamento técnico. Entre as principais mudanças estão o atendimento humano das 8h às 20h, sete dias por semana, nos canais telefônicos e eletrônicos, e a disponibilidade permanente de pelo menos um canal eletrônico, observadas as exceções regulamentares. O tempo de espera telefônica será de até 20 segundos para, no mínimo, 80% das demandas atendidas, e de até 300 segundos para as demais, ressalvadas regras setoriais específicas. Os canais não poderão utilizar mais de cinco níveis de atendimento para finalizar uma demanda, e chamadas interrompidas acidentalmente durante o atendimento telefônico humano deverão ser retornadas em até 300 segundos. Demandas urgentes, caracterizadas por risco relevante ao consumidor, exigirão atendimento imediato, inclusive telefônico humano, a qualquer tempo. Situações como roubo de cartão com risco de utilização indevida, invasão de conta bancária ou acesso não autorizado a uma carteira de criptoativos sob custódia de uma instituição são exemplos de ocorrências que poderão justificar tratamento urgente. O enquadramento específico dessas hipóteses dependerá da regulamentação das autoridades competentes. A inteligência artificial continuará permitida para triagem e resolução de solicitações, desde que preservado o acesso humano nas condições regulamentares. O consumidor também não poderá ser obrigado a reiniciar uma demanda ou repetir informações já registradas, salvo razão técnica fundamentada. Para Bárbara Oliveira da Silva, advogada especialista em Meios de Pagamentos e Fintechs do Barcellos Tucunduva Advogados, a disponibilidade de atendimento humano deverá ser acompanhada de procedimentos que permitam resolver efetivamente as solicitações. “Imagine um consumidor que identifique uma transferência não reconhecida e procure atendimento para impedir novas movimentações. Não será suficiente disponibilizar um atendente que apenas registre a reclamação e encaminhe o caso para análise posterior. A instituição precisará avaliar quais providências podem ser adotadas imediatamente, como o bloqueio preventivo de determinados acessos ou funcionalidades, conforme a situação e os procedimentos de segurança aplicáveis”, explica. O Decreto também reforça o cancelamento imediato de serviços pelos canais utilizados na contratação e estabelece prazo de até 48 horas para conclusão das providências de suspensão de cobranças indevidas ou serviços não solicitados. Nas operações financeiras, o cancelamento não implica automaticamente a extinção de dívidas existentes. Entre outras mudanças, estão a proibição de mensagens publicitárias durante o SAC, a conservação mínima de 90 dias das mensagens de voz e texto e a exigência de canal telefônico para atendimento dos órgãos de defesa do consumidor, especialmente os Procons. O prazo mínimo geral de manutenção do histórico das demandas foi reduzido de dois anos para seis meses após sua resolução, sem prejuízo de outras obrigações de conservação. Impactos, fiscalização e prazo de adaptação As novas exigências poderão demandar ampliação de equipes, revisão de contratos terceirizados, integração de sistemas e adequação de aplicativos, chatbots e centrais telefônicas. Para os consumidores, a regulamentação procura reduzir obstáculos ao atendimento, facilitar o acompanhamento das reclamações e proporcionar maior previsibilidade sobre os prazos de resposta. As instituições também deverão conciliar o Decreto com as normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central sobre relacionamento com clientes, atendimento e ouvidoria. Eventuais diferenças deverão ser examinadas considerando a hierarquia normativa, as competências atribuídas por lei às autoridades reguladoras e as hipóteses em que o próprio Decreto admite regras setoriais específicas. O descumprimento poderá resultar em fiscalização e sanções administrativas pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e demais órgãos competentes, incluindo multas previstas no CDC. Também poderão existir consequências regulatórias perante o Banco Central, quando houver infração específica, e responsabilidade civil por danos causados aos consumidores. O principal desafio imediato será o prazo de adaptação. O novo Decreto entra em vigor apenas vinte dias após sua publicação, enquanto a regulamentação anterior concedeu 180 dias. Algumas disposições ainda dependem de regulamentação complementar, sem que exista previsão de prazo geral adicional. “Existe uma diferença importante entre alterar uma política interna e modificar uma operação de atendimento. A ampliação de equipes, a integração de sistemas e a revisão de contratos com fornecedores exigem planejamento, desenvolvimento e testes. Com apenas vinte dias para adaptação, as instituições precisarão priorizar as mudanças mais relevantes, sem comprometer a segurança e a qualidade do atendimento”, conclui Bárbara.

