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  • Investimentos em cripto: EY-Parthenon e Coinbase lançam pesquisa "Volatilidade estimula a disciplina, não o recuo"

    A pesquisa "Volatilidade estimula a disciplina, não o recuo -  2026", realizada pela EY-Parthenon e Coinbase, revela que a volatilidade forçou os investidores a repensarem a abordagem em relação às criptoativos, mas não abalou a crença na classe de ativos. Os dados, que foram coletados junto a um grupo de 351 investidores institucionais, apontaram que quase metade (49%) dos entrevistados reforçou a ênfase na gestão de risco, liquidez e dimensionamento de posições em resposta à volatilidade do mercado. Ainda assim, quase três quartos (73%) planejam aumentar suas alocações em 2026, e 74% esperam que os preços das criptomoedas subam nos próximos 12 meses. Na prática, isso significa que as instituições estão elevando o nível de exigência sobre como interagem com a classe de ativos, colocando controles robustos, governança clara e resiliência operacional em destaque. Dois temas estruturais estão sustentando o ímpeto institucional: novos casos de uso reais para stablecoins e a crença de que a tokenização está prestes a impactar significativamente a estrutura de mercado atual. Abaixo, você confere as principais conclusões do estudo. Consulte os resultados completos aqui. Acesso: Instituições preferem produtos regulamentados Para as instituições, o caminho para o cripto passa cada vez mais por produtos regulamentados. 66% dos entrevistados já possuem exposição via ETFs e ETPs de cripto à vista (spot). 81% preferem acessar o mercado à vista através de um veículo registrado. Essa preferência reflete algo mais profundo que familiaridade: conforme a participação institucional escala, a demanda por obrigações de conformidade claras e proteções bem definidas aos investidores não é uma restrição ao engajamento — é uma condição para ele. Stablecoins: O novo infraestrutura institucional As stablecoins evoluíram muito além de seu papel original como facilitadoras de negociação. Hoje, 85% dos entrevistados estão usando ou ativamente interessados em usá-las para gestão interna de caixa e movimentação de fundos. À medida que a adoção amadurece, as empresas respondem formalizando a governança em torno do risco de contraparte, transparência de reservas e fluxos de trabalho 24/7. Tokenização: Além da fase de testes A tokenização segue uma trajetória semelhante. O interesse dos gestores de ativos em tokenizar seus próprios ativos saltou de 40% para 64% no último ano, e 63% dos investidores estão interessados em alocar em ativos tokenizados. 61% dos investidores esperam que a tokenização tenha um impacto significativo em negociação, compensação e liquidação (trading, clearing and settlement) nos próximos três a cinco anos. Todavia, eles também apontaram uma série de obstáculos que ainda precisam de ser superados, principalmente o ambiente regulatório incerto e os desafios da integração de ativos tokenizados. Regulação: Clareza necessária na estrutura de mercado Regulamentações claras funcionam tanto como acelerador quanto como obstáculo. Entre as empresas que planejam aumentar suas participações em 2026, 65% citam a melhoria na clareza regulatória como o fator número um por trás da decisão. Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório incerto é a principal preocupação ao investir em ativos digitais (66%). 78% dos entrevistados identificam a estrutura de mercado como a área que mais necessita de diretrizes regulatórias claras. Olhando para o futuro A participação institucional em ativos digitais está migrando da experimentação para a execução. Com o aumento esperado na tokenização e a integração profunda das stablecoins no sistema financeiro global, o setor está construindo uma estrutura de mercado mais durável, regulamentada e escalável para o futuro.

  • Inteligência artificial antecipa decisões de 76% dos grandes fundos brasileiros, aponta estudo

    Um experimento com inteligência artificial indica que a maioria dos grandes fundos brasileiros segue padrões suficientemente reconhecíveis para que seus próximos movimentos de compra ou venda sejam antecipados por algoritmos. O levantamento foi realizado pela Hurst Capital a partir de dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e mostra que modelos de machine learning superaram uma estratégia básica de previsão em 76% dos fundos analisados. O estudo foi inspirado no working paper “Mimicking Finance”, publicado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) em 2026, no qual pesquisadores demonstraram que algoritmos conseguiram antecipar decisões de gestores nos Estados Unidos com 71% de acurácia. A partir dessa provocação acadêmica, a hipótese foi testada na realidade brasileira. Foram reconstruídas mais de 200 mil operações realizadas por 174 fundos locais com patrimônio líquido superior a R$ 500 milhões. Em seguida, modelos de machine learning foram treinados para prever as próximas alocações. O diferencial metodológico foi o uso de redes neurais do tipo LSTM (Long Short-Term Memory), capazes de analisar sequências temporais e identificar padrões comportamentais ao longo do tempo, diferentemente de modelos tradicionais que avaliam apenas dados pontuais. No Brasil, o modelo alcançou 68% de acurácia média. Mais relevante, porém, foi o fato de que em 76% dos fundos analisados a inteligência artificial conseguiu prever o próximo movimento, (comprar, manter ou vender) com desempenho superior a uma estratégia considerada ingênua (naive). Para Arthur Farache, CEO da Hurst Capital, os resultados reforçam uma transformação estrutural na indústria de investimentos. “A tecnologia está encurtando a distância entre informação e decisão. Se o processo de gestão for excessivamente padronizado, ele se torna replicável e, portanto, menos diferenciado”, afirma. O estudo também trouxe uma conclusão considerada ainda mais provocativa: os gestores classificados como “imprevisíveis” pelo modelo apresentaram, em média, retornos significativamente superiores. Em outras palavras, quanto mais difícil foi para a máquina antecipar o comportamento do gestor, maior tende a ser o desempenho obtido. “Isso sugere que o verdadeiro alpha pode não estar em estratégias lineares ou totalmente modeláveis. O prêmio real está na capacidade de gerar assimetria e romper padrões históricos que uma inteligência treinada com dados passados consegue identificar”, diz Farache. Segundo ele, o avanço da inteligência artificial impõe um novo desafio à indústria. “Estar entre os 76% previsíveis pode significar risco de comoditização. O investidor começa a questionar por que pagar taxas elevadas por algo que um algoritmo consegue reproduzir com alto grau de acerto”, afirma. Para ampliar a transparência, o autor do estudo desenvolveu um dashboard interativo com a metodologia completa, incluindo o processo de extração dos dados da CVM, comparativos por estilo de fundo, como Macro, Ações e Long/Short, e o desempenho dos diferentes modelos utilizados, como LSTM e regressão logística. A pesquisa está sendo apresentada como um projeto aberto a contribuições de gestores, alocadores e profissionais quantitativos, com o objetivo de aprofundar o debate sobre previsibilidade, eficiência e geração de alpha na indústria brasileira. “O avanço da IA não elimina o gestor, mas eleva o nível de exigência. A diferenciação passa a depender menos de padrão e mais de visão estratégica, timing e leitura de contexto”, conclui Farache.

