Stablecoins passam a representar cerca de 80% do mercado de criptoativos no Brasil e consolidam nova fase da economia digital
- Fincatch

- há 2 horas
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As stablecoins consolidaram sua posição como o principal ativo digital utilizado no Brasil. Dados divulgados pela Receita Federal em julho revelam que essas criptomoedas de valor estável passaram a representar aproximadamente 80% de todo o volume de criptoativos declarado no país, confirmando uma transformação significativa no mercado brasileiro. O levantamento, baseado nas declarações oficiais de operações com criptoativos, evidencia o crescimento acelerado da adoção dessas moedas digitais por pessoas físicas e empresas.
Segundo os dados oficiais, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025 foram declarados R$ 1,58 trilhão em operações com os principais criptoativos negociados no Brasil. Desse montante, R$ 1,13 trilhão corresponderam exclusivamente às stablecoins, o equivalente a 71,7% de todo o mercado no período. Em 2019, esses ativos representavam apenas 3,5% do volume negociado. Em 2023, chegaram ao pico de 91,5% da movimentação mensal e, nos anos seguintes, estabilizaram sua participação entre 76% e 80%, mantendo ampla liderança entre os ativos digitais.
O avanço também é observado na intensidade das operações. Entre 2019 e 2025 foram registradas 185,7 milhões de transações envolvendo stablecoins e outros criptoativos. O maior número de operações ocorreu em novembro de 2024, quando foram declaradas 18,2 milhões de movimentações. Já o recorde financeiro foi registrado em novembro de 2025, com R$ 39,7 bilhões movimentados em apenas um mês, evidenciando o amadurecimento do mercado brasileiro de ativos digitais.
A liderança do segmento é concentrada principalmente na USDT (Tether), responsável por 88,7% de todo o volume financeiro movimentado em stablecoins no país. Em seguida aparecem a USDC, com participação de 7,1%, e a BRZ, stablecoin lastreada em real, com 3,4%. Na prática, quase nove em cada dez reais movimentados em stablecoins no Brasil utilizam a USDT como principal instrumento de liquidação.
O crescimento também é corroborado por levantamento da Chainalysis, que identificou expansão superior a 200% nas transações com stablecoins realizadas no Brasil entre meados de 2023 e meados de 2024. O desempenho coloca o país entre os mercados mais relevantes do mundo na utilização desses ativos para pagamentos, remessas internacionais, comércio exterior e movimentação financeira baseada em tecnologia blockchain.
Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, a estabilidade de preço é um dos principais fatores responsáveis pela popularização das stablecoins. Como esses ativos são lastreados, em sua maioria, em moedas fiduciárias como o dólar norte-americano ou o real, oferecem menor exposição à volatilidade típica de criptomoedas como Bitcoin e Ethereum. Além disso, proporcionam liquidação praticamente imediata, funcionamento ininterrupto das redes blockchain, redução de custos em transferências internacionais, maior previsibilidade financeira e facilidade para operações globais.
"O crescimento das stablecoins demonstra que o mercado brasileiro está migrando para soluções que unem segurança, previsibilidade e eficiência operacional. Esses ativos deixaram de ser apenas instrumentos de investimento para assumir um papel relevante nos pagamentos internacionais, no comércio exterior e na transformação digital das finanças. À medida que a regulamentação evolui, o Brasil tende a consolidar ainda mais sua posição entre os principais mercados globais de ativos digitais", afirma.
Outro fator decisivo para a expansão desse mercado é sua capacidade de integrar o sistema financeiro tradicional à economia digital. Empresas utilizam stablecoins para pagamentos internacionais, liquidação de contratos e comércio exterior, enquanto consumidores encontram nesses ativos uma alternativa mais eficiente para enviar recursos ao exterior, realizar compras internacionais e acessar serviços financeiros digitais com menores custos operacionais.
O crescimento acelerado também impulsionou mudanças importantes na regulamentação brasileira. A Receita Federal passou a adotar a DeCripto, alinhada ao padrão internacional da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ampliando as exigências de transparência e reporte das operações com criptoativos. Prestadores de serviços, inclusive empresas estrangeiras que atuam no Brasil, passaram a cumprir novas obrigações fiscais, enquanto Banco Central e Receita Federal intensificam os estudos sobre a evolução regulatória desse mercado.
Ainda de acordo com Cleverson Pereira, a tendência é que a adoção continue avançando nos próximos anos, impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros, pela busca por maior eficiência nas operações internacionais e pelo amadurecimento do ambiente regulatório. A expectativa é que empresas, instituições financeiras e consumidores ampliem gradativamente o uso das stablecoins em aplicações que vão desde pagamentos e remessas até tokenização de ativos e integração com soluções baseadas em blockchain.
"As stablecoins deixaram de ser uma alternativa restrita ao mercado de criptoativos e passaram a ocupar um espaço estratégico na economia digital. À medida que a regulamentação avança e o mercado amadurece, a tendência é que esses ativos sejam cada vez mais incorporados às operações do dia a dia de empresas e consumidores, impulsionando inovação, eficiência e competitividade no sistema financeiro", conclui.




















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