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Participação de jovens de 18 a 25 anos nos contratos de empréstimo pessoal digital multiplicaram por 7 em 15 meses


A presença de jovens de 18 a 25 anos nos contratos de empréstimo pessoal digital cresceu de forma acelerada nos últimos 15 meses. Segundo o recém-lançado Índice Juros Baixos de Empréstimo, IJBE Q1/2026, a participação dessa faixa etária saltou de 1,8% para 13,3% do total de contratos entre janeiro de 2025 e março de 2026.


Sete vezes mais. Em nenhum outro recorte etário o crescimento chegou perto disso.

O levantamento foi construído a partir de mais de 10 milhões de solicitações reais de crédito processadas pela plataforma Juros Baixos. No período analisado, nenhum outro recorte etário apresentou crescimento proporcional semelhante.


Uma geração que chegou ao crédito digital


A expansão dos jovens no crédito pessoal digital não ocorreu em substituição direta aos demais públicos. A faixa de 26 a 35 anos, por exemplo, manteve participação estável no mesmo período. 


O movimento indica a entrada de uma nova demanda no mercado, formada por consumidores que, em muitos casos, ainda não tinham relacionamento consolidado com bancos tradicionais.


Esse avanço ajuda a revelar uma mudança importante no comportamento financeiro dos mais jovens. 


Para uma parcela desse público, o primeiro contato com crédito não passa necessariamente por uma agência bancária, gerente ou processo presencial. Ele acontece no celular, em plataformas digitais, com simulações rápidas e comparação de ofertas em poucos minutos.


O que abriu a porta para esse público


Três fatores ajudam a explicar essa virada. O primeiro é a consolidação do celular como principal canal de acesso a serviços financeiros. 


Plataformas digitais reduziram o caminho entre a necessidade de dinheiro e a simulação de crédito, permitindo que o usuário faça todo o processo online, sem filas, deslocamentos ou burocracia presencial.


O segundo é a ampliação de produtos voltados para quem ainda está construindo um histórico financeiro. Empréstimos pessoais de menor valor, geralmente entre R$ 500 e R$ 3.000, com ou sem garantia, passaram a atender melhor consumidores com renda variável, score baixo ou pouco relacionamento bancário.


O terceiro é o crescimento de alternativas como o empréstimo com celular em garantia, modalidade que se tornou uma opção para quem não possui contracheque fixo ou outros bens como carro e imóvel para oferecer como garantia.


Esse perfil é especialmente relevante entre jovens de 18 a 25 anos, grupo que costuma concentrar características historicamente desafiadoras para a concessão de crédito: renda informal ou intermitente, baixo histórico de relacionamento com instituições financeiras e score ainda em formação.


O crédito digital não elimina essas barreiras, mas cria novas formas de análise, distribuição e acesso.


Crescimento em um cenário de crédito mais caro


A entrada dos jovens no crédito digital aconteceu em um período de aumento do custo do dinheiro no Brasil.


Entre outubro de 2024 e o início de 2026, a Selic passou de 10,75% para 15,00% ao ano após oito altas consecutivas do Comitê de Política Monetária, o Copom. 


No mesmo intervalo, o custo do crédito, medido pelo Indicador de Custo do Crédito, ICC, do Banco Central, subiu de 21,7% para 23,7% ao ano, segundo o relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado pelo Banco Central.


Mesmo nesse ambiente, de acordo com a pesquisa, o volume de solicitações de empréstimo pessoal digital cresceu 2,7 vezes sobre a base apenas no terceiro trimestre de 2025.


O dado sugere que, para boa parte desse público, a urgência financeira pesa mais do que o custo final da operação. Quando a renda não cobre despesas imediatas, a busca por aprovação tende a se sobrepor à comparação detalhada de taxas e condições.


Esse comportamento já aparecia no perfil geral da plataforma. No relatório do IJBE Q4/2025, 91,1% das simulações tinham como motivação declarada o pagamento de contas e dívidas.


“O que o IJBE revela não é apenas o crescimento de um segmento. É uma geração inteira chegando ao crédito digital sem ter passado pelo banco antes. Isso muda o produto, o risco, a comunicação e a forma como o mercado precisa se relacionar com esse público”, afirma Arthur Bonzi, cofundador e COO da Juros Baixos.



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