  • Tecnologia se torna regra para PMEs operarem na Reforma Tributária

    A Reforma Tributária representa uma ruptura no modelo de gestão corporativa. Para as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras, a transição para o novo sistema exige uma modernização estrutural baseada em tecnologia. Segundo a Omie , líder em sistema de gestão (ERP) para PMEs, com as novas obrigações fiscais em vigor a partir de 2026, o prazo de adequação está no fim. Atrasos neste processo aumentarão os custos e os esforços de ajuste. Os riscos da defasagem A substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS impõe adaptações operacionais que afetam a precificação, o fluxo de caixa e o relacionamento B2B. "A Reforma Tributária não é uma mudança apenas sobre tributos, ela altera a lógica de como se faz negócio e a maneira como os empresários gerem suas próprias operações. Mais do que um tema fiscal, é uma questão de gestão", avalia Felipe Beraldi, economista da Omie. A empresa alerta que manter processos manuais ou planilhas isoladas ameaça a continuidade do negócio. Os principais riscos incluem o bloqueio de operações por irregularidades, perda de créditos tributários, aumento inesperado da carga de impostos e precificação desalinhada. Empresas optantes pelo Lucro Presumido e Lucro Real precisarão revisar bases de cálculo e controles de crédito, tarefa que exige apoio tecnológico. Tecnologia como base da gestão A transformação digital tornou-se condição operacional. Soluções como ERPs em nuvem, inteligência artificial (IA) e automação formam a base para as PMEs manterem a conformidade fiscal, a eficiência e a lucratividade. Sistemas integrados substituem planilhas por fluxos automatizados, reduzindo erros manuais. "Muitos empreendedores ainda têm a percepção de que gerir o negócio com tecnologia é mais difícil do que utilizar os tradicionais papéis e cadernos. Na prática, porém, a digitalização traz uma operação muito mais precisa e é o caminho mais seguro para gerar menos custos operacionais", ressalta José Adriano, Diretor de Marketing de Produto na Omie. A IA na área fiscal analisa dados em tempo real, automatiza a classificação de tributos e antecipa falhas operacionais. ERPs em nuvem também garantem a atualização automática durante as mudanças de regras no período de transição. Dados da Omie indicam que a digitalização pode reduzir custos operacionais em até 30% e que 91% das PMEs já reconhecem a IA como fator central para a eficiência competitiva. Integração com a contabilidade A tecnologia também redefine o papel do contador. Com sistemas integrados, o escritório contábil acessa dados financeiros e fiscais em tempo real, eliminando a digitação manual. Essa integração transforma o contador em um parceiro estratégico, não apenas um executor de obrigações. A Reforma Tributária exige a revisão completa da operação (fiscal, contábil, logística, comercial e jurídica), e a tecnologia é o meio viável para executá-la em escala. Antecipação estratégica Empresas que se anteciparem operarão com estrutura de custos clara, margens previsíveis e conformidade garantida no novo modelo. Quem adiar a adaptação enfrentará um processo mais caro e arriscado. Em um processo de transição do sistema tributário, a tecnologia determina a permanência e a competitividade das PMEs no mercado.

  • Mais de 12 milhões de empresas brasileiras operam sem visão de gastos em tempo real, aponta estudo

