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- Inovação financeira e regulação: por que ambas são convergentes em fintechs reguladas
Historicamente, tenho ouvido de alguns clientes fintechs (assim como outras instituições reguladas) que regulação e inovação são forças opostas. De um lado, estaria a regulação — lenta, burocrática, cheia de exigências, e do outro, a inovação — rápida, disruptiva, focada em resolver problemas reais do mercado. Essa dicotomia, no entanto, não resiste à própria realidade histórica do mercado financeiro. As fintechs que temos como clientes, que crescem de maneira sustentável e perene, não são as que ignoram o Bacen. São as que usam a regulação como base para inovar com segurança e escala. No livro The Sharp Fintech (https://www.thesharpfintech.com/livro-the-sharp-fintech/), mostro que regulação não é o freio que muitos imaginam. É, na verdade, o que permite que a inovação seja sustentável, confiável e, principalmente, aceita pelo mercado. Este artigo explica por quê. Inovação sem estrutura é apenas experimento Muita gente confunde inovação com liberdade total, mas no mercado financeiro, inovação sem estrutura regulatória é como construir um prédio sem alicerce. Pode até ficar de pé por algum tempo, mas basta uma tempestade para desabar. O histórico do mercado financeiro mundial é cheio de exemplos de verdadeiras catástrofes (para investidores, clientes, governos), onde ocorreram crescimentos vertiginosos seguidos de quebras, com importantes prejuízos a muita gente. O mercado de fintechs no Brasil, desde o novo marco regulatório dos meios de pagamento em 2013, já viu o suficiente para saber a diferença entre: ● Inovações que funcionam porque foram testadas e controladas ● Inovações que parecem boas no papel, mas geram riscos operacionais, fraudes ou perdas de clientes A própria questão do Pix, com acesso indireto de instituições de pagamento não autorizadas, acabou por levar o Bacen a rever os limites de capital e datas-limites de autorização desses players. A imprensa está recheada de notícias graves. Importante reforçar que fintechs reguladas não inovam menos, mas elas inovam melhor, porque constroem seu modelo de negócio de maneira viável, segura e alinhada com as normas do Bacen. E as normas do Bacen (assim com as do Conselho Monetário Nacional) não são invenções de burocratas, que não entendem de negócio, mas fruto de anos de experiência internacional, consagradas e adaptadas no Brasil. Regulação cria confiança — e confiança atrai capital e clientes Inovação sozinha não fecha contratos, até porque investidores e parceiros estão muito mais seletivos e atentos hoje em dia. Ou seja, a confiança em uma operação sadia e bem calcada nas melhores práticas de gestão de instituições reguladas ajuda a fechar os contratos. Quando uma fintech é regulada, e com isso cria um ambiente seguro e saudável, ela transmite um sinal claro ao mercado: “nossa operação foi validada por uma autoridade independente”. Esse sinal tem valor real. Ele reduz o tempo de due diligence, diminui objeções em vendas B2B e facilita parcerias com instituições tradicionais. No treinamento em fintechs da The Sharp Fintech (https://www.thesharpfintech.com/tsfc-treinamento/), mostro que fintechs reguladas e bem geridas conseguem acessar rodadas de investimento mais qualificadas e clientes corporativos que, de outra forma, nunca considerariam uma operação amadora. A regulação, nesse sentido, funciona como um certificado de qualidade que o mercado reconhece e valoriza. Um exemplo bastante recente disso é a exigência que o Bacen faz a pleiteantes a entrar no segmento de prestação de serviços de ativos virtuais (PSAV). De acordo com a Res. BCB 520/25, tanto a instituição autorizada elegível não atuante, quanto a já atuante, no mercado de ativos virtuais, somente poderão iniciar essas atividades, dentre outras coisas, sujeitas ao resultado de certificação técnica elaborada por entidade qualificada. O escopo de itens a serem levados em consideração por entidade qualificada independente é extenso, dentre eles segregação de funções na instituição, serviços relevantes contratados, plano de recuperação de desastres, políticas e procedimentos internos, processos e procedimentos relativos a PLD/FTP e segurança, a resiliência e o adequado funcionamento do ambiente computacional, mecanismos de monitoramento contínuo de segurança institucional e de avaliação de riscos, sistemas de controles internos, estruturas de gerenciamento de risco e de capital, conformidade e de auditoria interna, etc. Estrutura regulatória permite inovação em escala Uma das maiores vantagens de operar dentro das normas do Bacen e seguindo as melhores práticas, é a possibilidade de escalar sem precisar reinventar a roda a cada novo produto ou mercado. Quando a instituição já possui: ● Governança ativa ● Modelo de risco integrado ● Processos de compliance e PLD/FTP maduros ● Gestão de continuidade de negócios Ela consegue lançar novos produtos de maneira muito mais eficiente (e “pé no chão”) do que uma operação com foco exclusivo no comercial. A regulação cria uma base operacional que suporta crescimento, e sem essa base, cada nova ideia exige um esforço desproporcional de estruturação — e isso atrasa a inovação de verdade, sem falar nas inovações que têm que ser interrompidas, por falta de sustentação. O Bacen e o Conselho Monetário Nacional não impedem inovação — eles direcionam Uma crítica que ouvimos muitas vezes é que o regulador “engessa” o mercado. Na prática, o que observamos é o contrário, e não apenas no Brasil. O Bacen tem sinalizado claramente que inovação é bem-vinda, desde que venha acompanhada de responsabilidade. Regulamentações sobre Pix, Open Finance, BaaS, meios de pagamento no SPB e PSAVs mostram que o regulador está aberto a novos modelos — desde que eles sejam seguros para o sistema financeiro como um todo. As fintechs reguladas que entendem o desafio, investem em suas segundas linhas de defesa, e adotam uma governança robusta, conseguem participar ativamente dessa evolução.Elas têm voz, podem propor melhorias e, principalmente, têm autorização para operar esses novo produtos e serviços. Já as que ficam de fora, ou são “saídas”, por falta de estrutura, simplesmente não conseguem aproveitar as oportunidades. Conclusão: regulação e inovação não competem — elas se complementam A fintech que mais cresce no Brasil e no mudo, não é a que ignora o ambiente regulatório, mas é a que usa a regulação como alicerce para inovar com responsabilidade, confiança e escala. Essa é uma das principais mensagens que desenvolvo no livro The Sharp Fintech e no treinamento TSFC. Para aprofundar: 📘 Livro – The Sharp Fintech (2ª edição, 2026)https://www.thesharpfintech.com/livro-the-sharp-fintech/ 🎓 TSFC – Curso de Fintechshttps://www.thesharpfintech.com/tsfc-treinamento/ Ambos foram criados para ajudar líderes e colaboradores de fintechs a entender que regulação e inovação podem — e devem — caminhar juntas. --- Conteúdo produzido por Luciano Fantin
- Participação de jovens de 18 a 25 anos nos contratos de empréstimo pessoal digital multiplicaram por 7 em 15 meses
