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  • Novas regras para criptoativos ampliam combate à lavagem de dinheiro, avalia especialista

    As novas regras brasileiras para operações com criptoativos ampliam os instrumentos disponíveis para a prevenção à lavagem de dinheiro, mas também trazem desafios para instituições financeiras, empresas do setor e autoridades. A avaliação é do advogado brasileiro Adônis Martimbianco Brozoza, especialista em prevenção a crimes financeiros e pesquisador da relação entre criptomoedas e lavagem de dinheiro desde 2019. Com a entrada em vigor das novas regras do Banco Central, determinadas operações envolvendo carteiras autocustodiadas passam a ter exigências adicionais de monitoramento e comunicação. Nesse tipo de carteira, o próprio usuário mantém as chaves de acesso aos ativos, sem a custódia de uma corretora ou de outra instituição. Para Brozoza, a mudança alcança uma das áreas mais sensíveis do controle das transações com criptoativos: a identificação de quem efetivamente controla os recursos movimentados. “Uma das maiores dificuldades sempre foi conectar um endereço digital a uma pessoa ou empresa. A blockchain pode mostrar o caminho do dinheiro, mas nem sempre revela quem está por trás daquela carteira. Quando a regulação passa a exigir mais informações sobre essas operações, reduz uma zona de pouca visibilidade que vinha sendo explorada por quem tenta ocultar a origem ou o destino dos recursos”, afirma Brozoza. O advogado ressalta que o avanço regulatório acompanha uma transformação mais ampla desse mercado. As stablecoins, moedas digitais geralmente vinculadas a ativos como o dólar, ganharam espaço nas transações e passaram a exigir maior atenção de autoridades e instituições responsáveis pelos mecanismos de prevenção a crimes financeiros. Segundo Brozoza, a discussão deixou de estar concentrada apenas no Bitcoin. “Quando comecei a pesquisar lavagem de dinheiro com criptoativos, em 2019, grande parte do debate girava em torno do Bitcoin e até de como classificar juridicamente aquele ativo. Hoje, o cenário é muito mais complexo. Temos stablecoins, diferentes redes, carteiras autocustodiadas e transações internacionais realizadas em segundos. Os mecanismos de prevenção precisam acompanhar essa evolução”, explica. A mudança ocorre em um mercado em expansão. Segundo a Receita Federal, os brasileiros declararam R$ 505,5 bilhões em operações com criptoativos em 2025, alta de 21,5% em relação a 2024. Cerca de 71% desse volume envolveu stablecoins, enquanto aproximadamente R$ 105 bilhões passaram por carteiras autocustodiadas, modalidade que ganha maior atenção dos mecanismos de controle e prevenção à lavagem de dinheiro.

  • Fintech View 2026 debate as transformações que estão moldando o mercado financeiro

    Nos últimos anos, o setor financeiro passou por mudanças que vão muito além da digitalização dos serviços bancários. Open Finance, inteligência artificial, automação, novos modelos de crédito, pagamentos digitais e plataformas financeiras integradas estão modificando a forma como produtos e serviços são desenvolvidos, distribuídos e utilizados. A próxima etapa dessa transformação pode estar menos relacionada à criação de soluções isoladas e mais à capacidade de conectar dados, tecnologia, infraestrutura e serviços financeiros para criar novas experiências e modelos de negócio. É justamente nesse contexto que acontece o Fintech View 2026, que chega à sua 11ª edição reunindo líderes, executivos, especialistas, bancos, fintechs e empresas de tecnologia para discutir as tendências que estão moldando o futuro do mercado financeiro. A Pagos é parceira do Fintech View 2026, que será realizado no dia 15 de outubro, no inovabra habitat, em São Paulo. Uma nova infraestrutura para o mercado financeiro Um dos principais temas da edição deste ano é a chamada nova infraestrutura financeira inteligente. A discussão parte de uma mudança importante: tecnologias como Open Finance, inteligência artificial e automação deixam de ser apenas ferramentas utilizadas pelas instituições financeiras e passam a fazer parte da própria infraestrutura sobre a qual novos produtos e modelos de negócio podem ser construídos. Na programação do evento, o painel “Infraestrutura inteligente: como IA, Open Finance e automação estão redefinindo o sistema financeiro” reúne Andresa Sucucuglia, do Banco do Brasil; Luiz Miranda, vice-presidente de Open Banking da Mastercard; Marcelo Martins, cofundador e CEO da Iniciador; e Priscila Faro, diretora de Fintech e Regulatório do Mercado Livre. A mediação será de Rogerio Melfi, diretor executivo da ABBAAS. A discussão é especialmente relevante porque a combinação entre dados, APIs, automação e inteligência artificial pode permitir que empresas desenvolvam serviços financeiros de maneira cada vez mais integrada às suas próprias jornadas. Em outras palavras, o serviço financeiro pode deixar de ser o produto final e passar a fazer parte da experiência de outros produtos e negócios. Inteligência artificial: de ferramenta de apoio para tomada de decisão A inteligência artificial também ocupa um espaço central na programação. Uma das discussões do evento será “Da IA que responde à IA que decide”, apresentada por Tatiana Oliveira, fundadora da Trustfy. A mudança representada por essa passagem é significativa. Durante muito tempo, a utilização de IA esteve concentrada em aplicações como atendimento, geração de conteúdo, automação de tarefas e suporte às equipes. No setor financeiro, porém, cresce a discussão sobre sistemas capazes de analisar dados, identificar padrões e participar de processos de decisão. Isso pode ter impactos importantes em áreas como crédito, prevenção a fraudes, gestão de riscos, personalização de produtos e relacionamento com clientes. Mas a evolução também traz desafios. Quanto mais decisões forem apoiadas por algoritmos, maior será a importância de questões relacionadas a governança, segurança, qualidade dos dados, transparência e responsabilidade. O crédito que enxerga além do score Outro tema que ganha destaque no Fintech View 2026 é a evolução do crédito. O painel “O crédito que enxerga além do score” propõe justamente uma discussão sobre como novas fontes de dados e tecnologias podem modificar a avaliação de risco e a concessão de crédito. Participam João Tosin, CEO da Celero, e Alice Amaral, diretora de Risco da Visa, com mediação de Jihane Halabi, sócia da Halabi Advogados. A discussão se conecta diretamente à evolução do Open Finance. Com o compartilhamento de dados financeiros mediante consentimento, instituições podem obter uma visão mais ampla do comportamento financeiro de um cliente. Quando esses dados são combinados com modelos analíticos e inteligência artificial, abre-se espaço para avaliações mais sofisticadas do risco. O desafio, portanto, não está simplesmente em ter mais dados, mas em transformar esses dados em informação útil para decisões melhores. Essa transformação pode ser particularmente relevante para consumidores e empresas que historicamente tiveram dificuldades de acesso ao crédito por modelos tradicionais de avaliação. Inclusão financeira continua sendo um desafio A tecnologia, entretanto, não resolve automaticamente todos os problemas de acesso aos serviços financeiros. O Fintech View também coloca a inclusão financeira no centro da discussão, com a palestra “O que ainda falta para democratizar as finanças”, apresentada por Aelson Amaral, fundador e CEO da PayZu. A questão é importante porque a expansão das tecnologias financeiras precisa ser acompanhada pela capacidade de transformar inovação em acesso efetivo, produtos adequados e serviços que atendam diferentes perfis de consumidores e empresas. A evolução do sistema financeiro, portanto, não envolve apenas tecnologia. Envolve também modelos de negócio, regulação, educação financeira, acesso e capacidade de compreender as necessidades dos usuários. Quando empresas se tornam plataformas financeiras Outro movimento interessante discutido no evento é a transformação de empresas de diferentes setores em plataformas financeiras. A palestra “Quando o seu negócio vira uma plataforma financeira”, com Samuel Garcia, CEO da Finaya, aborda justamente essa possibilidade. Esse movimento representa uma mudança importante no conceito tradicional de serviços financeiros. Uma empresa de varejo, tecnologia, logística ou outro segmento pode incorporar pagamentos, crédito, conta, antecipação de recebíveis ou outros serviços financeiros à sua própria plataforma. Para o consumidor, muitas vezes, o serviço financeiro passa a acontecer sem que ele precise sair da jornada principal. Para as empresas, isso pode representar novas fontes de receita, maior relacionamento com clientes e oportunidades de criação de produtos complementares. Onde estão as oportunidades para as fintechs? O encerramento da programação coloca uma pergunta especialmente relevante para o ecossistema: onde estão as oportunidades de crescimento, escala e rentabilidade para as fintechs? O painel reúne Renata Petrovic, Head de Inovação do Bradesco | inovabra; Sergio Constantini, presidente da ABFintechs; e Carolina Morandini, líder de Inovação e Ventures na Accenture, com mediação de João Bezerra, advisor e investidor da Bossa Nova. A discussão acontece em um momento em que o mercado de fintechs amadureceu. A primeira onda de fintechs esteve fortemente associada à digitalização e à oferta de experiências mais simples e acessíveis. Agora, a discussão parece avançar para questões como escala, eficiência, rentabilidade, integração com outras plataformas e capacidade de construir infraestrutura. Isso abre espaço para uma nova pergunta: quais serão as próximas empresas capazes de transformar tecnologia e infraestrutura em modelos de negócio sustentáveis? Fintech View 2026: mais do que acompanhar tendências Ao reunir temas como infraestrutura financeira, Open Finance, inteligência artificial, crédito, inclusão financeira e novos modelos de negócio, o Fintech View 2026 propõe uma discussão que vai além de simplesmente apresentar novas tecnologias. O ponto central é entender como essas tecnologias estão mudando a estrutura do mercado financeiro e quais oportunidades podem surgir a partir dessa transformação. Para profissionais do setor financeiro, empreendedores, fintechs, bancos, investidores e empresas de tecnologia, eventos como esse também representam uma oportunidade para acompanhar diferentes perspectivas, estabelecer conexões e compreender movimentos que podem ganhar relevância nos próximos anos. A programação do Fintech View 2026 acontece presencialmente no inovabra habitat, em São Paulo, das 14h às 18h30, no dia 15 de outubro de 2026. Desconto exclusivo para leitores da Fincatch A Fincatch é parceira do Fintech View 2026 e seus leitores têm acesso a uma condição especial para participar do evento. 🎟️ 10% de desconto na inscrição Cupom: Fincatch_10_OFF 📅 15 de outubro de 2026🕑 14h às 18h30📍 inovabra habitat — São Paulo/SP Quer acompanhar de perto essas discussões? Conheça o Fintech View 2026 Garanta sua inscrição com 10% OFF pelo Sympla