    A operação acelerou, mas a gestão ficou para trás. Enquanto o dinheiro entra e sai do caixa diariamente em 45% das empresas brasileiras, a falta de visibilidade financeira em tempo real tornou-se o maior risco operacional do país : 63% das organizações — o equivalente a mais de 12,6 milhões de PMEs — ainda enfrentam dificuldades para controlar suas finanças no momento em que os gastos acontecem. A lógica do fechamento mensal perdeu espaço em um ambiente de pagamentos instantâneos, mas a maioria das companhias ainda opera "olhando pelo retrovisor". É o que mostra a 2ª edição do Panorama da Gestão de Despesas Corporativas , pesquisa realizada pela Conta Simples em parceria com a Visa. O levantamento revela um mercado intensamente digitalizado na ponta do pagamento: 86% das empresas já utilizam Pix e 71% adotam cartões corporativos. No entanto, essa agilidade criou um efeito colateral crítico. A falta de visibilidade e previsibilidade financeira, que afetava 55% das empresas no ano passado, saltou 8 pontos percentuais em 2026, evidenciando que a velocidade do dinheiro aumentou a pressão por um acompanhamento que a gestão tradicional não consegue mais entregar. Realizado com cerca de 1700 MPMEs  de todas as regiões do país, o estudo mantém o mesmo desenho metodológico da edição anterior, permitindo leitura evolutiva do mercado. O recorte contempla diferentes portes, gerações de decisores e segmentos, com reforço em setores de alta dinâmica transacional. O retrato é claro: a digitalização avançou mais rápido do que a maturidade da gestão. Para Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples, a digitalização alterou a natureza do risco financeiro. “À medida que o dinheiro circula com mais fluidez e os pagamentos se tornam automatizados, o desafio do controle escala na mesma proporção. A velocidade não justifica a perda de governança. Hoje, a maturidade financeira é definida pela capacidade de orquestrar e gerenciar transações em larga escala, independentemente de quão descentralizadas elas sejam”, afirma. Visibilidade virou variável estratégica O principal alerta da edição é a consolidação da falta de visibilidade como maior dor da gestão financeira. O crescimento de oito pontos percentuais nesse indicador demonstra que o desafio deixou de ser operacional e passou a impactar diretamente a tomada de decisão. Em paralelo, a importância atribuída ao acompanhamento em tempo real avançou cinco pontos percentuais, chegando a 60%, refletindo a pressão por respostas no mesmo ritmo em que os pagamentos acontecem. Na prática, a digitalização resolveu o “como pagar”, mas ampliou a complexidade do “como acompanhar”. Quando o controle ocorre apenas no fechamento do mês, o retrato financeiro já nasce defasado e decisões passam a ser tomadas sob maior risco. Segundo Marcela Pinori, vice-presidente da Visa, a aceleração dos meios digitais elevou o padrão de governança exigido das empresas. “Pagamentos mais rápidos exigem visibilidade na mesma velocidade. Sem leitura contínua, o financeiro opera com atraso de informação. A tecnologia precisa funcionar como ferramenta de antecipação, não apenas digitalizar a transação, mas estruturar o fluxo e conectar pagamentos a regras claras de acompanhamento e controle para apoiar decisões estratégicas de crescimento”, afirma. Tognini acrescenta que o impacto vai além da operação. “Descobrir tardiamente o destino e motivo dos pagamentos, pode criar um problema maior do que se imagina. A empresa passa a reagir em vez de decidir, e infelizmente muitas empresas operam nesse cenário. Visibilidade devolve tempo e gestão, fatores que potencializam o crescimento com estabilidade”, diz o executivo da Conta Simples. Estrutura frágil amplia fricções operacionais O estudo mostra que o avanço dos meios digitais ainda convive com fragilidades estruturais na gestão. Embora o uso de cartões corporativos tenha se expandido, 58% das empresas operam com um ou dois cartões. Ao mesmo tempo, 51% não estruturam limites por área ou finalidade, reduzindo previsibilidade e governança, o que reforça a oportunidade de expandir pagamentos com cartões de forma mais estruturada, ampliando a rastreabilidade, a visibilidade dos gastos e a eficiência no controle financeiro. “Quando o gasto da empresa fica fragmentado em diferentes bancos e meios de pagamento, a gestão passa a ter uma visão parcial e (ou) depende de um esforço excessivo e manual em planilhas para consolidar as informações. No tempo real, esse modelo simplesmente não se sustenta. É impossível manter processos manuais atualizados diariamente em um cenário de operação cada vez mais dinâmica”, afirma Rodrigo Tognini. “Nesse cenário, os cartões virtuais surgem como uma solução estratégica: permitem a emissão instantânea para diferentes áreas ou projetos. Além disso, os cartões virtuais promovem um controle mais detalhado das despesas, aumentando a transparência e a agilidade no acompanhamento financeiro”, afirma Pinori. “Não basta digitalizar a transação. É preciso estruturar o fluxo. Empresas que conectam pagamento, limites e leitura contínua reduzem fricção e ganham previsibilidade operacional”, enfatiza a vice-presidente da Visa. Além disso, mais de 60% das empresas relatam ter enfrentado fricções ligadas a conferência, aprovação ou conciliação de despesas. Esses são gargalos que não necessariamente elevam custos diretos, mas consomem tempo, atrasam decisões e aumentam a pressão sobre a área financeira. Pagamentos mais rápidos exigem nova lógica de gestão O avanço do Pix e a consolidação do cartão corporativo indicam maior formalização da rotina financeira. O crédito também assume papel mais estratégico: 37% das empresas já o associam a investimentos planejados, sinalizando que o financeiro deixa de ser apenas operacional para apoiar decisões de crescimento. Para o CEO da Conta Simples, o diferencial competitivo está na integração entre meios de pagamento e governança. “Transformar o fluxo financeiro em leitura contínua permite antecipação. Quem enxerga antes decide melhor — e isso se traduz em vantagem operacional”, conclui Tognini. A 2ª edição do Panorama da Gestão de Despesas Corporativas da Conta Simples com a Visa detalha os indicadores que explicam a transição da gestão financeira para um modelo em tempo real. A pesquisa completa está disponível neste link .