  • Tokenização do crédito pode mudar a forma como o brasileiro financia imóveis

    Durante anos, falar em tokenização no mercado imobiliário brasileiro significou discutir principalmente novas formas de representar ativos e transações por meio de tecnologia. Agora, a discussão começa a chegar a uma área muito maior e mais presente na vida do consumidor: o financiamento imobiliário. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Ailos, Sicoob, Sicredi e Unicred firmaram com o Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) um acordo para desenvolver soluções voltadas à digitalização da jornada do crédito imobiliário. A iniciativa prevê integração entre instituições financeiras e registros de imóveis por meio de blockchain. Segundo o Banco do Brasil, os primeiros testes estão previstos para março de 2027 e devem avaliar formas de reduzir prazos de registro e pagamento e conectar etapas que atualmente percorrem diferentes sistemas. O movimento chama a atenção de profissionais que acompanham o financiamento imobiliário há anos. Correspondente bancário desde 2008 e com participação em mais de R$ 2,5 bilhões em financiamentos, Murilo Arjona vê nessa integração uma mudança potencialmente mais relevante do que simplesmente transferir documentos físicos para uma tela. “Durante muito tempo, digitalizar significou pegar uma etapa que já existia e colocá-la dentro de um sistema. A transformação começa a ficar mais profunda quando financiamento, garantia e registro conseguem conversar desde o início da operação”, afirma Arjona. O imóvel pode ser digital. A burocracia também precisa ser Hoje, mesmo uma operação iniciada pela internet pode depender de diferentes etapas para análise de crédito, avaliação do imóvel, contratação, assinatura, constituição da garantia e registro. O desafio discutido pelo setor é fazer com que essas etapas funcionem de maneira integrada. É nesse contexto que surge o conceito de tokenização da jornada do crédito imobiliário. A diferença é importante. Não significa simplesmente transformar a escritura de uma casa em um token ou substituir o cartório por blockchain. O próprio ONR tem sustentado que tokens emitidos fora do sistema registral não criam, por si só, direitos reais sobre imóveis e que eventuais novas tecnologias precisam estar integradas à estrutura oficial de registro. A discussão é outra: utilizar novas infraestruturas digitais para conectar informações, garantias e etapas de uma operação de crédito que atualmente estão distribuídas entre diferentes participantes. “Para quem está comprando um imóvel, pouco importa se por trás existe blockchain, token ou qualquer outra tecnologia. O que importa é quanto tempo demora, quantas vezes ele precisa enviar o mesmo documento e quando o dinheiro efetivamente chega. A tecnologia só ganha relevância quando muda essa experiência”, diz Arjona. O crédito começa a entrar no centro da discussão A movimentação não acontece isoladamente. Em julho, a Comissão de Valores Mobiliários criou um Grupo de Trabalho de Tokenização para estudar aplicações de tecnologias de registro distribuído. Em setembro, técnicos da CVM apresentaram uma proposta para criação de um ambiente experimental destinado a testar operações com ativos tokenizados no mercado de capitais. No setor imobiliário, a aproximação entre bancos e registros adiciona um componente diferente à discussão. O financiamento passa a fazer parte dessa infraestrutura. Para Arjona, isso pode abrir uma nova etapa na modernização do mercado. “Passei praticamente toda a minha trajetória profissional acompanhando como bancos, correspondentes, corretores e compradores lidam com o financiamento. Se conseguirmos reduzir as fricções entre esses agentes, não estamos apenas mudando a tecnologia usada pelo mercado. Estamos mudando a própria experiência de financiar um imóvel”, afirma. Da educação financeira para a infraestrutura A movimentação também marca a entrada de Arjona como sócio-fundador da netspaces, por meio de uma operação de M&A. Na empresa, dedicada à infraestrutura digital do mercado imobiliário, ele passa a atuar na vertical de Crédito Imobiliário Inteligente. Aqui, porém, a participação empresarial é consequência de uma tese maior. A netspaces trabalha na integração de etapas relacionadas à transação, registro e financiamento de imóveis. A plataforma da empresa é utilizada por mais de 450 construtoras e incorporadoras e reúne aproximadamente R$ 25 bilhões em imóveis. A experiência de Arjona vem do outro lado dessa equação. Por meio da Jornada do Financiamento Imobiliário, ele já treinou 180 mil corretores e formou 7 mil alunos no Financiamento PRO. Sua comunidade nas redes sociais ultrapassa 500 mil pessoas. A aposta agora é aproximar quem concede, intermedeia e utiliza crédito de uma infraestrutura que começa a nascer digital. O financiamento imobiliário de 2030 pode parecer muito diferente Ainda existem questões regulatórias, técnicas e jurídicas a serem resolvidas antes que modelos baseados em tokenização se tornem parte cotidiana do financiamento imobiliário. Os próprios projetos anunciados pelo mercado estão entrando primeiro em fase de desenvolvimento e testes. Isso significa que a transformação não acontecerá da noite para o dia. Mas a presença simultânea de bancos, registros de imóveis, reguladores e empresas de tecnologia coloca o tema em outro estágio. Para Arjona, é justamente essa transição que merece ser acompanhada. “Não acredito que o consumidor vá acordar pensando que quer contratar um financiamento tokenizado. Ele vai querer comprar uma casa com menos burocracia, mais velocidade e segurança. Se a tokenização conseguir tornar isso possível, ela deixa de ser uma discussão de tecnologia e passa a ser uma discussão de mercado."