A presença de jovens de 18 a 25 anos nos contratos de empréstimo pessoal digital cresceu de forma acelerada nos últimos 15 meses. Segundo o recém-lançado Índice Juros Baixos de Empréstimo, IJBE Q1/2026, a participação dessa faixa etária saltou de 1,8% para 13,3% do total de contratos entre janeiro de 2025 e março de 2026. Sete vezes mais. Em nenhum outro recorte etário o crescimento chegou perto disso. O levantamento foi construído a partir de mais de 10 milhões de solicitações reais de crédito processadas pela plataforma Juros Baixos. No período analisado, nenhum outro recorte etário apresentou crescimento proporcional semelhante. Uma geração que chegou ao crédito digital A expansão dos jovens no crédito pessoal digital não ocorreu em substituição direta aos demais públicos. A faixa de 26 a 35 anos, por exemplo, manteve participação estável no mesmo período. O movimento indica a entrada de uma nova demanda no mercado, formada por consumidores que, em muitos casos, ainda não tinham relacionamento consolidado com bancos tradicionais. Esse avanço ajuda a revelar uma mudança importante no comportamento financeiro dos mais jovens. Para uma parcela desse público, o primeiro contato com crédito não passa necessariamente por uma agência bancária, gerente ou processo presencial. Ele acontece no celular, em plataformas digitais, com simulações rápidas e comparação de ofertas em poucos minutos. O que abriu a porta para esse público Três fatores ajudam a explicar essa virada. O primeiro é a consolidação do celular como principal canal de acesso a serviços financeiros. Plataformas digitais reduziram o caminho entre a necessidade de dinheiro e a simulação de crédito, permitindo que o usuário faça todo o processo online, sem filas, deslocamentos ou burocracia presencial. O segundo é a ampliação de produtos voltados para quem ainda está construindo um histórico financeiro. Empréstimos pessoais de menor valor, geralmente entre R$ 500 e R$ 3.000, com ou sem garantia, passaram a atender melhor consumidores com renda variável, score baixo ou pouco relacionamento bancário. O terceiro é o crescimento de alternativas como o empréstimo com celular em garantia, modalidade que se tornou uma opção para quem não possui contracheque fixo ou outros bens como carro e imóvel para oferecer como garantia. Esse perfil é especialmente relevante entre jovens de 18 a 25 anos, grupo que costuma concentrar características historicamente desafiadoras para a concessão de crédito: renda informal ou intermitente, baixo histórico de relacionamento com instituições financeiras e score ainda em formação. O crédito digital não elimina essas barreiras, mas cria novas formas de análise, distribuição e acesso. Crescimento em um cenário de crédito mais caro A entrada dos jovens no crédito digital aconteceu em um período de aumento do custo do dinheiro no Brasil. Entre outubro de 2024 e o início de 2026, a Selic passou de 10,75% para 15,00% ao ano após oito altas consecutivas do Comitê de Política Monetária, o Copom. No mesmo intervalo, o custo do crédito, medido pelo Indicador de Custo do Crédito, ICC, do Banco Central, subiu de 21,7% para 23,7% ao ano, segundo o relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado pelo Banco Central. Mesmo nesse ambiente, de acordo com a pesquisa, o volume de solicitações de empréstimo pessoal digital cresceu 2,7 vezes sobre a base apenas no terceiro trimestre de 2025. O dado sugere que, para boa parte desse público, a urgência financeira pesa mais do que o custo final da operação. Quando a renda não cobre despesas imediatas, a busca por aprovação tende a se sobrepor à comparação detalhada de taxas e condições. Esse comportamento já aparecia no perfil geral da plataforma. No relatório do IJBE Q4/2025, 91,1% das simulações tinham como motivação declarada o pagamento de contas e dívidas. “O que o IJBE revela não é apenas o crescimento de um segmento. É uma geração inteira chegando ao crédito digital sem ter passado pelo banco antes. Isso muda o produto, o risco, a comunicação e a forma como o mercado precisa se relacionar com esse público”, afirma Arthur Bonzi, cofundador e COO da Juros Baixos.
- Criptoativos na mira dos hackers: como proteger seu patrimônio digital
O crescimento do mercado de criptoativos ampliou o acesso de milhões de pessoas aos investimentos digitais, mas também trouxe novos desafios relacionados à segurança digital. Em um cenário marcado pelo avanço de ataques de hackers, golpes financeiros cada vez mais sofisticados e falhas em plataformas de negociação, especialistas alertam que entender os riscos da custódia digital tornou-se tão importante quanto acompanhar a valorização dos ativos. Segundo dados do The 2026 Crypto Crime Report, da Chainalysis, o crime financeiro envolvendo criptomoedas atingiu níveis históricos em 2025. O relatório estima que endereços ligados a atividades ilícitas receberam pelo menos US$ 154 bilhões em ativos digitais ao longo do ano, representando um crescimento de 162% em relação ao período anterior. “O investidor costuma olhar apenas para a volatilidade do mercado, mas hoje existe um segundo risco igualmente importante: o risco operacional e de segurança. Entender como funcionam as exchanges, a custódia dos ativos e as principais modalidades de fraude passou a fazer parte da própria estratégia de investimento”, destaca Cleverson Pereira, Head Educacional da OnilX, que está há seis anos no mercado. O estudo também revela que mais de US$ 2,17 bilhões foram roubados de empresas e serviços ligados ao mercado de criptomoedas apenas no primeiro semestre de 2025. O principal episódio foi o ataque à exchange Bybit, responsável por perdas próximas de US$ 1,5 bilhão e considerado o maior roubo de criptoativos já registrado. Além disso, hackers ligados à Coreia do Norte teriam sido responsáveis pelo desvio de aproximadamente US$ 2 bilhões em ativos digitais ao longo do ano. O que é um hacker e como ele consegue roubar criptomoedas Ao contrário do imaginário popular, a maioria dos ataques não ocorre diretamente contra a tecnologia blockchain. Os criminosos costumam explorar vulnerabilidades humanas e operacionais para acessar contas e ativos digitais. Hackers utilizam técnicas como phishing, engenharia social, roubo de credenciais, malware, clonagem de sites, perfis falsos em redes sociais e até ferramentas de inteligência artificial para enganar usuários. Em muitos casos, o objetivo é obter acesso à chave privada ou à chamada seed phrase, conjunto de palavras que funciona como a credencial máxima para movimentação dos criptoativos. “A blockchain continua sendo uma das infraestruturas tecnológicas mais seguras do mundo. O problema geralmente está na camada humana. O criminoso não precisa quebrar a tecnologia quando consegue convencer a própria vítima a entregar suas informações”, explica Cleverson. Exchanges oferecem praticidade, mas não eliminam riscos As exchanges são plataformas que permitem comprar, vender, armazenar e negociar criptomoedas. Funcionam de forma semelhante às corretoras tradicionais, oferecendo liquidez e facilidade de acesso ao mercado. No Brasil, essas empresas se enquadram na categoria de Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), cuja regulamentação vem sendo estruturada pelo Banco Central após a aprovação do marco legal dos criptoativos. Apesar dos avanços regulatórios, manter recursos em uma exchange significa confiar a custódia dos ativos à plataforma. Caso a empresa enfrente problemas operacionais, ataques cibernéticos, bloqueios de saque, falhas de governança ou dificuldades financeiras, os