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  • Dívida digital avança na América Latina: por que a tokenização está transformando o mercado institucional

    O mercado global de ativos tokenizados pode atingir entre US$ 14 trilhões e US$ 16 trilhões até 2030, segundo estimativas do Boston Consulting Group. Esse volume equivale a várias vezes o PIB anual de toda a América Latina. Brasil, Argentina, Colômbia, Paraguai e países da América Central estão construindo, em tempo real, a infraestrutura do mercado de capitais do século XXI — e essa transformação já está em curso. Historicamente, a América Latina ficou à margem dos fluxos globais de liquidez não por falta de ativos valiosos, mas porque a infraestrutura financeira que conectava o capital internacional às oportunidades locais era cara, lenta e excludente. A tokenização muda essa lógica desde a base: um título emitido em Assunção ou Buenos Aires pode, agora, acessar liquidez global com a mesma facilidade que uma ação negociada em um índice internacional. A tecnologia amadureceu o suficiente para cumprir essa promessa e, após anos observando o mercado, os reguladores da região decidiram agir antes de ficarem para trás. O mercado global de títulos tokenizados ultrapassou US$ 12,8 bilhões em valor on-chain em abril de 2026, e as projeções apontam que os ativos de dívida digital devem superar US$ 1 trilhão até 2030. Mas a história mais relevante não está acontecendo em Wall Street nem nos mercados europeus. Ela está sendo escrita na América Latina, onde reguladores, bancos e emissores corporativos estão construindo, com urgência e convicção, a infraestrutura do mercado de capitais do século XXI. “Estamos vendo a região construir sua própria versão do mercado de capitais do século XXI, e isso não pode passar despercebido — trata-se de um marco histórico. Os títulos tokenizados não representam o futuro do mercado cripto para o dia a dia; eles já são o presente do mercado institucional. E os países que estruturarem desde o início uma infraestrutura regulada de custódia serão aqueles que definirão as regras do jogo", afirma Luis Ayala, General Manager para a América Latina da BitGo. O Brasil é o mercado mais avançado da região nesse movimento. Embora o projeto Drex, do Banco Central, tenha direcionado seu foco para a conciliação de garantias de crédito, o mercado privado assumiu a liderança: o volume de tokens de ativos do mundo real (Real World Assets – RWAs) cresceu 1.134% em um ano e já supera R$ 1,5 bilhão, enquanto projeções indicam que a tokenização pode destravar até R$ 7 trilhões em crédito. Nesse cenário, a pergunta que as instituições fazem já não é mais se devem tokenizar seus ativos, mas qual infraestrutura de custódia utilizar para atender aos padrões globais. A tokenização deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma resposta direta às ineficiências que o próprio mercado já identifica. Para a BitGo, o avanço regulatório na região reforça uma tese que a empresa vem desenvolvendo por meio de suas operações latino-americanas: a demanda institucional por ativos digitais em mercados emergentes não depende da maturidade do mercado de varejo, mas da disponibilidade de infraestrutura de custódia e de ativos digitais que atenda aos padrões regulatórios internacionais. Com a aprovação da BitGo Bank & Trust como trust bank nacional regulamentado pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC) e sua recente inclusão na lista Fortune 500 de 2026, em seu primeiro ano como empresa de capital aberto, a companhia chega a esse momento de expansão regional respaldada pela credibilidade institucional exigida pelos mercados. "As instituições da América Latina não estão em busca de hype. Elas buscam confiança, transparência e solidez regulatória. Quando um gestor de recursos em São Paulo, Buenos Aires, Bogotá ou Assunção avalia um custodiante, faz as mesmas perguntas que sempre faria a qualquer banco tradicional. A diferença é que agora essas perguntas também se aplicam à infraestrutura digital. Nossa vantagem é que conseguimos respondê-las", conclui Ayala.