  • Banking as a Service tem até dezembro para se adequar às novas regras

    As instituições autorizadas pelo Banco Central que possuíam contratos vigentes de Banking as a Service em 1º de dezembro de 2025, data em que a Resolução Conjunta nº 16/2025 foi publicada, têm até 31 de dezembro de 2026 para adequar suas operações às novas regras, conforme estabelece o artigo 22. O modelo permite que empresas ofereçam serviços financeiros aos seus clientes por meio da infraestrutura dessas instituições. A regulamentação define requisitos para contratos, segurança, governança, monitoramento e relacionamento com os clientes. Embora a responsabilidade formal pela adequação recaia sobre as instituições autorizadas, as empresas contratantes precisam acompanhar esse processo para que seus serviços aos clientes não sejam prejudicados. “Empresas de diferentes setores passaram a utilizar o Banking as a Service para oferecer contas, cartões, crédito e pagamentos aos seus clientes. Com a nova regulamentação, precisam conhecer melhor os parceiros que sustentam essas operações e verificar se possuem infraestrutura de tecnologia com processos compatíveis com as regras do Banco Central”, explica Caren Benevento, advogada da AsapTech. A norma define as responsabilidades das instituições prestadoras e das empresas contratantes, chamadas de entidades tomadoras. Entre as medidas estão a segurança das operações, os papéis e responsabilidades de cada um, os procedimentos de atendimento ao cliente, o compartilhamento de informações e as condições para o encerramento da parceria. “A adequação envolve muitas camadas, desde a tecnologia envolvida no processo, até os dados coletados e a forma como o cliente é atendido no dia a dia. O consumidor vai questionar a empresa contratada, não o prestador de serviços de meios de pagamento, seja ele numa compra online ou ainda numa compra presencial, e a operação precisa assegurar todo este processo”, afirma a advogada. Em caso de descumprimento, o Banco Central poderá impor restrições e estabelecer prazos para a regularização dos serviços e dos contratos. Em situações que afetem a segurança e a solidez do Sistema Financeiro Nacional ou do Sistema de Pagamentos Brasileiro, a autoridade também poderá determinar a suspensão ou o encerramento do contrato de BaaS. Mercado em expansão exige mais controle O prazo de adequação ocorre em um período de crescimento do Banking as a Service no Brasil. Segundo projeção da Grand View Research, o mercado brasileiro deve crescer, em média, 18,3% ao ano entre 2023 e 2030. A receita do setor, estimada em US$ 538 milhões em 2022, poderá alcançar aproximadamente US$ 2,06 bilhões em 2030. O Banking as a Service permite que empresas ofereçam serviços financeiros por meio da infraestrutura de instituições autorizadas, sem desenvolver toda a operação do zero. Um supermercado pode lançar um cartão próprio, um marketplace ou ainda oferecer contas e integrar pagamentos à jornada de compradores e vendedores, assim como uma empresa de tecnologia pode incluir Pix ou crédito em sua plataforma. Esses serviços podem ampliar o relacionamento com os clientes e ao mesmo tempo, aproximam empresas de diferentes setores das responsabilidades de um mercado que lida diretamente com dados e dinheiro. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, o Brasil registrou 240,8 bilhões de transações bancárias em 2025. Desse total, 83% ocorreram nos canais digitais e 78% foram realizadas pelo celular. Para o consumidor, abrir uma conta, solicitar um cartão ou realizar um pagamento pode parecer simples. Por trás dessa experiência, existe uma infraestrutura que autentica o usuário, protege os dados, autoriza a transação, processa os valores e registra cada etapa. “O serviço pode carregar a marca da empresa, mas precisa estar apoiado em instituições autorizadas e em uma infraestrutura preparada para operar dentro das regras do mercado financeiro. Segurança, compliance e tecnologia precisam fazer parte da operação desde o início, porque qualquer falha pode afetar a continuidade dos serviços e a confiança do cliente”, explica Marcel Sarmento, Chief Revenue Officer da AsapTech.

