

há 53 minutos

A ampliação do crédito para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) pode estar entre os principais impactos da duplicata escritural no Brasil. Segundo a Pesquisa de Duplicatas 2026, realizada pela Núclea em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad) e a Môre Consultoria com instituições financeira, empresas e associações, as PMEs podem ter melhor precificação do crédito ao aderirem ao novo modelo digitalizado.
A implementação da duplicata escritural começa pelas grandes empresas, mas levantamento da Núclea mostra que as empresas de menor porte já vêm ampliando a participação nessa modalidade. A pesquisa indica que negócios com faturamento de até R$ 200 mil registraram, entre 2024 e 2025, crescimento de 49% na quantidade de operações realizadas com duplicatas e avanço de 125% no valor financeiro movimentado por essas operações.
Grafico 1: Os valores movimentados por operações com duplicatas realizadas por empresas com faturamento de até R$ 200 mil indicam aumento em 49% da utilização desse instrumento de 2024 para 2025 para obtenção de crédito.

Fonte: Núclea
Embora esse grupo ainda represente uma parcela pequena do volume total do mercado, os números demonstram que empresas de menor porte estão utilizando cada vez mais seus recebíveis como instrumento de financiamento. Na prática, isso sinaliza um potencial relevante para que as PMEs ampliem o acesso ao crédito à medida que a duplicata escritural avance e torne o mercado mais transparente, competitivo e integrado.
A forma como PMEs acessam crédito no Brasil deve passar por uma transformação nos próximos anos em função da mudança na regulação, prevista para entrar em 2026, com o objetivo de eliminar o uso de papel, reduzir fraudes e aumentar a eficiência nas operações financeiras e comerciais. A duplicata escritural, modelo que digitaliza e padroniza o registro de recebíveis, tem potencial para ampliar a concorrência entre financiadores, melhorar a avaliação de risco das empresas e aumentar as opções de crédito para capital de giro. Mas os benefícios não devem chegar para todos ao mesmo tempo.
“O principal ganho estrutural está na capacidade de dar mais visibilidade ao risco das empresas. Com informações mais organizadas e rastreáveis, mais financiadores poderão analisar os mesmos recebíveis e competir por essas operações”, afirma Rodrigo Furiato, vice-presidente de Negócios da Núclea.
De acordo com a pesquisa, 88% das instituições financeiras e associações entrevistadas acreditam que o novo modelo ampliará a distribuição de crédito no país. Entre todos os participantes, 63% apontam o aumento da oferta de crédito como principal indicador de sucesso da implementação, enquanto 41% esperam redução do custo do financiamento.
O estudo revela que 75% das associações entrevistadas enxergam risco de largada assimétrica das operações, cenário em que parte do mercado estará preparada para operar na nova infraestrutura enquanto outra parcela ainda enfrentará dificuldades de adaptação. Enquanto 82% das instituições financeiras ouvidas já possuem um roadmap aprovado e os grandes bancos já discutem diferencial e novos produtos, a prontidão das empresas sacadas é próxima de zero.
“A duplicata escritural tem potencial para ampliar o crédito e aumentar a competitividade do mercado, mas os benefícios dependerão da capacidade de empresas, instituições financeiras e demais participantes operarem de forma coordenada”, afirma Furiato.
Gráfico 2: O mercado financeiro já trata a duplicata escritural como uma agenda de crescimento: entre os participantes com roadmap aprovado, 71% classificam o tema como prioridade estratégica

Fonte: Núclea.
Esse é um cenário oportuno para PMEs que se anteciparem à digitalização. A principal mudança está na forma como o mercado passará a enxergar seus recebíveis. Com informações registradas eletronicamente e compartilhadas em uma infraestrutura padronizada, mais instituições financeiras poderão avaliar os mesmos títulos, comparar riscos e disputar operações de financiamento.
A empresas com informações organizadas e histórico consistente poderão demonstrar melhor a qualidade dos seus recebíveis, reduzindo a assimetria de informações que hoje limita o acesso ao crédito de muitos negócios. A expectativa do mercado é que a duplicata escritural ajude a reduzir a dependência de poucos financiadores, criando um ambiente mais competitivo para operações de capital de giro.
“Com a duplicata escritural, o mercado de recebíveis como garantia pode ser destravado, gerando a oportunidade de muitos títulos que hoje estão fora serem efetivamente negociados”, afirma Furiato.
