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Eficiência no uso de dados pode destravar crédito para PMEs


O início do ano costuma marcar um período de planejamento e revisão de estratégias para as empresas, quando projetos de expansão e novos investimentos entram no radar da gestão. No caso das pequenas e médias empresas, esse movimento ocorre em um contexto de forte expansão do crédito nos últimos anos, acompanhado por desafios estruturais ainda relevantes, como a baixa visibilidade para crédito devido à falta de informações relevantes para avaliação de crédito, crescente nível de endividamento e o avanço da inadimplência.


Dados do Banco Central indicam que, em novembro de 2025, o saldo de crédito destinado a pessoas jurídicas no Brasil somou R$ 2,61 trilhões, equivalentes a 37,4% do saldo total (pessoas físicas + empresas). Desse montante, 46,1% estavam direcionados a micro, pequenas e médias empresas, enquanto aproximadamente 54% permaneceram concentrados em grandes companhias.


A ampliação do crédito, no entanto, vem acompanhada de um aumento da inadimplência. Em outubro de 2025, 8,2 milhões de micro e pequenas empresas estavam negativadas, número que representa crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado reflete tanto a maior exposição ao crédito quanto dificuldades históricas de avaliação de risco em segmentos com menor densidade de informação e planejamento do serviço da dívida.


“Existe um contingente expressivo de empresas economicamente ativas que seguem pouco visíveis para o sistema financeiro. Quando a informação é limitada ou fragmentada, o crédito tende a ser mais conservador”, afirma Elias Sfeir, presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC).


Esse cenário ajuda a explicar um paradoxo estrutural do mercado. Apesar da expansão do crédito, apenas uma parcela reduzida das micro e pequenas empresas busca financiamento de forma recorrente. Em 2025, segundo levantamento do Sebrae, apenas 15% dos pequenos negócios haviam solicitado crédito nos seis meses anteriores à pesquisa, o que evidencia forte dependência de recursos próprios e uma relação ainda limitada com o sistema financeiro formal.


Para a ANBC, esse comportamento vem passando por mudanças graduais nos últimos anos, impulsionadas pela evolução da infraestrutura de dados do mercado. Iniciativas como o Cadastro Positivo, aliadas ao open finance e ao uso de modelos analíticos mais sofisticados, começam a ampliar a visibilidade das PMEs, ainda que esse processo esteja em estágio inicial.


“A visibilidade para crédito das empresas está melhorando, e tem espaço para ampliar. O avanço do Cadastro Positivo, SCR e acesso a bases de informações relevantes para avaliação de crédito permitem uma leitura mais precisa do risco, o que tende a ampliar o acesso ao crédito em condições mais adequadas trazendo sustentabilidade ao crédito”, conclui Sfeir.

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