Hurst lança nova operação de cinema com filmes premiados em Cannes e aposta em receitas de bilheteria e streaming
- Fincatch

- há 1 hora
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Depois de levar ao mercado uma carteira que incluiu Valor Sentimental, vencedor do Oscar de Filme Internacional e que alcançou faturamento equivalente a 2,1 vezes o valor investido em seis meses, a Hurst amplia sua atuação no audiovisual com uma nova operação voltada ao financiamento da distribuição cinematográfica. A carteira reúne os filmes internacionais Acampamento Miasma e Josephine e prevê participação dos investidores nas receitas geradas pela exploração comercial das obras.
Estruturada pela Hurst em parceria com a MUV Capital e a distribuidora Retrato Filmes, a operação financiará custos associados à comercialização e ao lançamento dos dois títulos no Brasil e na América Latina. Os recursos investidos são lastreados em direitos creditórios provenientes das receitas futuras dos filmes, estimadas entre agosto de 2026 e junho de 2027.
A nova oferta tem prazo projetado de dez meses e rentabilidade estimada, no cenário-base, de 26,75% ao ano. As taxas são projeções e não representam garantia de retorno, uma vez que o resultado depende principalmente da performance comercial e do prazo de recebimento das receitas dos filmes. Em operação similar realizada anteriormente, o retorno entregue chegou a 29% ao ano em 5 meses.
“Estamos avançando em uma tese que aproxima dois universos que historicamente estiveram distantes no Brasil: mercado de capitais e indústria audiovisual. O investidor passa a ter acesso a uma economia baseada em propriedade intelectual, audiência e distribuição, com uma dinâmica de geração de receita diferente daquela encontrada nos ativos financeiros tradicionais”, afirma Breno Reis, CEO da Hurst Capital.
De Cannes às salas brasileiras
A carteira é formada por dois filmes com perfis diferentes, estratégia que busca diversificar as fontes de receita da operação. Com 79% da carteira, Josephine é protagonizado por Channing Tatum e dirigido pela cineasta nipo-brasileira-americana Beth de Araújo. O filme estreou no Festival de Sundance e tem lançamento comercial previsto para novembro ou dezembro deste ano. A exploração inclui salas de cinema, aluguel digital e primeiro licenciamento para plataformas ou canais, além de abranger territórios da América Latina.
Já Acampamento Miasma, que representa 21% da carteira, chegou aos cinemas brasileiros ainda em agosto. Premiado no Festival de Cannes e adquirido pela MUBI, o filme de terror é estrelado por Hannah Einbinder e Gillian Anderson e acompanha uma jovem realizadora que tenta revitalizar uma franquia de filmes do gênero.
“Uma das características interessantes do audiovisual como tese de investimento é que não existe uma única fonte de monetização. Dependendo do título, a receita pode vir das salas de cinema, do aluguel digital, do licenciamento para streaming e da exploração em diferentes territórios. A seleção e a composição da carteira são fundamentais justamente para equilibrar essas diferentes possibilidades”, afirma Laura Rossi, Diretora de Investimentos em Audiovisual da MUV Capital.
Investidor participa da distribuição, não da produção
A lógica da operação está concentrada em uma etapa específica da cadeia cinematográfica: a distribuição. Em vez de financiar a realização de um filme ainda em desenvolvimento, os recursos são destinados principalmente aos custos necessários para colocar obras já selecionadas comercialmente diante do público.
Nesse modelo, a distribuidora licencia os direitos de exploração e investe em despesas de lançamento e comercialização. As receitas obtidas nas diferentes janelas são utilizadas prioritariamente para recuperar esses custos e remunerar a distribuição antes que o excedente siga para o produtor. “A prioridade na cascata de pagamentos é uma das características econômicas que tornam a distribuição um elo importante da cadeia audiovisual”, explica Reis.
Os recebíveis da carteira são direcionados para uma conta escrow e auditados pela MUV, responsável pelas distribuições mensais até o encerramento da operação. A estrutura prevê ainda que investidores e Retrato Filmes participem proporcionalmente dos rendimentos gerados pela exploração comercial.
Há também um mecanismo de recuperação por meio de receitas futuras. Caso o faturamento das primeiras janelas não alcance o esperado, o investidor mantém participação nas receitas posteriores dos ativos até a devolução integral do capital, conforme as condições contratuais da operação.
Do ativo cultural ao ativo financeiro
A nova oferta também marca a continuidade da parceria entre MUV e Retrato Filmes. Na carteira anterior, o principal destaque foi Valor Sentimental. Além de conquistar o Oscar de Filme Internacional, a obra alcançou um múltiplo de faturamento de 2,1 vezes sobre o valor investido em seis meses.
Para Reis, a evolução dessas operações ajuda a demonstrar como propriedade intelectual e entretenimento podem ocupar espaço maior dentro do universo de ativos alternativos. “O cinema movimenta uma cadeia econômica muito maior do que a bilheteria. Quando conseguimos transformar direitos e receitas futuras dessa cadeia em estruturas de investimento, criamos uma ponte entre capital privado e entretenimento. É uma forma de financiar a circulação das obras e, ao mesmo tempo, permitir que investidores participem economicamente do desempenho desses conteúdos”, afirma.
A rentabilidade, porém, está diretamente ligada à performance comercial dos filmes e ao prazo dos recebimentos. Entre os riscos descritos pela própria operação estão desempenho abaixo do projetado, inadimplência das fontes pagadoras, riscos relacionados à securitização e pirataria, podendo haver inclusive perda do capital investido. A operação é estruturada por meio de Certificados de Recebíveis (CRs) lastreados nos direitos creditórios da exploração comercial dos filmes. A oferta é realizada nos termos da Resolução CVM 88 e é dispensada de registro prévio pela CVM.




















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