investidores podem ser impactados. A regulamentação busca aumentar os padrões de transparência, gestão de riscos e controles internos das empresas do setor, mas não elimina completamente os riscos inerentes à custódia terceirizada. “Exchange não é cofre absoluto. Ela oferece conveniência, mas existe um risco de contraparte que precisa ser considerado. O investidor deve avaliar reputação, transparência, histórico operacional e práticas de segurança antes de escolher onde manter seus recursos”, destaca o especialista. Segurança digital virou parte da educação financeira Com a expansão dos ativos digitais e o aumento da sofisticação dos ataques, especialistas defendem que a segurança digital deve ser tratada como um componente fundamental da educação financeira moderna. No Brasil, o Banco Central tem avançado na regulamentação dos prestadores de serviços de ativos virtuais, estabelecendo regras para funcionamento, autorização e governança das empresas que atuam no setor. Ainda assim, grande parte da proteção continua dependendo do próprio investidor. “A nova fronteira do risco financeiro está na interseção entre custódia digital, engenharia social e crime cibernético transnacional. Quem investe em criptomoedas precisa compreender que segurança deixou de ser um detalhe técnico e passou a ser uma competência financeira essencial”, conclui Cleverson Pereira. Checklist para escolher uma exchange Verificar se a empresa possui CNPJ e histórico público; Conferir canais oficiais de atendimento; Avaliar práticas de custódia e segurança; Pesquisar reclamações recorrentes sobre saques; Desconfiar de promessas de rentabilidade garantida; Evitar plataformas que pressionam decisões rápidas. Checklist de segurança para investidores Ativar autenticação em dois fatores (2FA); Utilizar senhas fortes e exclusivas; Nunca compartilhar seed phrase ou chave privada; Evitar clicar em links recebidos por mensagens; Utilizar redes seguras para acessar contas; Manter apenas o necessário em exchanges; Considerar carteiras frias para investimentos de longo prazo.
- PIX tem ótima adesão e aprovação consensual entre os brasileiros
Um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec entre os dias 13 e 17 de junho mostra que, pelo menos, oito em cada dez brasileiros utilizam o PIX para fazer transferências e pagamentos, enquanto aqueles que declaram não utilizar o PIX somam 18%. Foram entrevistadas 2.000 pessoas no total e a margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. "O avanço do PIX no mercado financeiro brasileiro é notável, representando um consenso raro e uma aceitação massiva por parte da população. Este fenômeno reflete não apenas a eficácia e praticidade do sistema, mas também a confiança depositada pelos brasileiros em soluções inovadoras de pagamento", destaca Márcia Cavallari, head de public affairs da Ipsos-Ipec. Ao serem perguntados se aprovam ou não o PIX, os brasileiros são unânimes: 93% aprovam o sistema, enquanto apenas 5% desaprovam. O percentual que não sabe ou não responde chega a 2%. PIX em foco: reação à tarifa americana O instituto também questiona qual deveria ser a postura do governo brasileiro frente à proposta americana de aplicar uma tarifa de 25% sobre alguns produtos brasileiros alegando, entre outros motivos, que o PIX prejudica empresas americanas de meios de pagamento. Nesse contexto, a maioria (73%) concorda com a ideia de que o governo brasileiro deve manter o Pix exatamente como está, sem qualquer interferência estrangeira sobre como o Brasil organiza seu sistema de pagamentos. Já para 19% dos entrevistados, o governo brasileiro deveria fazer pequenas adaptações no PIX para evitar conflitos com os Estados Unidos. O percentual que não sabe ou não responde ao questionamento é de 8%.
- Banco Adaptativo: o modelo que pode ajudar empresas do Brasil e América Latina a crescer sem comprometer a operação
A Galileo Financial Technologies, plataforma tecnológica da SoFi Technologies (NASDAQ: SOFI), divulga os resultados de seu mais recente estudo: o Relatório de Banco Adaptativo da Galileo. A pesquisa ouviu 337 CIOs e CTOs de empresas do Brasil, do México, da Colômbia e da Argentina e aponta uma mudança importante no setor financeiro latino-americano: a velocidade das transações deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser apenas um requisito básico para operar. Após uma década de avanços impulsionados pelos pagamentos instantâneos, com iniciativas como o Pix no Brasil, o SPEI no México, o Bre-B na Colômbia e as Transferências 3.0 na Argentina, a velocidade deixou de ser um dos principais pontos de atrito para clientes. Hoje, apenas 8% dos entrevistados apontam a rapidez dos pagamentos e transações como sua principal preocupação no dia a dia. O desafio agora é outro: a escalabilidade. Ou seja, a capacidade de crescer, lançar novos produtos e responder rapidamente às demandas do mercado sem perder eficiência, controle operacional ou relevância para o cliente. Para enfrentar esse cenário, a Galileo propõe o conceito de Banco Adaptativo, definido como a capacidade de ajustar continuamente infraestrutura, processos de decisão e experiências do cliente em tempo real, mantendo segurança e governança operacional. O estudo revela uma desconexão crítica entre a tecnologia de pagamentos e a capacidade de inovação das empresas: Fraude e risco são os principais obstáculos para inovação: Para 45,7% das empresas, os sistemas de fraude e risco representam o principal obstáculo para alavancar suas operações. Além disso, 39,2% afirmam que essas mesmas estruturas são a maior barreira para acelerar a inovação. Lançamento de produtos ainda é lento: Apesar de atuarem em economias cada vez mais digitais, 69,1% das organizações levam mais de seis meses para lançar um novo produto financeiro. Uso desigual de dados em tempo real: Enquanto 84,3% das empresas utilizam dados em tempo real para prevenção de fraudes e segurança, apenas 61,1% empregam essa mesma capacidade para oferecer suporte proativo aos clientes. Personalização ainda avança devagar: Mais da metade das empresas (57,7%) demora mais de três meses para implementar atualizações de funcionalidades baseadas no feedback dos usuários, criando uma lacuna que concorrentes mais ágeis podem aproveitar. “Os dados revelam um paradoxo claro: as empresas já operam com pagamentos em tempo real, mas muitas ainda tomam decisões, lançam produtos e respondem aos clientes por meio de processos concebidos para outra era. A adaptação contínua precisa se tornar uma capacidade central dos negócios”, comenta Abdul Assal, líder de desenvolvimento de negócios da Galileo para Brasil e Colômbia. Um dos resultados mais relevantes do estudo mostra que a capacidade de adaptação está avançando mais rapidamente em alguns setores fora do mercado financeiro tradicional. Empresas de Viagens e Hospitalidade, por exemplo, lideram em capacidade de resposta ao cliente: 78,9% utilizam dados em tempo real para ativar ações de suporte, um índice que representa mais do que o dobro do registrado entre instituições financeiras tradicionais (38,5%). Já o varejo se destaca pelo uso de Inteligência Artificial para personalizar programas de recompensas e benefícios, demonstrando um interesse quase cinco vezes maior do que o observado entre bancos tradicionais. Destaques por país Brasil e México lideram em adoção, mas