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Tokenização de recebíveis deve dobrar em 2026 e atrair fintechs que buscam reduzir custos operacionais e ampliar crédito

  • Foto do escritor: Fincatch
    Fincatch
  • 22 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O mercado brasileiro de ativos financeiros tokenizados segue em aceleração. Dados da B3 e do Banco Central mostram que o volume de ativos representados digitalmente  incluindo recebíveis superou R$20 bilhões em 2025, impulsionado por pilotos regulatórios e por emissões privadas de debêntures, cotas de FIDCs e direitos creditórios. A expectativa de analistas do setor é que o segmento deva dobrar em 2026, alcançando mais de R$40 bilhões em emissões tokenizadas, com destaque para operações de antecipação e crédito estruturado lastreadas em blockchain permissionado.


Para Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa especializada em soluções digitais para fintechs, a tokenização de recebíveis representa uma virada estrutural na infraestrutura financeira. “A representação digital de direitos creditórios reduz custos operacionais, aumenta a transparência e melhora a liquidez para quem precisa do capital na ponta. Para as fintechs, isso abre espaço para produtos de crédito mais seguros, rentáveis e escaláveis”, afirma.


O avanço ocorre em um momento de restrição no crédito tradicional. Levantamento da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) mostra que mais de 60% das fintechs pretendem ampliar operações com lastro alternativo em 2026, enquanto dados do Banco Central indicam que o custo médio das linhas de capital de giro subiu ao longo de 2025, estimulando a busca por fontes menos onerosas de financiamento.


Como funciona a tokenização de recebíveis no mercado financeiro


Em modelos permissionados usados por instituições financeiras e empresas reguladas  os recebíveis são registrados em blockchain, gerando um token representativo daquele direito. Essa estrutura permite:


  • registrar operações com maior rastreabilidade;

  • reduzir etapas intermediárias;

  • automatizar liquidações;

  • diminuir custos de custódia e auditoria;

  • ampliar o acesso de investidores qualificados a carteiras diversificadas.


Processos que antes dependiam de múltiplos agentes passam a ocorrer de forma coordenada em redes autorizadas, com auditoria contínua e contratos inteligentes para automatizar pagamentos, cesões e liquidações.


Segundo Franco, esse modelo reduz fricções típicas das operações de crédito. “Um fluxo digitalizado, com lastro em blockchain, elimina redundâncias e dá previsibilidade de liquidação. Isso interessa tanto a quem concede crédito quanto ao empreendedor que precisa manter fluxo de caixa saudável. A tokenização é, na prática, uma evolução da infraestrutura dos recebíveis”, avalia.


O uso de tokens para lastrear direitos creditórios ganha força entre plataformas de Banking as a Service, contas digitais e marketplaces financeiros. A estrutura permite criar:


  • linhas de crédito com risco reduzido,

  • antecipação de recebíveis com menor custo,

  • produtos fracionados para investidores,

  • financiamentos atrelados a contratos automatizados.


Com a popularização do Pix e o fortalecimento do Open Finance  que já registrou mais de 45 milhões de consentimentos ativos em 2025, segundo o Banco Central  as fintechs passaram a operar com maior volume de dados transacionais, facilitando análise de risco e precificação de carteiras tokenizadas.


Para Rafael Franco, o movimento é inevitável. “Nos próximos anos, veremos fintechs usando tokenização não só como tecnologia, mas como estratégia de produto. Ela permite criar crédito mais competitivo, dar liquidez a operações pequenas e integrar modelos de antecipação diretamente ao aplicativo, com governança e rastreabilidade”, diz.


Apesar do avanço, especialistas apontam que a expansão depende de padronização regulatória e adoção mais ampla de redes permissionadas alinhadas às normas da CVM e do Banco Central. Questões como custódia de tokens, compliance, interoperabilidade e prevenção a fraudes continuam sendo pontos críticos.


“O ambiente é promissor, mas exige maturidade. Para tokenizar recebíveis em escala, a fintech precisa ter conexão com instituições reguladas, regras claras de governança e automação segura. Não é uma porta de entrada simples, é uma evolução da infraestrutura financeira”, afirma Franco.


Com o encerramento do piloto do Drex e o avanço dos testes de ativos tokenizados em bancos e plataformas independentes, o mercado projeta um ambiente mais competitivo para operações estruturadas. A combinação entre custo menor, liquidez mais rápida e maior rastreabilidade deve acelerar a entrada de novas fintechs no segmento.


Para Franco, o próximo ciclo será marcado por plataformas que consigam integrar tokenização, análise de risco e crédito dentro de uma mesma arquitetura. “A disputa será pela capacidade de transformar infraestrutura tecnológica em produto financeiro acessível. Quem conseguir unir segurança, automação e lastro confiável vai liderar o mercado”, conclui.


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