  • 64% dos brasileiros querem usar IA para organizar as finanças

    A inteligência artificial já faz parte da rotina dos brasileiros e desperta cada vez mais interesse para apoiar a gestão do dinheiro. É o que mostra o estudo inédito "Inteligência Artificial e Finanças: O que pensam os brasileiros", realizado pelo Mercado Pago, instituição financeira do Grupo Mercado Livre. Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados já utilizam assistentes de IA, como ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude, e 64% demonstram interesse em recorrer à tecnologia para organizar a vida financeira. Apesar do alto interesse, apenas 9% dos participantes aplicam hoje a tecnologia para cuidar das próprias finanças. Realizada em junho com 2.300 usuários do Mercado Pago de todos os estados brasileiros, a pesquisa revela que a IA já está incorporada ao dia a dia: 39% utilizam essas ferramentas ocasionalmente e 27% com frequência, enquanto 16% ainda não utilizam, mas demonstram alto interesse. Quando aplicada às finanças, os consumidores priorizam soluções para controlar gastos mensais (16%), identificar oportunidades de economia (14%), receber sugestões de investimentos (12%) e planejar compras de maior valor (9%), reforçando a busca por ferramentas que apoiem decisões financeiras cotidianas. “O brasileiro já enxerga a inteligência artificial como uma aliada para análise de cenários e como apoio às decisões no dia a dia. E mostra que existe uma demanda para integração da IA cada vez mais na vida financeira, mas acompanhada de transparência e experiências cada vez mais personalizadas”, comenta Ignacio Estivariz, vice-presidente do do Mercado Pago. A confiança é um dos principais fatores para ampliar a adoção da tecnologia. Para 73% dos entrevistados, recomendações financeiras personalizadas baseadas no histórico de movimentações seriam bem-vindas, desde que o uso das informações ocorra com transparência e sob controle do próprio usuário. Entre eles, 40% acreditam que esse tipo de personalização tornaria a ferramenta muito mais útil e 33% aceitariam compartilhar seus dados desde que pudessem decidir quais informações seriam utilizadas. A pesquisa também mostra preferência por experiências conversacionais: 51% gostariam de interagir com um assistente financeiro por meio de chat, enquanto 42% preferem receber comunicações proativas em formato de texto. Além disso, 54% não apresentam objeção ao uso de assistentes integrados às instituições financeiras, sendo que 26% preferem soluções conectadas ao banco para oferecer recomendações mais relevantes. O estudo também identificou uma lacuna importante na forma como os brasileiros administram suas finanças. Quase metade dos entrevistados (48%) afirma tomar decisões financeiras importantes sozinha, sem apoio de qualquer ferramenta ou especialista. Apenas 11% utilizam aplicativos de gestão financeira, enquanto 12% recorrem a profissionais especializados. O cenário reforça a oportunidade para soluções baseadas em inteligência artificial que auxiliem os consumidores na organização financeira de maneira simples e acessível. "A inteligência artificial tem potencial para tornar a gestão financeira mais simples e personalizada, ajudando as pessoas a organizar gastos, economizar e planejar o futuro. O papel da tecnologia é apoiar o usuário com informações relevantes, sempre preservando sua autonomia nas decisões", completa Estivariz. Inteligência Artificial integrada aos bancos ganha espaço entre os consumidores Na percepção dos consumidores, soluções integradas às instituições financeiras também ganham espaço. 26% afirmam preferir um assistente conectado diretamente ao banco, aproveitando o histórico de movimentações para oferecer recomendações mais relevantes, enquanto 28% são indiferentes ao modelo adotado, desde que a experiência funcione bem. O estudo também revela uma visão otimista sobre o impacto da tecnologia no setor financeiro. Para 73% dos entrevistados, a inteligência artificial deve transformar a relação das pessoas com o dinheiro nos próximos anos. Desse total, 39% acreditam que a mudança será profunda, enquanto 34% esperam uma transformação gradual. Apenas 27% demonstram ceticismo em relação ao potencial da tecnologia. Em 2025, o Mercado Pagou lançou o “Assistente