Portabilidade de crédito via Open Finance coloca arquiteturas de TI à prova no setor financeiro
- Fincatch
- há 2 minutos
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A entrada em vigor da portabilidade de crédito via Open Finance representa um teste prático de maturidade tecnológica para as instituições financeiras brasileiras. Com a redução do prazo de liquidação de cinco para três dias úteis e a digitalização integral da jornada, bancos e financeiras passam a depender diretamente da eficiência de suas arquiteturas de TI para competir pela retenção e conquista de clientes.
De acordo com especialistas da Sensedia, multinacional brasileira especializada em APIs e integração de sistemas, a nova dinâmica amplia a pressão sobre ambientes legados e expõe diferenças significativas entre instituições que avançaram na modernização tecnológica e aquelas que ainda operam com processos pouco automatizados.
A nova regra do Banco Central (BC) permite que consumidores transfiram dívidas de crédito pessoal entre instituições de forma 100% digital, reduzindo o prazo de liquidação de cinco para três dias úteis.
Embora algumas instituições já realizem a portabilidade de forma digital, a nova regra do BC introduz duas mudanças fundamentais: a redução do prazo de conclusão do processo e a adequação de mais produtos ao arranjo do Open Finance.
Esta evolução traz maior segurança para a operação e permite níveis superiores de integração e interoperabilidade entre as instituições. Na prática, os clientes terão uma jornada livre de burocracia para buscar melhores condições de juros diretamente pelo aplicativo do banco.
“A janela de três dias exige que decisões de crédito sejam tomadas em tempo quase real. Instituições que ainda dependem de fluxos manuais, integrações ponto a ponto ou processamento em batch dificilmente conseguirão competir nesse cenário”, afirma Natália Cruz, Head de Open Finance da Sensedia.
APIs e integração definem a viabilidade operacional
Para que a portabilidade ocorra dentro do novo prazo, as instituições precisam orquestrar múltiplos sistemas de forma simultânea. Isso inclui plataformas de crédito, motores de decisão, bureaus externos, modelos de risco, core bancário e camadas de canais digitais, todos conectados por APIs seguras e de alta performance.
"O Open Finance prova, mais uma vez, que não é apenas uma demanda regulatória, mas uma iniciativa estratégica que acelera a inovação, colocando um foco central na Arquitetura de Sistemas. As instituições devem transformar dados compartilhados em decisões automatizadas, confiáveis e rastreáveis, sem comprometer segurança ou performance”, explica Cruz.
Segundo a executiva, o maior desafio está na integração de sistemas legados, muitas vezes desenvolvidos para operar com baixa frequência de transações e sem exposição nativa por APIs. Nessas estruturas, cada nova consulta ou validação adiciona latência ao processo, comprometendo a experiência do cliente e a competitividade da oferta.
“No Brasil, o crédito é um dos produtos mais estratégicos tanto para o consumidor quanto para a rentabilidade das instituições financeiras. Nesse cenário, a prontidão tecnológica passa a definir quem se mantém competitivo: organizações que não estiverem preparadas para oferecer uma experiência mais ágil, acessível e eficiente tendem a perder espaço no mercado”, reforça.
Maturidade tecnológica determina competitividade
Análise da empresa aponta três níveis claros de maturidade tecnológica. Bancos digitais nativos operam com arquiteturas orientadas a eventos e APIs desde a origem. Bancos tradicionais avançam em iniciativas de modernização, com camadas de integração e desacoplamento de sistemas. Já instituições com alta dependência de processos manuais enfrentam limitações estruturais para atender às exigências do Open Finance transacional.
Para os consumidores, a nova regra amplia a concorrência e simplifica a jornada de renegociação de crédito. Para as instituições, no entanto, o impacto é estrutural e de longo prazo.
“O Brasil avança para uma fase de Open Finance em que a competitividade está diretamente ligada à arquitetura de TI. A fidelização deixa de ser um efeito colateral da complexidade operacional e passa a ser consequência da capacidade tecnológica de responder rápido, com segurança e precisão”, conclui.
