  • Fim do teto de R$ 500 pode ampliar disputa entre Pix e Cartão de Débito no Varejo

    O fim do teto fixo de R$ 500 para pagamentos via Pix por aproximação, que entrou em vigor nesta quinta-feira (1º), pode ampliar a presença da modalidade no varejo e aumentar a disputa com o cartão de débito no momento da compra. Com a mudança determinada pelo Banco Central, as transações por aproximação passam a seguir os limites estabelecidos para cada usuário, assim como ocorre nas demais formas de utilização do Pix. Até então, o pagamento realizado aproximando o celular ou outro dispositivo compatível da maquininha estava sujeito a um teto específico de R$ 500 por transação. Agora, o usuário poderá solicitar à instituição financeira aumento ou redução dos limites por operação e por dia, respeitando os parâmetros e controles de segurança de sua conta. Na avaliação de José Tadeu Bijos, CEO e presidente da Multipagamentos, a mudança amplia o espaço para que o Pix avance justamente sobre uma das experiências em que o cartão ainda tem forte presença: o pagamento presencial rápido, sem necessidade de digitar chaves ou ler QR Codes. “O Pix por aproximação entra em uma disputa muito mais direta com o cartão de débito porque passa a entregar uma experiência semelhante para o consumidor. É uma modalidade que tende a ganhar espaço principalmente entre usuários que já utilizam carteiras digitais e querem fazer o pagamento com o celular de forma rápida, sem depender necessariamente de um cartão físico”, afirma Bijos. Para as empresas que recebem o pagamento, porém, a mudança tende a ser menos perceptível na liquidação financeira. Independentemente de a transação ter começado por uma chave, QR Code ou aproximação, o recurso continua chegando como Pix à conta da empresa. A transformação ocorre principalmente na jornada de iniciação do pagamento e na infraestrutura necessária para que essa experiência funcione no ponto de venda. O Pix por aproximação utiliza tecnologia NFC e pode ser iniciado por aplicativos ou carteiras digitais compatíveis, que fazem a comunicação com as instituições participantes para concluir a operação. Esse modelo também aproxima o Pix de uma lógica já conhecida dos consumidores nos pagamentos contactless com cartões. A diferença é que, em vez de uma transação percorrer a estrutura tradicional de cartões, o pagamento é liquidado pela infraestrutura do Pix. “O que muda para o varejo não é necessariamente a forma como ele recebe o dinheiro no final da operação, mas a quantidade de jornadas que passam a disputar aquele mesmo momento de pagamento. Cartão, Pix, carteira digital e outras formas de iniciação começam a conviver de maneira cada vez mais parecida para o consumidor”, explica o executivo. Para Bijos, a expansão da modalidade também deve colocar mais atenção sobre segurança e prevenção a fraudes. Os pagamentos por aproximação já seguem requisitos de autenticação e segurança definidos pelo Banco Central, mas o aumento do volume e dos valores das transações tende a exigir evolução contínua dos mecanismos de identificação, monitoramento e tratamento de ocorrências. “O mercado de cartões construiu ao longo de décadas uma infraestrutura bastante sofisticada de prevenção a fraude, autenticação e tratamento de disputas. No Pix, esse ecossistema também está evoluindo. À medida que o pagamento por aproximação passa a ser usado em mais situações e para valores maiores, segurança e experiência precisam avançar juntas”, afirma Bijos. Outro elemento dessa transformação é o papel das instituições que iniciam pagamentos. Carteiras digitais podem funcionar como iniciadoras da transação sem necessariamente movimentar diretamente os recursos: elas dão início à jornada, enquanto a liquidação ocorre entre as instituições participantes do sistema financeiro. Segundo Bijos, esse modelo deve ganhar relevância à medida que o consumidor se acostuma a escolher o meio de pagamento dentro de uma mesma experiência digital. “A tendência é caminharmos para uma experiência em que pagar com Pix por aproximação seja tão natural quanto hoje é aproximar um cartão. Para as empresas, o desafio será estar preparadas para aceitar diferentes jornadas sem aumentar a complexidade operacional para o consumidor.” A mudança foi estabelecida pela Instrução Normativa BCB nº 746. Segundo o Banco Central, a retirada do teto específico busca equiparar o Pix por aproximação às demais formas de utilização do Pix e permitir transações de valores mais elevados sem abandonar os mecanismos de gestão de limites e segurança.