Pessoal”, com inteligência artificial generativa, que já resolve mais de 95% das consultas dos clientes de forma autônoma. Disponível para toda a base de usuários, a ferramenta representa um marco no uso de IA no setor e permite que o usuário realize praticamente todas as funcionalidades do aplicativo de forma conversacional. Construído com tecnologia proprietária, o “Assistente Pessoal” compreende linguagem natural e interage em tempo real, por texto ou voz, para executar tarefas cotidianas de forma fluida. Funções como consultas de saldo, pagamentos, transferências via Pix e a programação de depósitos nos Cofrinhos, podem ser realizadas por meio de um simples comando. Além disso, a ferramenta pode ajudar o usuário na tomada de decisões no dia a dia com a simulação e comparação de cenários de rentabilidade, realização de projeções e a traçar planos para atingir metas financeiras

  • Nubank lidera primeiro ranking de maturidade em IA para bancos da LatAm

    O Nubank lidera o ranking geral do primeiro Evident AI Index for Banks in Latin America, desenvolvido pela plataforma de inteligência Evident para avaliar a maturidade em inteligência artificial das principais instituições financeiras da região. O Nubank conquistou o primeiro lugar impulsionado por uma das maiores concentrações de profissionais especializados em inteligência artificial entre os bancos avaliados. Segundo o índice, mais de 5% da força de trabalho da instituição atua em funções relacionadas à IA, aproximadamente três vezes acima da média dos bancos presentes no ranking latino-americano. Além disso, o Nubank ocupa a primeira posição nos pilares de Talento, Liderança e Inovação, refletindo sua elevada concentração de profissionais especializados e sua estratégia de desenvolvimento e adoção da tecnologia em larga escala. Um exemplo relevante de como o Nubank tem transformado suas capacidades avançadas em inteligência artificial em aplicações de alto impacto é o Nuformer, um modelo fundacional de IA desenvolvido para modelagem de risco e concessão de crédito. A solução reduziu o risco de crédito em 70% em comparação aos modelos anteriores, contribuindo diretamente para a estratégia do banco de ampliar o acesso ao crédito sem comprometer a qualidade de sua carteira. “Conquistar a primeira posição na América Latina no AI Index da Evident é um reconhecimento importante do quanto avançamos na adoção de inteligência artificial no Nubank. Há anos tratamos a IA como uma infraestrutura estratégica, incorporando-a à forma como desenvolvemos produtos, atendemos nossos clientes e operamos o negócio. Ver esse trabalho reconhecido por um benchmark independente da Evident, em comparação com os principais bancos da região, reflete o alto padrão que nossa equipe busca manter todos os dias”, diz Eric Young, CTO do Nubank. O levantamento também evidencia o protagonismo dos bancos brasileiros na corrida pela inteligência artificial. Sendo assim, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal e Banco Safra também se destacam no ranking, reforçando o protagonismo do Brasil na adoção de inteligência artificial no setor financeiro. O Itaú Unibanco aparece na segunda posição geral e lidera o pilar de Transparência, destacando-se pelos investimentos em governança e mecanismos de controle voltados ao uso responsável da inteligência artificial. A instituição também possui o maior número absoluto de profissionais de IA entre os bancos avaliados. O desempenho do Itaú Unibanco no ranking também reflete a escala de seus investimentos em inteligência artificial. Entre as iniciativas de destaque está a implementação de agentes de IA ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento de software. Considerada uma das maiores iniciativas coordenadas desse tipo no setor financeiro global, a solução gerou ganhos de produtividade de 30% em 75% das equipes de engenharia da instituição. O Bradesco ocupa a terceira posição geral, impulsionado por investimentos no fortalecimento de capacidades tecnológicas internas e na ampliação do uso da inteligência artificial por meio de iniciativas como a plataforma Bridge para implementação de agentes de IA e os assistentes BIA voltados a clientes e colaboradores. Essas soluções vêm apoiando a adoção da tecnologia em áreas estratégicas, como