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Tokenização imobiliária deve ultrapassar US$ 25 bilhões no mundo. Brasil lidera inovação regulatória


A tokenização imobiliária no Brasil já mobilizou a impressionante cifra de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), consolidando o país como protagonista inconteste no cenário global de Real World Assets (RWAs). Foi o que revelou o relatório “Panorama Estratégico e Regulatório da Tokenização Imobiliária: Dinâmicas Globais e a Vanguarda do Mercado Brasileiro”, um documento robusto sobre o ecossistema de tokenização imobiliária elaborado pela Associação Brasileira das Empresas Tokenizadoras (ABToken).


O material disseca as infraestruturas tecnológicas subjacentes, os volumes de mercado, as tendências de adoção global e nacional, os modelos de negócios emergentes e o complexo arcabouço regulatório. Hoje, a tokenização imobiliária representa a convergência entre a infraestrutura financeira baseada em Distributed Ledger Technology (DLT) e o mercado de Real World Assets (RWAs), ou seja, trata-se da conversão de direitos vinculados a imóveis — como propriedade, usufruto ou recebíveis — em tokens digitais programáveis registrados em blockchain.


Diferentemente dos modelos tradicionais, como os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), os tokens podem representar frações diretas e indivisíveis de ativos, com regras automatizadas via smart contracts. “Essa arquitetura redefine a lógica de confiança, reduz intermediários e permite a execução automática de fluxos financeiros, como distribuição de rendimentos e reajustes”, conta Regina Pedroso, Diretora da ABToken. 


Um dos principais impactos econômicos apontados pela ABToken é a resolução do problema histórico de iliquidez do mercado imobiliário. “No Brasil, esse mercado representa aproximadamente R$ 2,8 trilhões em ativos, tradicionalmente caracterizados por baixa liquidez e altos custos transacionais”, diz Regina Pedroso, diretora da ABToken.


“A tokenização transforma esses ativos em instrumentos negociáveis, criando novos canais de funding para incorporadoras e ampliando o acesso de investidores a ativos antes restritos. Além disso, a liquidação atômica (Delivery versus Payment) elimina riscos de contraparte, enquanto a programabilidade reduz custos operacionais e aumenta a eficiência do back-office financeiro”, afirma Regina.


Mercado global e perspectivas


O relatório da ABToken aponta que o mercado global de tokenização imobiliária, avaliado entre US$ 3,7 bilhões e US$ 3,8 bilhões em 2025, pode atingir até US$ 26,4 bilhões até 2035, com crescimento anual composto entre 21% e 24%. A adoção institucional também avança rapidamente, com expectativa de alocação de até 5,6% dos portfólios globais em ativos tokenizados já em 2026.


No Brasil, o avanço é ainda mais expressivo. O relatório revela que o mercado já atingiu R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) estruturado em operações de tokenização imobiliária. O país também registrou crescimento superior a 1.100% no mercado de RWAs em apenas um ano, com mais de 450 incorporadoras envolvidas e dezenas de milhares de carteiras digitais ativas.


Apesar disso, a ABToken chama atenção para uma assimetria relevante: o volume efetivamente tokenizado e negociado ainda é significativamente inferior ao potencial estruturado, refletindo entraves jurídicos e institucionais que limitam a liquidez do mercado.

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