Outro desafio identificado pela pesquisa é o entendimento das empresas sobre o novo modelo. A nota média atribuída ao preparo para orientar sacados e sacadores foi de apenas 4,2 em uma escala de 0 a 10. O levantamento mostra que ainda existe baixo conhecimento sobre conceitos como aceite, cessão, boleto, liquidação e responsabilidades dentro da nova infraestrutura.
Grafico 3: A maioria dos entrevistados identifica os sacadores (empresas emissoras das duplicatas) como o grupo com a jornada de orientação mais estruturada atualmente, indicando que ainda existe espaço para ampliar a comunicação e a preparação dos demais participantes do ecossistema.

Fonte: Núclea.
Segundo Furiato, esse pode ser um dos principais fatores para determinar a velocidade de adoção da duplicata escritural pelas PMEs. “O maior risco não é apenas tecnológico. A adoção depende de entendimento. Quanto mais as empresas compreenderem o funcionamento do modelo, mais preparadas estarão para aproveitar as novas oportunidades de crédito”, afirma.
PMEs: o que você precisa saber sobre a Duplicata Escritural
O que muda com a regulamentação?
A Duplicata Escritural integra o processo de modernização da infraestrutura financeira brasileira e estabelece um novo modelo para a emissão, o registro, a circulação e a liquidação desses títulos. Sua implementação será gradual, conforme cronograma definido pelo Banco Central, e exigirá adaptações por parte de empresas (emissores e pagadores), instituições financeiras e provedores de tecnologia. Como se trata de uma mudança recente e que ainda desperta muitas dúvidas, reunimos as principais informações para ajudar os empreendedores a entender o que muda na prática e como se preparar para essa nova realidade
FAKE | FATO |
“Somente as grandes empresas precisam se preocupar com a mudança.” | A implementação será gradual, mas também alcançará pequenas e médias empresas. Além disso, uma PME poderá ser impactada antes de sua obrigatoriedade por clientes, fornecedores, bancos e plataformas que já estiverem operando no novo ambiente. |
“Quem emite poucas duplicatas não precisa se preocupar.” | Empresas com menor volume, também poderão ser alcançadas pelo cronograma regulatório e precisarão adequar processos quando a obrigação se aplicar ao seu porte e às suas operações. |
“Todas as empresas sentirão os benefícios da mesma forma e ao mesmo tempo.” | Os resultados dependerão do nível de digitalização, da qualidade dos dados, da organização interna e da maturidade dos Agentes Financiadores (Bancos, FIDCs, Fintechs, Financeiras, Factorings) e provedores de tecnologia utilizados pela empresa. Dependerá também da Escrituradora escolhida para emissão das duplicatas. |
“Boleto bancário e duplicata são a mesma coisa.” | A duplicata é um título de crédito originado de uma venda de produtos ou prestação de serviços. O boleto é um instrumento de pagamento, não o próprio título. Inclusive, o boleto é o meio de pagamento que melhor se encaixa ao novo processo da duplicata escritural. Está em andamento, uma evolução do boleto (boleto dinâmico) que evoluirá para permitir o direcionamento dos recursos/pagamento para o efetivo beneficiário, quando a duplicata for negociada. |
A obrigatoriedade impactará apenas as empresas de maior porte | A obrigatoriedade começará pelas empresas de maior porte. O cronograma regulatório prevê uma implementação escalonada, que posteriormente alcançará empresas de outros portes. |
“O Sacado/Pagador não precisa se adaptar” | O sacado (consumidor, pagador) precisará se adaptar para interagir com o novo ecossistema, registrando seu aceite, recusa, ciência de negociações, além de anotações comerciais. É imprescindível que o sacado adeque seu processo de contas a pagar, pois deve realizar o pagamento para o efetivo beneficiário, quando a duplicata for negociada, mesmo que relacionamento com ele. |
Vale lembrar! |
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A implementação será gradual. | A adoção ocorrerá em etapas, permitindo que empresas e instituições financeiras adaptem seus processos de forma progressiva. |
Mesmo quem ainda não estiver obrigado poderá ser impactado. | Clientes, fornecedores, bancos, fintechs e plataformas poderão começar a operar no novo ambiente antes da obrigatoriedade atingir todas as empresas. |
O objetivo é aumentar a segurança e a eficiência do mercado de recebíveis. | A regulamentação busca substituir processos fragmentados por uma infraestrutura digital, interoperável e mais transparente. |
Antecedência reduz riscos. | Empresas que organizarem seus processos, sistemas e cadastros antes da obrigatoriedade tendem a ter uma transição mais simples e eficiente. |
CRÉDITO: Fato ou Fake?