  • 9 em cada 10 planejadores financeiros no Brasil já usam ou pretendem adotar IA

    A inteligência artificial já ocupa espaço concreto nas empresas de planejamento financeiro brasileiras. Segundo pesquisa do Financial Planning Standards Board (FPSB), 91% dos planejadores financeiros no país afirmam que suas empresas já utilizam IA ou planejam adotá-la nos próximos 12 meses. No mundo, esse percentual é de 79%. O levantamento reúne a visão global do FPSB e o recorte brasileiro, obtido com profissionais CFP associados à Planejar, única instituição no Brasil autorizada a conceder a certificação CFP® (Certified Financial Planner). A pesquisa foi realizada entre 22 de maio e 6 de julho de 2026. Entre os profissionais brasileiros, 66% afirmam que suas empresas já utilizam IA, enquanto 15% estão em fase de testes ou projetos-piloto e 10% planejam adotar a tecnologia nos próximos 12 meses. Apenas 9% não utilizam e não pretendem implementar a ferramenta nesse período, contra 20% no mundo. Os efeitos sobre a rotina profissional também aparecem nos resultados: 97% dos respondentes brasileiros afirmam que a IA melhorou sua eficiência no trabalho, sendo 41% de forma significativa e 15% de maneira muito significativa. No cenário global, o índice é de 93%. Entre os profissionais de planejamento financeiro de todo o mundo, a tecnologia já aparece em diferentes frentes de atendimento aos clientes.. Comunicação com clientes lidera, com 51% das respostas, seguida por análise de mercado e pesquisa de produtos (42%), coleta de dados dos clientes (36%) e definição do perfil de risco (35%). A análise de mercado e pesquisa foi o uso que mais cresceu em relação ao levantamento anterior, passando de 28% para 42%. “Mais do que acelerar processos, a inteligência artificial começa a ampliar a capacidade de análise e auxiliar diferentes etapas do trabalho. Ela é um instrumento fundamental de apoio às relações humanas.”, afirma Ana Leoni, CEO da Planejar. IA é vista como aliada, mas exige atenção à confiabilidade Também entre os consumidores, a inteligência artificial começa a influenciar a dinâmica das conversas sobre finanças. No Brasil, 39% dos planejadores afirmam que os clientes utilizam essas ferramentas principalmente para validar ou comparar orientações profissionais, enquanto 24% apontam a educação financeira em geral e 15% a exploração de cenários ou projeções financeiras personalizadas. No mundo, a utilização é bastante diferente: 33% apontam como principal uso da IA, a educação financeira e 26% usam para explorar cenários ou realizar projeções personalizadas. Apenas 25% validam ou comparam orientações profissionais com a inteligência artificial. O levantamento global mostra ainda que 21% dos planejadores no mundo e 17% no Brasil perceberam aumento da necessidade de contextualizar ou corrigir informações produzidas pelos clientes com o uso de IA. Ainda segundo Leoni, estamos entrando em uma fase em que o cliente chega à conversa mais informado, com novas perguntas e, muitas vezes, munido de respostas produzidas por ferramentas de inteligência artificial. “Isso eleva o nível da discussão e amplia a responsabilidade do planejador. O diferencial deixa de estar apenas no acesso à informação e passa pela capacidade de compreender prioridades e particularidades, contextualizar riscos e transformar conhecimento em decisões alinhadas aos objetivos e à realidade de cada cliente”, pontua. As perspectivas para a tecnologia também são positivas entre os profissionais brasileiros: 67% esperam que a IA ajude a atender melhor seus clientes, enquanto 63% acreditam que ela aumentará a qualidade das orientações de planejamento financeiro. Os percentuais sobem para 83% e 75% no cenário global. Para 55% dos profissionais no Brasil, e 70% no mundo, a ferramenta poderá ampliar o acesso ao planejamento financeiro para populações com acesso limitado a esses serviços. Ao mesmo tempo, a adoção traz pontos de atenção para o setor. Precisão e confiabilidade dos resultados aparecem como principal preocupação entre os planejadores do mundo, com 53%, e também dos brasileiros, citadas por 15%.. No ambiente empresarial, 42% das organizações já adotam algum tipo de política ou orientação para o uso de IA no Brasil, contra 48% no mundo. O estudo do FPSB está em seu segundo ano e acompanha os impactos da tecnologia sobre a atuação dos profissionais e a relação com os clientes. A edição de 2026 ouviu 8.095 planejadores financeiros de 24 países, sendo 51% profissionais CFP®. No Brasil, a pesquisa contou com a participação de 302 profissionais CFP®. A versão global do estudo pode ser acessada aqui.