  • Yuno dá mais controle aos comerciantes no checkout ao levar roteamento entre múltiplos adquirentes para pagamentos presenciais

    A Yuno, sistema de inteligência nativo em IA para pagamentos e serviços financeiros que fornece infraestrutura financeira para grandes empresas, bancos e carteiras digitais, anunciou hoje o lançamento do In-Person Payments, solução que leva roteamento, melhoria nas taxas de aprovação e conciliação ao ponto de venda físico. A oferta permite que comerciantes tenham mais controle por meio de uma única conexão para roteamento entre múltiplos adquirentes em terminais compatíveis, além da aceitação de pagamentos por aproximação via Tap to Pay em dispositivos móveis. Com a novidade, os clientes da Yuno podem reunir pagamentos online e presenciais em uma única plataforma omnicanal. A maioria dos terminais físicos continua vinculada a um único adquirente, o que limita a capacidade do comerciante de direcionar as transações com base em custos, desempenho de aprovação ou disponibilidade do provedor. Na prática, cada venda é encaminhada ao adquirente para o qual determinado terminal foi configurado, sem possibilidade de roteamento ou alternativa automática quando há uma falha no provedor. Ao mesmo tempo, é nos sistemas físicos que ocorre a maior parte das transações financeiras. Apenas 15% do que os consumidores pagam aos comerciantes passa por canais online, segundo o Global Payments Report 2025, da Worldpay. Os outros 85%, equivalentes a cerca de US$ 37,8 trilhões por ano no mundo, ainda são movimentados presencialmente. Isso significa que uma infraestrutura de pagamentos exclusivamente online deixa a maior parte da receita dos comerciantes sem possibilidade de otimização. Os pagamentos presenciais também costumam ficar em sistemas separados de relatórios e conciliação, diferentes daqueles utilizados no comércio online. Com a nova oferta de pagamentos presenciais da Yuno, os comerciantes podem reunir os pagamentos online e físicos compatíveis em uma única plataforma omnicanal. O POS Orchestration, da Yuno, reúne diferentes adquirentes em um único terminal. Cada venda é direcionada de acordo com as prioridades definidas pelo comerciante em relação a custo, aprovação e disponibilidade. Caso um adquirente apresente uma falha, a transação pode ser automaticamente encaminhada por meio de outro provedor. O direcionamento do volume de transações entre adquirentes conectados, com base em preços e desempenho previamente acordados, dá aos comerciantes maior controle sobre suas taxas de desconto (MDR). A solução da Yuno funciona nos terminais compatíveis que comerciantes e bancos já possuem e, além de cartões, permite aceitar métodos de pagamento alternativos (APMs) diretamente no terminal — os mesmos meios que os clientes já utilizam no ambiente online. Os comerciantes poderão administrar as transações online e presenciais por meio de uma única integração, com relatórios e conciliação omnicanal unificados. “O terminal não deveria determinar o provedor de pagamento. O comerciante deveria”, afirmou Juan Pablo Ortega, cofundador e CEO da Yuno. “Os pagamentos presenciais levam a Yuno para o ponto de venda, permitindo que os comerciantes se beneficiem do roteamento dinâmico, continuem vendendo quando um provedor apresenta uma falha e gerenciem pagamentos online e presenciais em uma única plataforma. O checkout físico deve ser tão flexível e dinâmico quanto o online.” No ambiente online, o comerciante sabe quem comprou determinado produto ou serviço. No ponto de venda, porém, a mesma pessoa muitas vezes chega sem ser identificada. Com pagamentos presenciais e online funcionando sobre uma única plataforma nativa em IA, os comerciantes podem conciliar os dois canais em um único livro-razão e vincular compras realizadas em lojas físicas a clientes conhecidos, construindo uma visão omnicanal de cada consumidor. Para comerciantes que não possuem uma estrutura de terminais , a Yuno também apresenta o Tap to Pay, que transforma um celular Android ou iPhone compatível em um leitor de cartões, sem necessidade de comprar ou manter um terminal POS. Bancos e adquirentes podem oferecer a solução aos comerciantes que já atendem, utilizando suas próprias marcas, criando uma alternativa para modernizar a experiência de pagamento presencial. As transações realizadas pelo celular serão incorporadas ao mesmo ambiente de conciliação utilizado pelos demais fluxos de pagamento da Yuno. A Yuno desenvolveu os dois produtos com a participação de grandes comerciantes e instituições financeiras, buscando atender às suas necessidades em escala global. O In-Person Payments também leva os agentes de IA da Yuno ao ambiente físico. O Payment Concierge Agent, que aprende com cada transação realizada na rede, passa a otimizar o roteamento e as aprovações também nos terminais físicos, e não apenas no checkout online. A expansão permite que clientes que já administram pagamentos online pela Yuno adicionem a aceitação de pagamentos físicos sem precisar desenvolver ou operar um sistema separado. A Yuno apresentará mais detalhes sobre o lançamento em um webinar ao vivo no dia 15 de outubro de 2026, com o tema In-Store and Online Payments as One Stack: Routing, Approval and Reconciliation. Registre-se em https://landings.y.uno/in-person-payments-webinar. Mais informações sobre o In-Person Payments estão disponíveis em: https://y.uno/en/product/in-person-payments.

  • Mercado de embedded finance no Brasil deve atingir US$ 18,33 bilhões até 2030

    O mercado brasileiro de embedded finance, ou finanças integradas, deve chegar a US$18,33 bilhões até 2030, após movimentar US$14,16 bilhões em 2025, segundo levantamento da consultoria PayNXT360. A projeção representa um crescimento médio de 6,7% ao ano e acompanha a expansão de um modelo que vem levando serviços como crédito, cartões, pagamentos, cashback e seguros para dentro de plataformas que os consumidores já utilizam no dia a dia. Na prática, o embedded finance permite que empresas de diferentes setores incorporem serviços financeiros à própria jornada do cliente, sem necessariamente se tornar uma instituição financeira. Um varejista pode oferecer crédito no momento da compra, um marketplace pode disponibilizar financiamento ou uma plataforma voltada a pequenos empreendedores pode oferecer antecipação de recebíveis. "O embedded finance muda o ponto de contato entre a empresa, o consumidor e o serviço financeiro. Em vez de o cliente precisar interromper sua jornada para buscar crédito, fazer um pagamento ou contratar um seguro, essas soluções podem estar disponíveis no próprio ambiente em que a necessidade surge", explica Gustavo Siuves, CRO da infratech Azify. Do produto financeiro à jornada do cliente A principal mudança trazida pelo modelo está na forma como os serviços financeiros são distribuídos. Em vez de depender exclusivamente de uma instituição financeira para acessar crédito, pagamento ou seguro, o consumidor pode encontrar essas soluções no mesmo ambiente em que já pesquisa, compra ou utiliza determinado produto ou serviço. Esse movimento também avança nas relações entre empresas. Plataformas de gestão e sistemas de ERP, por exemplo, passam a incorporar antecipação de recebíveis, crédito para capital de giro e soluções de pagamento, utilizando dados da própria operação do cliente para calibrar a oferta. A evolução da infraestrutura financeira e de dados também amplia o espaço para novas formas de distribuição de crédito. Segundo o Banco Central, entre 2021 e junho de 2025, o Open Finance ajudou a gerar R$31 bilhões em empréstimos com base em dados compartilhados. Desse total, as fintechs responderam por R$5,4 bilhões em crédito concedido a cerca de seis milhões de clientes. O dado mostra como o compartilhamento de informações financeiras já vem sendo utilizado para ampliar e personalizar a oferta de crédito. Para as empresas, a expansão do embedded finance representa uma oportunidade de transformar uma relação comercial já existente em uma nova frente de serviços e receitas. A estratégia também permite que produtos financeiros sejam oferecidos de maneira mais integrada ao contexto de consumo. "Um marketplace pode oferecer financiamento para uma compra; uma plataforma voltada a pequenos empreendedores pode antecipar recebíveis; uma empresa do setor imobiliário pode agregar seguros e soluções de pagamento à jornada do cliente". Open Finance amplia a personalização A expansão do embedded finance acontece paralelamente ao crescimento da infraestrutura de dados que permite às empresas personalizar suas ofertas. Segundo o Banco Central, o Open Finance alcançou mais de 154 milhões de autorizações ativas ao final de 2025, envolvendo 96 milhões de contas. A combinação entre dados, infraestrutura tecnológica e serviços financeiros integrados amplia a capacidade de empresas não financeiras oferecerem produtos mais próximos das necessidades de seus clientes. Ao mesmo tempo, a expansão do modelo traz desafios relacionados à segurança, transparência, análise de crédito e tratamento de dados. Para quem oferece o serviço, transformar uma relação comercial em uma relação financeira exige definir quais produtos fazem sentido para o público, quem assume o risco da operação, como será feita a análise de crédito e quais parceiros estarão envolvidos. "Embedded finance não significa que varejistas, marketplaces ou plataformas estejam necessariamente substituindo os bancos. O movimento aponta para outra mudança: os serviços financeiros estão sendo distribuídos para além das instituições que tradicionalmente os ofereciam", destaca Gustavo. Regulamentação acompanha avanço do mercado O crescimento do setor também ocorre em um cenário de maior atenção regulatória. A Resolução Conjunta CMN/BCB nº 16/2025 disciplinou pela primeira vez no país a prestação de serviços de Banking as a Service, estabelecendo exigências relacionadas à governança, gestão de risco e responsabilização da instituição regulada por trás das operações. Contratos já em vigor precisam se adequar às novas regras até 31 de dezembro de 2026. A regulamentação diferencia o embedded finance do Banking as a Service. Enquanto o embedded finance descreve a integração de serviços financeiros à jornada de uma empresa não financeira, o BaaS corresponde à infraestrutura tecnológica, por meio de APIs e parceiros regulados, que viabiliza essa integração. Para as empresas, o cenário combina expansão de mercado, novas possibilidades de monetização e a necessidade de estruturar operações financeiras com segurança, governança e conformidade.

