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- O fim da "era do improviso" nas fintechs: por que ter um app de banco não basta mais para o varejo
O avanço do Pix, a consolidação do Open Finance e a popularização do modelo Banking as a Service (BaaS) transformaram o mercado financeiro brasileiro em um dos mais dinâmicos do mundo. Com infraestrutura regulatória moderna e APIs que permitem integrar serviços bancários a qualquer aplicativo, criar uma fintech deixou de ser exclusividade de instituições tradicionais. A facilidade de entrada, no entanto, esconde uma complexidade que nem sempre é percebida por empresários de fora do setor. Para Rafael Franco , especialista em arquitetura de plataformas financeiras e CEO da Alphacode, empresa especializada no desenvolvimento de plataformas financeiras digitais, o principal equívoco está em tratar fintech como extensão de estratégia comercial. “Existe uma percepção de que basta integrar um parceiro bancário, lançar um aplicativo e ativar uma base de clientes. Mas operação financeira não é projeto de marketing. É estrutura, governança e gestão de risco”, afirma. Segundo ele, o ambiente atual estimula empresas de varejo, tecnologia e serviços a incorporarem soluções como conta digital, crédito próprio e antecipação de recebíveis dentro de seus ecossistemas. O movimento faz sentido do ponto de vista estratégico, já que produtos financeiros aumentam retenção, ampliam margens e fortalecem relacionamento com o cliente. O problema surge quando a expansão ocorre sem maturidade operacional. “ Quando uma empresa decide conceder crédito, ela passa a assumir risco de inadimplência e precisa estruturar a cobrança. Se esses fundamentos não estão organizados, a tecnologia apenas acelera a exposição ao erro”, pontua o CEO da Alphacode. Para ele, o mercado brasileiro entrou em uma fase de sofisticação onde a sustentabilidade do modelo vale mais do que o número de downloads do app. Maturidade antes de escala Na avaliação de Franco, o mercado brasileiro entrou em uma fase mais sofisticada. Se nos últimos anos a discussão girava em torno da digitalização dos serviços financeiros, agora o foco recai sobre a sustentabilidade do modelo. Empresas que lançaram produtos financeiros como complemento de receita começam a perceber que a gestão da carteira e o controle da operação são tão relevantes quanto a aquisição de clientes. Ele defende que a entrada no setor deve seguir uma lógica de maturidade. “Nem toda empresa precisa começar oferecendo conta digital, cartão de crédito ao mesmo tempo. Há modelos mais simples e estruturais, como operações de crédito lastreadas ou soluções específicas de pagamento, que permitem ganho de experiência antes de ampliar escopo”, afirma. Essa visão dialoga com um cenário em que o Banco Central reforça exigências de compliance e transparência, enquanto o consumidor se mostra mais atento à segurança e à confiabilidade das plataformas. Para Franco, reputação se tornou ativo crítico. “Produto financeiro envolve confiança. Uma falha operacional ou um erro de liquidação não afeta apenas o caixa, afeta a marca.” Arquitetura como decisão estratégica Outro ponto que ganha relevância no atual ciclo das fintechs é a arquitetura tecnológica. Com a oferta crescente de soluções white label e plataformas prontas, muitas empresas optam por modelos compartilhados para reduzir o tempo de lançamento. Embora eficientes para validação inicial, esses formatos podem limitar evolução e controle no médio prazo. “A pergunta central não é qual tecnologia usar, mas o que a empresa quer controlar. Quem controla dados, regras de negócio e integrações constrói um ativo. Quem depende integralmente de terceiros pode crescer rápido, mas com baixa autonomia estratégica”, analisa. Para ele, a discussão sobre private label, individualização de ambiente e governança de código deixou de ser tema técnico e passou a integrar a agenda de conselhos e executivos. “Fintech não é projeto de curto prazo. É infraestrutura contínua. Se a arquitetura não foi pensada para evoluir, cada ajuste vira um remendo.” O novo ciclo das fintechs O mercado brasileiro de fintechs amadurece em paralelo ao aumento da competição e à pressão por eficiência. Modelos baseados apenas em aquisição agressiva de usuários perdem espaço para estratégias focadas em rentabilidade, controle de risco e diversificação de receita. Nesse contexto, produtos como antecipação de recebíveis, crédito segmentado e integração financeira em plataformas de nicho ganham protagonismo. Franco avalia que o próximo ciclo será marcado menos pela corrida por funcionalidades e mais pela consolidação de estruturas sólidas. “O ambiente é favorável, a regulação evoluiu e a tecnologia está disponível. O diferencial agora é disciplina. Empresas que enxergarem fintech como expansão estrutural do negócio terão vantagem. As que tratarem como iniciativa oportunista tendem a enfrentar ajustes dolorosos”, afirma. Ao fim, ele resume o momento do setor como uma transição de entusiasmo para responsabilidade. “O Brasil construiu uma das infraestruturas financeiras digitais mais avançadas do mundo. Mas infraestrutura robusta exige operadores preparados. Estrutura vem antes de tecnologia. Quem entende isso constrói ativos. Quem ignora, corre risco desnecessário.”