atendimento ao cliente, gestão de riscos e análise de crédito. Segundo o índice, iniciativas de análise de crédito apoiadas por inteligência artificial já contribuíram com mais de R$ 1 bilhão em receita líquida adicional para o banco. O Banco do Brasil aparece na quarta colocação, sustentado por uma estratégia baseada em escala e ampla adoção da tecnologia. Até o primeiro trimestre de 2026, a instituição reportava mais de 2 mil soluções de inteligência artificial em produção, incluindo modelos de machine learning, IA generativa e agentes autônomos. “Os resultados desta primeira edição do ranking mostram que a corrida pela inteligência artificial no setor bancário latino-americano já está em pleno andamento. As instituições líderes da região estão indo além da experimentação e começando a demonstrar como investimentos em talento, infraestrutura e governança podem gerar vantagens competitivas duradouras”, afirma Alexandra Mousavizadeh, cofundadora e CEO da Evident. Evident AI Index for Banks in Latin America Desenvolvido a partir da análise de indicadores relacionados a Talento, Inovação, Liderança e Transparência, o Evident AI Index for Banks in Latin America oferece uma visão abrangente de como os bancos latino-americanos estão incorporando a inteligência artificial às suas estratégias de negócios, operações e relacionamento com clientes. Os resultados mostram que os bancos da região estão acelerando seus investimentos em inteligência artificial e avançando da fase de experimentação para a implementação em escala, com foco crescente na geração de valor para os negócios. Segundo Mousavizadeh, o próximo desafio será transformar esses investimentos em ganhos cada vez mais tangíveis de produtividade, eficiência e crescimento. “As instituições que conseguirem desenvolver e reter essas capacidades estarão mais bem posicionadas para capturar o valor econômico da inteligência artificial nos próximos anos”, diz a executiva. Os 20 bancos avaliados empregam, em conjunto, mais de 10 mil profissionais ligados à inteligência artificial, incluindo especialistas em desenvolvimento de IA, engenharia de dados, implementação de soluções e gestão de produtos. Em média, esses profissionais representam 1,7% da força de trabalho das instituições analisadas. A disputa por talentos especializados surge como uma das principais tendências observadas no setor. O índice aponta que cidades como São Paulo, Cidade do México e Santiago vêm se consolidando como polos de desenvolvimento e atração de profissionais de IA. Ao mesmo tempo, os bancos latino-americanos enfrentam concorrência crescente por esses talentos, tanto entre si quanto com instituições financeiras globais. O indicador também mostra que a adoção da inteligência artificial na América Latina está evoluindo rapidamente para aplicações com impacto direto nos negócios. As principais iniciativas concentram-se em áreas como atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, gestão de riscos, crédito e eficiência operacional. Embora os bancos da região já reportem resultados concretos em casos específicos de uso da tecnologia, o índice aponta espaço para evolução na mensuração e divulgação pública do retorno sobre investimento (ROI) em inteligência artificial. Para a Evident, essa será uma das próximas etapas de maturidade das instituições financeiras que buscam transformar investimentos em IA em ganhos sustentáveis de produtividade, eficiência e crescimento. Ranking – Evident AI Index for Banks in Latin America Nubank Itaú Unibanco Banco Bradesco Banco do Brasil Credicorp (BCP) Bancolombia BTG Pactual Intercorp (Interbank) Banco de Crédito e Inversiones Banorte Grupo Financiero Galicia Caixa Econômica Federal Banco Davivienda Banco de Bogotá Banco de Chile BAC Banco Safra Banco Pichincha Banco de la Nación Argentina Banco del Estado de Chile Index methodology O Evident AI Index for Banks in Latin America analisa 20 instituições financeiras da região com base em dados públicos, avaliando seu nível de maturidade em inteligência artificial nos pilares de Talento, Inovação, Liderança e Transparência. Desenvolvido pela Evident, combina pesquisa especializada, monitoramento contínuo do setor e análise de indicadores relacionados à adoção e governança de IA no mercado financeiro.