enfrentam desafios diferentes. O Brasil aparece como o mercado mais adaptativo da região. Segundo o levantamento, 82,6% das empresas brasileiras consideram os serviços financeiros em tempo real uma fonte direta de geração de receita. O país também lidera em práticas de implantação contínua: uma em cada quatro empresas testa e lança novos serviços constantemente, enquanto 63% afirmam ter confiança de que sua infraestrutura conseguiria escalar permanentemente em apenas sete dias. O México, por sua vez, apresenta o maior entusiasmo em relação às tecnologias em tempo real. Entre os entrevistados, 90,9% afirmam que esses serviços impulsionam significativamente o crescimento da receita. Por outro lado, o país enfrenta o maior desafio regional relacionado à fraude e ao risco: 52,7% apontam essas restrições como a principal barreira para acelerar a inovação. Colômbia e Argentina convivem com maior fricção operacional.A Colômbia é o país que demonstra maior dificuldade operacional. Cerca de 80,2% das organizações levam mais de seis meses para lançar um novo produto, enquanto 69,1% afirmam estar limitadas por sistemas internos rígidos e pouco flexíveis. Na Argentina, embora as empresas contem com sistemas mais estáveis e integrados, o tempo de chegada ao mercado é o mais longo da região: 87,2% levam mais de seis meses para lançar um novo produto. O país também apresenta dificuldades na personalização de ofertas. Segundo o estudo, 73,4% das empresas demoram mais de três meses para desenvolver soluções voltadas a novos segmentos de clientes, contra apenas 17,4% das empresas brasileiras. “Cada mercado da América Latina enfrenta desafios específicos, mas existe uma necessidade comum: construir organizações capazes de responder com a mesma velocidade com que hoje circulam o dinheiro, os dados e as expectativas dos consumidores. Essa é a essência do banco adaptativo”, finaliza Assal.
- Por que lojas, supermercados e marketplaces estão entrando na disputa pelo crédito?
Supermercados, lojas de departamento e marketplaces estão disputando um espaço que, por décadas, pertenceu quase exclusivamente aos bancos: a relação financeira com o consumidor. O movimento já pode ser observado em diferentes segmentos. Redes alimentícias oferecem cartões e cashback integrados às compras do dia a dia. Lojas de moda apostam em parcelamento, crédito pessoal e programas de fidelidade. Marketplaces incorporam serviços financeiros às jornadas digitais e ampliam o tempo de permanência do cliente dentro do próprio ecossistema. Mais do que vender produtos, essas empresas passaram a disputar presença constante na rotina financeira dos brasileiros. Na prática, o varejo descobriu que possui um ativo valioso: dados sobre hábitos de consumo. Frequência de compras, padrão de consumo, recorrência, ticket médio e até comportamento em promoções passaram a funcionar como ativos estratégicos para oferta de crédito. Empresas como Carrefour e Grupo Pão de Açúcar, redes de moda como Renner, Riachuelo e C&A, além de varejistas como Magazine Luiza, entre outros, oferecem cartões com bandeiras internacionais, parcelamento, cashback, crédito pessoal e programas de fidelidade integrados diretamente à experiência de compra. O movimento acontece em paralelo ao avanço acelerado do Pix. Embora o sistema instantâneo tenha transformado pagamentos do dia a dia e já represente parte relevante das transações no comércio brasileiro, o parcelamento e o crédito continuam sendo ferramentas centrais para retenção e recorrência dentro do varejo. Segundo dados do Global Payments Report 2026, o Pix já representa 42% do e-commerce brasileiro e 34% das compras em lojas físicas. Ainda assim, compras parceladas entre sete e 12 vezes movimentaram R$ 138,3 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), alta de 16,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por trás dessa disputa está um movimento mais profundo: o varejo deixou de apenas vender produtos e passou a operar ecossistemas financeiros próprios. O varejo encontra espaço em consumidores financeiramente vulneráveis O avanço do crédito dentro do varejo acontece em um momento em que boa parte dos brasileiros enfrenta dificuldades para organizar as próprias finanças. Pesquisa “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzida pela Lina Open X em parceria com a MindMiners, mostra que apenas 26% dos brasileiros conseguem poupar mensalmente. Ao mesmo tempo, 74% apresentam algum grau de fragilidade financeira. Esse cenário ajuda a explicar por que supermercados, redes de moda e varejistas passaram a ampliar investimentos em crédito, cashback e benefícios justamente em categorias de consumo recorrente, onde existe maior frequência de relacionamento e uso constante da marca. “Enquanto o banco tradicional olha prioritariamente para histórico financeiro e score, o varejo consegue analisar capacidade de recorrência e comportamento de consumo. Isso amplia acesso, mas também aumenta a responsabilidade sobre como esse crédito será ofertado”, analisa Gustavo. O modelo se fortalece especialmente em segmentos como supermercados, farmácias e moda popular, onde a frequência de compra gera volume contínuo de dados e relacionamento. Mais do que vender crédito, as empresas disputam permanência dentro do próprio ecossistema. Cashback, descontos exclusivos, aumento gradual de limite, programas de fidelidade e parcelamentos diferenciados funcionam como ferramentas para estimular recorrência e concentração de gastos dentro da mesma rede. Na prática, o objetivo deixa de ser apenas processar pagamentos. O foco passa a ser controlar relacionamento, frequência de uso e comportamento financeiro do consumidor. Consumidor ganha conveniência, mas risco aumenta Apesar das vantagens de acesso e praticidade, especialistas alertam que o avanço do crédito embutido no varejo também exige atenção. Em muitos casos, juros elevados, facilidade de contratação e estímulos constantes ao consumo podem ampliar risco de endividamento, especialmente entre consumidores mais vulneráveis financeiramente. “Existe um risco importante de o consumidor gastar mais para acessar benefícios, descontos ou limites maiores. O crédito integrado ao varejo pode ser conveniente, mas também aumenta o impulso de consumo porque a oferta aparece exatamente no momento da compra”, afirma Gustavo. A preocupação cresce à medida que inteligência artificial, Open Finance e análise comportamental tornam as ofertas cada vez mais personalizadas e potencialmente mais persuasivas. Ao mesmo tempo, especialistas avaliam que o movimento deve continuar avançando nos próximos anos. Com o crescimento do Banking as a Service (BaaS), empresas não financeiras conseguem incorporar serviços bancários diretamente em aplicativos, marketplaces e jornadas digitais sem precisar operar como bancos tradicionais. “Estamos caminhando para um cenário em que praticamente toda grande empresa terá algum tipo de oferta financeira própria. O banco deixa de ser o centro da relação e o crédito passa a ser apenas mais uma camada integrada à experiência de consumo”, conclui Siuves. Na prática, o mercado financeiro passa por uma mudança estrutural: supermercados, varejistas e plataformas digitais deixam de apenas vender produtos e começam também a disputar relacionamento, dados e recorrência financeira dentro da jornada de consumo do brasileiro.