- Grupo Caburé Seguros cria braço para conectar fintechs ao mercado
O Grupo Caburé , especializado em seguros de vida e corporativos desde 1963, acaba de lançar a Caburé Ventures , um braço de inovação e investimento voltado para startups e fintechs com potencial de sinergia com o setor de seguros e mercado financeiro. O grupo abre sua rede de parceiros, executivos e especialistas para acelerar empresas fintechs que prestam serviços complementares à sua operação. Como funciona o modelo A Caburé Ventures nasceu de uma necessidade operacional do próprio grupo. À medida que amplia sua atuação para além dos seguros — incluindo serviços de saúde e crédito — a empresa passou a precisar de tecnologias e soluções que ainda não possui internamente. Em vez de desenvolver tudo dentro de casa, o Caburé firma parcerias com startups que já oferecem essas soluções. Em troca, abre seu ecossistema, conecta essas empresas a parceiros e investidores e ajuda a acelerar seu crescimento. "O grupo criou esse braço de inovação para apostar em um hub de fintechs, utilizando do nosso know-how para potencializar e acelerar essas startups", afirma Marina Mota, diretora de expansão do Grupo Caburé. "Quando uma empresa iniciante se vincula a uma marca consolidada com mais de 60 anos de história, fica muito mais fácil para ela se alavancar no mercado." Setores e casos de uso A Caburé Ventures não se restringe a um único segmento. Embora a maioria das parcerias firmadas até agora envolva startups de crédito — naturalmente alinhadas ao portfólio de seguros do grupo —, a iniciativa já avança para novas frentes. Atualmente, o Caburé mantém conversas ativas com empresas do setor de saúde e telemedicina, buscando soluções para integrar ao seu aplicativo. Desde seu lançamento, a Caburé Ventures conectou o grupo a mais de 70 startups. Caburé Partner: o outro vetor de crescimento A Caburé Ventures opera em paralelo com a Caburé Partner, canal voltado para empresas e profissionais que desejam distribuir os produtos do grupo — como corretores, fintechs e plataformas digitais. Juntos, os dois braços funcionam como vetores de capilaridade: enquanto a Partner amplia os pontos de venda, a Ventures antecipa tendências e traz inovação para dentro da operação. Crescimento acelerado e metas para 2026 O lançamento da Ventures acontece em um momento de expansão consistente do Grupo Caburé. Nos últimos três anos, a base de clientes cresceu 40% — passando de 1,5 milhão em 2023 para 2,1 milhões em 2026. Para este ano, a meta é fechar 3.000 novos contratos B2B, com foco em parcerias estratégicas em diferentes setores da economia. A trajetória carrega o legado do fundador Luiz Carlos Pigatto da Silva, o "Caburé", que dedicou décadas a democratizar o acesso à proteção financeira para trabalhadores de renda média e baixa. Em 2023, ano de seu falecimento, o grupo já administrava R$18,1 bilhões em capitais segurados.
- Empresa de tecnologia financeira da Serasa Experian estrutura FIDC de R$ 2 bilhões com Itaú BBA para expandir crédito para PMEs
Em um cenário em que pequenas e médias empresas ainda enfrentam desafios para acessar crédito com previsibilidade e custo adequado, a Serasa Experian avança na ampliação de soluções financeiras ao estruturar, por meio da PagueVeloz, um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 2 bilhões em parceria com o Itaú BBA. A operação viabiliza funding de longo prazo e amplia a capacidade de concessão de crédito e pagamentos para PMEs, contribuindo para um mercado mais eficiente e com maior previsibilidade — um dos principais gargalos desse segmento no Brasil. Mais do que uma operação financeira, o movimento reforça uma tendência de transformação no crédito para empresas: o uso intensivo de dados, tecnologia e modelos mais robustos de gestão de risco para ampliar o acesso com responsabilidade. Inserida no ecossistema da Serasa Experian, a PagueVeloz combina inteligência de dados, infraestrutura tecnológica e disciplina de risco para escalar sua atuação no segmento de PMEs. Com o FIDC, a empresa passa a operar com maior capacidade de originação e eficiência, sustentando o crescimento em escala. “Ao estruturar um funding mais robusto e previsível, conseguimos ampliar o acesso ao crédito para PMEs de forma sustentável, mantendo disciplina de risco e visão de longo prazo”, afirma Felipe Barone, Diretor de Pagamentos da Serasa Experian e CEO da PagueVeloz. A parceria com o Itaú BBA também reforça a validação institucional do modelo, especialmente em processos de originação, gestão de risco e governança — fatores essenciais para o desenvolvimento de um mercado de crédito mais sólido. Para Thais Pfeiffer, Diretora de Finanças da Serasa Experian, a operação está alinhada à estratégia de crescimento sustentável da companhia. “Estamos fortalecendo nossa capacidade de apoiar empresas com soluções financeiras mais eficientes, seguras e escaláveis, contribuindo para a evolução do mercado de crédito no país”, diz. Com a iniciativa, a Serasa Experian avança na consolidação de um ecossistema financeiro baseado em dados, ampliando o acesso ao crédito e contribuindo para o desenvolvimento das PMEs — segmento responsável por grande parte da geração de empregos e renda no Brasil.
