Mercado de Capitais 2.0: Desafios e oportunidades para empresas
- Fincatch

- há 1 dia
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O mercado de capitais brasileiro atravessa uma transição estrutural impulsionada por tecnologia, mudanças regulatórias e pressão por eficiência no crédito. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam crescimento consistente de ofertas amparadas por regras mais flexíveis, como a Resolução CVM 88, ao mesmo tempo em que a tokenização de ativos passa a ser testada como alternativa para ampliar o acesso de empresas médias a financiamento fora do sistema bancário tradicional.
Nesse contexto, a B8 Partners tem defendido a consolidação de um modelo híbrido, que combina fundamentos do mercado tradicional com infraestrutura digital. Para Beny Fard, engenheiro, cofundador da B8 Partners e da fintech DeFin, o chamado “Mercado de Capitais 2.0” não se resume à digitalização de ativos, mas à reorganização da forma como risco, governança e distribuição são tratados. “A tecnologia encurtou caminhos, mas não eliminou a necessidade de análise profunda. O desafio é entregar eficiência sem abrir mão do rigor que o investidor institucional exige”, afirma.
O gargalo aparece com mais força no middle market. Segundo levantamento do Banco Central, pequenas e médias empresas respondem por mais de 50% do emprego formal no país, mas acessam menos de 20% do crédito via mercado de capitais. Emissões tradicionais continuam caras e complexas, enquanto bancos concentram esforços em operações de grande porte. A promessa da tokenização de instrumentos de dívida e crédito é reduzir custos e ampliar capilaridade, desde que haja estruturas compatíveis com padrões regulatórios e de compliance.
A leitura é compartilhada por gestores e distribuidores. Relatórios recentes da ANBIMA apontam que investidores institucionais têm interesse crescente em ativos digitais lastreados em economia real, como a renda fixa digital, mas ainda esbarram na assimetria de informações e na falta de padronização das estruturas. “Não basta fracionar um ativo. É preciso garantir lastro, governança, transparência e comunicação clara. Sem isso, o produto não passa por comitês institucionais, por exemplo”, diz.
Na prática, o Mercado de Capitais 2.0 abre oportunidades relevantes para empresas que buscam diversificar fontes de financiamento, reduzir dependência bancária e acessar investidores qualificados. Ao mesmo tempo, impõe desafios técnicos: estruturação jurídica, modelagem de risco, auditoria de lastros e adequação às normas da CVM. Modelos como o Investment Banking as a Service (IBaaS) surgem para preencher essa lacuna, oferecendo às empresas e intermediários uma camada especializada de engenharia financeira.
Para Fard, a próxima fase será marcada menos pelo discurso tecnológico e mais pela consolidação de casos bem-sucedidos. “O mercado está amadurecendo. Quem conseguir unir análise econômica sólida, governança e eficiência digital tende a ganhar escala, deixando competidores para trás”, conclui.
O avanço desse novo ciclo sugere um mercado de capitais mais acessível, porém mais técnico. Para empresas, o recado é claro: as oportunidades aumentaram, mas a exigência de preparo também.




















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