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Estruturar mini bancos próprios vira estratégia de indústrias para reduzir custos e ganhar previsibilidade de caixa


O mercado brasileiro de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vive um ciclo histórico de expansão. O patrimônio líquido da indústria já se aproxima de R$ 800 bilhões, com mais de R$ 1,4 trilhão em operações registradas ao longo de 2025. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, o número de FIDCs cresceu mais de 20% no último ano, superando a marca de 3.800 estruturas ativas. O avanço reflete um movimento claro de desintermediação financeira: cada vez mais empresas estão buscando no mercado de capitais alternativas ao crédito bancário tradicional.


Na indústria, esse movimento faz ainda mais sentido. O verdadeiro desafio do setor não está apenas na produção, na eficiência da planta ou na expansão comercial, está no capital de giro. Em um segmento que opera com prazos longos, ciclos produtivos complexos e alto investimento em estoque e matéria-prima, crescer sem uma estratégia financeira estruturada pode significar comprometer margem, previsibilidade e capacidade de investimento. É nesse cenário que o FIDC para indústrias ganha protagonismo.


Regulado pela Comissão de Valores Mobiliários, o FIDC viabiliza a criação do chamado “mini banco”, modelo estruturado e desenvolvido pela fintech Bankme, que organiza o crédito privado dentro da própria indústria para gerir e financiar seus recebíveis com governança, tecnologia e regras internas de risco. Na prática, funciona como um braço financeiro estruturado no próprio grupo econômico, capaz de transformar duplicatas, vendas a prazo e contratos em capital imediato por meio de securitização, permitindo antecipar recebíveis, financiar distribuidores e fornecedores e organizar o fluxo de caixa com maior previsibilidade. Diferentemente do modelo bancário tradicional, em que limites e condições dependem de terceiros, o mini banco internaliza a inteligência de crédito e dá à empresa autonomia para definir políticas próprias, reduzir a dependência do sistema bancário e transformar o financeiro em alavanca estratégica de crescimento.

Ao internalizar a estratégia de crédito, a companhia passa a antecipar recebíveis de forma estruturada, pagar fornecedores à vista com maior poder de negociação, financiar novos projetos, ampliar capacidade produtiva e até criar linhas próprias para sua cadeia de distribuidores. Tudo isso com regras e políticas definidas internamente.


Segundo Thiago Eik, fundador da Bankme, essa mudança representa uma virada estratégica para o setor industrial. “Eu não tenho dúvida de que, nos próximos anos, cerca de 80% das indústrias e distribuidoras brasileiras terão seus próprios bancos. O Mini Banco é um modelo disruptivo que permite às empresas estruturarem crédito privado com governança, tecnologia e gestão de risco, transformando recebíveis em capital em poucos dias e com uma fração do custo de um FIDC tradicional. Na prática, elas deixam de depender do sistema bancário, passam a financiar sua própria cadeia e ganham margem, previsibilidade e velocidade para crescer”, afirma Thiago Eik, CEO da Bankme.”, afirma.


Além do ganho operacional, há um componente relevante de eficiência tributária. Empresas no regime de Lucro Real podem estruturar o FIDC de forma a otimizar a tributação sobre os resultados distribuídos pelo fundo, reduzindo significativamente o impacto em comparação ao modelo tradicional, algo especialmente relevante em setores de margens pressionadas.


Outro ponto central é a previsibilidade. Com uma estrutura própria, a indústria reduz a dependência de decisões externas do sistema bancário, estabiliza o fluxo de caixa e ganha capacidade de planejamento de médio e longo prazo, fundamental para investimentos em tecnologia, expansão de planta ou abertura de novos mercados.


É nesse contexto que os mini bancos têm ganhado espaço entre indústrias que buscam mais autonomia financeira. A fintech apoia empresas na criação de estruturas próprias, para transformar o crédito em alavanca estratégica de crescimento. “Não se trata apenas de captar mais barato. Trata-se de transformar o financeiro em uma área estratégica do negócio. Quem domina seu próprio crédito cresce com mais segurança e velocidade”, complementa Thiago Eik.


Em um ambiente de juros elevados e competição global intensa, o FIDC deixa de ser uma ferramenta restrita a grandes conglomerados e passa a ser alternativa concreta para indústrias que desejam escalar operação com autonomia, eficiência e inteligência financeira.


No fim das contas, produzir bem já não é suficiente. A indústria que quer crescer de forma sustentável precisa financiar melhor e estruturar um mini banco próprio pode ser o passo decisivo para sustentar o próximo ciclo de expansão.

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