  • 70,8% dos brasileiros preferem resolver problemas financeiros pelo aplicativo ou pelo WhatsApp

    Na hora de resolver um problema com uma instituição financeira, sete em cada dez brasileiros preferem o autoatendimento ou a conversa por mensagem. Levantamento da binds.co, empresa de dados e inteligência de mercado especializada em CX, mostra que 42,5% dos entrevistados preferem resolver pelo aplicativo e 28,3%, pelo WhatsApp - juntos, 70,8% da amostra. Apenas 1,9% escolheriam a inteligência artificial como canal preferido. O restante da amostra se divide entre os canais de atendimento em tempo real: 15,1% preferem o telefone e 12,3%, o chat. Somados, os dois chegam a 27,4% dos entrevistados - menos do que o aplicativo sozinho. Para Leandro Cabral, CEO da binds.co, o resultado eleva a régua de exigência sobre a experiência dentro do próprio aplicativo. “Quando o canal preferido é o autoatendimento, cada erro de usabilidade tem o mesmo peso de um erro de atendimento humano - só que em escala muito maior”, afirma Leandro Cabral, CEO da binds.co. Canal preferido muda o papel do aplicativo Os dados mostram que, para a maioria dos consumidores, resolver um problema financeiro não passa por uma conversa em tempo real com um atendente. Enquanto uma parcela prefere o telefone ou o chat, a maior parte escolhe canais em que resolve no próprio ritmo - pelo aplicativo ou por mensagem. Para a binds.co, como o aplicativo é o canal preferido para resolver problemas, é nele que a experiência do cliente precisa ser acompanhada de perto. Fluxos confusos, informações difíceis de encontrar ou etapas desnecessárias deixam de ser detalhes de usabilidade e passam a definir a percepção do cliente sobre a instituição. “O aplicativo virou o balcão. A diferença é que no balcão a instituição percebia a insatisfação na hora, pela reação da pessoa - no aplicativo, o cliente desiste em silêncio e a empresa só descobre quando ele já saiu. Por isso, a insatisfação precisa ser medida dentro do próprio canal, enquanto o cliente ainda está lá”, completa Cabral. Nota metodológica: pesquisa realizada pela binds.co com 1.609 respondentes entre 14/07/2026 e 05/08/2026, margem de erro de aproximadamente 2,4 pontos percentuais (95% de confiança). Os dados sobre canal preferido têm base de 1.272 respondentes.