- 5 pontos-chave para instituições financeiras que desejam entrar no mercado de ativos digitais no Brasil e na Argentina
A América Latina está consolidando sua posição como o mercado de criptomoedas de crescimento mais rápido do mundo. De acordo com a Chainalysis, aproximadamente US$ 1,5 trilhão em volume de transações on-chain passou pela região entre meados de 2022 e meados de 2025. A Argentina, com sua longa exposição à volatilidade cambial, e o Brasil, com seu ecossistema financeiro digital impulsionado pelo sucesso do Pix – que em 2023 representou 42% dos pagamentos online brasileiros – são os dois mercados onde a demanda institucional por ativos digitais está se expandindo mais rapidamente. No entanto, para bancos, gestores de patrimônio e outras instituições financeiras, a questão não é mais se devem participar. A questão é como fazê-lo, atendendo aos padrões de governança, conformidade e controle exigidos pelo setor institucional. "Os ativos digitais atingiram um ponto de inflexão na adoção institucional", afirma Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group. "As principais instituições financeiras entendem que não podem mais ignorar essa classe de ativos. O diferencial agora não é o acesso ao mercado, mas sim ter a infraestrutura regulamentada adequada para operar com o rigor de nível institucional." O Crypto Finance Group — parte do Grupo Deutsche Börse, regulamentado pela FINMA e BaFin, e uma das primeiras empresas a obter uma licença MiCAR — publicou um guia prático de cinco etapas para instituições financeiras na Argentina, Brasil e México que desejam construir serviços de ativos digitais de nível institucional. Definir o perímetro regulatório desde o início A primeira decisão é regulatória, não tecnológica. O Brasil oferece maior visibilidade regulatória; a Argentina exige maior capacidade de interpretação. Em ambos os casos, as instituições devem esclarecer desde o princípio qual entidade jurídica assume a exposição, como os relatórios são estruturados e qual segmento de clientes o serviço visa. Estabelecer o modelo de custódia como a base do controle Em ativos digitais, a ordem é inversa em comparação com os mercados tradicionais: o controle sobre as chaves privadas define o perímetro operacional desde o início, antes de qualquer transação ocorrer. A custódia que opera fora das estruturas de controle institucional gera problemas de reconciliação e riscos que se agravam à medida que a atividade cresce. Superando as barreiras da liquidez em cada mercado A liquidez é predominantemente denominada em USD, enquanto a demanda se origina em pesos ou reais. Isso torna a exposição cambial parte intrínseca da execução. Mesmo no Brasil, os fluxos institucionais frequentemente se estendem além das plataformas locais para acessar pools de liquidez mais profundos. As estruturas mais eficientes combinam liquidez agregada com liquidação integrada. Alinhar a estratégia de tesouraria com a dinâmica de liquidação Na Argentina, no Brasil e no México, os mercados de ativos digitais operam continuamente e liquidam rapidamente, forçando as instituições a repensarem a gestão de garantias e os buffers de liquidez. As stablecoins muitas vezes não são uma ferramenta secundária, mas sim um mecanismo primário para transferência e liquidação de liquidez, principalmente em ambientes com restrições cambiais ou fricções de pagamento. No Brasil, a convergência do Pix e dos fluxos on-chain está redefinindo os pagamentos internacionais. Integrar os fluxos de trabalho de ativos digitais à infraestrutura existente A integração costuma ser a fase mais exigente. Sistemas contábeis, plataformas de risco e ferramentas de relatórios precisam se adaptar às novas mecânicas de liquidação. Instituições que se integram precocemente evitam os silos operacionais que surgem quando iniciativas piloto dependem de ferramentas separadas. O denominador comum: Criptomoedas de nível institucional A adoção de ativos digitais na Argentina e no Brasil é limitada menos pelo acesso e mais pela forma como as instituições estruturam a execução, a liquidez e a governança. A escalabilidade não é determinada pelo acesso à negociação, mas sim pela integração de estruturas de custódia e governança ao modelo operacional. O Crypto Finance Group, parte do Deutsche Börse Group, atua como parceiro institucional para bancos e instituições financeiras na Europa e na América Latina, abrangendo toda a cadeia de valor: negociação profissional, custódia regulamentada, liquidação e staking, se posicionando para apoiar instituições na região em todas as etapas dessa jornada.