- Empresas estruturam fintechs próprias para diversificar receitas, otimizar impostos e assumir controle financeiro
A criação de fintechs próprias deixou de ser um movimento restrito a startups financeiras e bancos digitais. Nos últimos anos, empresas de varejo, food service, franquias, marketplaces, plataformas de serviços e indústrias passaram a estruturar operações financeiras internas como estratégia para diversificar faturamento, aumentar margens e organizar a tributação de fluxos que antes apenas geravam custo, como o processamento de pagamentos, a antecipação de recebíveis e o crédito consignado. Esse movimento ganhou tração a partir de meados da década de 2010, com a evolução das APIs bancárias, a digitalização dos meios de pagamento e, mais recentemente, com a consolidação do modelo Banking as a Service (BaaS). A regulamentação do open finance no Brasil e o avanço do Pix aceleraram esse processo ao reduzir barreiras tecnológicas e ampliar a concorrência no sistema financeiro. Segundo a Allied Market Research, o mercado global de fintechs deve crescer, em média, 23% ao ano até 2028, impulsionado principalmente pela integração de soluções financeiras a ecossistemas empresariais já consolidados. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) indicam que mais de 60% das fintechs atuam oferecendo alternativas ao sistema bancário tradicional, muitas delas ligadas a empresas que não nasceram no setor financeiro. “Hoje, qualquer empresa que tenha relacionamento recorrente com clientes, parceiros ou franqueados e processe pagamentos pode se tornar uma fintech. O diferencial está em estruturar isso como negócio, e não apenas como custo operacional”, afirma Segundo Rafael Franco , CEO da Alphacode , empresa especializada no desenvolvimento de plataformas financeiras digitais. Na prática, o modelo permite que empresas ofereçam contas digitais, carteiras (wallets), orquestração de pagamentos, split de recebíveis, parcelamento inteligente, antecipação de valores e produtos de crédito dentro do próprio ecossistema. Em vez de apenas pagar taxas a bancos, adquirentes e intermediários, o negócio passa a capturar parte da margem financeira dessas operações. Além da geração de receita, a estruturação de uma fintech própria impacta diretamente a organização tributária, especialmente em relação ao Imposto de Renda. Ao separar a operação financeira do core business em um CNPJ específico, a empresa consegue segregar receitas operacionais e financeiras, adotando o regime tributário mais adequado para cada atividade. Dependendo do modelo, isso permite tributar o resultado financeiro de forma mais eficiente, com dedução de custos tecnológicos, despesas de compliance, infraestrutura e, em alguns casos, provisões de risco. “Não se trata de pagar menos imposto por artifício, mas de pagar imposto sobre um resultado que antes ficava com terceiros. A empresa transforma um centro de custo em unidade geradora de lucro”, explica Franco. Quem pode se tornar uma fintech Empresas com grande volume transacional, base recorrente de clientes ou operações pulverizadas são as que mais se beneficiam do modelo. Redes de franquias, marketplaces, plataformas de assinatura, empresas de logística, educação, saúde e varejo digital estão entre os perfis mais comuns. O fator determinante não é o setor, mas a capacidade de integrar soluções financeiras à jornada do usuário. Como contratar uma empresa para estruturar a fintech Especialistas apontam que o primeiro passo é definir claramente o objetivo da operação: banco digital completo, wallet, pagadoria, plataforma de crédito ou camada financeira integrada ao negócio principal. A partir disso, a escolha do fornecedor deve considerar experiência comprovada em projetos financeiros, capacidade de customização, conhecimento regulatório e domínio de integrações com adquirentes, gateways, sistemas antifraude e parceiros bancários. Também é fundamental avaliar a infraestrutura tecnológica. Plataformas baseadas em nuvem, escaláveis, auditáveis e aderentes à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são hoje padrão. Outro ponto crítico é o suporte especializado. “Não é um projeto para call center genérico. É preciso equipe técnica que entenda de risco, pagamento e governança”, afirma Franco. Vantagens e alertas Entre as principais vantagens estão a diversificação de faturamento, aumento da retenção de clientes, maior previsibilidade financeira e organização tributária. Além disso, a empresa passa a ter controle total sobre regras de pagamento, políticas de crédito, programas de cashback e fidelidade, além do onboarding de clientes com validações de segurança e análise de risco. Por outro lado, há alertas importantes. Operações financeiras exigem governança, monitoramento contínuo de risco, investimento permanente em segurança digital e atenção regulatória. Estruturas improvisadas ou mal dimensionadas podem gerar passivos fiscais, problemas de compliance e impacto reputacional. “Não é um atalho nem uma moda. É uma decisão estratégica que precisa ser tratada como tal”, ressalta o executivo. Com soluções que incluem Pix, boletos, cartões, links de pagamento, carteiras digitais, programas de fidelidade e autenticação biométrica, o modelo BaaS vem reposicionando empresas como protagonistas da nova economia financeira. “Transformar a empresa em uma fintech não significa virar banco tradicional, mas assumir o controle das próprias soluções financeiras e abrir novas frentes de crescimento com previsibilidade e escala”, conclui o CEO da Alphacode.