  • Ninguém mais quer abrir o app do banco

    A Money20/20 é um dos principais eventos de tecnologia financeira do mundo. Sua edição do Oriente Médio, em Riad, na Arábia Saudita, é a de maior público, com quase 40 mil pessoas de 40 países. Estive ali como convidado em dois painéis há alguns dias. Quando identificavam um brasileiro, a conversa rumava para Pix e Open Finance. Com 80 bilhões de transações no sistema de pagamentos em 2025 e mais de 100 milhões de clientes conectados via compartilhamento de dados, o Brasil virou case. O mais interessante, porém, é sobre o que precisamos evoluir. E aí são quatro movimentos. O primeiro deles é que, em Riad, ficou evidente como o aplicativo do banco tem perdido valor de destino. O termo Embedded Finance, a integração de serviços financeiros em diferentes plataformas, não é novidade. Um dos autores mais reconhecidos em finanças digitais, Brett King antecipou a tendência em 2018, em livro cujo título significa algo como “Banco em todo lugar, nunca no banco”. Hoje, a empresa que controla a experiência não precisa ser a que mantém a custódia dos recursos. Assim, quem melhor dialoga com o cliente tende a capturar mais valor do que quem guarda dinheiro. No Brasil, a Magie, banco no Whatsapp, foi pioneira nisso e a iniciação de pagamentos se tornou possível em diversas plataformas e canais. Se o app do banco deixa de ser destino, alguém ocupa seu lugar. No caso, o agente, que compara taxas, serviços e facilidades 24 horas por dia e apresenta alternativas ao cliente. Parte relevante do lucro em serviços financeiros sempre veio de atrito. Agora, decisões que podiam levar meses podem ser tomadas em horas, sem fricção. A questão que surge, todavia, é: quem responde pelas transações quando executadas autonomamente pelos agentes? No Brasil, ainda falta uma resposta jurídica adequada. O segundo movimento é aquele no qual a identidade digital passa a incluir autorização. Com agentes de IA capazes de executar ações em nosso nome, essa identidade está ganhando uma nova função. Além de comprovar quem somos, precisa demonstrar o que esses agentes estão autorizados a fazer, em nome de quem e até que limite. Países como Índia e Singapura já construíram identidades digitais amplamente utilizadas. O Brasil tem o gov.br, com 175 milhões de usuários, que funciona para comprovar quem somos no acesso a serviços. Ainda não é uma carteira digital que permita ao usuário apresentar credenciais verificáveis a diferentes instituições. E nisso é necessário evoluirmos, enquanto cada instituição financeira continua com processos próprios de identificação do cliente (KYC). Há, porém, uma vantagem: revogar consentimentos para uso de dados, um dos desafios dos protocolos globais para agentes, faz parte do Open Finance brasileiro desde o dia 1. O terceiro movimento sugere que mais dados ampliam, mas também podem complicar o crédito. A Índia digitalizou e expandiu o empréstimo com garantia de ouro. No Brasil, o Crédito do Trabalhador destravou R$ 117 bilhões em um ano. Só que ampliar a disponibilidade de dados não basta. Estudo da associação de empresas de tecnologia e serviços financeiros Zetta mostrou que 61,5% das consultas de Open Finance no Brasil são desperdício. Isso porque, no modelo atual, as instituições receptoras de dados precisam consultar periodicamente as transmissoras para descobrir se os dados do cliente foram atualizados. Como só sabem se houve mudança depois da consulta, em 61,5% das vezes recebem as mesmas informações que já tinham. Essa ineficiência na circulação é apenas parte do problema, também é preciso medir o resultado. A Índia publica quanto crédito nasceu do compartilhamento. Nós, com mais consentimentos, não medimos esse indicador. Além disso, quando o modelo considera dezenas de variáveis, uma pessoa passa a ter maior dificuldade de entender e contestar uma decisão automática de inelegibilidade ao crédito. O quarto movimento tem a ver com ciclo de consulta pública brasileiro, que está ultrapassado. O SAMA, banco central saudita, criou incentivos para atrair fintechs e aproximar tecnologia e regulador. No Brasil, o Banco Central firmou cooperação com a Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) para viabilizar o Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT) e se aproximar do mercado na velocidade que o ritmo do governo não proporciona. Nosso instrumento, porém, continua sendo o ciclo de consulta pública, análise e norma, desenhado para um mundo em que regra e produto mudavam em anos. E se a política pública financeira tivesse loops mais curtos de feedback, com métrica pública e revisão programada? Não é menos rigor, mas usar com maior agilidade evidências sobre o que funciona e o que precisa ser ajustado. Voltei de Riad com a impressão de que tecnologia virou commodity. Qualquer um contrata a mesma nuvem e o mesmo modelo. A disputa é que mudou de lugar, migrando para algumas questões: quem controla a experiência quando o produto financeiro chega via diferentes canais? Quem define permissões quando quem age não é humano? Quem responde quando o sistema erra? No Brasil, temos trilho, consentimento, revogação e escala. Quando a experiência se separa da custódia, porém, quem lidera a corrida define as regras para quem chega depois. O conteúdo foi escrito por Bruno Loiola, cofundador da Pluggy e um dos precursores do Open Finance no Brasil, com 20 anos de experiência global em finanças e tecnologia.

  • PIX cresce, mas dinheiro vivo ainda responde por mais de 20% das compras no varejo

    Apesar do avanço dos meios digitais de pagamento, o dinheiro vivo segue relevante no varejo físico de São Paulo. Em maio de 2026, 21,5% de todas as transações foram pagas em espécie, segundo o Indicador HYPR de Meios de Pagamento no Varejo. A participação é mais de quatro vezes superior à do Pix, que representou 5,5% das compras no período. Os cartões concentram a maior parte das transações: débito e crédito responderam juntos por 61,4% das compras em maio. Na série observada entre novembro de 2025 e maio de 2026, a participação do dinheiro caiu de 23,3% para 21,5% — uma redução de 1,8 ponto percentual, que confirma uma mudança gradual, mas distante de um desaparecimento da espécie no ponto de venda. A presença do dinheiro é mais forte nas compras de menor valor. Nas transações de até R$20, ele responde por quase 30% dos pagamentos, enquanto sua participação cai para 13,8% nas compras acima de R$500. O comportamento indica que o consumidor ainda recorre à espécie para despesas cotidianas e rápidas, migrando para cartões à medida que o valor da compra aumenta. O Pix, por sua vez, avançou de 4,8% para 5,5% das transações entre janeiro e maio de 2026. Embora o crescimento seja consistente, sua participação ainda é pequena no varejo físico. O indicador observa que parte dos pagamentos por QR Code pode estar registrada em códigos fiscais residuais, o que torna a estimativa do Pix conservadora. “O dinheiro vivo ainda faz parte da rotina de compras do brasileiro, especialmente nas transações de menor valor. À medida que a compra fica mais cara, o cartão de crédito ganha espaço. O lançamento do índice HYPR é justamente para acompanhar esse comportamento na prática, a partir das transações reais, e mostrar como os hábitos de pagamento estão mudando no varejo.”, afirma Mateus Lambranho, sócio da HYPR. O Indicador HYPR é construído a partir da totalidade de notas fiscais eletrônicas de consumidor (NFC-e) emitidas por estabelecimentos cobertos pela base HYPR no varejo físico paulista. A iniciativa analisa o meio de pagamento efetivamente utilizado em cada compra e, a partir da próxima edição, passará a ter publicação trimestral e alcance nacional. As transações são captadas em todos os tipos de estabelecimentos, incluindo supermercados, mercearias, farmácias e lojas de conveniência.