FAKE | FATO |
A Duplicata Escritural garantirá juros menores automaticamente. | Ela cria condições para ampliar a concorrência entre financiadores, mas o custo do crédito continuará considerando fatores como risco da empresa, qualidade dos recebíveis e cenário econômico. |
A Duplicata Escritural interessa apenas para empresas que tomam empréstimos. | Além de ampliar as alternativas de financiamento, a Duplicata Escritural contribui para uma gestão mais eficiente dos recebíveis e para uma melhor organização financeira das empresas. Os principais beneficiados serão os negócios que já utilizam seus recebíveis como garantia para obtenção de crédito. Ao mesmo tempo, essa evolução tende a despertar o interesse de empresas que ainda não recorrem às duplicatas como fonte de financiamento, incentivando-as a considerar essa modalidade de crédito lastreada em recebíveis diretamente vinculados à sua atividade operacional. |
Apenas grandes empresas serão beneficiadas. | As PMEs também poderão acessar um mercado de crédito mais competitivo e transparente à medida que o novo modelo for implementado. |
Vou Poder continuar com boleto como garantia após a começar a operar com a Duplicata Escritural | Após a adesão a Duplicata Escritural não será permitida a utilização de boletos ou duplicatas cartulares, como garantia das operações de crédito. Para assegurar uma transição controlada durante o início da operação da duplicata escritural, foram criadas barreiras de entrada, desta forma até o final de 2026 será necessário combinar as operações com os Sacados para que estes estejam habilitados (embarquem) no ecossistema e seja possível emitir duplicatas contra esses sacados. |
Você sabia? | Por que isso é importante? |
Mais alternativas de crédito. | Recebíveis registrados em ambiente padronizado poderão ser analisados por diferentes instituições financeiras, ampliando as possibilidades de financiamento. |
Maior poder de negociação. | A empresa reduz a dependência de um único banco e passa a comparar propostas entre diferentes financiadores. |
Análises de crédito mais rápidas. | Informações estruturadas tornam a avaliação dos recebíveis mais eficiente e podem reduzir etapas operacionais. |
Maior competitividade financeira. | Quanto mais transparente e organizada estiver a empresa, maiores tendem a ser suas oportunidades de acesso ao mercado financeiro. |
SEGURANÇA JURÍDICA: Fato ou Fake?
FAKE | FATO |
A Duplicata Escritural é apenas um documento digital. | Ela registra eletronicamente todo o ciclo de vida da duplicata, fortalecendo a segurança jurídica das operações. |
O novo sistema eliminará totalmente as fraudes. | Ele reduz riscos importantes, como dupla cessão e duplicidade de garantias, mas continua exigindo controles internos e boa gestão. |
A empresa perderá autonomia sobre seus recebíveis. | A titularidade permanece com a empresa. O que muda é a forma como esses direitos passam a ser registrados, acompanhados e negociados. |
A Duplicata Escritural serve apenas para registrar operações. | Ela cria uma infraestrutura que aumenta a transparência, fortalece a rastreabilidade e reduz conflitos sobre os títulos. |
Você sabia? | Por que isso é importante? |
Cada movimentação da duplicata fica registrada. | Isso aumenta a rastreabilidade e facilita a comprovação do histórico do título ao longo de toda a operação. |
Fica mais fácil comprovar quem é o titular do crédito. | O registro estruturado reduz disputas e aumenta a confiança entre empresas, financiadores e investidores. |
Mais transparência para todas as partes. | Empresas, financiadores e demais participantes passam a compartilhar informações padronizadas e mais confiáveis. |
Menos conflitos sobre garantias. | O histórico eletrônico das operações reduz dúvidas relacionadas à cessão ou utilização do mesmo recebível como garantia. |
TECNOLOGIA E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: Fato ou Fake?