  • A Revolução da Inteligência Artificial no Mercado de Crédito

    A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma realidade concreta no cotidiano das pessoas e das organizações. Seus efeitos já são sentidos em praticamente todos os setores da economia, e o mercado de crédito não é exceção. Pelo contrário: trata-se de um dos campos onde essa transformação promete ser mais profunda, mais rápida e mais estrutural. Para compreender o impacto da IA no crédito, é preciso olhar para trás e entender a trajetória que nos trouxe até aqui. O Início: A Era dos Gerentes Comerciais Durante décadas, as decisões de crédito eram fundamentalmente humanas. Os gerentes comerciais dos bancos e financeiras eram os árbitros do risco. Conheciam seus clientes, avaliavam seu histórico, ponderavam garantias e, ao fim, emitiam um julgamento baseado em experiência, intuição e relacionamento. Esse modelo funcionava, mas tinha limitações evidentes. Era lento, custoso, sujeito a vieses e difícil de escalar. Em carteiras pulverizadas, com centenas ou milhares de clientes de pequeno porte, a análise individual tornava-se inviável. A subjetividade, embora às vezes valiosa, também abria espaço para inconsistências. Dois gerentes podiam chegar a decisões opostas diante do mesmo perfil de cliente. O risco humano era, em si, um risco para o negócio. Os Anos 90: A Chegada dos Modelos Estatísticos A virada começou nos anos 1990, quando as instituições financeiras brasileiras passaram a adotar os primeiros modelos estatísticos de análise de crédito, os chamados credit scorings. Inspirados em práticas já difundidas no mercado americano, esses modelos transformaram variáveis cadastrais e comportamentais em pontuações numéricas, permitindo decisões mais rápidas, padronizadas e auditáveis. O impacto foi imediato e expressivo. A inadimplência caiu, a eficiência operacional aumentou e foi possível atender um volume muito maior de solicitações de crédito com menor custo e maior consistência. O gerente continuava presente, mas agora tinha um instrumento quantitativo para embasar suas decisões ou, em muitos casos, substituí-las completamente nas operações de menor complexidade. Os modelos estatísticos tradicionais como regressão logística e análise discriminante, tinham uma limitação: eram lineares por natureza e dependiam de variáveis bem estruturadas. O mundo real, como se sabe, raramente se encaixa em equações simples. A Virada do Século: Machine Learning Assume o Controle Com o avanço da capacidade computacional e a explosão dos dados digitais, a virada do século trouxe uma nova geração de ferramentas: os modelos de machine learning. Árvores de decisão, florestas aleatórias, redes neurais e gradient boosting passaram a ser aplicados ao crédito com resultados superiores aos modelos estatísticos convencionais. A partir de 2010, o machine learning deixou de ser experimento para se tornar padrão de mercado nas instituições mais avançadas. Esses modelos conseguiam capturar relações não lineares entre variáveis, processar grandes volumes de dados e se adaptar a mudanças de comportamento ao longo do tempo. O resultado foi uma melhora significativa na capacidade preditiva: menos inadimplência, menos falsos negativos, mais crédito chegando a quem de fato merecia recebê-lo. Ainda assim, esses modelos dependiam de dados estruturados e do trabalho de cientistas de dados altamente especializados para construção, validação e manutenção. O processo era poderoso, mas não era simples. O Presente: Chegou a Vez da IA? Estamos agora diante de uma nova inflexão. Os grandes modelos de linguagem, os chamados LLMs, e os sistemas de inteligência artificial generativa representam um salto qualitativo em relação às gerações anteriores. Sua capacidade de raciocinar, interpretar contextos complexos e integrar diferentes tipos de informação abre possibilidades que os modelos anteriores simplesmente não tinham. No mercado de crédito, isso significa, antes de tudo, acesso a novos tipos de dados. Enquanto os modelos tradicionais se alimentavam de variáveis cadastrais, histórico de pagamentos e dados bureaus, os sistemas de IA podem incorporar informações não estruturadas, texto livre de contratos, padrões de comportamento digital, dados de redes sociais, histórico de interações com aplicativos financeiros, entre outros. A riqueza do perfil de cada cliente torna-se exponencialmente maior. Especialistas do setor acreditam que os modelos gerados por IA serão mais precisos e robustos que todos os seus predecessores justamente por essa capacidade de integração. Não se trata apenas de processar mais dados, mas de processar dados que antes eram inacessíveis ou não interpretáveis por sistemas automatizados. Os Desafios à Frente A transição, porém, não virá sem desafios. Questões regulatórias são centrais: como garantir que modelos de IA não reproduzam ou amplifique vieses discriminatórios? Como assegurar a explicabilidade das decisões de crédito, exigida por reguladores como o Banco Central do Brasil? A opacidade de certos modelos de IA, o chamado problema da "caixa-preta", é uma barreira real para sua adoção em larga escala no setor financeiro. Há também a dimensão humana da transformação. Se os gerentes comerciais perderam espaço para os scorings nos anos 90, e os analistas de risco viram seu trabalho ser parcialmente absorvido pelo machine learning nos anos 2010, qual será o papel dos profissionais de crédito na era da IA? A resposta mais provável não é a extinção, mas a redefinição: esses profissionais precisarão migrar para funções de supervisão, interpretação ética e gestão estratégica dos sistemas, tarefas que ainda exigem julgamento humano. Conclusão A história do crédito no Brasil é, em grande medida, a história da progressiva substituição da intuição pela evidência, do julgamento individual pela análise sistêmica. A inteligência artificial é o próximo capítulo e possivelmente o mais transformador de todos. Instituições que souberem integrar essa tecnologia com responsabilidade, transparência e visão estratégica estarão melhor posicionadas para liderar um mercado que, mais do que nunca, será definido pela qualidade das suas decisões.

  • 21shares e Levante lançam parceria de negócios em criptoativos no Brasil

    A 21shares , a emissora de produtos negociados em bolsa (ETP) de criptomoedas sediada na Suíça, com a maior carteira de ETPs de criptoativos listados do mundo, e a Levante, plataforma que empodera investidores brasileiros na construção de seu patrimônio, selaram uma parceria para o desenvolvimento de negócios em ativos digitais no Brasil. O acordo inclui o compartilhamento de estratégias de mercado, materiais educativos, relatórios, atividades de pesquisa, de marketing e outros. Assim, os clientes da Levante passam a ter acesso aos insights precisos de um dos maiores atores do mercado cripto global, enquanto a 21shares ganha mais uma frente para entender e atuar no cenário brasileiro. Para Bruna Cabús, assessora sênior da 21shares para a América Latina e a Península Ibérica, a nova aliança ratifica a visão da gestora de que o Brasil é um dos mercados mais dinâmicos na adoção de ativos digitais, que levou à sua chegada ao país há seis meses. "À medida que a demanda por produtos de investimento em criptomoedas regulados e acessíveis cresce e se torna mais sofisticada, parcerias como a da 21shares com a Levante visam fortalecer o engajamento dos investidores e aumentar a conscientização sobre soluções de investimento em ativos digitais de nível institucional entre os investidores brasileiros”, afirma. “Essa parceria surge da necessidade de elevar o nível da discussão sobre criptoativos no Brasil. Acreditamos que a expansão desse mercado passa pelo aprofundamento do conhecimento técnico dos principais participantes sobre o funcionamento, os riscos e as oportunidades desse ecossistema e pela evolução do debate sobre custódia”, disse Felipe Amoedo, diretor comercial e de parcerias institucionais na Levante.  “A 21shares contribui de forma importante ao trazer experiência na gestão de produtos cripto em mercados regulados e expertise no desenvolvimento. A introdução dos ETPs de criptoativos representa um avanço relevante para o investidor brasileiro, ao oferecer exposição a esse segmento com estruturas transparentes, reguladas e seguras”, adicionou. A gestora suíça chegou ao Brasil em setembro de 2025 e firmou parceria com a B3 para listar seis BDR (Brazilian Depositary Receipts), baseados em Bitcoin, Ethereum, Solana, Cardano, XRP e uma cesta de moedas. Esses produtos são semelhantes aos mais de 50 produtos de criptomoedas com lastro físico listados globalmente pela 21shares, que administram US$ 6 bilhões em ativos e detêm 30% do mercado europeu.