  • Reforma Tributária transforma o ERP em peça-chave da adaptação das empresas

    A Reforma Tributária deixou de ser um desafio restrito às áreas fiscal e tributária para se tornar um dos maiores projetos de transformação tecnológica das empresas brasileiras. Segundo a Softtek, multinacional global de engenharia de software, a necessidade de adaptar ERPs, integrar novos processos fiscais e preparar o ambiente para o Split Payment fará da modernização dos sistemas corporativos uma prioridade estratégica nos próximos anos. A implementação do IVA Dual, composto pela CBS (federal), IBS (estadual e municipal) e Imposto Seletivo, inaugura uma transição que obrigará as organizações a operar simultaneamente dois regimes tributários até 2033. Na prática, isso significa que plataformas como o SAP precisarão processar, calcular, contabilizar e reportar duas lógicas fiscais ao mesmo tempo, elevando significativamente a complexidade tecnológica das operações. "Não estamos falando apenas de uma atualização tributária. A Reforma exige que o ERP passe a suportar novos fluxos financeiros, regras de negócio, integrações e modelos de cálculo. É uma mudança estrutural na arquitetura das empresas", afirma Victor Hugo Coutinho, Arquiteto de Soluções e Gerente de Ofertas SAP da Softtek Brasil. Split Payment muda fluxo financeiro e exige novas integrações Entre as mudanças mais relevantes está o Split Payment, previsto para entrar em vigor de forma facultativa a partir de 2027. O mecanismo altera a dinâmica da liquidação financeira ao permitir que os valores de IBS e CBS sejam separados no momento do pagamento da operação. Essa nova lógica impacta diretamente contas a pagar e receber, conciliação financeira, meios de pagamento, interfaces bancárias, processos de faturamento e integrações entre ERP, bancos e plataformas de gestão. "Não basta recalcular impostos na nota fiscal. As empresas precisarão revisar processos de tesouraria, automações financeiras e a forma como o dinheiro circula dentro da operação", explica Coutinho. SAP passa a concentrar a transformação tecnológica Para organizações que utilizam SAP, os impactos vão muito além das parametrizações fiscais. A Reforma Tributária exige revisão de cadastros mestres, classificação fiscal de produtos, processos de compras, vendas, faturamento, apuração tributária e integrações com aplicações legadas e sistemas da administração pública. Ao mesmo tempo, a descontinuação do SAP GRC NF-e acelera a necessidade de migração para o SAP DRC (Document and Reporting Compliance), plataforma que passa a concentrar as atualizações relacionadas ao novo modelo tributário. Também fazem parte da agenda tecnológica a adoção do CNPJ alfanumérico, novas estruturas de dados, adequações em tabelas críticas do ERP, reconfiguração das matrizes tributárias em FI/CO e atualização de documentos fiscais. "Tratar esse conjunto de mudanças como pequenas adaptações de TI é um erro. Estamos diante de uma transformação que envolve tecnologia, finanças e estratégia de negócios ao mesmo tempo", afirma Coutinho. Janela para preparação começa a se fechar A Softtek recomenda que as empresas iniciem imediatamente um diagnóstico de seus ambientes tecnológicos para avaliar a versão do ERP utilizada, a qualidade dos dados mestres, o nível de customizações, as integrações existentes e os impactos sobre os processos financeiros. A preparação antecipada é considerada essencial para atender aos marcos da implementação da Reforma Tributária, como a obrigatoriedade de novos campos relacionados a IBS e CBS e a entrada em vigor da CBS em janeiro de 2027. "O tempo para agir é agora. Quanto mais tarde as empresas iniciarem essa preparação, maior será o risco de interrupções operacionais, retrabalho e aumento dos custos de adaptação", conclui Coutinho.