FAKE | FATO |
Será preciso trocar todo o ERP da empresa. | Na maioria dos casos, bastará integrar ou adaptar os sistemas já existentes. |
Apenas empresas altamente tecnológicas conseguirão operar. | Bancos, ERPs, fintechs e provedores de tecnologia desenvolverão soluções para empresas de diferentes portes. |
A tecnologia resolverá tudo sozinha. | Os benefícios dependem da qualidade dos processos internos e das informações registradas pela empresa. |
Você sabia? | Por que isso é importante? |
A Duplicata Escritural acelera a transformação digital. | A integração entre sistemas reduz processos manuais e incentiva a modernização das rotinas financeiras. |
Empresas digitalizadas tendem a se adaptar mais facilmente. | Quem já utiliza sistemas integrados e processos eletrônicos precisará fazer menos ajustes operacionais. |
Maior integração com financiadores e plataformas financeiras. | O compartilhamento padronizado de informações reduz retrabalho e agiliza a comunicação entre empresas e instituições financeiras. |
A infraestrutura financeira brasileira ficará mais conectada. | A interoperabilidade entre diferentes participantes aumenta a eficiência das operações e favorece a inovação. |
DADOS E GOVERNANÇA: Fato ou Fake?
FAKE | FATO |
Basta guardar mais documentos. | O diferencial será manter informações consistentes, atualizadas e organizadas eletronicamente. |
Apenas o departamento financeiro será impactado. | Comercial, fiscal, jurídico, tecnologia e contabilidade também participam da qualidade das informações utilizadas na escrituração. |
Posso deixar para me organizar quando a obrigação chegar. | Quanto antes a empresa revisar seus processos, mais simples será a adaptação ao novo modelo. |
Você sabia? | Por que isso é importante? | |
Dados passam a ser um ativo estratégico. | Informações confiáveis fortalecem a gestão da empresa e aumentam a confiança nas operações financeiras. | |
Cadastros atualizados reduzem retrabalho. | Pequenos erros cadastrais podem gerar inconsistências e atrasos durante a escrituração. | |
Maior controle dos recebíveis. | A empresa acompanha com mais facilidade títulos emitidos, cedidos, liquidados e pendentes. | |
Processos mais organizados. | A padronização das informações reduz conferências manuais e aumenta a eficiência operacional. | |
Governança financeira mais robusta. | A revisão de processos internos fortalece controles, responsabilidades e qualidade das informações. | |
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Checklist: sua empresa está preparada?
Antes da obrigatoriedade, vale revisar alguns pontos que facilitarão a adaptação ao novo modelo.
CHECKLIST |
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Os cadastros dos clientes estão atualizados? | ☐ |
Meu ERP permite integração com novas plataformas? | ☐ |
Conversei com meu banco sobre como ele atuará na Duplicata Escritural? | ☐ |
Minha equipe financeira conhece as mudanças? | ☐ |
Os processos de contas a receber e a pagar estão organizados? | ☐ |
Já consultei meu fornecedor de tecnologia sobre eventuais adaptações? | ☐ |
Estou acompanhando o cronograma divulgado pelo Banco Central? | ☐ |
As 7 vantagens da Duplicata Escritural para as PMEs
Vantagem | Por que isso importa? |
Mais alternativas de crédito. | Diferentes instituições poderão analisar os mesmos recebíveis, ampliando as possibilidades de financiamento para a empresa. |
Maior poder de negociação. | A empresa reduz a dependência de um único banco e passa a comparar condições entre diferentes financiadores. |
Mais segurança jurídica. | A rastreabilidade dos títulos reduz conflitos sobre titularidade, cessões e utilização como garantia. |
Gestão financeira mais eficiente. | O acompanhamento dos recebíveis torna-se mais organizado, fortalecendo o controle do fluxo de caixa. |
Processos mais digitais e integrados. | A substituição de rotinas manuais por processos eletrônicos reduz retrabalho e aumenta a produtividade. |
Dados mais confiáveis e melhor governança. | Informações padronizadas fortalecem a gestão financeira, a tomada de decisão e o relacionamento com instituições financeiras. |
Preparação para o futuro da economia digital. | A empresa passa a operar em um ambiente financeiro mais moderno, interoperável e alinhado às transformações promovidas pelo Banco Central. |
A pesquisa foi realizada pela Núclea em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad), especializado em inteligência de mercado, e com a Môre, consultoria focada em transformação digital e inovação tecnológica. Conduzido em fevereiro de 2026, o estudo analisa os impactos da duplicata escritural em temas como ampliação do crédito, interoperabilidade, segurança e preparação operacional do mercado. O levantamento foi conduzido por meio de entrevistas estruturadas, com roteiros segmentados de acordo com o perfil dos entrevistados: instituições financeiras, associações e empresas, incluindo bancos S1 a S5, cooperativas de crédito, varejo financeiro e representantes da economia real.


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