- O que você precisa saber para não cair em golpes com Pix em 2026
O Pix já se consolidou como a espinha dorsal do sistema financeiro brasileiro. Só em 2025, movimentou mais de R$28 trilhões, segundo o Banco Central, enquanto estudos da FGV Cemif mostram que cada brasileiro realizou, em média, quase 40 transferências por mês. A adesão massiva, porém, veio acompanhada de um efeito colateral: o sistema tornou-se o principal alvo do crime digital. Apenas em 2024, as perdas relacionadas a golpes somaram R$4,94 bilhões, de acordo com dados do BC obtidos via Lei de Acesso à Informação. Em 2025, os golpes digitais continuam em alta no Brasil. Dados da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) mostram que, entre janeiro e setembro, foram registradas 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix. O alerta mais crítico veio em julho, com o maior ataque já observado no ecossistema: o incidente na C&M Software, que resultou no desvio estimado de pelo menos R$800 milhões. O caso evidenciou que a vulnerabilidade não está na tecnologia do Banco Central, mas nas pontas operacionais, onde falhas humanas, processos frágeis e fornecedores pouco protegidos se acumulam. Para Gabriel Paiva, CEO da Dfense, o episódio mostrou que a fragilidade não está no coração do sistema: “O Pix é seguro enquanto tecnologia. O que falha são processos, pessoas e fornecedores conectados ao sistema financeiro. No caso da C&M, o ataque começou pelo ponto mais vulnerável: o acesso humano.” Aumento do fator de risco: Engenharia Social 3.0, IA generativa e deepfakes Mesmo com o avanço das tecnologias de proteção, o fator humano continua sendo a principal porta de entrada explorada pelos criminosos. “Um único clique em um link malicioso ou o envio de informações sem checagem já basta para abrir brechas que nenhuma solução tecnológica consegue impedir completamente”, diz Paiva. Esse ambiente impulsiona a Engenharia Social 3.0, na qual golpistas usam dados públicos de pessoas e empresas para criar abordagens altamente personalizadas, capazes de imitar comunicações reais e aumentar a taxa de sucesso dos golpes. A popularização da IA generativa e dos deepfakes torna esse cenário ainda mais desafiador. “Hoje, produzir uma voz sintética ou um vídeo convincente é simples e barato, o que acelera golpes como o CEO fraud, em que criminosos se passam por executivos para solicitar transferências ou obter informações sensíveis”, complementa. 4 maneiras para as empresas e instituições se blindarem A partir do histórico de incidentes, a Dfense elenca quatro frentes que empresas e instituições financeiras precisam revisar imediatamente para garantir a resiliência do sistema Pix: Auditoria real de fornecedores: é imperativo ir além de checklists de conformidade. Exigir evidências auditáveis de segurança de todos os fornecedores que têm qualquer conexão com o ecossistema de pagamentos é fundamental. Treinamento contínuo contra engenharia social: o ataque não começa no código, mas no telefone, WhatsApp ou e-mail. É vital que as equipes sejam treinadas contra as táticas de aliciamento e manipulação que visam acesso privilegiado. Reforço de identidade digital: fortalecer os controles de autenticação com biometria, análise de comportamento ( machine learning ) e confirmação em múltiplos dispositivos para transações de maior valor. Planos de resposta a incidentes: é preciso saber exatamente o que fazer quando o golpe já aconteceu, com planos claros sobre quando interromper operações e como acionar o rastreamento, para reduzir o prejuízo. 5 dicas para os usuários se prevenirem O usuário também é uma linha de defesa crítica. Diante disso, como prevenção o executivo recomenda as seguintes práticas: Jamais fazer Pix por "urgência" sem confirmar a solicitação por outro canal (telefone fixo, ligação direta); Conferir o nome e a instituição antes de confirmar qualquer transferência; Desconfiar de cobranças inesperadas ou enviadas por WhatsApp; Configurar limites diários e noturnos reduzidos para o Pix, de acordo com o padrão de uso; Acionar o MED (Mecanismo Especial de Devolução) imediatamente em caso de golpe
- Claps consolida modelo que permite ao cliente definir quanto quer pagar pelo seguro
O mercado de seguros começa a viver, na prática, uma mudança relevante na forma de contratar proteção. A Claps, empresa de tecnologia especializada na digitalização da distribuição de seguros, já opera um modelo que permite ao cliente definir quanto deseja pagar, enquanto a plataforma organiza, de forma automatizada, o nível de cobertura possível dentro daquele valor. A solução, que já está em funcionamento há mais de um ano e aplicada em parceiros da empresa, rompe com a lógica tradicional do setor, em que o preço é determinado previamente e apresentado ao consumidor como parte de um pacote fechado. No novo formato, a jornada começa pela decisão financeira do cliente, e não pelo produto. A proposta foi desenhada para operar de forma integrada a diferentes canais de distribuição, podendo ser aplicada no canal bancário, por meio de corretores de seguros ou ainda em ecossistemas de afinidade, ampliando o alcance e a flexibilidade da oferta. “É como se a pessoa escolhesse o valor que cabe no bolso, e a partir disso a tecnologia monta a proteção possível. Isso muda completamente a experiência”, explica o CEO da Claps, Márcio Andrade. A iniciativa ganha relevância em um contexto em que a relação entre oferta e contratação de seguros ainda é marcada por baixa transparência em alguns canais, especialmente quando produtos são combinados a outras negociações financeiras. Em muitos casos, o cliente aceita condições sem compreender plenamente o que está sendo contratado. Segundo Andrade, o objetivo é justamente tornar essa relação mais clara e alinhada à realidade do consumidor. “Durante muito tempo, o mercado funcionou no modelo de empurrar produtos ou atrelar soluções a outras negociações. Quando você permite que o cliente diga quanto quer pagar, a decisão passa a ser dele, de forma consciente”, afirma. A mudança também abre espaço para um novo nível de personalização. Com o apoio da tecnologia, é possível adaptar coberturas, limites e serviços de acordo com diferentes perfis, respeitando tanto a capacidade financeira quanto a percepção de valor de cada cliente. Além do impacto na experiência do consumidor, o modelo já demonstra efeitos práticos na distribuição. Ao reduzir a fricção na contratação e tornar a escolha mais intuitiva, a abordagem contribui para o aumento da conversão e maior permanência dos clientes ao longo do tempo. “Quando a pessoa entende o que está contratando e participa da decisão desde o início, a relação com o seguro muda. Ele deixa de ser um item imposto e passa a fazer sentido dentro da jornada”, destaca o executivo. Ao sair do campo conceitual e mostrar aplicação real, o modelo sinaliza um movimento mais amplo de transformação no setor, impulsionado pela combinação entre tecnologia, novos formatos de distribuição e mudança no comportamento do consumidor. No centro dessa mudança está uma ideia simples, mas com potencial de redefinir a forma como o seguro é percebido: dar ao cliente o controle sobre o quanto quer pagar pode ser o caminho para ampliar, de forma sustentável, o acesso à proteção.
