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Fusões entre mercado tradicional e cripto somam US$ 22,8 bi e impulsionam nova era do setor financeiro

há 16 minutos
3 min de leitura

O mercado financeiro global vem passando por uma transformação estrutural comparável a convergências industriais históricas, como a migração do setor de telecomunicações para as redes de dados e a eletrificação da indústria automotiva. O cenário é de instituições tradicionais incorporando liquidação, custódia e tokenização baseadas em blockchain, e o setor de criptoativos adotando a governança, a gestão de risco e as salvaguardas regulatórias do mercado bancário. 


“A transformação dos mercados financeiros tem origem na tecnologia blockchain e no potencial dela de remodelar a infraestrutura financeira, mais do que nos criptoativos em si. A oportunidade real está em integrar essa tecnologia ao sistema financeiro existente para tornar negociação, custódia e liquidação mais eficientes, seguras e escaláveis. Para bancos e instituições financeiras, isso exige parceiros de confiança que reúnam conhecimento tecnológico e os padrões regulatórios, de governança e de resiliência operacional das finanças tradicionais”, afirma Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group.


A integração entre os dois setores ganha velocidade com operações globais de fusões e aquisições envolvendo o mercado financeiro tradicional (TradFi), fintechs e empresas nativas digitais. Segundo levantamento global da gestora e analista de mercado ParaFi Capital, o valor acumulado de fusões e aquisições anunciadas entre os setores superou US$ 22,8 bilhões entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, dos quais US$ 15,4 bilhões foram concentrados apenas em 2025. O estudo abrange transações concluídas nos principais centros financeiros da América do Norte e da Europa, além de negócios com impacto direto na infraestrutura de mercados emergentes da América Latina, impulsionados pela busca das instituições por estruturas regulamentadas de custódia, liquidação e stablecoins.


Cripto institucional e a mudança no modelo operacional


À medida que stablecoins e ativos programáveis se firmam como camadas eficientes de liquidação global, grandes custodiantes e infraestruturas globais de bolsa, como Intercontinental Exchange (ICE), Nasdaq e Deutsche Börse, ampliam integrações tecnológicas e parcerias para conectar a liquidez do varejo à demanda institucional.


A forma de entrar no setor mudou, e as instituições financeiras deixaram de desenvolver estruturas próprias e isoladas para incorporar infraestruturas regulamentadas que já estão consolidadas no mercado. Essa mudança para o setor cripto institucional alterou os desafios operacionais do setor, a começar pela necessidade de profissionais com perfil híbrido, capazes de transitar entre controles tradicionais de compliance, como prevenção à lavagem de dinheiro (AML), conheça seu cliente (KYC) e gestão de liquidez, e as novas arquiteturas digitais abertas.


Ao mesmo tempo, o sucesso dessa convergência depende de equilíbrio entre cultura e governança, aliando a prudência e a resiliência operacional do setor bancário ao ritmo de desenvolvimento e à escalabilidade tecnológica. Por fim, a manutenção de intermediários regulados e a rastreabilidade rigorosa das transações continuam sendo exigências das autoridades globais para garantir a estabilidade do sistema financeiro.


Após a chegada de marcos como o MiCA (Markets in Crypto-Assets) na Europa e os avanços das diretrizes da BaFin (Alemanha) e da FINMA (Suíça), a segurança jurídica se tornou o principal catalisador para a adoção em larga escala por bancos e gestoras de patrimônio.


Com sua infraestrutura avançada de fintechs, a América Latina também se destaca mundialmente nessa nova etapa de adoção, que a Crypto Finance chama de “cripto institucional”.


Enquanto a tendência global de consolidação reflete a busca das instituições por infraestrutura de nível bancário, a adoção regional avança em ritmo acelerado. Segundo dados da Chainalysis, a América Latina movimentou cerca de US$ 1,5 trilhão em transações em blockchain entre 2022 e 2025, impulsionada pelo uso de stablecoins em tesouraria corporativa, liquidação e pagamentos internacionais. Esse volume evidencia a necessidade urgente de os bancos da região contarem com parceiros de infraestrutura regulados e de alta liquidez para conectar seus canais tradicionais ao mercado digital.

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