  • Ripple reforça seu compromisso com o Brasil com uma oferta ampliada de serviços de pagamentos e o pedido de licença de PSAV

    A  Ripple,  fornecedora líder de soluções empresariais baseadas em blockchain para os setores financeiro tradicional e digital, anunciou hoje uma grande expansão de sua presença no Brasil, abrindo um novo capítulo na adoção institucional de ativos digitais em um dos mercados financeiros que mais crescem no mundo. Impulsionada por novos recursos de produtos e pela crescente adoção por parte dos clientes, a Ripple é agora a única solução na região capaz de atender instituições em todo o espectro de necessidades financeiras, de pagamentos internacionais e custódia de ativos digitais até corretagem de primeira linha e gestão de tesouraria. A Ripple também planeja solicitar a licença de Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV) junto ao Banco Central do Brasil (BCB), em conformidade com o novo marco regulatório de ativos virtuais do país. A movimentação reforça a abordagem de compliance que tem orientado as operações globais da Ripple há mais de uma década, e seu compromisso com o crescimento de longo prazo na região. “A América Latina sempre foi um mercado prioritário para a Ripple,  não só pela magnitude da oportunidade, mas porque o Brasil construiu um dos ecossistemas financeiros mais avançados e inovadores do mundo”, afirmou Monica Long, presidente da Ripple. "Passamos mais de uma década construindo a confiança, obtendo as licenças e desenvolvendo a tecnologia necessárias para operar em mercados regulamentados. Agora, com nossa plataforma ampliada, podemos atender instituições em toda a região com tudo o que elas precisam para competir no sistema financeiro moderno.” Impulsionando pagamentos internacionais em grande escala Com mais de US$ 100 bilhões em volume processado globalmente e presença em mais de 60 mercados, a  Ripple Payments  é a solução completa para transferências internacionais de dinheiro, oferecendo às instituições uma maneira mais rápida e transparente de enviar, receber e liquidar fundos tanto em moedas fiduciárias quanto em stablecoins. As principais fintechs e instituições financeiras do Brasil estão utilizando a Ripple para resolver desafios práticos de liquidez e pagamentos: Banco Genial: A Ripple possibilita desembolsos em dólares americanos no mesmo dia para o Banco Genial, proporcionando pagamentos internacionais mais rápidos e transparentes. E agora está se expandindo para incluir o RLUSD em seus fluxos de criptomoedas. Braza Bank: O Braza Bank, uma das maiores instituições de câmbio do Brasil em volume, escolheu a Ripple Payments para otimizar os pagamentos em dólares americanos e lançou sua stablecoin atrelada ao real brasileiro, a BBRL, no XRP Ledger (XRPL).  Nomad: A fintech brasileira, que atende a mais de 3 milhões de usuários, utiliza o Ripple Payments e sua rede de liquidez para aumentar a eficiência nos fluxos de tesouraria entre o Brasil e os EUA, ao mesmo tempo em que possibilita a liquidação por meio de stablecoins, como o RLUSD. Azify: A fintech brasileira especializada em infraestrutura de serviços financeiros está agora utilizando o Ripple Payments para converter stablecoins em moedas locais, incluindo USD, EUR, CNY e SGD. ATTRUS: Uma empresa líder no setor de pagamentos da América Latina que utiliza a Ripple para realizar pagamentos internacionais rápidos e em conformidade com as normas no Brasil, e liquidação de criptomoedas OTC (com o RLUSD integrado à sua estrutura mais ampla de liquidação).  Frente Corretora: Uma instituição do mercado cambial que consolida operações transfronteiriças e coleções de stablecoins em uma única plataforma, financiando pagamentos em dólares americanos e euros nos Estados Unidos e na Europa, utilizando tanto moeda fiduciária quanto USDT. A custódia de ativos digitais de nível empresarial chega ao Brasil A  Ripple Custody  está a expandir-se para o Brasil, oferecendo às instituições regulamentadas da região segurança de nível bancário, controlos de conformidade em tempo real e opções de implementação flexíveis. A Ripple Custody provê a base segura de que as instituições necessitam para manter ativos digitais com segurança, ao mesmo tempo que possibilita fluxos de trabalho de pagamentos, negociação e tokenização. Suporta uma vasta gama de fornecedores de HSM, integra a Chainalysis e a Elliptic para a análise de transações em tempo real e permite o staking institucional nas principais redes Proof-of-Stake, tudo dentro de um único fluxo de trabalho coeso. CRX: Um parceiro da Ripple que utiliza a XRPL e a Ripple Custody para emitir e distribuir ativos tokenizados em grande escala, com quase 100 milhões de dólares liquidados onchain. Justoken: Com mais de 1,7 mil milhões de dólares em ativos já tokenizados na XRPL, a Justoken utilizará o Ripple Custody para criar uma infraestrutura de nível institucional destinada à tokenização de ativos do mundo real (RWA) no setor dos recursos naturais na América Latina. Um novo padrão de confiança e utilidade das stablecoins na região A  Ripple USD  (RLUSD), a stablecoin de nível empresarial da Ripple, lastreada em dólares americanos, está a ganhar força significativa em toda a América Latina, à medida que as instituições procuram uma infraestrutura de dólar digital fiável e regulamentada. Tendo ultrapassado os 1,5 mil milhões de dólares em capitalização de mercado, a RLUSD é uma das stablecoins empresariais de mais rápido crescimento no mercado. Concebida para uso institucional e respaldada por uma dupla supervisão regulatória do Departamento de Serviços Financeiros de Nova Iorque (NYDFS) e do Gabinete do Controlador da Moeda (OCC), está numa posição única para cumprir os padrões de conformidade e fiabilidade exigidos pelas instituições financeiras da região.  No Brasil, a RLUSD já está a ser adotada por algumas das principais exchanges e fintechs do mercado — com a Mercado Bitcoin, a Foxbit, a Ripio, o Braza Bank, o Banco Genial e a Attrus entre as primeiras na região a listar e a oferecer suporte à RLUSD —, levando uma stablecoin regulamentada e pronta para uso empresarial a milhões de usuários em toda a América Latina. À medida que a adoção de stablecoins acelera em toda a região, a combinação de rigor regulatório, utilidade no mundo real e integração profunda na plataforma de pagamentos e corretagem de primeira linha da Ripple posiciona o RLUSD como a stablecoin de eleição para instituições que operam no Brasil e além.  Ripple Prime e Ripple Treasury: Uma nova era para as finanças institucionais Pela primeira vez, as empresas têm acesso ao conjunto completo de serviços institucionais da Ripple, que abrange corretagem de primeira linha, compensação, financiamento e gestão de tesouraria. O Ripple Prime, resultante da aquisição pela Ripple da corretora líder global Hidden Road, oferece às instituições acesso a serviços avançados nas áreas de câmbios, ativos digitais, derivados e renda fixa, com um volume de compensação superior a 3 biliões de dólares por ano. A Ripple Treasury combina décadas de experiência em tesouraria empresarial com a infraestrutura de ativos digitais da Ripple, permitindo que diretores financeiros e tesoureiros gerem a liquidez, os pagamentos e o risco em tempo real. Isso permite mobilizar capital ocioso através do acesso ao mercado global de repos e executando pagamentos transfronteiriços em grande escala, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Combinadas, estas duas linhas de negócio proporcionam às instituições brasileiras uma estrutura financeira completa e moderna, concebida para a economia digital.