  • Open Finance na era da rentabilidade: a virada tecnológica para converter dados em margem financeira

    Cinco anos após o início da sua implementação no Brasil, o Open Finance consolidou o país como líder global em volume de compartilhamento de dados financeiros, ultrapassando 100 milhões de clientes conectados, 154 milhões de consentimentos ativos e um salto de 143% em autorizações únicas no último ano, segundo dados de 2026 do Dashboard do Cidadão do Banco Central. Embora 79% dos bancos apontem os dados do ecossistema como o principal motor para precificação e personalização de ofertas, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, de 2025, a rentabilização efetiva desse ativo ainda é o maior gargalo das instituições financeiras. A urgência por essa eficiência analítica ganha um divisor de águas em 2026: além da portabilidade de crédito tradicional via Open Finance já em andamento, o Banco Central prevê estender a portabilidade do crédito consignado aos profissionais do setor público federal até novembro deste ano. O movimento promete reconfigurar fatias de mercado (market share) entre grandes bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs. Na prática, a escalada do ecossistema gerou um desafio de eficiência operacional: o custo de tráfego de dados e infraestrutura em nuvem cresceu mais rápido do que a receita gerada pelas novas ofertas e isso se deve pela origem dos investimentos. A maioria das instituições financeiras construiu arquiteturas tecnológicas voltadas exclusivamente para cumprir prazos de conformidade regulatória, sem preparar seus motores de crédito e recomendação para tomar decisões em tempo real a partir das informações recebidas. O dado capturado fica retido em repositórios estáticos e dashboards internos sem ser convertido em vantagem comercial. Para Dennys Cabrerizo, gerente técnico de arquitetura na Dedalus, empresa líder em Cloud e Data & AI, a falta de integração entre a recepção dos dados e a tomada de decisão coloca em risco o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e a margem financeira das instituições em um cenário de acirrada competição no crédito. “Muitas instituições ainda medem o sucesso do Open Finance pelo volume de dados capturados ou pela quantidade de consentimentos ativos. Para o balanço financeiro, essa métrica é enganosa. A métrica que realmente importa para a rentabilidade é a receita incremental obtida por consentimento ativo. Acumular terabytes de dados em bases estáticas sem capacidade de inferência rápida gera apenas custos operacionais que corroem a margem financeira e o Ebitda da operação digital”, explica Cabrerizo. Custo de infraestrutura versus retorno financeiro (ROI) O especialista da Dedalus destaca que as instituições precisam migrar a avaliação de desempenho do volume bruto de dados para a receita incremental obtida por consentimento ativo. Com base nisso, ele aponta quatro pontos críticos de eficiência e gestão que impactam diretamente os resultados financeiros do setor: A escalada do custo operacional com chamadas de APIs: com o Open Finance movimentando mais de 5 bilhões de comunicações semanais no país, como aponta o relatório da Febraban de 2026 “Estado do Open Finance”, o custo de tráfego de dados, processamento e infraestrutura em nuvem disparou. Sem uma arquitetura capaz de filtrar e priorizar requisições de alto valor de conversão, a despesa operacional cresce em ritmo acelerado, elevando o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) e pressionando a margem operacional digital. Gargalo de latência e a transição para eventos em streaming: a maioria dos motores de crédito das instituições ainda opera em lote sobre bases internas. Para suportar decisões em segundos, é necessário transicionar para uma arquitetura baseada em eventos e streaming, com desacoplamento assíncrono entre produtores e consumidores de dados e cache distribuído, eliminando intervalos de preparação de dados no momento do atendimento. Reconciliação cadastral, PDD e margem de spread: um dos fatores que mais afeta a lucratividade das carteiras de crédito é a precisão dos modelos de risco. Quando os dados externos do Open Finance chegam com divergências de granularidade ou sem uma reconciliação automática com o cadastro interno do banco, os modelos perdem acurácia. Isso resulta na rejeição de bons tomadores (perda de receita) ou na precificação incorreta de risco, elevando a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) e encurtando o spread bancário. Risco regulatório, LGPD e passivos contingentes: o consentimento do cliente não é apenas uma etapa de autenticação, mas um atributo dinâmico de governança patrimonial que deve se propagar por todo o pipeline (da ingestão ao treinamento de modelos de IA). Quando um consentimento expira ou é revogado e a variável continua alimentando algoritmos preditivos, a instituição fica exposta a sanções severas do Banco Central e da LGPD, além do risco patrimonial decorrente da invalidação futura de modelos de crédito. A batalha pelo consignado e a dinâmica competitiva de 2026 Com a proximidade da expansão do consignado federal, a disputa pela carteira de crédito exigirá agilidade analítica imediata. A nova dinâmica competitiva coloca frente a frente três perfis de participantes: enquanto os bancos tradicionais mantêm como trunfos a maior base de clientes, histórico transacional robusto e escala de investimento — mas enfrentam o gargalo de sistemas legados —, os bancos digitais apresentam menor “dívida técnica”, arquiteturas modernas em nuvem e maior agilidade para experimentação. Paralelamente, as fintechs se destacam pela especialização de nicho, rapidez de inovação e jornadas digitais focadas e sem atrito. "Na disputa pelo crédito consignado, ganha a instituição que conseguir simular e ofertar a melhor taxa personalizada em tempo real, enquanto o cliente pesquisa no aplicativo. A vantagem sustentável não será definida pelo porte do balanço, mas pela capacidade de transformar dados em decisões de maneira escalável e governada. Quem tiver uma infraestrutura analítica lenta não conseguirá disputar essa carteira e perderá margem de crédito para concorrentes digitais mais eficientes", conclui Cabrerizo. A evolução para infraestruturas de dados em nuvem de baixa latência e motores de inteligência analítica emerge, portanto, não apenas como uma escolha de TI, mas como um pilar de sobrevivência e rentabilidade para o setor bancário no Brasil.