  • Inteligência Artificial e finanças: como a tecnologia está tornando o controle financeiro mais inteligente

    A Inteligência Artificial deixou de ser uma tecnologia restrita a laboratórios, grandes empresas de tecnologia ou aplicações futuristas. Ela já está presente em atividades cada vez mais comuns do nosso dia a dia — inclusive na forma como organizamos, analisamos e acompanhamos nossas finanças. No mercado financeiro, a utilização de IA pode assumir diferentes formas. Bancos e fintechs utilizam algoritmos para identificar padrões de comportamento, prevenir fraudes, avaliar riscos e personalizar ofertas. Mas existe também uma aplicação menos comentada e igualmente importante: usar inteligência artificial para tornar o próprio controle financeiro mais simples e eficiente. É nesse movimento que plataformas de gestão financeira começam a incorporar recursos de IA diretamente à experiência do usuário. Um exemplo brasileiro é o Meu Dinheiro, plataforma de controle financeiro pessoal, empresarial e de investimentos que, após mais de 15 anos de evolução, passou a incorporar Inteligência Artificial em seus processos de organização financeira. Atualmente, a plataforma informa ter mais de 650 mil usuários e oferece integração com instituições financeiras por meio do Open Finance. Da classificação manual ao uso da Inteligência Artificial Para entender a importância dessa mudança, é preciso olhar para um dos problemas mais básicos da gestão financeira: classificar corretamente cada movimentação. Durante muito tempo, organizar as finanças significava registrar receitas e despesas manualmente e atribuir cada lançamento a uma categoria. Mesmo com sistemas automatizados, muitas vezes era necessário criar regras específicas para determinar que determinado estabelecimento ou transação deveria ser classificado como alimentação, transporte, moradia, lazer ou outra categoria. O Meu Dinheiro passou por diferentes etapas nesse processo. Segundo a própria empresa, a evolução ocorreu da inserção manual dos lançamentos para a importação de notificações financeiras, arquivos de extratos e faturas, regras de preenchimento e, posteriormente, integração com o Open Finance. A chegada da IA representa mais uma etapa dessa evolução. O principal destaque dessa nova fase é o Smart Match, mecanismo desenvolvido para utilizar Inteligência Artificial na classificação automática dos lançamentos. E existe uma característica interessante nessa solução: a IA não trabalha simplesmente com uma classificação genérica. O sistema considera as categorias criadas pelo próprio usuário para sugerir a classificação que melhor se adapta à sua organização financeira. Na prática, isso representa uma mudança importante. A pergunta deixa de ser: “Como faço para ensinar o sistema a classificar cada lançamento?” E passa a ser: “Como faço para o sistema aprender a forma como eu organizo minhas finanças?” IA não precisa substituir o usuário Um dos pontos mais interessantes dessa aplicação é que ela mostra uma perspectiva diferente sobre Inteligência Artificial. Quando se fala em IA, é comum imaginar sistemas capazes de tomar decisões completamente sozinhos. No controle financeiro, porém, talvez o maior potencial esteja justamente em outra direção: reduzir o trabalho operacional para que o usuário possa dedicar mais tempo à análise e à tomada de decisão. O próprio Meu Dinheiro apresenta seu Assistente Inteligente como uma espécie de copiloto. Entre os recursos destacados estão a categorização automática, identificação de termos relevantes em notificações financeiras, redução do trabalho manual, identificação de padrões e adaptação às necessidades do usuário. Isso é especialmente relevante porque organização financeira costuma exigir uma quantidade significativa de tarefas repetitivas. Imagine, por exemplo, uma pessoa que possui diversas contas bancárias e cartões de crédito. Em vez de revisar manualmente cada lançamento recebido, a tecnologia pode assumir parte desse trabalho, deixando para o usuário aquilo que realmente exige julgamento: “Estou gastando demais?”, “Minha renda está crescendo?”, “Minha taxa de poupança melhorou?”, “Estou conseguindo cumprir minhas metas?” A IA, nesse contexto, não substitui a educação financeira. Ela pode diminuir o atrito para que a educação financeira seja colocada em prática. O que muda para