  • Pix de R$ 17 trilhões expõe risco no balcão e acelera mudança no varejo físico

    O Pix encerrou 2025 com mais de R$ 17 trilhões movimentados e 160 milhões de usuários cadastrados, segundo o Banco Central do Brasil, consolidando-se como o meio de pagamento mais usado no país em número de transações. Com essa escala, porém, os métodos improvisados no balcão começam a mostrar seus limites. Em milhares de lojas, a cobrança ainda depende de chaves estáticas impressas ou do celular do proprietário, um modelo suscetível a erros de digitação e a golpes com comprovantes falsos que continuam impactando o varejo físico. Para  Hugo Venda, CEO da ÚnicoPag , o problema não está no Pix em si, mas na forma como ele é operado dentro das lojas. “O Pix deixou de ser complementar e virou rotina no caixa. Quando o lojista mantém plaquinhas ou precisa conferir comprovante no celular, ele assume risco desnecessário. O QR Code gerado na própria maquininha, com validação automática, reduz erro humano e bloqueia o golpe do comprovante falso”, explica. A solução proposta pela empresa é justamente integrar o Pix ao fluxo tradicional da maquininha, com QR Code dinâmico exibido no visor e confirmação automática da transação. Essa abordagem não só aumenta a segurança, como também reduz os custos para o lojista. Com taxa de 0,49%, o Pix se torna mais barato que o crédito à vista (3,57%) e o débito (1,67%), diferença que impacta especialmente operações de baixo valor, comuns em farmácias, mercados de bairro e lojas de conveniência. Em um cenário de margens apertadas e consumidores sensíveis a preço, a discussão deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser operacional. “O varejo que ainda trata o Pix como algo à parte está ficando para trás. Integrar o pagamento à maquininha e receber em até 24 horas, inclusive no fim de semana, dá previsibilidade e tira o improviso do caixa”, conclui  Hugo Venda .

  • Investidor brasileiro pode lucrar com filme vencedor do Oscar 2026. Saiba como

    A consagração do cinema norueguês no Oscar, ocorrida neste domingo, promete reverberar diretamente no bolso de investidores brasileiros. O longa Valor Sentimental, que faturou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, é o carro-chefe de uma operação de financiamento de distribuição estruturada pela Hurst Capital em parceria com a MUV Capital. Com o prêmio, a expectativa é que a rentabilidade da operação supere as projeções iniciais, aproveitando o "efeito Oscar" que historicamente explode em bilheteria e procura nas plataformas digitais. Além do vencedor, a operação também contempla o espanhol Sirât, que participou da premiação com duas indicações. Woman and Child, Dois Procuradores e Surda são as outras obras que integram o portfólio e que, embora não tenham sido indicadas ao Oscar, foram todas premiadas ou selecionadas em festivais internacionais. Agora, o foco do mercado se volta para a captura de valor gerada pela visibilidade global dessas produções. No caso específico de Valor Sentimental, historicamente, filmes estrangeiros que vencem o Oscar registram um aumento exponencial de audiência após a premiação. E isso torna a operação financeira da Hurst ainda mais interessante aos investidores que participam ou venham a participar das receitas de filmes já finalizados. O modelo, lastreado em recebíveis da exploração comercial, previa inicialmente um retorno estimado de até 31% ao ano. No entanto, com a vitória de ontem, esse teto pode ser impactado positivamente. A participação abrange todas as janelas: salas de cinema, aluguel digital, streaming e TV paga. A operação segue padrão adotado em mercados internacionais e tem atraído investidores que buscam ativos descorrelacionados do mercado financeiro tradicional. “A vitória no Oscar tende a ampliar o circuito de exibição e aumentar a procura por ingressos. Se o filme cresce no mercado brasileiro, o retorno aos investidores pode ser impactado positivamente porque a receita da distribuição acompanha esse movimento”, afirma Laura Rossi, head de investimentos em audiovisual da MUV Capital/Hurst. O reconhecimento internacional costuma funcionar como catalisador comercial para produções independentes, fortalecendo negociações com exibidores, ampliando presença em plataformas digitais e aumentando o valor percebido pelo público. No caso de Valor Sentimental e Sirät , a combinação entre desempenho crítico, presença em festivais e indicação e, principalmente, vitória no Oscar cria um ambiente favorável para a expansão da distribuição na América Latina. O interesse por esse tipo de operação acompanha a expansão dos investimentos na economia criativa. As estruturas são realizadas por meio de certificados de recebíveis, com aportes a partir de R$ 10 mil e prazos entre quatro e oito meses, dependendo da obra e da estratégia de distribuição. A importância da distribuição ficou ainda mais evidente após a trajetória de Anora , vencedor do Oscar 2025. Mesmo com orçamento reduzido, o filme alcançou grande visibilidade graças a uma campanha de marketing coordenada pela distribuidora NEON, responsável também por Valor Sentimental, Sirât e pelo brasileiro Agente Secreto . O movimento ocorre em paralelo à retomada do setor audiovisual no Brasil. Em 2024, o país superou 125 milhões de ingressos vendidos e movimentou R$ 2,5 bilhões em bilheteria, segundo a Ancine. Com o público em alta e a disputa por espaço nas telas cada vez mais intensa, a distribuição tem se consolidado como uma das etapas mais estratégicas da cadeia.

