Pix Automático pode reduzir custo de cobrança, mas migração exige atenção à inadimplência
- Fincatch

- há 2 horas
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A migração das cobranças recorrentes para o Pix Automático pode representar uma redução importante nos custos de arrecadação das empresas, mas olhar apenas para a tarifa cobrada por transação pode esconder outro efeito da mudança: o comportamento de pagamento dos clientes que ainda não aderiram à nova modalidade.
Diferentemente do débito automático, a autorização para o Pix Automático precisa ser consentida previamente pelo próprio consumidor no ambiente de sua instituição financeira. Essa mudança, embora possa parecer semântica, traz consigo um empoderamento do consumidor à luz da LGPD, segundo a qual somos titulares de nossas informações e o uso desses dados precisa ser consentido.
Esse consentimento não vem sozinho. Ele é acompanhado do direito de cancelar pagamentos em determinadas situações, inclusive quando o consumidor não concorda com o valor cobrado, entre outras possibilidades. Para empresas com bases numerosas de clientes recorrentes, portanto, a transição depende não apenas da implantação tecnológica, mas também da capacidade de converter os atuais pagadores para a nova modalidade e prever novos métodos para o questionamento de valores cobrados.
Além disso, durante a transição entre os serviços, podem surgir problemas quando um cliente deixa de utilizar o débito automático, mas não conclui o consentimento para adesão ao Pix Automático. Até que uma nova forma recorrente seja estabelecida, o pagamento pode voltar a depender de uma ação ativa do consumidor, como abrir uma fatura, acessar um aplicativo ou efetuar manualmente a transação.
Outras situações que não estavam presentes no débito automático também passam a existir. No consentimento, os consumidores podem definir limites de débito, o que cria uma nova classe de ocorrências. Há também integrações entre os bancos pagadores que podem apresentar indisponibilidades momentâneas.
Para José Tadeu Bijos, CEO e presidente da Multipagamentos, é justamente nesses pontos que as empresas precisam ampliar a análise sobre os ganhos esperados com a migração.
“Reduzir a tarifa de arrecadação é um ganho concreto, mas não pode ser a única métrica. Se uma parte dos clientes deixa uma modalidade automática e não conclui a autorização da nova cobrança, a empresa precisa entender o que acontece com esse recebimento. A economia de um lado pode ser parcialmente anulada por atraso, inadimplência ou necessidade de novas ações de cobrança”, afirma Bijos. “E, no fim da linha, o contas a receber não mente.”
O impacto pode ser especialmente relevante para negócios que trabalham com grandes volumes de pagamentos mensais, nos quais pequenas alterações na taxa de sucesso das cobranças podem produzir efeitos significativos sobre o fluxo de caixa.
Nesse cenário, indicadores tradicionalmente acompanhados por áreas diferentes passam a precisar de uma leitura conjunta. O custo da arrecadação, a taxa de conversão para o Pix Automático, o índice de pagamentos realizados no vencimento, a inadimplência e o impacto sobre o capital de giro fazem parte da mesma equação.
“Dentro das empresas, tarifa, inadimplência e capital de giro muitas vezes são acompanhados por áreas diferentes. O risco é cada uma enxergar apenas uma parte da migração. Para saber se a mudança realmente trouxe eficiência, é preciso consolidar o resultado econômico de ponta a ponta”, explica o executivo.
A adesão também passa a ter peso maior na estratégia de cobrança. Como a constituição da autorização depende do consumidor, as empresas precisam identificar quem já aderiu, quem ainda não completou o processo e quais clientes deixaram de contar com uma forma automática de pagamento.
Para Bijos, isso transforma a migração em um processo que combina finanças, tecnologia e relacionamento com o cliente.
“Não basta disponibilizar o Pix Automático e esperar que toda a base migre naturalmente. Existe uma jornada entre oferecer a modalidade, conquistar a autorização e efetivamente receber aquela cobrança todos os meses. É essa continuidade que precisa ser administrada”, diz.
A Multipagamentos, que há mais de 15 anos atua na integração de cobranças recorrentes entre grandes faturadores e o sistema bancário, vem utilizando agentes de inteligência artificial para acompanhar diferentes etapas desse ciclo, como identificação da base elegível, evolução das autorizações, abandono da jornada e ações de reengajamento.
Na avaliação da companhia, a discussão sobre eficiência em pagamentos recorrentes tende a avançar além do preço de cada transação. O desafio será medir qual combinação de meios de pagamento oferece não apenas menor custo, mas também maior previsibilidade e capacidade de recebimento.
“Uma cobrança barata que não é concluída deixa de ser eficiente. A conta mais importante não é apenas quanto custa processar o pagamento, mas quanto custa garantir que o dinheiro efetivamente entre no caixa no prazo esperado”, conclui Bijos.




















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