empresas? Essa discussão também é relevante para pequenos negócios. No ambiente empresarial, o volume de movimentações financeiras costuma ser significativamente maior. Uma empresa pode ter dezenas ou centenas de transações em determinado período, envolvendo fornecedores, clientes, impostos, salários, despesas administrativas, cartões e contas bancárias. Quanto maior o volume de informações, maior o custo de manter processos manuais. Por isso, recursos capazes de automatizar classificação, importação e conciliação podem gerar ganhos não apenas de produtividade, mas também de qualidade da informação. O Meu Dinheiro possui uma versão empresarial que integra recursos de gestão financeira e conexão bancária, além de funcionalidades voltadas ao acompanhamento gerencial. Nesse cenário, a IA pode contribuir para que o gestor passe menos tempo organizando dados e mais tempo interpretando dados. Essa diferença parece pequena, mas é fundamental. De dados financeiros para informações úteis Existe ainda uma questão maior por trás dessa transformação. Ter acesso aos dados financeiros não significa necessariamente ter controle financeiro. Uma pessoa pode ter centenas de lançamentos registrados em uma plataforma e ainda assim não saber responder perguntas simples sobre sua própria situação financeira. Quanto foi gasto com alimentação nos últimos três meses? Quais despesas aumentaram? Quanto da renda está sendo destinada aos investimentos? Quais categorias estão pressionando o orçamento? Existe algum comportamento recorrente que merece atenção? É nesse ponto que a IA pode representar uma evolução importante. Ao identificar padrões e organizar grandes volumes de informações, ela pode ajudar a transformar dados dispersos em informações mais úteis para a tomada de decisão. E essa talvez seja uma das aplicações mais interessantes da Inteligência Artificial nas finanças: não necessariamente fazer a escolha pelo usuário, mas ajudá-lo a enxergar melhor as escolhas que estão diante dele. A inteligência está na combinação entre tecnologia e contexto O caso do Meu Dinheiro também traz uma reflexão importante para o desenvolvimento de soluções de IA. Nem sempre utilizar Inteligência Artificial significa simplesmente adicionar um chatbot ou colocar a palavra “IA” em uma funcionalidade. A tecnologia precisa resolver um problema real. No caso do Smart Match, o problema é bastante concreto: tornar a classificação e a organização dos lançamentos financeiros mais eficientes. A empresa inclusive destaca que seu objetivo é utilizar a inovação de maneira útil, evitando aplicações de IA que existam apenas como argumento de marketing. Essa preocupação é particularmente importante no setor financeiro. A qualidade da informação é essencial para qualquer decisão. Uma categorização incorreta pode distorcer relatórios, dificultar análises e levar o usuário a conclusões equivocadas. Por isso, quanto mais a IA participa da gestão financeira, mais importantes se tornam aspectos como transparência, possibilidade de revisão, adaptação ao contexto do usuário e qualidade dos dados utilizados. O futuro do controle financeiro pode ser menos operacional A evolução observada no Meu Dinheiro representa uma tendência maior do mercado. Primeiro vieram as planilhas. Depois, os softwares de gestão. Em seguida, as integrações bancárias e o Open Finance reduziram a necessidade de inserir informações manualmente. Agora, a Inteligência Artificial começa a atuar sobre esses dados para interpretá-los, classificá-los e encontrar padrões. O próximo passo provavelmente não será simplesmente ter sistemas que armazenem cada vez mais informações, mas sistemas capazes de ajudar o usuário a compreender o que essas informações significam. Isso pode mudar a própria relação das pessoas com o dinheiro. Em vez de abrir uma plataforma apenas quando precisam descobrir quanto gastaram, elas poderão contar com ferramentas que acompanham continuamente sua realidade financeira e ajudam a identificar mudanças, oportunidades e pontos de atenção. No fim, a grande promessa da Inteligência Artificial aplicada às finanças não é tornar o dinheiro “automático”. É tornar o controle sobre o dinheiro mais inteligente. E iniciativas como a do Meu Dinheiro mostram que essa transformação já começou. Conheça o Meu Dinheiro

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