Por que o Bitcoin não caiu em julho mesmo após mês turbulento; o que esperar em agosto?
- Fincatch
- há 11 minutos
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Julho testou as criptomoedas em várias frentes, impulsionadas pelas vendas de Bitcoin da Strategy, uma escalada no Oriente Médio e uma correção nas bolsas puxada pelo setor de tecnologia. Ainda assim, o BTC fechou o mês com alta de 5% em relação ao início e entrou em agosto se mantendo firme, mesmo enquanto os mercados mais amplos absorviam um dos eventos macroeconômicos mais incomuns do ano: Estados Unidos e Japão realizaram uma intervenção coordenada para sustentar o iene, a primeira ação conjunta dos dois países desde 2011 e a primeira voltada especificamente ao iene desde 1998.
Segundo a Crypto Finance, empresa de ativos digitais do grupo Deutsche Börse, julho elevou a régua de exigência para os ativos de risco em geral. A inflação continuou cedendo, mas os bancos centrais mantiveram a cautela e o dólar seguiu forte, o que levou os investidores a ficarem mais seletivos com ações de IA e de crescimento. O S&P 500 se manteve perto das máximas históricas, mas esse desempenho escondeu um mercado bem mais cauteloso por trás dos números, com a liderança concentrada em um grupo menor de empresas.
As criptomoedas resistiram a esse cenário, com o Bitcoin negociando na maior parte do mês entre US$ 62 mil e US$ 65 mil. A empresa aponta os fluxos dos ETFs como o principal fator por trás dessa estabilidade. Os fluxos ficaram mais voláteis no fim do mês, mas a demanda institucional seguiu consistente e ajudou a absorver a pressão vendedora nos momentos de maior fraqueza macroeconômica.
O avanço regulatório trouxe um reforço adicional. O CLARITY Act seguiu tramitando ao longo do mês e, apesar de uma resolução final ainda pendente, é visto como um catalisador importante para o setor no segundo semestre do ano.
A Strategy, de Michael Saylor, continuou pesando no humor do mercado. A empresa sinalizou que vai seguir vendendo bitcoin na margem até que suas ações preferenciais STRC atinjam a paridade, hoje cotadas em US$ 92,15. Os investidores seguem debatendo o crescimento da linha de produtos estruturados e preferenciais atrelados à Strategy, mas a posição de liquidez mais confortável da empresa e sua maior flexibilidade de financiamento reduziram os receios de uma venda forçada ao longo do mês.
Para Mike Schwitalla, Chief Commercial Officer da Crypto Finance, o comportamento observado em julho mostra um mercado mais maduro na forma como precifica risco.
"O Bitcoin atravessou uma venda da Strategy, uma correção nas ações de tecnologia e uma intervenção cambial coordenada sem apresentar uma queda equivalente. Isso diz muito sobre para onde os fluxos institucionais estão indo. Quem construiu exposição por meio de estruturas adequadas de custódia, corretagem e liquidação está em melhor posição para atravessar um mês como esse sem precisar reagir a cada manchete. É exatamente esse tipo de infraestrutura que bancos e gestoras de ativos estão buscando ao expandir sua capacidade em ativos digitais", afirmou.
A resiliência observada em julho confirma uma tendência que a Crypto Finance vem acompanhando ao longo de 2026. Bancos da América Latina e da Península Ibérica estão ampliando sua capacidade de oferecer exposição a ativos digitais para os próprios clientes, em vez de tratar o setor cripto como algo a evitar ou terceirizar por completo. Esse movimento tem levado as instituições a buscar estruturas de custódia, corretagem e liquidação que atendam ao mesmo padrão regulatório de sua infraestrutura bancária já existente.
"O que chamou a atenção em julho foi a capacidade do mercado de se manter firme enquanto outros ativos de risco sofriam pressão. Essa resiliência só se torna algo em que vale a pena investir quando a infraestrutura, a custódia e os processos de liquidação são construídos dentro de padrões institucionais", completou Schwitalla.
O que esperar de agosto?
Olhando para frente, a Crypto Finance espera que os resultados financeiros de grandes empresas e a divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho americano desta semana influenciem o desempenho das criptomoedas, junto com os desdobramentos do Clarity Act. Se uma moção de encerramento de debate for apresentada na quarta-feira, uma votação pode ocorrer já na sexta.
Além disso, o foco do mercado em agosto deve ser na inflação, nos dados de emprego e nos juros dos Treasuries. Com o rendimento dos títulos de 30 anos acima de 5,2%, a empresa espera que os mercados fiquem especialmente sensíveis a qualquer dado que altere as expectativas sobre o caminho de juros do Federal Reserve. O iene também merece atenção, já que movimentos mais fortes no par USD/JPY historicamente trazem consequências para os ativos de risco em geral, dado o papel das operações de carry trade financiadas em iene, e uma nova onda de volatilidade na moeda pode se espalhar para ações, juros e criptomoedas.
No mercado de ações, a IA segue como o tema dominante, embora a Crypto Finance espere que os investidores continuem priorizando empresas capazes de mostrar monetização clara e geração de caixa, em detrimento daquelas que ainda dependem de expectativas futuras de crescimento. Para as criptomoedas, os fluxos dos ETFs e os avanços regulatórios seguem como os principais pontos de atenção. Na ausência de entradas institucionais mais fortes ou de progresso relevante no front regulatório, e com a liquidez ainda reduzida típica do verão no hemisfério norte, empresa espera que o Bitcoin siga sendo negociado dentro da faixa estabelecida entre US$ 62 mil e US$ 65 mil ao longo do restante de agosto.
