  • Claps cria biblioteca tecnológica para dar unidade a diferentes jornadas de seguros

    A experiência de contratar um seguro por uma corretora, instituição financeira ou plataforma digital pode assumir diferentes formatos. Produtos, públicos, parceiros e canais mudam, mas o consumidor espera encontrar jornadas simples, intuitivas e confiáveis em qualquer ambiente. Para ajudar a manter essa unidade entre diferentes soluções, o Claps, empresa do Grupo MA9 especializada em tecnologia para venda e distribuição digital de seguros, está desenvolvendo uma biblioteca própria de componentes visuais e tecnológicos. Construída conjuntamente pelas áreas de Design e Engenharia, a estrutura reúne elementos que podem ser compartilhados entre os produtos da empresa, preservando padrões de identidade visual, acessibilidade, comportamento e qualidade técnica. Botões, campos, menus, formulários e outros componentes presentes nas interfaces deixam, assim, de ser desenvolvidos isoladamente em cada projeto. Eles passam a integrar uma base comum, que pode ser utilizada e atualizada de maneira organizada nas diferentes jornadas digitais apoiadas pelo Claps. Embora pareçam detalhes para quem utiliza uma plataforma, esses elementos interferem diretamente na forma como o consumidor compreende uma oferta, preenche informações e avança na contratação de um seguro. Em um setor marcado por produtos com diferentes coberturas, regras e canais de distribuição, a clareza da experiência digital tem papel importante na relação entre empresas, parceiros e clientes. “Uma jornada de seguros precisa traduzir informações e etapas que nem sempre são simples para o consumidor. Quando Design e Engenharia trabalham sobre uma base compartilhada, conseguimos construir experiências mais coerentes, acessíveis e fáceis de utilizar, mesmo em produtos e canais diferentes”, afirma Márcio Andrade, CEO do Claps. Tecnologia compartilhada entre diferentes soluções A biblioteca foi estruturada como um pacote de frontend independente e distribuída de forma privada por meio do AWS CodeArtifact. Essa arquitetura permite compartilhar componentes entre projetos, controlar versões e organizar a evolução dos elementos utilizados nas soluções do Claps. Na prática, uma melhoria realizada em determinado componente pode ser disponibilizada de forma centralizada para os times que utilizam a biblioteca. O modelo reduz inconsistências entre produtos e evita que equipes precisem resolver repetidamente os mesmos desafios de interface. A iniciativa ganha relevância diante da expansão dos modelos digitais e multicanais no mercado de seguros. Seguradoras, corretoras, bancos, cooperativas e outros parceiros podem oferecer proteção em ambientes distintos, com identidades e estratégias próprias. Por trás dessas diferentes experiências, porém, é necessário manter uma estrutura tecnológica capaz de sustentar jornadas consistentes. “A distribuição de seguros acontece hoje em diferentes pontos de contato. Cada parceiro tem suas particularidades, mas a experiência precisa manter qualidade e coerência ao longo de todo o processo. A biblioteca cria uma base comum para que possamos atender diferentes necessidades sem fragmentar o desenvolvimento”, explica Andrade. Padronizar para personalizar melhor A padronização dos componentes não significa que todas as soluções terão a mesma aparência ou funcionarão de maneira idêntica. Ao contrário, ao organizar elementos recorrentes, as equipes podem concentrar esforços nas características específicas de cada produto, canal ou parceiro. A proposta é padronizar aquilo que sustenta a experiência para ampliar a capacidade de personalização do que realmente diferencia cada operação. Dessa forma, o Claps busca combinar identidade própria, flexibilidade comercial e consistência tecnológica em suas soluções de venda e distribuição digital de seguros. O trabalho também está relacionado à evolução contínua da arquitetura da empresa. Práticas como a refatoração reorganizam e aprimoram a estrutura interna do código sem alterar o funcionamento percebido pelo usuário. Esse cuidado reduz o débito técnico, facilita manutenções e prepara as plataformas para incorporar novas funcionalidades, integrações e regras de negócio. Com o amadurecimento do projeto e a consolidação das boas práticas, o Claps também estuda disponibilizar parte da biblioteca como iniciativa open source. A possibilidade permitiria compartilhar conhecimento e ampliar a troca com a comunidade de desenvolvimento. Mais do que reunir componentes de interface, a biblioteca representa uma forma de transformar conhecimento tecnológico em uma base comum para diferentes experiências de seguros, conectando as necessidades de produtos, parceiros e consumidores.

  • Novas regras levam proibição das bets à operação do sistema de pagamentos

    A proibição das apostas de quota fixa instituída pela Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, já começou a produzir efeitos concretos no sistema financeiro e de pagamentos. Nos dias seguintes à MP, o Decreto nº 13.128/2026 estruturou a fiscalização integrada, a Resolução BCB nº 590/2026 confirmou a aplicação imediata da vedação às transações e o Banco Central orientou os participantes do Sistema de Pagamentos Instantâneos – SPI sobre a rejeição de determinadas transferências. As medidas são complementares. A MP estabelece a proibição e o regime de transição; a Resolução determina sua aplicação imediata pelas instituições e participantes dos arranjos; o Informe leva uma das restrições à operação do Pix; e o Decreto organiza a coordenação entre as autoridades responsáveis pela fiscalização. Fiscalização passa a integrar diferentes autoridades O Decreto nº 13.128 regulamentou o Comitê Interinstitucional de Fiscalização da Exploração e da Publicidade Ilegal de Apostas de Quota Fixa, reunindo, entre outros órgãos, Casa Civil, Secretaria de Prêmios e Apostas – SPA, Receita Federal, Banco Central, Coaf, Polícia Federal, Anatel, ANPD e Ministério da Justiça. A estrutura busca permitir que diferentes dimensões de uma mesma operação clandestina sejam tratadas de forma coordenada. Uma plataforma irregular pode envolver publicidade digital, sites e aplicativos, contas de pagamento, empresas intermediárias, movimentações financeiras e possíveis repercussões tributárias ou penais. O Comitê poderá compartilhar informações, observados os limites legais de sigilo e proteção de dados, definir protocolos para interrupção de fluxos financeiros e bloqueio de sites e propor procedimentos padronizados de notificação às instituições financeiras e de pagamento. As competências próprias de cada autoridade permanecem preservadas. Proibição dos pagamentos já é imediatamente exigível A MP determina que, ressalvadas as operações necessárias ao encerramento e à restituição dos apostadores, instituições financeiras, instituições de pagamento, instituidores e demais participantes de arranjos não podem processar, liquidar ou viabilizar transações destinadas às apostas. Também prevê uma sistemática eletrônica, a ser estabelecida pelo Banco Central, para rejeição e devolução interbancária de recursos relacionados a apostas ilegais. A Resolução BCB nº 590 tornou explícito que essa obrigação deve ser cumprida desde a publicação da MP. “A obrigação já é exigível e não depende da conclusão de toda a regulamentação tecnológica ou da atualização prévia dos regulamentos dos arranjos. Cada participante precisa avaliar, conforme sua posição na cadeia de pagamentos, como identificar e impedir as transações proibidas. Os mecanismos adicionais do Banco Central poderão padronizar essa execução, mas não suspendem o dever atual”, explica Thiago do Amaral Santos, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e especialista em meios de pagamento. A vedação não alcança, contudo, os pagamentos necessários ao encerramento. A MP proíbe novos ingressos nas contas transacionais, mas preserva restituições, saldos e prêmios já devidos. Instituições terão sete dias para realizar restituições Após a indisponibilização das plataformas, os operadores terão dois dias para disponibilizar os recursos necessários e encaminhar às instituições mantenedoras das contas transacionais a relação dos apostadores, com CPF, valor devido e conta de origem. Os recursos permanecerão segregados para pagamento aos apostadores. A partir do recebimento dessas informações, as instituições terão sete dias para efetuar as restituições, preferencialmente para a conta de origem. Ao final, deverão informar à SPA os valores restituídos e aqueles cuja devolução não tenha sido possível, que serão transferidos para conta específica na Caixa Econômica Federal. A responsabilidade por valores não disponibilizados ou diferenças permanece com o operador. “A instituição não assume a dívida do operador, mas passa a executar uma operação potencialmente massificada, com grande quantidade de apostadores e pagamentos em prazo reduzido. O operador deverá fornecer a base individualizada e os recursos necessários; à instituição caberá conciliar as informações e executar as devoluções. O desafio será fazer isso sem permitir novos aportes e, ao mesmo tempo, sem interromper restituições e prêmios legítimos”, afirma Amaral. Arranjos poderão alterar regulamentos imediatamente A MP exige que os instituidores assegurem, nos regulamentos dos arranjos, o cumprimento da proibição por todos os participantes, inclusive aqueles não sujeitos diretamente à autorização do Banco Central. A Resolução BCB nº 590 criou um procedimento excepcional para essa adequação. As alterações necessárias podem ser realizadas imediatamente, sem autorização prévia do Banco Central e sem consulta ou comunicação prévia aos participantes. Depois de efetuadas, deverão ser comunicadas imediatamente ao BCB e aos participantes. A norma também esclarece que a obrigação de impedir as transações independe da própria alteração do regulamento. Não há, portanto, período intermediário em que o processamento possa continuar enquanto se aguarda a adequação formal. “A Resolução permite que a adequação documental acompanhe a urgência operacional. O regulamento pode ser alterado imediatamente, com comunicação posterior, mas a obrigação de impedir as transações já existe independentemente dessa alteração. Sistemas, controles e procedimentos dos participantes precisam ser ajustados em paralelo”, explica Amaral. Banco Central orienta rejeição de transferências no Pix Outra mudança já alcançou diretamente o Pix. O Banco Central orientou os participantes do SPI sobre a rejeição de transferências alcançadas pela vedação de ingresso de novos recursos nas contas transacionais dos operadores durante o período de encerramento. A orientação permite que a transferência proibida seja rejeitada antes de seu ingresso na conta, em vez de ser recebida para posterior devolução. Esse procedimento é apenas uma parte da infraestrutura prevista pela MP. A medida também determina a criação de uma sistemática mais ampla para rejeição de transações e devolução interbancária de recursos relacionados a apostas ilegais nas transferências em tempo real. “O Informe trata de uma situação específica do período de encerramento. A etapa seguinte será mais ampla: os participantes do Pix precisarão de regras para identificar e tratar pagamentos relacionados a apostas ilegais, inclusive quando os recursos já tiverem percorrido o sistema e seja necessária uma devolução entre instituições. Isso exigirá critérios de identificação, troca de informações e tratamento dos intermediários envolvidos no fluxo”, afirma Amaral. Regras também alcançam instituições que não atendem bets As mudanças não interessam apenas às instituições que mantêm contas dos antigos operadores. Uma instituição que nunca tenha atendido diretamente uma plataforma pode ter sua infraestrutura utilizada por empresas intermediárias, contas de passagem, merchants, submerchants ou gateways. Esse risco já era contemplado pela Portaria SPA/MF nº 2.750/2026, que prevê mecanismos para identificar operações direta ou indiretamente relacionadas à exploração irregular, inclusive intermediários, dispersão de recursos e migração dos fluxos para novas contas ou pessoas, naquilo que permanecer compatível com o novo regime. Uma empresa de tecnologia, por exemplo, pode passar a receber milhares de transferências de pessoas físicas e repassar rapidamente os recursos a terceiros, embora não possua vínculo formal aparente com apostas. Nessa situação, a ausência do operador como destinatário não elimina a necessidade de analisar a finalidade econômica do fluxo. “A exposição não se limita ao relacionamento direto com uma plataforma. Com a proibição, aumenta a importância de identificar novas empresas, intermediários ou contas utilizados para substituir os antigos canais de recebimento. O controle passa a exigir não apenas a identificação formal do cliente, mas também a compreensão do comportamento transacional e da atividade que aquela infraestrutura efetivamente viabiliza”, conclui Amaral. Com a MP nº 1.394, o Decreto nº 13.128, a Resolução BCB nº 590 e as primeiras orientações operacionais do Banco Central, a proibição das apostas já avançou da definição legal para mecanismos concretos de implementação e fiscalização. Para as instituições, o desafio passa a combinar adequação jurídica, tecnologia, monitoramento transacional e governança dos arranjos.

