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Pagamentos locais são decisivos para o sucesso internacional de empresas digitais


Em um cenário cada vez mais globalizado, empresas que expandem suas operações para novos mercados costumam concentrar esforços em localização de idioma, logística, marketing e adaptação de produtos. No entanto, um elemento continua sendo frequentemente subestimado: a forma como os consumidores pagam.


Ao analisar as tendências globais de pagamentos digitais, revela-se que a ausência de métodos de pagamento locais está entre as principais causas de perda de conversão em mercados digitais de rápido crescimento, especialmente na Ásia-Pacífico (APAC), Oriente Médio e Norte da África (MENA). O mesmo raciocínio se aplica ao Brasil, que nos últimos anos se tornou um dos casos mais emblemáticos de transformação dos hábitos de pagamento.


A ascensão do Pix mudou radicalmente a forma como os consumidores brasileiros realizam compras online e offline. Segundo dados do Banco Central, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no país durante o segundo semestre de 2025, ultrapassando amplamente os cartões de crédito, débito e pré-pagos, que representaram 30,4% do total das operações. Além disso, foram registradas 42,9 bilhões de transações via Pix no período, movimentando parte significativa dos R$ 68,2 trilhões processados pelo sistema financeiro brasileiro.


A relevância do sistema também se reflete no comércio eletrônico. De acordo com o Global Payments Report 2026, o Pix já representa 42% do valor transacionado nas compras online no Brasil, consolidando-se como uma das principais infraestruturas de pagamento digital do mundo.


"Hoje, entrar no mercado brasileiro sem oferecer Pix é comparável a entrar na Indonésia sem aceitar GoPay ou na Arábia Saudita sem oferecer Mada. O método de pagamento deixou de ser apenas uma etapa operacional para se tornar parte essencial da experiência do consumidor", afirma Gabriel Tierno, Gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Juspay, plataforma líder em orquestração de pagamentos.


O novo comportamento do consumidor brasileiro


A popularização dos pagamentos instantâneos transformou as expectativas dos consumidores. Velocidade, simplicidade e liquidação em tempo real passaram a ser requisitos básicos para a conclusão de uma compra.


O próprio Banco Central aponta que o Pix se tornou o principal meio de pagamento do país e já é utilizado por quase 179 milhões de usuários, entre pessoas físicas e jurídicas. Em dezembro de 2025, o sistema bateu um novo recorde ao processar mais de 313 milhões de transações em apenas um único dia, movimentando R$ 179,9 bilhões.

Além das transferências entre pessoas, o uso comercial da ferramenta cresce rapidamente. Dados do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central mostram que as transações entre consumidores e empresas já superaram as transferências entre pessoas físicas, evidenciando a consolidação do Pix como ferramenta de pagamentos no varejo.


Essa mudança de comportamento traz implicações relevantes para empresas nacionais e internacionais que operam no Brasil. "Oferecer as opções de pagamento que os consumidores realmente utilizam é fundamental para maximizar a conversão. Quando essa expectativa não é atendida no checkout, o risco de abandono cresce consideravelmente. Muitas empresas ainda interpretam essa perda como uma questão de preço ou de experiência de compra, sem identificar que a principal barreira pode estar justamente na falta de métodos de pagamento adequados", acrescenta Tierno.

O desafio da expansão internacional


O fenômeno observado no Brasil se repete em diversos mercados globais.

Na Indonésia, carteiras digitais como GoPay, OVO e DANA dominam as transações digitais. No Japão, pagamentos em lojas de conveniência (konbini) continuam sendo amplamente utilizados para compras online. Já na Arábia Saudita, o sistema Mada responde pela maior parte dos pagamentos domésticos.


Para empresas que desejam operar globalmente, atender às preferências locais exige integração tecnológica, adequação regulatória e relacionamentos com instituições financeiras regionais.


Nesse contexto, cresce a adoção de plataformas de orquestração de pagamentos como a Juspay, que permitem às empresas conectar-se a múltiplos métodos de pagamento por meio de uma única integração tecnológica. O modelo reduz custos operacionais, acelera a entrada em novos mercados e simplifica o atendimento às exigências regulatórias locais, que vêm se tornando mais rigorosas em diversas regiões.

O futuro dos pagamentos passa pela localização


O Brasil oferece um exemplo claro de como a infraestrutura de pagamentos pode redefinir a dinâmica competitiva de um mercado. A evolução contínua do Pix, com funcionalidades como Pix Automático para pagamentos recorrentes e Pix Parcelado para compras financiadas, amplia ainda mais sua relevância no comércio eletrônico e nos serviços digitais.


À medida que consumidores passam a priorizar experiências de pagamento rápidas, simples e adaptadas à realidade local, empresas que tratarem a localização de pagamentos como uma prioridade estratégica tendem a conquistar vantagens competitivas significativas.


Mais do que uma questão tecnológica, a escolha dos meios de pagamento tornou-se um fator determinante para conversão, retenção de clientes e expansão internacional.

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