- Peryto.ai: o primeiro agente de crédito por IA dentro do WhatsApp quer democratizar decisões de crédito no Brasil
A tomada de decisão de crédito sempre foi uma das atividades mais complexas dentro da economia. Durante décadas, essa capacidade ficou concentrada em grandes bancos e empresas com estruturas robustas de análise. Agora, um novo movimento começa a mudar esse cenário: a chegada dos agentes de inteligência artificial conversacionais aplicados diretamente ao cotidiano das micro e pequenas empresas. Nesse contexto, a fintech brasileira GYRA+ acaba de lançar a primeira versão do Peryto.ai (site https://peryto.ai/ ), um agente de IA que opera inteiramente dentro do WhatsApp e promete transformar a forma como pessoas físicas e pequenos negócios avaliam risco de crédito. A proposta do Peryto.ai é simples e poderosa: permitir que milhões de empreendedores brasileiros tenham acesso a ferramentas semelhantes às utilizadas por grandes instituições financeiras, sem precisar instalar sistemas complexos ou interpretar relatórios técnicos. Tudo acontece dentro de uma conversa natural no aplicativo de mensagens mais utilizado no país. O Brasil possui um enorme contingente de micro e pequenas empresas que operam com vendas a prazo, contratos informais e relações comerciais baseadas em confiança. Embora esse modelo seja parte importante da dinâmica econômica nacional, ele também expõe negócios a riscos relevantes de inadimplência. Muitas decisões ainda são tomadas com base apenas na experiência ou na intuição do empreendedor. É justamente nesse ponto que o Peryto.ai entra como um aliado estratégico. O agente foi desenhado para ajudar empresas e pessoas físicas a avaliar rapidamente o risco envolvido em diferentes situações do dia a dia financeiro. Entre os exemplos mais comuns estão decisões como vender a prazo para um novo cliente, analisar riscos antes de firmar um contrato de aluguel ou entender melhor o perfil de crédito de alguém com quem se pretende iniciar uma relação comercial. A experiência do usuário foi pensada para ser extremamente direta. Toda a jornada acontece dentro do WhatsApp, desde a contratação até a decisão final. O usuário começa informando um objetivo simples, como “vender a prazo”, e em seguida insere o CPF ou CNPJ da pessoa ou empresa que deseja analisar. Em poucos segundos, o agente responde com um sinal positivo ou negativo, acompanhado de uma explicação curta e clara sobre o nível de risco identificado. Caso o usuário deseje aprofundar a análise, é possível expandir a resposta com apenas um clique. Nesse segundo nível, o agente apresenta explicações adicionais em linguagem simples e organizada. Para quem precisa de documentação mais robusta, o sistema disponibiliza um relatório em PDF estruturado no formato tradicional de análises bancárias, com detalhamento dos dados considerados na decisão. Essa abordagem em múltiplas camadas atende diferentes perfis de usuários. Quem precisa apenas de uma orientação rápida encontra uma resposta imediata. Já quem necessita de documentação mais completa para processos internos pode acessar um material técnico estruturado. Além da facilidade de uso, o principal impacto do Peryto.ai está na democratização do acesso à análise de crédito estruturada. Historicamente, ferramentas desse tipo estiveram restritas a grandes instituições, que possuem equipes especializadas e infraestrutura tecnológica sofisticada. Ao levar esse tipo de capacidade para dentro de uma interface conversacional acessível, a GYRA+ amplia significativamente o alcance dessas soluções. Outro ponto relevante é a escolha do WhatsApp como canal principal da experiência. Diferentemente de plataformas tradicionais de software corporativo, o aplicativo já faz parte da rotina de praticamente todos os empreendedores brasileiros. Isso reduz barreiras de adoção e permite que análises de crédito passem a fazer parte do fluxo natural das decisões comerciais. Na prática, isso significa que pequenos negócios passam a contar com apoio analítico imediato antes de conceder prazo de pagamento, fechar contratos ou iniciar novas relações comerciais. Pequenas decisões como essas, quando repetidas diariamente, têm impacto direto na saúde financeira das empresas. Com o lançamento do Peryto.ai , a GYRA+ dá um passo relevante na construção de um novo modelo de acesso à inteligência de crédito no Brasil: mais simples, mais rápido e mais próximo da realidade de quem movimenta a economia todos os dias.
- Nota conjunta de entidades do setor cripto contra possível cobrança de IOF reacende debate sobre uso de stablecoins no Brasil
A possível incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre transações com criptomoedas, especialmente stablecoins, provocou reação do setor de ativos digitais no Brasil. Em carta conjunta divulgada recentemente, associações do mercado cripto manifestaram preocupação com a medida e alertaram para o risco de insegurança jurídica e impactos na inovação financeira caso a tributação avance sem um debate legislativo mais amplo. Entre as associações que assinaram a nota estão a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), a Associação Brasileira de Tokenização e Blockchain (ABToken) e a Zetta, entidade que representa empresas de tecnologia financeira e meios de pagamento. As organizações afirmam que mudanças desse tipo deveriam passar por discussão técnica e legislativa antes de serem implementadas. Segundo as entidades, a criação ou ampliação de tributação por decreto poderia prejudicar o desenvolvimento de um setor que vem ganhando relevância no país, além de afetar a competitividade do Brasil no cenário global de inovação financeira. O posicionamento ocorre em um momento de crescimento do uso de criptomoedas atreladas a moedas tradicionais, conhecidas como stablecoins. A preocupação do setor ocorre em um momento em que as stablecoins ganham relevância como instrumento de pagamento e transferência internacional. Diferentemente de criptomoedas mais voláteis, como Bitcoin, essas moedas digitais são projetadas para manter valor estável ao serem atreladas a ativos tradicionais, geralmente o dólar. “As stablecoins são moedas digitais criadas para não sofrerem com a grande variação de preços. Elas são projetadas para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda forte como o dólar”, explica Renata Campedelli, diretora de Payments and Service Delivery e associada da Conselheiros TrendsInnovation. Segundo a especialista, a estabilidade dessas moedas é um dos fatores que impulsionam sua adoção em transações internacionais e pagamentos digitais. “Por terem seu valor atrelado a moedas fortes, elas unem a estabilidade do dinheiro tradicional com a agilidade da tecnologia blockchain”, afirma. A adoção dessas moedas digitais também está ligada às vantagens operacionais da tecnologia blockchain, que permite transferências rápidas e com menos intermediários. “Efetuar pagamentos globais, fazer transferências para qualquer lugar do mundo sem burocracia e muito mais barato do que através dos bancos tradicionais, disponível 24/7 e só precisa de um celular, não precisa de conta no banco. Esse é o uso cotidiano das stablecoins”, diz Campedelli. Para especialistas do setor, a discussão sobre tributação evidencia um momento de transição no sistema financeiro global. Enquanto reguladores buscam estabelecer regras para o mercado de ativos digitais, empresas e associações defendem que a regulamentação precisa equilibrar segurança jurídica, inovação e competitividade. “Os governos ainda estão decidindo como regulamentar as stablecoins, o que cria um cenário de incerteza”, alerta a associada da TrendsInnovation. Nesse contexto, o debate sobre a cobrança de IOF se soma a uma discussão mais ampla sobre o papel das criptomoedas na economia digital e sobre como os países devem estruturar regras para um mercado em rápida transformação.