- Setor bancário deve triplicar investimentos em IA e atingir US$90 bilhões até 2028
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma inovação secundária na agenda tecnológica para se consolidar como a espinha dorsal sobre a qual a atividade econômica moderna está sendo reorganizada. No setor financeiro, essa mudança avança em velocidade inédita, já que o ecossistema bancário possui uma afinidade nativa com a tecnologia, sendo moldado essencialmente pelo processamento de informações, análise de dados e gestão de riscos. Nesse cenário, o novo estudo global realizado pela Softtek, multinacional líder no setor de TI na América Latina, revela que os investimentos em IA e IA Generativa no setor bancário devem quase triplicar nos próximos anos, saltando de US$31,3 bilhões registrados em 2024 para US$90,2 bilhões até 2028. Intitulado The AI-Powered Banking Shift, o levantamento mapeia o atual estágio de maturidade tecnológica das instituições financeiras e detalha um paradoxo setorial. Embora 78% das organizações globais utilizem a IA em pelo menos uma área de negócios, o impacto real nos resultados ainda se mostra periférico. De acordo com o relatório, apenas 8% das companhias conseguiram escalar a IA além de projetos-piloto ou de melhorias isoladas de produtividade para gerar uma vantagem competitiva sustentável e de real valor econômico. Essa lacuna se deve à profundidade com que a tecnologia é integrada. Os casos de uso de adoção mais rápida, como assistentes de produtividade individual ou automações simples de rotinas, trazem eficiências claras e reduzem tempos de operação, mas oferecem retornos incrementais e dispersos. “O verdadeiro aumento de valor e rentabilidade só se manifesta quando as instituições superam a lógica da mera adoção de ferramentas e passam a desenhar uma estratégia AI-First, reconstruindo seus modelos arquitetônicos, operacionais e culturais a partir da premissa de que a IA é o núcleo pensante de toda a engrenagem corporativa”, destaca Adriano Candido, Vice-Presidente de Negócios em segmentos estratégicos da Softtek Brasil. Para o setor bancário, o estudo mostra que os ganhos financeiros dessa mudança estrutural são robustos, com projeções de que o uso maduro e de ponta a ponta da IA Generativa represente uma oportunidade financeira estimada entre US$200 bilhões e US$340 bilhões anuais para o setor bancário global. Esse montante equivale a uma fatia de 9% a 15% de todos os lucros operacionais do segmento no mundo. Segundo Candido, esse potencial de ganho financeiro se apoia na capacidade de a IA reescrever a economia do banco, permitindo reduzir sensivelmente o custo unitário das operações mais complexas ao mesmo tempo em que eleva a precisão comercial, a personalização de ofertas e a análise de concessão de crédito. A batalha invisível pela relevância e o cliente do futuro O levantamento também projeta uma divisão clara no futuro do setor. As instituições que adotarem uma estratégia AI-First vão criar um ciclo virtuoso, onde cada operação refina seus modelos e reduz custos marginais. Em contrapartida, os bancos que limitarem a IA a projetos isolados vão encarar a perda de margem de lucro, pressionados por infraestruturas obsoletas e pela dificuldade de entender as necessidades dos clientes. Esse distanciamento entre os líderes e os demais players refletirá diretamente no controle da experiência do cliente. Com o avanço de interfaces contínuas e contextuais, pautadas por conversas fluidas, o consumidor deixará de simplesmente acessar o aplicativo do banco para interagir com agentes inteligentes integrados ao seu dia a dia. Para Candido, o novo campo de batalha competitivo não será o preço ou o produto em si, mas quem detém a camada de recomendação ativa. “Se os bancos tradicionais não dominarem essa inteligência de interface, correm o risco de se tornarem fornecedores de balanço invisíveis em marketplaces controlados por BigTechs ou fintechs nativas de IA”, afirma. O caminho para o modelo AI-First Para evitar a desintermediação e garantir a liderança nessa nova economia, o levantamento elenca quatro decisões imediatas que as diretorias executivas precisam tomar. A primeira delas é a construção de uma arquitetura de dados unificada e governada em tempo real, seguida pela urgência em atrair e reter talentos híbridos que combinem conhecimento financeiro com competência analítica. Além disso, as instituições precisam evoluir para uma infraestrutura tecnológica modular, escalável e baseada em APIs, culminando no redesenho completo de processos focando na autonomia dos modelos de decisão. O estudo conclui que o prazo para consolidar essa transformação é curto, uma vez que o mercado para definir quem controlará a inteligência financeira global está se estreitando rapidamente. “No novo ecossistema bancário, o sucesso de longo prazo não será medido pelo volume de ativos sob gestão, mas sim pela capacidade de governar e aplicar essa inteligência de dados de ponta a ponta. As instituições que negligenciarem essa virada estrutural correm o risco de perder relevância estratégica em um mercado cada vez mais dinâmico e focado na hiperpersonalização”, destaca Candido. Para acessar o levantamento completo, acesse: https://www.softtek.com/the-ai-powered-banking-shift .
- Velocidade de implementação do seguro começa a pesar tanto quanto o produto
Nem sempre uma oportunidade de negócio é perdida por falta de produto. Em muitos casos, ela deixa de avançar porque a operação não consegue acompanhar a velocidade da oportunidade. No mercado de seguros, essa discussão começa a ganhar espaço à medida que empresas ampliam canais digitais, incorporam novas jornadas de compra e buscam integrar proteção a diferentes ecossistemas de relacionamento. Nesse cenário, velocidade de implementação passa a influenciar diretamente competitividade, experiência do cliente e capacidade de expansão. Se durante muito tempo a discussão do setor esteve concentrada em produto, preço e cobertura, o avanço dos modelos digitais e multicanais vem adicionando uma nova variável à equação: o tempo necessário para colocar soluções no mercado. Hoje, seguradoras, corretoras, assessorias, varejistas, fintechs, concessionárias e diferentes canais de distribuição operam em um ambiente no qual consumidores esperam jornadas mais simples, rápidas e integradas. Ao mesmo tempo, empresas precisam testar novos modelos de venda, lançar ofertas de maneira mais dinâmica e adaptar operações a uma lógica de relacionamento cada vez mais conectada. Nesse contexto, processos longos de integração, estruturas pouco flexíveis e operações excessivamente fragmentadas passam a representar não apenas um desafio operacional, mas também uma limitação de crescimento. Para Márcio Andrade, CEO da Claps, empresa de tecnologia especializada em infraestrutura para distribuição digital de seguros, com soluções voltadas à criação de produtos, canais de venda, meios de pagamento e jornadas integradas, a velocidade de implementação tende a ganhar relevância estratégica dentro do mercado de seguros nos próximos anos. “Durante muito tempo, a principal discussão do mercado esteve concentrada em produto, preço e cobertura. Esses fatores continuam fundamentais, mas começa a existir uma pressão cada vez maior por velocidade. Em muitos casos, a oportunidade de negócio não se perde por falta de produto, mas porque a operação não consegue acompanhar o timing do mercado”, afirma. Segundo o executivo, a transformação digital do setor ampliou as possibilidades de distribuição, mas também elevou a exigência por operações mais ágeis e conectadas. “Hoje, empresas precisam testar canais, lançar jornadas, conectar parceiros e adaptar ofertas com muito mais rapidez. O tempo de implementação começa a influenciar diretamente competitividade, experiência do cliente e crescimento. Quem consegue reduzir fricções operacionais tende a responder mais rápido às oportunidades”, destaca. A Claps atua nesse contexto oferecendo uma plataforma que integra criação de produtos, canais de venda, APIs, meios de pagamento e gestão operacional em um mesmo ambiente, permitindo maior agilidade na implementação de jornadas digitais e modelos multicanais. Na avaliação de Andrade, o mercado de seguros continuará evoluindo em produtos, mas o diferencial competitivo tende a se ampliar para a capacidade de conectar oportunidades com velocidade. “O seguro sempre foi muito forte em construir soluções. O próximo passo é conseguir colocá-las no mercado com mais rapidez, acompanhando a velocidade com que clientes, parceiros e modelos de negócio evoluem”, conclui.
