Com mercado projetado em US$ 18 bilhões até 2030 no Brasil, embedded finance avança como nova arquitetura do sistema financeiro
- Fincatch

- 26 de mai.
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O sistema financeiro brasileiro está entrando em uma nova fase de transformação digital. Após a consolidação do Pix, do Open Finance e da digitalização bancária, o mercado começa a avançar rapidamente para aquilo que especialistas apontam como a próxima fronteira do setor: o embedded finance — ou serviços financeiros integrados.
O avanço do embedded finance ocorre em um momento de forte expansão da digitalização financeira no Brasil. Hoje, o País já possui o maior ecossistema de Open Finance do mundo, com mais de 100 milhões de clientes conectados e cerca de 154 milhões de consentimentos ativos. Ao mesmo tempo, estudos internacionais apontam que o mercado brasileiro de embedded finance deverá superar US$ 18 bilhões até 2030, impulsionado pelo avanço do Pix, das APIs financeiras e da infraestrutura digital criada pelo Banco Central.
Adicionalmente, estimativas do setor indicam que os serviços financeiros integrados poderão movimentar mais de R$ 24 bilhões em receitas adicionais no Brasil já em 2026, especialmente em segmentos como varejo, marketplaces, telecomunicações, mobilidade e plataformas digitais.
O conceito de embedded finance se refere à integração de soluções financeiras diretamente em plataformas digitais, aplicativos, marketplaces, ERPs e ecossistemas empresariais, permitindo que empresas ofereçam crédito, pagamentos, seguros e serviços bancários dentro da própria jornada do usuário.
Com cerca de 87% da população conectada à internet e ampla penetração de smartphones, o Brasil se consolidou como um dos mercados mais férteis do mundo para a expansão de soluções financeiras integradas à experiência digital dos consumidores e empresas.
Na prática, o sistema financeiro deixa de estar restrito aos bancos tradicionais e passa a ser incorporado de forma invisível à experiência digital dos consumidores e empresas. Essa é a avaliação do analista Lucas Montanini, especialista no mercado de tecnologia financeira e sócio na SH Squads, empresa especializada em inteligência operacional, automação e integração tecnológica para o mercado financeiro digital.
“O embedded finance transforma qualquer empresa em potencial distribuidora de serviços financeiros. O banco deixa de ser um destino e passa a ser uma camada integrada à experiência digital”, afirma Montanini
Segundo o especialista, que ganhou notoriedade no ecossistema de fintechs por ter fundado a Live On, empresa de infraestrutura financeira posteriormente adquirida pelo Banco Modal em 2021, tornando-se posteriormente sócio da XP Inc, esse movimento representa uma mudança estrutural na lógica de funcionamento do mercado financeiro.
“O avanço do Open Finance, das APIs financeiras e das novas infraestruturas digitais criadas pelo Banco Central abriu espaço para um modelo muito mais descentralizado e conectado. Estamos entrando em uma era em que o financeiro estará presente em praticamente todas as plataformas digitais. Marketplaces, softwares de gestão, varejistas, aplicativos e ecossistemas SaaS passam a incorporar soluções financeiras como parte natural da jornada do cliente”, explica.
Já na visão do consultor Roberto Wajnsztok, que atua no mercado digital desde 2000 e foi, por 14 anos, diretor de e-commerce de grandes varejistas nacionais e internacionais, essa tendência vem acompanhada de uma crescente demanda por automação, inteligência operacional e integração tecnológica. “Isso porque operações de embedded finance exigem alto nível de conectividade entre sistemas, compliance contínuo, monitoramento transacional e capacidade de escalar serviços financeiros de forma segura e eficiente”, pontua o executivo, que hoje divide o comando da SH Squads com Montanini.
De acordo com o executivo, nesse novo cenário, a inteligência artificial tende a assumir papel estratégico. “A IA será a infraestrutura invisível do embedded finance. Ela será responsável por automatizar decisões, personalizar ofertas financeiras, monitorar riscos, prevenir fraudes e gerar eficiência operacional em tempo real”, afirma Montanini.
“O mercado financeiro caminha para uma arquitetura mais modular, aberta e orientada por dados, na qual empresas precisarão combinar tecnologia, governança e experiência do usuário”, acrescenta Wajnsztok.
Os dois especialistas concordam que esse novo cenário também amplia a necessidade de times multidisciplinares especializados — ou squads especializados — capazes de integrar engenharia, automação, inteligência artificial e conhecimento regulatório para acelerar projetos financeiros digitais.
“O embedded finance aumenta significativamente a complexidade operacional das empresas. Não basta apenas oferecer um produto financeiro. É necessário integrar sistemas, garantir compliance, automatizar processos e entregar uma experiência fluida ao usuário. É justamente aí que estruturas especializadas ganham relevância”, diz Wajnsztok.
“Com a expansão do embedded finance, o sistema financeiro tende a se tornar cada vez mais invisível, integrado e contextual, deixando de existir apenas dentro dos bancos para operar de forma distribuída em toda a economia digital”, conclui Montanini.




















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