- Receita Federal multa fintechs por atraso em obrigação que só passou a valer este ano
A Receita Federal tem aplicado multas a instituições financeiras e fintechs por suposto atraso na entrega da e-Financeira referente a períodos anteriores a 2025, mesmo sem existir obrigação legal na época. As autuações, registradas recentemente, atingem empresas como Sociedades de Crédito Direto (SDC), Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte (SCMEPP), Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) e Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP). Segundo Eduardo Zangerolami, advogado especialista em Direito Tributário e sócio do Barcellos Tucunduva Advogados , a exigência da e-Financeira para essas empresas só passou a valer com a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.278, em 28 de agosto de 2025. Essa norma, em específico, que incluiu a obrigatoriedade de envio de informações sobre contas de pagamento, algo que antes não era exigido dessas instituições. Na prática, isso significa que a Receita está cobrando multas por um suposto descumprimento de uma regra que ainda não existia naquele período. “Essas cobranças levantam dúvidas importantes, já que não é possível penalizar empresas por uma obrigação que ainda não estava em vigor”, explica o especialista. O número de autuações tem chamado a atenção de escritórios jurídicos, que relatam aumento na procura por empresas buscando entender e contestar essas cobranças. Diante disso, a orientação é que as empresas acompanhem com frequência o portal e-CAC, onde são publicadas as notificações da Receita Federal. Caso recebam uma autuação, é possível apresentar defesa administrativa no prazo de até 20 dias úteis após a notificação. Ainda de acordo com Eduardo, há boas chances de contestação nesses casos, mas reforçam a importância de analisar cada situação de forma individual. O tema ainda deve gerar discussões nos próximos meses, com possibilidade de impacto relevante para o setor financeiro e para a forma como multas tributárias são aplicadas no país.
- De inventor a fundador de fintech: o brasileiro que transformou empresas em seus próprios bancos e entrou para o ranking Negócios em Expansão
Aos 38 anos, Thiago Eik está à frente de uma das fintechs que mais crescem no país. Fundador da Bankme, empresa especializada em estruturar Mini Bancos, modelos próprios de FIDCs e adaptados à realidade de médias indústrias. O paranaense encerrou 2025 com faturamento de R$ 56 milhões, mais de R$ 1,5 bilhão operado e 200 operações implementadas em 22 estados, com a meta de dobrar de tamanho em 2026. Em um cenário em que médias empresas buscam mais autonomia, previsibilidade e velocidade no acesso ao crédito, a proposta da fintech tem ganhado destaque: segundo o Sebrae, cerca de 300 mil empresas de médio porte no Brasil demandam operações financeiras estruturadas, mas ainda não possuem escala suficiente para viabilizar um FIDC próprio, lacuna que os Mini Bancos se propõem a preencher. A trajetória de Thiago Eik começou cedo. Aos 18 anos, foi responsável por uma inovação que transformou o mercado nacional de tanquinhos ao substituir correias dentadas por correias Poly-V, tecnologia que hoje está presente em cerca de 90% dos produtos vendidos no Brasil. A partir daí, consolidou-se como empreendedor serial, chegando a conduzir sete empresas simultaneamente, com atuação nos setores de varejo e indústria, acumulando experiência prática em diferentes elos da cadeia produtiva. Além da iniciativa privada, atuou na administração pública como secretário de Indústria e Comércio de Ibiporã (PR), onde idealizou o primeiro condomínio empresarial público do estado. Entre 2017 e 2020, mergulhou no ecossistema de startups como investidor-anjo, apoiando iniciativas nos setores de agro, saúde, educação e varejo. Foi nesse período que consolidou sua visão: “Percebi que as grandes empresas já capturam valor com crédito próprio, mas as médias ainda não tinham acesso. Vi que o problema não era falta de visão, e sim a barreira de montar e operar uma financeira de verdade”, afirma Eik. À frente da Bankme, Thiago consolidou a fintech como uma das plataformas financeiras mais relevantes para médias empresas no Brasil. A companhia já passou por três rodadas de investimento, acumulando capital para acelerar sua expansão nacional, e vem sendo reconhecida por seu desempenho: em 2025, foi destaque no LinkedIn Top Startups e integrou o ranking Negócios em Expansão, da Exame, que reúne as empresas que mais cresceram no país. “Estamos construindo um novo capítulo no mercado financeiro brasileiro, onde os empresários ganham autonomia para operar crédito com inteligência, reduzindo custos, ganhando agilidade e financiando seu ecossistema, não dependendo de grandes instituições financeiras”, diz Thiago. Para 2026, a fintech projeta manter o ritmo de crescimento, que vem dobrando ano após ano. Segundo Thiago Eik, a proposta da Bankme vai além da oferta de crédito. “Nós simplificamos e barateamos o modelo de FIDCs, permitindo que médias empresas superem as barreiras de custo, complexidade e tempo que historicamente limitavam esse tipo de estrutura. Com os Mini Bancos, qualquer empresa pode estruturar sua própria financeira de forma mais simples, rápida e acessível, transformando o crédito em uma nova fonte de receita, com autonomia e sem depender dos meios tradicionais ou desviar o foco do negócio principal”, finaliza Eik. Como parte da estratégia para sustentar esse crescimento, a Bankme vai intensificar sua presença pelo país em 2026, percorrendo diferentes regiões para entender de perto as dores do empresário brasileiro. A iniciativa reforça a proposta da fintech de construir soluções financeiras conectadas à realidade de quem está na ponta da operação, considerando desafios regionais, ciclos produtivos e particularidades de cada setor.