  • Dia do Consumidor: Open Finance leva portabilidade de crédito ao ambiente digital e amplia poder de escolha

    Celebrado em 15 de março, o Dia do Consumidor chega em 2026 com uma novidade concreta para quem tem empréstimos e busca melhores condições: a portabilidade de crédito digital via Open Finance, que entrou em operação em fevereiro, permite migrar contratos entre bancos pelo celular, em até três dias úteis, sem precisar ir a uma agência. A medida, regulamentada pelo Banco Central por meio da Resolução Conjunta nº 15/2025 , transforma um processo historicamente burocrático em uma experiência rápida e totalmente digital, e promete aumentar a concorrência entre bancos e fintechs em benefício direto do consumidor. Atualmente, transferir um empréstimo de um banco para outro é um processo manual que exige deslocamento até agências, apresentação de documentos e espera de dias pela resposta. Com o Open Finance, esse processo será substituído por APIs padronizadas que conectam as instituições de forma automática e segura, permitindo que o consumidor migre seus contratos pelo celular, sem contato presencial. "A portabilidade via Open Finance representa uma revolução na autonomia financeira do brasileiro. Estamos eliminando as barreiras que historicamente favoreceram apenas o banco original e devolvendo ao consumidor o poder real de escolha. Quando o cliente pode comparar ofertas e migrar seu crédito em poucos cliques, toda a dinâmica do mercado muda", afirma o CEO da Lina Open X, Alan Mareines.  Open Finance no Brasil atinge 143 milhões de consentimentos ativos O Brasil já se consolidou como a principal potência mundial do Open Finance. Dados do dashboard do Open Finance Brasil indicam que o sistema acumulava, em novembro de 2025, cerca de 143 milhões de consentimentos ativos para compartilhamento de dados entre instituições participantes.   Além disso, o crédito originado via Open Finance alcançou R$ 31 bilhões totais em setembro de 2025, sendo R$ 12 bilhões no primeiro semestre de 2025. Diante desse cenário promissor, a entrada da portabilidade de crédito via Open Finance tende a aprofundar os efeitos do ecossistema no dia a dia do consumidor. “Na prática, o novo modelo reduz o custo e a complexidade de trocar de instituição financeira, permitindo que o cliente busque taxas menores, prazos mais adequados e condições alinhadas ao seu perfil sem precisar renegociar do zero ou enfrentar processos presenciais”, explica Alan . Para o consumidor, o principal benefício está na ampliação do poder de barganha. “Ao autorizar o compartilhamento de dados, o histórico financeiro passa a ser utilizado como ativo competitivo, permitindo ofertas mais personalizadas e diminuindo a dependência do relacionamento exclusivo com o banco de origem. Já para as instituições financeiras e fintechs, a portabilidade digital cria oportunidades de ampliar a base de clientes com menor custo de aquisição, além de estimular ganhos de eficiência operacional”, completa Mareines .  Segundo o Banco Central, a nova portabilidade digital deve ampliar o alcance do Open Finance e aprofundar a integração entre instituições financeiras, eliminando assimetrias de informação e barreiras operacionais que historicamente reduziram a mobilidade no mercado de crédito. Com a troca padronizada de informações, bancos e fintechs passam a disputar o mesmo cliente com acesso equivalente aos dados autorizados, reduzindo a vantagem competitiva do banco original e pressionando o mercado por taxas mais atrativas. A expectativa é que esse ambiente aumente a concorrência e gere impactos diretos na economia real, especialmente em linhas de crédito pessoal e consignado. “Quando falamos em portabilidade de crédito, estamos falando de dinheiro real na conta do brasileiro. A diferença entre uma taxa de 3% e 5% ao mês em um empréstimo de R$ 10 mil pode significar economia de centenas de reais ao longo do contrato. Com o processo digitalizado, essa comparação passa a ser simples e acessível”, afirma o CEO.  Como e quando acontecerá a implementação dessa ferramenta? A portabilidade digital será implementada de forma gradual pelo Banco Central: Fevereiro de 2026 : lançamento para crédito pessoal sem garantia ao público em geral Agosto de 2026 : início dos testes de portabilidade para crédito consignado do setor público federal Novembro de 2026 : lançamento ao público da portabilidade de crédito consignado Etapas posteriores : inclusão de outras modalidades de empréstimo  Por que os brasileiros ainda não se adaptaram ao Open Finance como ao PIX?  Apesar dos avanços regulatórios e tecnológicos, a adoção do Open Finance ainda enfrenta desafios. A pesquisa “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro” , conduzido pela Lina Open X por meio da plataforma de consumer insights da MindMiners, com 1.000 respondentes brasileiros, mostra que, embora 76,8% dos brasileiros afirmem conhecer o Open Finance, apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de seus dados financeiros. Ao mesmo tempo, o potencial de adesão é elevado: 75,2% dos entrevistados afirmaram que conectariam diferentes bancos e instituições em um único aplicativo via Open Finance, sendo 36,9% com resposta afirmativa e 48,9% de forma condicional, indicando que questões relacionadas à segurança ainda funcionam como principal barreira. O levantamento, também indica que 73,5% dos brasileiros utilizam o Pix como principal meio de pagamento ou com alta frequência e  76,6% reduziram total ou parcialmente o uso de cartão físico após a adoção do Pix. Ademais, 49,8% dos respondentes destacam a rapidez como o maior benefício dessas soluções, indicando que a experiência fluida e imediata foi determinante para a adoção do Pix. No caso do Open Finance, porém, o desafio é maior: trata-se não apenas de autorizar pagamentos, mas de compartilhar informações sensíveis e de longo prazo. Esse contraste ajuda a explicar por que, apesar do alto nível de conhecimento, a adesão ao Open Finance ainda avança de forma mais cautelosa. “Os dados mostram que o brasileiro aderiu rapidamente ao Pix pela conveniência, mas ainda demonstra cautela quando o assunto é o compartilhamento de informações financeiras mais amplas. Para que a portabilidade de crédito via Open Finance ganhe escala, será fundamental investir em educação financeira e comunicação clara sobre os mecanismos de segurança”, finaliza Alan Mareines .