  • Pagamentos locais são decisivos para o sucesso internacional de empresas digitais

    Em um cenário cada vez mais globalizado, empresas que expandem suas operações para novos mercados costumam concentrar esforços em localização de idioma, logística, marketing e adaptação de produtos. No entanto, um elemento continua sendo frequentemente subestimado: a forma como os consumidores pagam. Ao analisar as tendências globais de pagamentos digitais, revela-se que a ausência de métodos de pagamento locais está entre as principais causas de perda de conversão em mercados digitais de rápido crescimento, especialmente na Ásia-Pacífico (APAC), Oriente Médio e Norte da África (MENA). O mesmo raciocínio se aplica ao Brasil, que nos últimos anos se tornou um dos casos mais emblemáticos de transformação dos hábitos de pagamento. A ascensão do Pix mudou radicalmente a forma como os consumidores brasileiros realizam compras online e offline. Segundo dados do Banco Central, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no país durante o segundo semestre de 2025, ultrapassando amplamente os cartões de crédito, débito e pré-pagos, que representaram 30,4% do total das operações. Além disso, foram registradas 42,9 bilhões de transações via Pix no período, movimentando parte significativa dos R$ 68,2 trilhões processados pelo sistema financeiro brasileiro. A relevância do sistema também se reflete no comércio eletrônico. De acordo com o Global Payments Report 2026, o Pix já representa 42% do valor transacionado nas compras online no Brasil, consolidando-se como uma das principais infraestruturas de pagamento digital do mundo. "Hoje, entrar no mercado brasileiro sem oferecer Pix é comparável a entrar na Indonésia sem aceitar GoPay ou na Arábia Saudita sem oferecer Mada. O método de pagamento deixou de ser apenas uma etapa operacional para se tornar parte essencial da experiência do consumidor", afirma Gabriel Tierno, Gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Juspay, plataforma líder em orquestração de pagamentos. O novo comportamento do consumidor brasileiro A popularização dos pagamentos instantâneos transformou as expectativas dos consumidores. Velocidade, simplicidade e liquidação em tempo real passaram a ser requisitos básicos para a conclusão de uma compra. O próprio Banco Central aponta que o Pix se tornou o principal meio de pagamento do país e já é utilizado por quase 179 milhões de usuários, entre pessoas físicas e jurídicas. Em dezembro de 2025, o sistema bateu um novo recorde ao processar mais de 313 milhões de transações em apenas um único dia, movimentando R$ 179,9 bilhões. Além das transferências entre pessoas, o uso comercial da ferramenta cresce rapidamente. Dados do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central mostram que as transações entre consumidores e empresas já superaram as transferências entre pessoas físicas, evidenciando a consolidação do Pix como ferramenta de pagamentos no varejo. Essa mudança de comportamento traz implicações relevantes para empresas nacionais e internacionais que operam no Brasil. "Oferecer as opções de pagamento que os consumidores realmente utilizam é fundamental para maximizar a conversão. Quando essa expectativa não é atendida no checkout, o risco de abandono cresce consideravelmente. Muitas empresas ainda interpretam essa perda como uma questão de preço ou de experiência de compra, sem identificar que a principal barreira pode estar justamente na falta de métodos de pagamento adequados", acrescenta Tierno. O desafio da expansão internacional O fenômeno observado no Brasil se repete em diversos mercados globais. Na Indonésia, carteiras digitais como GoPay, OVO e DANA dominam as transações digitais. No Japão, pagamentos em lojas de conveniência (konbini) continuam sendo amplamente utilizados para compras online. Já na Arábia Saudita, o sistema Mada responde pela maior parte dos pagamentos domésticos. Para empresas que desejam operar globalmente, atender às preferências locais exige integração tecnológica, adequação regulatória e relacionamentos com instituições financeiras regionais. Nesse contexto, cresce a adoção de plataformas de orquestração de pagamentos como a Juspay, que permitem às empresas conectar-se a múltiplos métodos de pagamento por meio de uma única integração tecnológica. O modelo reduz custos operacionais, acelera a entrada em novos mercados e simplifica o atendimento às exigências regulatórias locais, que vêm se tornando mais rigorosas em diversas regiões. O futuro dos pagamentos passa pela localização O Brasil oferece um exemplo claro de como a infraestrutura de pagamentos pode redefinir a dinâmica competitiva de um mercado. A evolução contínua do Pix, com funcionalidades como Pix Automático para pagamentos recorrentes e Pix Parcelado para compras financiadas, amplia ainda mais sua relevância no comércio eletrônico e nos serviços digitais. À medida que consumidores passam a priorizar experiências de pagamento rápidas, simples e adaptadas à realidade local, empresas que tratarem a localização de pagamentos como uma prioridade estratégica tendem a conquistar vantagens competitivas significativas. Mais do que uma questão tecnológica, a escolha dos meios de pagamento tornou-se um fator determinante para conversão, retenção de clientes e expansão internacional.