- Bemobi acelera em pagamentos no quarto trimestre, com TPV de 3,1 bilhões de reais e alta na receita de 50% nesta vertical
A Bemobi (BMOB3), líder no setor de soluções especializadas de pagamentos, em que já atende 12 das 15 maiores empresas de serviços recorrentes no país, comunicou nesta quinta-feira, 19, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) seus resultados financeiros relativos ao quarto trimestre de 2025. O período marcou mais um trimestre de crescimento, com avanço de 20,5% na receita líquida (23% se excluindo o efeito da variação cambial), forte expansão da vertical de Pagamentos e a consolidação do posicionamento estratégico da companhia como provedora de pagamentos verticais. O trimestre também foi marcado pela aquisição da Paytime, que representa a entrada da Bemobi no segmento B2B2B de "Payment-as-a-Service”, abrindo uma nova avenida de crescimento com serviços de pagamentos verticais para ecossistemas, como grandes franqueadores, fabricantes, distribuidores, empresas de software vertical e marketplaces. “O ano de 2025 – o melhor da nossa história – consolidou o posicionamento estratégico da Bemobi como a principal empresa provedora de pagamentos verticais no Brasil, e os resultados financeiros comprovam a assertividade dessa estratégia”, afirma Pedro Ripper, cofundador e CEO da Bemobi. “Estar na vanguarda da inovação em pagamentos e software integrados, somado à profunda especialização nos segmentos de indústria de nossos clientes, é a base da nossa estratégia para continuar crescendo de maneira acelerada e sustentável. A chegada da Paytime adiciona ao nosso ecossistema uma camada estratégica de infraestrutura financeira de pagamentos, acelerando a criação de novos produtos e a expansão da nossa atuação em diferentes verticais, agora também com um novo modelo de negócios baseado em parcerias e em uma oferta de Payment-as-a-Service.” Entre outubro e dezembro de 2025, a receita líquida da Bemobi cresceu 20,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 199,2 milhões de reais. No acumulado do ano, a receita líquida totalizou 728,8 milhões de reais, alta de 20% sobre 2024. O EBITDA ajustado somou 65,9 milhões de reais no trimestre, avanço de 19,8%. No ano, o EBITDA ajustado somou 245 milhões de reais, alta de 22,2%. O lucro líquido ajustado ex-Swap no 4T25 foi de 60,8 milhões, crescimento de 30,8%. Já o lucro líquido contábil fechou o trimestre em 52,7 milhões de reais, alta de 25,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano, o lucro líquido contábil avançou 34,2% para 161,2 milhões de reais. A vertical de Pagamentos foi novamente o principal destaque do trimestre. A receita do segmento avançou 50%, acelerando em relação aos períodos anteriores, enquanto o volume total de pagamentos processados pela companhia (TPV) cresceu 36%, alcançando 3,1 bilhões de reais. O desempenho foi impulsionado pela aceleração de clientes recentes, com destaque para Sabesp e o segmento de educação, além do aumento de penetração em segmentos e parceiros mais maduros, como telecom e Equatorial. Em 2025, a Bemobi adicionou 8 novos clientes de grande porte em Pagamentos, totalizando 153 novos clientes na vertical, incluindo a entrada da Telcel, do México, no quarto trimestre. A companhia também registrou aceleração na vertical de SaaS, com crescimento de 23% na receita do trimestre, impulsionado pelo avanço das soluções de engajamento e por receitas de setup da plataforma tecnológica de atendimento ao cliente associadas às soluções da Wave Tech e Grace, solução de pagamentos conversacionais com inteligência artificial via WhatsApp. Com isso, a combinação entre Pagamentos e SaaS atingiu 64,7% da receita total da Bemobi, reforçando a mudança de mix em direção às frentes de maior crescimento estratégico para a companhia. “A maturação das iniciativas recentes tem tornado nosso portfólio mais diversificado e resiliente. As perspectivas para Pagamentos e SaaS seguem bastante positivas e tendem a ganhar ainda mais relevância com a integração da Paytime a partir de 2026”, diz Ripper. “A entrada no segmento B2B2B amplia de forma relevante nosso mercado endereçável.” Além da Paytime, outro marco estratégico do trimestre foi a ampliação do portfólio da Bemobi com a integração de NuPay e Pix por biometria. Os novos módulos reforçam o posicionamento único da empresa no mercado de pagamentos recorrentes para serviços essenciais ao permitir transações sem a necessidade de abrir o aplicativo do banco, reduzindo atrito e ampliando conveniência para o consumidor. A plataforma da Bemobi reúne ainda recursos como smart checkout, orquestração de pagamentos, motor de recorrência, multiadquirência, subadquirência, antifraude proprietário e orquestração de Pix, com integração a múltiplos canais como app, web e WhatsApp. A solução de meios de pagamento fim-a-fim da Bemobi já é usada no modelo "white label" por 659 empresas, incluindo todas as principais operadoras de telecom do Brasil, como Vivo, TIM e Claro, boa parte das maiores empresas do setor de utilities, como Energisa, Equatorial, Enel, Sabesp, NeoEnergia, Light, Enel Chile e Copel, empresas do setor de educação, como o Grupo Salta, Inspira, e