- Tensão geopolítica limita bitcoin, que não deve passar de US$ 100 mil em 2026, aponta 21shares
O bitcoin e o mercado cripto devem manter um crescimento contido no segundo semestre de 2026, após um primeiro semestre de tensão geopolítica, mudanças regulatórias nos EUA e maior cautela dos investidores. É o que mostra a edição de meio de ano do State of Crypto, relatório da 21shares, fornecedora da maior oferta de fundos e produtos negociados em bolsa (ETFs/ETPs) de criptomoedas do mundo. A atual edição repassa uma série de previsões do relatório anterior, divulgado em dezembro do ano passado. A perspectiva segue otimista, mas com avanços bastante cautelosos em relação às projeções feitas meses antes. “Após seis meses, o cenário é mais complexo do que antecipávamos. Algumas previsões se concretizaram antes do esperado: os mercados de previsão quase superaram a meta de volume anual que havíamos indicado; a consolidação das soluções de escalabilidade no Ethereum está ocorrendo como prevíamos; as commodities tokenizadas estão ganhando relevância, com ouro e energia no centro das estratégias de proteção contra riscos geopolíticos; e os mercados pré-IPO estão avançando rumo ao mainstream, à medida que uma importante lista de empresas se forma — de SpaceX a Anthropic”, aponta o estudo, elaborado pelo time de pesquisa da 21shares. Veja abaixo algumas das conclusões do novo State of Crypto: - Bitcoin deve se aproximar dos US$ 100 mil em dezembro, em recuperação mais lenta com maiores taxas de juros e inflação devido aos conflitos no Oriente Médio, sinal de que o ciclo de quatro anos não foi quebrado ainda; - ETPs e stablecoins avançam mais devagar, ficando longe das estimativas de US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão, prejudicados pela demora na aprovação do Clarity ACT nos EUA e menor adoção institucional; - Finanças descentralizadas ficarão abaixo dos US$ 300 bilhões, após ataques hackers que causaram perdas de US$ 840 milhões e uma sangria de quase 10% dos US$ 130 bilhões em ativos estimados em dezembro; - Adesão à blockchain desacelera, com a criação de novas bases nativas em ritmo dez vezes mais lento que a incorporação das indústrias tradicionais à tecnologia; - Mercados de previsão ultrapassarão com folga a projeção de atingirem o patamar de US$ 100 bilhões, impulsionados por Kalshi, Polymarket e Hyperliquid, apesar de restrições regulatórias recentes em diferentes países - incluindo o Brasil. “Nesta edição, revisitamos cada previsão de forma imparcial, oferecendo uma visão clara e fundamentada de onde o mercado realmente se encontra — e não de onde esperávamos que ele estivesse”, acrescentam os autores do relatório. O State of Crypto é assinado pelos seguintes pesquisadores: Eliezer Ndinga, Adrian Fritz, Stephen Coltman, Karim Abdelmawla, Maximiliian Michielsen e Matt Mena. Ele pode ser acessado na íntegra, em inglês, no portal da 21shares. Uma nova edição será divulgada no final deste ano, com as projeções para 2027.
- Planejamento sucessório precisa incluir ativos digitais
O avanço da tokenização de ativos financeiros e a consolidação de estruturas baseadas em blockchain vêm redesenhando os mercados globais de capitais e influenciando também a forma como o patrimônio é transferido entre gerações. Um estudo do Citi Institute projeta que o mercado de ativos digitalizados pode atingir US$ 5,5 trilhões até 2030, em um movimento associado à entrada de grandes bolsas internacionais em projetos de infraestrutura baseados em blockchain e à reorganização dos mecanismos de registro e circulação de ativos financeiros. À medida que esse ecossistema se expande, a discussão jurídica já não se mantém restrita à titularidade formal dos bens e já incorpora também a forma como o acesso a esses ativos é estruturado ao longo da vida do titular. Essa avaliação é feita pelo advogado Marcos Paulo de Castro Pereira, sócio do escritório Ciscato Advogados Associados. Patrimônio digital em expansão Segundo ele, o crescimento dos ativos digitais já altera a composição patrimonial das famílias. "Hoje é cada vez mais comum encontrarmos pessoas que possuem parte importante de seus bens em formato de ativos digitais", afirma. Essa mudança não se limita às criptomoedas, ela inclui carteiras digitais, contas em corretoras, negócios online e outros ativos estruturados no ambiente digital que já fazem parte da base econômica de famílias e empresas. Dados da RWA.xyz indicam que os ativos tokenizados movimentam cerca de US$ 32 bilhões atualmente, ainda em um estágio inicial de consolidação da infraestrutura blockchain no sistema financeiro global. À medida que esse mercado avança, um dos principais desafios passa a ser a organização prévia de informações e credenciais de acesso, especialmente no contexto sucessório, alerta Marcos. O advogado explica que a falta de estruturação pode dificultar a identificação completa do patrimônio digital no momento da partilha. Para ele, a distinção entre ativos custodiados em plataformas reguladas e aqueles armazenados em carteiras privadas torna-se um ponto chave desse debate. "A blockchain não reconhece escrituras, sentenças judiciais ou certidões de inventário, ela reconhece apenas quem possui as chaves de acesso", pontua. Na prática, mesmo após a conclusão do inventário e o reconhecimento judicial da herança, a ausência dessas credenciais pode impedir o acesso efetivo aos ativos digitais. Isso desloca o debate sucessório da esfera documental para a dimensão operacional da transferência de patrimônio. O ordenamento jurídico brasileiro já assegura a transmissão automática da herança, mas ainda não resolve integralmente a operacionalização de ativos digitais em ambientes descentralizados. "O direito pode reconhecer que determinado ativo pertence aos herdeiros. Contudo, se as credenciais necessárias forem perdidas, nem mesmo uma decisão judicial será capaz de recuperar o acesso ao patrimônio", analisa. Quando o acesso define o patrimônio No ambiente empresarial, o impacto também é grande, especialmente em empresas familiares e negócios digitais que dependem de acessos centralizados. A ausência de planejamento sucessório pode comprometer a continuidade operacional, com reflexos diretos sobre rotinas financeiras e relações comerciais. "Em âmbito empresarial, essa medida busca garantir a continuidade dos negócios, preservar empregos e manter relações comerciais", recomenda. Para o advogado, o planejamento sucessório atual exige uma camada adicional de organização voltada especificamente aos ativos digitais. O processo envolve inventário intangível, definição de protocolos de acesso e integração dessas informações aos instrumentos tradicionais do direito sucessório e societário. "O importante é encontrar um equilíbrio entre proteção patrimonial, privacidade e continuidade sucessória", orienta.
- Operação da PF contra fraude bilionária reacende debate sobre segurança dos recursos: qual a diferença entre bancos e instituições de pagamento?