  • Pagamentos agênticos: Pix e Open Finance colocam o Brasil na liderança global das transações por IA

    O debate sobre pagamentos agênticos costuma começar pela pergunta errada: quando a inteligência artificial vai pagar nossas contas? A resposta é: ela já começa a fazer isso. A questão relevante não é se um agente será capaz de pesquisar, escolher e concluir uma compra. É quem vai garantir que ele agiu dentro do que foi autorizado, sob qual regra, com base em que informação — e quem responderá quando algo der errado. Nesse ponto, o Brasil tem uma oportunidade incomum. Construímos, em poucos anos, dois ativos que a maior parte do mundo ainda persegue: uma infraestrutura de liquidação instantânea, barata e disponível 24 horas por dia, e uma estrutura de consentimento padronizado, com escopo, prazo, revogação e participantes autenticados. Pix e Open Finance não resolvem todo o problema, mas formam uma base muito mais sólida do que parece à primeira vista. O Pix resolve a circulação do dinheiro. O Open Finance oferece o esqueleto da autorização. Para pagamentos agênticos em escala, porém, falta construir a camada entre os dois: o mandato. Hoje, uma pessoa autentica um pagamento no mesmo instante em que manifesta sua intenção. Ela vê o valor, confere o destinatário e confirma a operação. Com um agente, esses momentos se separam. O usuário deixa de autorizar uma transação específica e passa a autorizar uma política: até quanto o agente pode gastar, em quais categorias, com quais estabelecimentos, em qual período e em que situações deve pedir uma nova confirmação. É mais parecido com conceder uma procuração de escopo limitado do que apertar um botão de pagar. Esse deslocamento muda também a pergunta que bancos e instituições financeiras precisam responder. Hoje, o foco é saber se foi realmente o titular quem realizou a operação. Amanhã, será preciso saber se aquela ação estava dentro do mandato concedido pelo titular. E essa resposta precisa ser dada em tempo real, milhões de vezes, com prova suficiente para uma auditoria ou uma contestação. É aí que o desafio brasileiro deixa de ser apenas regulatório ou tecnológico. A instituição precisa conseguir explicar a própria regra. Quando um mandato diz que um agente pode gastar até determinado valor em insumos, por exemplo, alguém precisa definir o que conta como insumo, qual limite se aplica àquele cliente, qual exceção vale para aquele produto e se há algum fator de risco que bloqueia a operação. Essas regras raramente estão em um documento atualizado. Elas vivem distribuídas em décadas de sistemas críticos, integrações, políticas internas e código que continua rodando — muitas vezes sem que a organização consiga descrevê-lo por completo. O trilho resolve a liquidação. Mas quem responde “isso pode?” é o núcleo do banco. Essa é a diferença entre executar um pagamento agêntico e governar um pagamento agêntico. O primeiro pode acontecer com uma integração bem desenhada. O segundo exige identidade verificável do agente, vínculo claro com o titular, mandato legível por máquina, revogação instantânea, trilha auditável e uma instituição capaz de aplicar suas próprias regras de forma explicável. Sem isso, o risco não é apenas técnico. É econômico e jurídico. Quando um agente compra fora do escopo autorizado, quem responde? Se o agente atuou dentro do mandato e o produto não foi entregue, a relação de consumo segue valendo. Se operou fora dos limites, a responsabilidade deve recair sobre quem desenvolve e opera o agente — desde que a instituição tenha aplicado corretamente o mandato. Se o banco ignora uma restrição válida, a falha é do detentor da conta. Se o comércio manipula preço, estoque ou instruções para induzir o software, trata-se de uma nova forma de fraude. Não existe um único responsável. Existe uma cadeia de responsabilidades e essa cadeia só funciona se houver evidência: qual mandato autorizou a ação, qual regra foi aplicada, qual sistema a executou e qual informação fundamentou a decisão. Não se julga aquilo que não se consegue explicar. O modelo brasileiro pode ser uma vantagem justamente porque o país já sabe coordenar infraestrutura pública e inovação privada. O Pix reorganizou a circulação do dinheiro. O Open Finance leva a mesma visão de infraestrutura compartilhada para dados e consentimento, criando regras comuns para que pessoas autorizem, controlem e revoguem o uso de suas informações financeiras. A próxima etapa deveria usar o mesmo método: um padrão de mandato para agentes, um diretório de identidade e revogação, custos baixos na base e implementação progressiva. Isso não significa fechar o país para protocolos globais. A postura mais inteligente é ser rígido no mandato e neutro no trilho. Protocolos estrangeiros podem operar aqui, desde que respeitem a regra brasileira de autorização, responsabilidade e auditoria. A janela é curta. Plataformas de IA, bandeiras e grandes marketplaces já disputam os protocolos que vão definir como os agentes compram. Se o Brasil apenas adaptar padrões construídos fora, será um mercado de implementação. Se construir a camada que permite autorizar, limitar, revogar e explicar decisões, poderá oferecer algo mais valioso: um método. O legado brasileiro não é apenas um passivo a ser trocado. Ele contém décadas de regras de negócio reais, testadas em produção e sob regulação. O desafio é traduzi-las para uma linguagem que pessoas, auditores e agentes consigam entender. O Brasil já tem o trilho. Agora precisa construir a camada de significado. É nela que a confiança será decidida — e é ela que pode transformar o país de adotante rápido em protagonista global dos pagamentos agênticos.