YDUQS, além de diversos provedores de internet com a NIO (antiga Oi) e o mais recente deles, a Vero, um dos maiores ISPs do país. Todas as empresas de serviços recorrentes essenciais, como telecom, utilities, educação e saúde, precisam modernizar suas ofertas de pagamento, trazendo opções que gerem conveniência e melhor experiência ao cliente final, ao mesmo tempo em que reduzem custos de arrecadação, churn e inadimplência. A migração do velho boleto para modelos recorrentes ou parcelados no cartão de crédito, somada à adoção de novos padrões como o Pix Automático e o Open Finance, faz parte da solução de pagamentos da Bemobi, que vem gerando melhorias materiais de resultado em comparação às soluções tradicionais até então utilizadas pelo mercado. No ano, a Bemobi também superou o guidance de lucro líquido atribuível aos controladores, entregando 156,7 milhões de reais, o equivalente a 156,7% do valor projetado. Até a divulgação dos resultados do exercício de 2025, a companhia já havia declarado 222,7 milhões em proventos. O Conselho de Administração também aprovou a Política de Dividendos 2026, que estabelece as diretrizes para distribuição de 100% do lucro líquido do exercício, condicionada às necessidades de caixa e à manutenção da sustentabilidade financeira e operacional da companhia. A geração de caixa operacional cresceu em 27% ano contra ano, com sólidos 52,4 milhões de reais no trimestre, com a conversão de caixa superando os 79,7%. Dessa forma, a companhia fechou o trimestre com um caixa total de mais 350 milhões de reais, mesmo após o pagamento substancial de dividendos no trimestre e do pagamento das aquisições de Paytime e Celer. “Nossa prioridade com o uso do caixa continua sendo perseguir oportunidades de M&As e executar nossa política de dividendos. Estamos confortáveis de que nossa geração de caixa nos permitirá aliar um crescimento sustentável, tanto organicamente quanto por meio de novos M&As (parte importante de nossa estratégia), com uma política agressiva de dividendos com distribuição de 100% do lucro líquido do exercício de 2026”, afirma Ripper.
- ERPs estão virando bancos? Aarin e Bradesco mostram como no ERP Summit
O sistema que as empresas usam para emitir nota fiscal, controlar estoque e organizar a gestão financeira pode estar prestes a ganhar uma nova função: operar também serviços bancários. Essa transformação no software corporativo é o foco da Aarin Tech-fin , fintech brasileira responsável pela tecnologia que viabiliza o Bradesco as a Service , solução que permite integrar serviços financeiros diretamente dentro de plataformas empresariais. A tecnologia será apresentada durante o ERP Summit Brasil 2026 , um dos maiores eventos de software e gestão da América Latina, nos dias 17 e 18 de março em São Paulo. A mudança acompanha uma tendência global conhecida como embedded finance , que permite que empresas ofereçam pagamentos, crédito e outros serviços financeiros dentro de plataformas digitais. No Brasil, esse mercado deve movimentar cerca de US$ 14,16 bilhões em 2026, impulsionado pela digitalização dos negócios e pela infraestrutura de pagamentos instantâneos como o Pix, segundo levantamento da Research and Markets. No ERP Summit, a Aarin participa ao lado do Bradesco apresentando a infraestrutura tecnológica que sustenta o Bradesco as a Service, modelo que permite que empresas de software, plataformas digitais e desenvolvedores integrem serviços bancários diretamente em seus produtos. “Quando serviços financeiros entram na lógica do software empresarial, a gestão e as transações financeiras começam a acontecer no mesmo ambiente. Isso cria novas possibilidades de receita para quem desenvolve tecnologia e simplifica a experiência das empresas que utilizam essas plataformas”, afirma Ticiana Amorim , CEO e fundadora da Aarin Tech-fin. Durante o evento, executivos do Bradesco apresentarão a estratégia do banco para ampliar parcerias com empresas de software, plataformas digitais e ISVs (Independent Software Vendors). A proposta é conectar essas soluções ao Bradesco as a Service, permitindo que plataformas corporativas incorporem funcionalidades financeiras como pagamentos, crédito e outros serviços bancários diretamente na experiência do usuário. A programação contará com a participação de executivos do banco que vão discutir o impacto dessa transformação no mercado de tecnologia corporativa. Entre eles estão: Thiago Araújo , Superintendente Executivo do Bradesco, que participa da palestra “Bradesco as a Service: soluções financeiras integradas que potencializam o seu negócio”; Beatriz Bueno , Superintendente de Banking as a Service (BaaS), que abordará como serviços financeiros integrados estão ampliando o papel dos sistemas de gestão nas empresas. Para Ticiana Amorim, o movimento indica uma mudança estrutural no mercado de software corporativo. “Os sistemas de gestão estão concentrando cada vez mais funções que fazem parte da operação diária das empresas. Quando serviços financeiros entram nesse ambiente, surgem novas oportunidades para desenvolvedores e também mais eficiência para as companhias que utilizam essas plataformas”, conclui.