  • Supermercados criam fintechs próprias para ampliar margem e controlar fluxo financeiro

    O setor supermercadista brasileiro registrou faturamento de R$ 1,067 trilhão em 2024, o equivalente a 9,12% do Produto Interno Bruto, segundo o Ranking ABRAS 2025, da Associação Brasileira de Supermercados. O segmento reúne mais de 424 mil lojas e atende cerca de 30 milhões de consumidores por dia.  Ao mesmo tempo, o Banco Central aponta que o Pix segue como o meio de pagamento mais utilizado no país em número de transações, consolidando a digitalização financeira no varejo. Rafael Franco , especialista em tecnologia para operações financeiras e CEO da Alphacode , empresa com mais de 20 anos no desenvolvimento de aplicativos corporativos e mais de 300 projetos entregues, afirma que o cenário abriu espaço para uma mudança estrutural no setor. “A rede supermercadista sempre operou como concentradora de fluxo financeiro. O que mudou foi a possibilidade de capturar valor com estrutura regulada e tecnologia própria”, diz. Para o executivo, o movimento não se resume à criação de um aplicativo, mas à construção de uma engrenagem financeira integrada ao negócio principal. “Quando o supermercado estrutura uma fintech ou opera em parceria com uma plataforma de Banking as a Service, ele passa a monetizar antecipação de recebíveis, crédito ao consumidor e programas financeiros de fidelidade”, afirma.  A antecipação estruturada para fornecedores é uma das principais alavancas. Ao oferecer liquidez antecipada mediante desconto, a rede melhora o relacionamento comercial e amplia poder de barganha. “Margem não nasce na venda, nasce na compra. Se a rede consegue melhorar condições financeiras na cadeia, ela aumenta rentabilidade sem pressionar preço ao consumidor”, explica. No lado do cliente, o crediário próprio, carteiras digitais e programas de cashback ampliam ticket médio e recorrência. Segundo Franco, a diferença em 2026 é que redes regionais também conseguem acessar essa estrutura. “Hoje é possível começar de forma modular, com um produto financeiro específico, e evoluir conforme a maturidade da operação”, destaca. Para redes que pretendem estruturar esse modelo, ele aponta cinco cuidados estratégicos. Antes de avançar, é necessário avaliar onde está a maior oportunidade financeira dentro da operação. O especialista aponta cinco medidas para estruturar fintech no supermercado e ampliar margem com controle de risco A adoção exige planejamento técnico, governança e indicadores claros de retorno.   Definir um caso de uso prioritário Começar por uma frente de impacto imediato, como antecipação para fornecedores ou crédito simples no checkout, reduz risco e permite mensurar resultados. Escolher parceiro com estrutura regulatória sólida Operações financeiras exigem aderência às normas do Banco Central e, quando aplicável, da Comissão de Valores Mobiliários. Avaliar histórico e governança do parceiro é etapa indispensável. Integrar tecnologia ao sistema de gestão A solução precisa estar conectada ao ERP, meios de pagamento e programas de fidelidade. Sem integração, perde-se eficiência operacional e inteligência de dados. Estruturar política rigorosa de crédito e risco Critérios claros de concessão e monitoramento evitam inadimplência descontrolada. “Crédito mal modelado pode comprometer margem em vez de fortalecê-la”, alerta. Medir impacto em margem e capital de giro Cada produto financeiro deve ter indicadores definidos de retorno. A fintech precisa ser ferramenta de eficiência financeira, não apenas inovação estética.   Para Franco, a consolidação do Pix, o avanço do open finance e a ampliação da infraestrutura regulada criaram ambiente favorável para essa transformação. “Supermercado que entende sua operação financeira como ativo estratégico ganha vantagem competitiva real. Não se trata de virar banco, mas de gerir melhor o que já faz diariamente”, conclui.

  • Novo simulador de crédito no Meu INSS vai inovar o consignado

    A criação de um simulador de crédito consignado dentro do aplicativo Meu INSS, conhecido como leilão do consignado INSS , pode transformar a forma como aposentados e pensionistas escolhem suas ofertas de empréstimo. A ferramenta, ainda em desenvolvimento, tem como proposta reunir em um único ambiente digital propostas de diferentes instituições financeiras, permitindo que o beneficiário compare taxas de juros, prazos e valores de parcelas antes de tomar qualquer decisão. Segundo a fintech meutudo, especializada em crédito consignado digital, a novidade pode trazer mais clareza para um processo que hoje muitas vezes ocorre de forma fragmentada, com ofertas chegando por diferentes canais. Comparação de propostas deve estimular concorrência O modelo proposto para o leilão do consignado INSS funciona de maneira simples: o aposentado manifesta interesse em contratar crédito dentro do aplicativo Meu INSS e, a partir disso, instituições financeiras autorizadas poderão apresentar suas ofertas. Com diferentes propostas disponíveis, o beneficiário poderá comparar condições como taxa de juros, prazo de pagamento e valor das parcelas antes de decidir se deseja contratar o empréstimo. Para a meutudo, a concorrência entre instituições no leilão tende a gerar impactos positivos para quem utiliza a modalidade. Isso porque a disputa pelas propostas pode estimular ofertas mais competitivas e ampliar a transparência no mercado . Transparência já é prática no mercado digital A discussão sobre transparência nas ofertas de crédito também acompanha uma tendência do próprio mercado digital. Segundo a meutudo, a fintech já adota uma política de clareza na apresentação das condições de contratação , com informações detalhadas sobre taxas de juros, prazos e valores totais antes da formalização do contrato. Para a empresa, iniciativas como o leilão do consignado INSS reforçam essa evolução , ao ampliar o acesso dos beneficiários às informações e incentivar uma comparação mais direta entre as propostas disponíveis. Processo digital pode aumentar segurança Outro ponto destacado é o potencial de aumento na segurança da contratação. Ao concentrar o processo dentro do ambiente oficial do Meu INSS, o simulador pode ajudar a reduzir problemas recorrentes no mercado de crédito consignado, como abordagens comerciais agressivas ou contratos realizados sem pleno entendimento das condições. Nesse modelo, o próprio beneficiário inicia a busca pelo crédito, visualiza as informações das ofertas e decide se deseja prosseguir com a contratação. A digitalização também pode contribuir para diminuir o risco de golpes e aumentar a confiança no processo, já que as propostas devem ser apresentadas apenas por instituições autorizadas. Mudança pode ampliar autonomia dos beneficiários O leilão do consignado INSS também é visto como um avanço na relação entre consumidores e instituições financeiras. Com acesso direto às informações sobre juros, prazos e valores totais do contrato, aposentados e pensionistas passam a ter mais autonomia para avaliar qual proposta faz sentido para sua realidade financeira. A expectativa é que essa dinâmica incentive escolhas mais conscientes e ajude a tornar o mercado de crédito consignado mais transparente.

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