  • 6 em cada 10 brasileiros ainda têm dúvidas para escolher uma conta global; ranking revela as melhores opções no Brasil

    As contas globais já são realidade para quase metade dos brasileiros. Elas facilitam o uso de moedas estrangeiras, costumam ter taxas mais baixas do que as casas de câmbio e trazem mais segurança para fazer pagamentos no exterior ou para fazer investimentos internacionais. Apesar desse avanço, ainda há muitas dúvidas na hora de escolher uma dessas contas para usar. Em uma pesquisa feita pelo Melhores Cartões, site especializado em cartões de crédito, milhas, contas globais e oportunidades, 6 em cada 10 pessoas revelaram se confundir na hora de abrir uma conta global, não conseguindo diferenciar boas opções de outras menos interessantes. Os questionamentos são os mais diversos. Para 47,2% dos brasileiros, a principal dificuldade é ter segurança de que a instituição é confiável, enquanto 37,8% responderam que é entender as regras e condições de cada opção disponível no mercado. Para ajudar o consumidor nessa escolha, o Melhores Cartões e o Melhores Destinos lançaram um novo ranking de contas globais. A ferramenta avaliou 25 contas disponíveis no país — 35 opções quando considerados diferentes planos e níveis — a partir de 21 critérios relacionados a custos, cartões e moedas, segurança, experiência de uso, recursos financeiros e benefícios. “Contas digitais globais oferecem praticidade e economia tanto para quem viaja ao exterior quanto para quem investe ou recebe valores de outros países. Nosso ranking tem como objetivo ajudar cada pessoa a encontrar a conta mais adequada entre tantas opções disponíveis. Nem sempre a que oferece o dólar mais barato será a mais indicada", explica Leonardo Marques, Diretor e Fundador dos sites Melhores Cartões e Melhores Destinos. Uso de contas globais vai de compras online a pagamentos em viagens internacionais, e custo é fator principal na escolha A pesquisa mostrou que, apesar de a maioria dos entrevistados ter dúvidas em relação a contas globais, quase metade deles já possui uma: 45,8% disseram já usar essas contas atualmente. Entre os que já utilizam essa facilidade, mais da metade (55%) foca em fazer compras em sites internacionais. Na sequência, os principais usos são guardar dinheiro em moeda estrangeira (52,8%) e fazer pagamentos em viagens ao exterior (47,1%). Ainda foram citados investimentos no exterior (36,2%) e recebimento de pagamentos ou salários de fora do país (30,5%). “Usar as contas globais para pagamentos em moeda estrangeira pode trazer uma economia real de até 10% quando comparamos com o cartão de crédito tradicional, emitido no Brasil, por exemplo. Além disso, é uma forma muito mais prática, segura e barata para usar em viagens. Algumas delas oferecem até a opção de saques de graça em caixas eletrônicos em outros países”. A fala do Diretor do Melhores Cartões vai ao encontro do resultado da pesquisa, já que a economia é o principal quesito analisado na hora de escolher a conta: taxas e custos mais baixos são o fator mais considerado pelos entrevistados, citado por 56,6%. Na sequência aparecem a confiança na marca (52%), a facilidade para realizar o câmbio (48%) e a experiência de uso do aplicativo (43,6%). Mas, apesar da familiaridade de boa parte dos brasileiros, as dúvidas ainda atrapalham a escolha de qual conta global vale mais a pena. Mais da metade dos entrevistados (52,4%) dizem que é difícil entender as tarifas e custos envolvidos, enquanto 40,2% sentem dificuldade em lidar com o câmbio e a conversão de moedas. Ranking analisa custo, segurança e outros critérios para ajudar na decisão Com apenas um terço dos brasileiros se sentindo preparados para escolher uma dessas contas, o Melhores Cartões e o Melhores Destinos elaboraram um ranking inédito das melhores contas globais do Brasil para ajudar nessa decisão. Na lista, lançada neste mês, foram consideradas 25 contas disponíveis para brasileiros, e cada uma delas foi analisada em 21 critérios, divididos em seis blocos: Custo de Uso; Cartões e Moedas; Segurança e Confiança; Experiência e Acesso; Recursos Financeiros; e Benefícios. Cada um desses blocos recebe uma nota, que é convertida em pontos de acordo com o peso de cada critério, dando uma pontuação de 0 a 100 para cada conta global. “Esse é um ranking inédito e elaborado pelas equipes do Melhores Cartões e do Melhores Destinos com base em critérios definidos e total independência editorial. O objetivo é muito claro: ir além do valor do dólar ou euro na hora de converter a moeda e mostrar para os leitores as opções que podem fazer mais sentido para eles”, explicou Marques. A segurança, dúvida de mais de 47% dos entrevistados, foi um dos principais pontos analisados na elaboração do ranking, sendo considerada, inclusive, como pré-requisito para que a conta apareça no ranking. “Um dos critérios que a conta precisava ter para ser listada no ranking era estar em operação há pelo menos 12 meses ou ser oferecida por uma instituição regulada pelo Banco Central com, no mínimo, cinco anos de atuação no país. Além disso, instituições que tenham algum tipo de problema na regulação junto ao BC ou um histórico preocupante de reclamações poderão ser excluídas da lista”, detalhou o diretor do Melhores Cartões. Contas digitais e fintechs lideram o ranking O destaque do ranking ficou com as contas digitais e fintechs, que ocupam as quatro primeiras posições. A melhor conta global, de acordo com os critérios analisados, é a da Revolut, que somou 78,8 pontos em 100 possíveis. Na sequência, duas contas baseadas em stablecoins: a Picnic (74,4 pontos) e a ARQ (73,3 pontos). Logo atrás aparece a Wise, com 64,2 pontos, considerando a versão padrão sem o Rende+, uma possibilidade oferecida pela conta para adicionar dinheiro em investimentos, com IOF mais baixo. O primeiro banco brasileiro a aparecer no ranking é o Inter, com sua conta global somando 63,6 pontos. O Top-10 ainda fica apenas com instituições digitais, com destaque para o Mercado Pago (6º lugar, com 61,9 pontos) e Nubank Ultravioleta (7º lugar, com 59 pontos). Já os bancos mais tradicionais não se saíram muito bem. O primeiro banco tradicional a constar na lista é o Santander, apenas na 19ª posição com a conta Select Global (44,3 pontos). De acordo com Leonardo Marques, o ranking será atualizado mensalmente, o que garantirá uma análise mais próxima da evolução da reputação das contas citadas e também de possíveis novos serviços e tarifas ao longo do tempo. Metodologia Para entender a relação dos brasileiros com as contas globais, nos últimos dias, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos), de todas as regiões do país e conectados à internet. A pesquisa tem índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais. Os participantes responderam a 5 questões sobre o processo de escolha de uma conta global, suas facilidades no dia a dia e os pontos que mais geram dúvidas sobre o tema. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.