A operação deflagrada pela Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Digimais, instituição controlada pelo grupo ligado ao empresário Edir Macedo, e que resultou no bloqueio de até R$ 670 milhões em bens, voltou a colocar em evidência um tema cada vez mais relevante para consumidores e empresas: a segurança dos recursos mantidos em instituições financeiras. O caso reacendeu discussões sobre os diferentes modelos de atuação existentes no mercado e trouxe à tona uma dúvida comum entre clientes corporativos e pessoas físicas: afinal, qual é a diferença entre um banco tradicional e uma instituição de pagamento, e como essa distinção impacta a proteção do dinheiro depositado? Segundo especialistas da Trio Grupo Financeiro, empresa especializada em infraestrutura financeira, pagamentos, crédito e investimentos, a resposta passa principalmente pela forma como cada tipo de instituição pode utilizar o dinheiro de seus clientes. Embora bancos e instituições de pagamento sejam regulados e supervisionados pelo Banco Central, os modelos de funcionamento são bastante diferentes. De acordo com Guilherme Fernandes, diretor de Marketing da Trio, os bancos possuem autorização para captar recursos e utilizá-los em operações de crédito. “Um banco pode utilizar os depósitos dos clientes para conceder empréstimos, financiar operações e adquirir ativos financeiros. É justamente essa capacidade de intermediação financeira que caracteriza o modelo bancário”, explica. Já as instituições de pagamento operam sob uma lógica distinta. “As IPs não podem utilizar os recursos depositados pelos clientes para emprestar dinheiro ou assumir riscos de crédito. O saldo precisa permanecer integralmente custodiado, geralmente em títulos públicos federais ou junto ao próprio Banco Central”, afirma Fernandes. Na prática, isso significa que o dinheiro depositado em uma conta de pagamento precisa estar disponível na sua totalidade. “Se uma instituição de pagamento possui R$ 1 milhão depositado por clientes, ela precisa comprovar diariamente ao Banco Central que esse mesmo R$ 1 milhão continua sob custódia. Esses recursos não podem ser utilizados para financiar terceiros”, complementa Fernandes. Na avaliação dos especialistas, é justamente essa característica que torna as instituições de pagamento estruturalmente mais seguras sob a ótica da proteção dos recursos depositados. “Do ponto de vista de quem mantém dinheiro em conta, as IPs possuem uma vantagem importante: os recursos dos clientes não se misturam às operações da empresa. Eles permanecem segregados e protegidos”, afirma Fernandes. O executivo ressalta que isso não significa que bancos sejam inseguros, mas sim que os riscos envolvidos são diferentes. “Os bancos operam com um modelo baseado em crédito. Isso funciona muito bem na maior parte do tempo, mas exige mecanismos de proteção como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), justamente porque os depósitos fazem parte da estrutura de financiamento da instituição”, explica. Segundo ele, a existência do FGC demonstra que o próprio sistema reconhece a necessidade de cobertura para esse tipo de risco. Caso BRB ilustra diferença estrutural Para os especialistas, o caso envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) ajuda a compreender melhor essa diferença. O banco se tornou alvo de discussões após a aquisição de uma carteira bilionária de créditos do Banco Master, operação que gerou questionamentos técnicos e levou à necessidade de um acordo para garantir suporte financeiro à instituição. Segundo Fernandes, uma operação dessa natureza simplesmente não poderia ocorrer dentro de uma instituição de pagamento. “O caso do BRB envolve uma decisão de alocação de capital em ativos de crédito. Uma IP não possui autorização regulatória para comprar e carregar esse tipo de ativo em seu balanço. O modelo de negócio não permite esse tipo de exposição”, explica. Ele ressalta, porém, que isso não significa que as IPs sejam imunes a riscos. “Existem desafios importantes envolvendo prevenção à lavagem de dinheiro, fraudes digitais e controles operacionais. Mas são riscos completamente diferentes daqueles relacionados à intermediação financeira e ao crédito bancário.” Banco Central reforça separação entre modelos A percepção de que bancos e instituições de pagamento precisam ser claramente diferenciados também está por trás de recentes medidas regulatórias. Uma delas é a decisão do Banco Central de impedir que instituições de pagamento utilizem termos como "bank" ou "banco" em suas marcas comerciais. Para Andressa Lipski, diretora de Governança da Trio, a medida busca aumentar a transparência para consumidores e empresas. “O objetivo é eliminar confusões sobre a natureza das instituições. Uma IP não é um banco, possui outra licença, outra estrutura regulatória e outro modelo de risco. O consumidor precisa entender essa diferença para tomar decisões mais conscientes”, afirma. Segundo ela, a medida também contribui para o amadurecimento do setor. “As fintechs precisarão comunicar seus benefícios reais — tecnologia, eficiência e experiência do usuário — sem depender da associação automática com o universo bancário”, diz. Para Luiz Fernando Ferreira, CFO da Trio, a decisão vai muito além de uma questão de nomenclatura. “O principal ponto está no sinal regulatório por trás da medida. O Banco Central está reforçando uma separação mais clara entre instituições que operam como bancos e instituições de pagamento, que possuem outra estrutura regulatória e outro perfil de risco”, afirma. Segundo ele, a mudança tende a beneficiar o próprio mercado ao tornar mais transparente para o consumidor a natureza de cada instituição. “Uma instituição de pagamento não é um banco. Ela não utiliza o saldo dos clientes para operações de crédito, não carrega o mesmo tipo de risco de balanço e opera com outra lógica regulatória. Quando o regulador exige que essa diferença fique explícita, ele fortalece a compreensão do mercado sobre como cada modelo funciona”, explica. Ferreira avalia que a medida também representa um amadurecimento do ecossistema financeiro brasileiro. “Durante muito tempo, algumas fintechs utilizaram o termo ‘bank’ como um atalho de posicionamento. Agora o setor entra em uma fase em que a confiança precisará ser construída pela qualidade da tecnologia, pela eficiência operacional e pela transparência sobre os serviços prestados. Isso é positivo para todo o mercado”, conclui o CFO. Além das diferenças relacionadas à segurança dos recursos, as instituições de pagamento também ganharam protagonismo por sua capacidade de inovação. Por operarem sob estruturas mais enxutas e especializadas, as IPs conseguiram acelerar processos de digitalização e ampliar o acesso a serviços financeiros. “Grande parte da inclusão financeira observada nos últimos anos aconteceu através das instituições de pagamento. Elas conseguiram oferecer contas digitais sem tarifas, abertura simplificada e experiências completamente digitais para milhões de brasileiros”, afirma Fernandes. O avanço da bancarização no país teve forte participação das fintechs e instituições de pagamento, especialmente entre públicos historicamente excluídos do sistema financeiro tradicional. Para empresas, especialmente pequenas e médias, o impacto também foi significativo. “As IPs democratizaram o acesso a soluções que antes estavam disponíveis apenas para grandes companhias, como meios de pagamento digitais, conciliação facilitada, gestão financeira integrada e infraestrutura tecnológica avançada”, conclui Fernandes. À medida que o Banco Central aumenta a supervisão sobre o setor e reforça a diferenciação regulatória entre bancos e instituições de pagamento, especialistas acreditam que o mercado caminhará para um ambiente com mais transparência, maior segurança para consumidores e um entendimento mais claro sobre o papel de cada tipo de instituição dentro do sistema financeiro brasileiro.