  • AI FinOps ganha espaço à medida que empresas perdem visibilidade sobre os custos da IA

    A Inteligência Artificial deixou de ocupar apenas espaços de experimentação e passou a integrar operações, produtos e processos de negócio. Com aplicações, modelos e agentes incorporados em diferentes áreas, a Sensedia, especialista em APIs e agentes de IA, aponta que o aumento do consumo traz um novo desafio para as empresas: entender e controlar os custos associados ao uso da tecnologia sem limitar sua capacidade de inovação. Segundo dados do Gartner, os gastos globais com IA devem totalizar US$ 2,52 trilhões em 2026, um crescimento de 44% em relação ao ano anterior. Nesse cenário de expansão, a governança orçamentária ganha relevância, especialmente porque o consumo de recursos de IA apresenta características diferentes das despesas tradicionais de TI, com custos variáveis e diretamente relacionados ao volume de chamadas, tokens, modelos e ferramentas utilizados. O desafio de acompanhar o salto nos gastos com IA A adoção descentralizada de diferentes modelos, aplicações e agentes de IA pode dificultar a identificação de quanto está sendo gasto, por quem e em quais iniciativas. Além disso, pequenas mudanças no volume de utilização podem provocar aumentos desproporcionais na despesa, tornando o acompanhamento do orçamento mais complexo. É nesse contexto que o AI FinOps amplia a abordagem tradicional de controle de despesas em nuvem para contemplar as particularidades desse consumo. O objetivo não é apenas reduzir custos, mas criar visibilidade sobre os recursos utilizados, atribuir despesas às áreas responsáveis, identificar desperdícios e apoiar decisões de investimento. "AI FinOps cuida de controle e previsibilidade dos custos com AI, mas vai além, trata de garantir que cada real investido em IA gere valor mensurável para o negócio. Mais do que olhar para o gasto total depois que ele já ocorreu, a proposta é acompanhar o consumo de forma contínua para antecipar desvios, estabelecer limites, identificar oportunidades de otimização e dar mais previsibilidade aos investimentos”, afirma Marcilio Oliveira, cofundador da Sensedia. Cinco dimensões para a eficiência financeira em IA Uma estratégia estruturada de AI FinOps envolve cinco dimensões principais: visibilidade, governança, controle, previsibilidade e otimização. A primeira permite compreender o consumo de diferentes modelos, aplicações e agentes. A governança estabelece critérios para utilização e responsabilização. Já o controle permite definir limites e orçamentos de acordo com o custo efetivamente gerado. A previsibilidade, por sua vez, ajuda as empresas a antecipar despesas e planejar investimentos, enquanto a otimização busca direcionar o uso de forma mais eficiente, considerando modelos, rotas e necessidades específicas de cada aplicação. A responsabilização atravessa essas dimensões ao conectar o custo ao responsável pelo consumo. Com a atribuição por áreas, centros de custo ou agentes, as empresas passam a ter uma visão mais granular sobre onde os recursos estão sendo utilizados e qual é o impacto financeiro de cada iniciativa. O papel do AI Gateway na visibilidade do consumo Em ambientes que combinam diferentes modelos, fornecedores e aplicações, uma camada centralizada de mediação pode facilitar esse acompanhamento. O AI Gateway atua como ponto de passagem para o tráfego de IA, permitindo consolidar informações sobre o consumo e relacioná-las aos respectivos custos. A partir dessa camada, é possível acompanhar o custo de chamadas por modelo e rota, estabelecer orçamentos e limites financeiros, realizar rateios por centros de custo ou agentes e identificar oportunidades de otimização. A solução também permite considerar diferentes condições comerciais negociadas com fornecedores, tornando a mensuração mais próxima do custo efetivamente incorrido pela empresa. "Em um ambiente multi-modelo e multi-vendor, a gestão orçamentária depende de dados confiáveis e de granularidade suficiente para conectar consumo e custo. Essa visão permite que as empresas não apenas controlem despesas, mas entendam onde a inteligência artificial está gerando valor, onde existem oportunidades de otimização e como direcionar melhor os investimentos”, conclui Oliveira.

  • NG.CASH capta US$ 15 milhões para expandir crédito e acesso financeiro para a nova geração do Brasil

    A NG.CASH, fintech voltada para as novas gerações, anuncia um aporte estratégico de US$ 15 milhões liderado pela Blockchain Capital, um dos principais fundos globais especializados em infraestrutura financeira e ativos digitais. O investimento eleva para mais de US$ 65 milhões o total captado pela empresa desde sua fundação e marca uma nova etapa, que acelera a evolução da companhia para um ecossistema financeiro completo, preparando a base da expansão para a América Latina. A companhia projeta alcançar R$ 1 bilhão em volume de crédito originado até o fim de 2027. O aporte chega em um momento de forte crescimento da NG.CASH. Fundada em 2021 para transformar a relação das novas gerações com o dinheiro, a fintech ultrapassou a marca de 10 milhões de clientes e vem ampliando seu portfólio para acompanhar a evolução financeira de sua base. Após consolidar sua atuação como conta digital, a companhia acelerou sua entrada no mercado de crédito em 2026 com o lançamento do Pix Crédito, que integra crédito e pagamentos instantâneos em uma única experiência digital, e do Crédito CLT, solução de consignado privado desenvolvida para a nova força de trabalho brasileira. O crédito representa uma das maiores lacunas do sistema financeiro brasileiro: grande parte da população ainda enfrenta barreiras de acesso, juros elevados e processos burocráticos que limitam a inclusão financeira. “Nosso foco em crédito parte, assim como foi a fundação da empresa, da percepção de uma lacuna importantíssima no mercado. Há 5 anos era o acesso dos jovens a uma conta digital, hoje é o acesso a um crédito inteligente que os ajude a iniciarem sua vida adulta e alcançarem seus objetivos. Por sermos a primeira conta desses jovens, nós conseguiremos oferecer seu primeiro crédito de forma personalizada, estruturada e transparente, ajudando as novas gerações a serem cada vez mais inteligentes financeiramente", afirma Mário Augusto Sá, cofundador e CEO da NG.CASH. Essa evolução acompanha o amadurecimento da própria base de usuários da NG.CASH. À medida que seus clientes ingressam no mercado de trabalho, constroem patrimônio e passam a demandar produtos financeiros mais sofisticados, a empresa amplia sua oferta para entregar uma experiência integrada, intuitiva e alinhada ao comportamento de uma geração que nasceu no ambiente digital. "Desde o primeiro dia, acreditamos que as novas gerações precisariam de uma plataforma financeira construída para acompanhar a evolução de suas vidas. Foi assim que deixamos de ser apenas uma conta digital para construir um ecossistema completo, capaz de atender nossos clientes em cada nova etapa da sua jornada financeira. Este investimento estratégico valida essa visão e, ao lado da Blockchain Capital, nos posiciona para liderar consistentemente a inovação do sistema financeiro brasileiro e, quem sabe, da América Latina”, complementa. "Passamos os últimos anos procurando fora dos EUA a próxima geração de fintechs que vão redefinir suas categorias, e identificamos no Brasil o tipo de mercado ideal onde acreditamos que elas serão produzidas. A NG.CASH já provou que consegue criar e expandir um negócio que os jovens brasileiros realmente usam, e é justamente por isso que decidimos investir nela", analisa Kinjal Shah, General Partner da Blockchain Capital. Expansão e novo produto à vista O investimento também posiciona a NG.CASH para capturar novas possibilidades para ativos digitais e stablecoins. A companhia pretende ampliar as fronteiras da inovação financeira, desenvolvendo soluções que aproximem o universo dos ativos digitais da experiência cotidiana dos usuários, sempre dentro de um ambiente regulado e seguro. Além do aporte, a entrada da Blockchain Capital adiciona à companhia um investidor com ampla experiência global em infraestrutura blockchain, ativos digitais e evolução regulatória do sistema financeiro. O fundo passa a integrar um grupo de investidores que já reúne nomes como a16z, NEA e Monashees, fortalecendo a estratégia da NG.CASH de conectar o sistema financeiro tradicional às novas tecnologias que moldarão a próxima geração de serviços financeiros. Além do Brasil, a América Latina se apresenta como uma oportunidade de crescimento para a NG.CASH: na região, é comum o cenário de uma população jovem, altamente conectada e ainda pouco atendida por serviços financeiros modernos. Com o novo investimento, a fintech está apta a acelerar a construção de uma plataforma que atenda essa demanda em escala regional, unindo tecnologia, experiência do usuário e inovação financeira.

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