  • 4 tecnologias que estão mudando o financeiro das empresas brasileiras em 2026

    Durante muito tempo, as áreas técnicas e financeiras foram vistas como estruturas focadas em controle, compliance e fechamento de números. Hoje, em um ambiente econômico marcado pela pressão sobre margens e busca por crescimento sustentável, o backoffice passou a exigir tecnologias capazes de automatizar processos e apoiar decisões mais estratégicas. Não à toa, 87% dos executivos financeiros afirmam que o principal foco para os próximos anos será melhorar resultados e margens, enquanto 85% apontam ganhos de produtividade como prioridade, segundo a edição 2025 do CFO Survey, da Deloitte. A seguir, acompanhe as principais tecnologias que estão ditando o ritmo do financeiro corporativo ao longo de 2026: Cartões Corporativos Inteligentes E se cada gasto da sua empresa já nascesse com regras definidas, sem reembolsos e conciliação manual no fim do manual no fim do mês? Com os Cartões Inteligentes da Conta Simples é possível emitir múltiplos cartões virtuais por projeto, centro de custo ou ferramenta, com o controle e governança acontecendo antes mesmo da transação. O resultado? Até 21 horas semanais de trabalho manual poupadas das equipes financeiras. MCPs e agentes financeiros conectados aos sistemas da empresa De acordo com a 2ª edição do Panorama da Gestão de Despesas, estudo realizado pela Conta Simples em parceria com a Visa, 49% das empresas brasileiras já usam IA, mas apenas 13% confiam nela quando o assunto é dinheiro. O motivo? A falta de uma infraestrutura financeira construída para isso. Mas hoje, com o MCP (Model Context Protocol) as empresas podem conectar ferramentas de IA como Claude à plataforma da Conta Simples com rastreabilidade total e reduzir em até 90% o tempo de fechamento mensal, de 50 para cerca de 3 a 5 minutos. E para quem quer ir além, o "Faça Seu Agente" permite criar agentes personalizados que executam tarefas financeiras dentro das regras e limites que a própria empresa define. Soluções antifraude integradas e com apoio de IA Em um cenário em que ataques cibernéticos cresceram 89% em 2025, segundo a CrowdStrike, a Certta, um hub de verificação inteligente, lança o Flow e o Hubby, novas soluções voltadas à gestão antifraude em tempo real. As tecnologias permitem que gestores de risco criem e alterem regras de segurança em minutos, sem depender de equipes técnicas. Enquanto o Flow centraliza jornadas de verificação, testes e decisões antifraude em um ambiente visual e flexível, o Hubby atua como um agente de inteligência artificial capaz de configurar fluxos, analisar dados e sugerir melhorias automaticamente. A novidade chega ainda em um momento em que apenas 37% das empresas se consideram preparadas para usar IA com segurança, de acordo com o Global Cybersecurity Outlook 2025, do Fórum Econômico Mundial, reforçando a necessidade de soluções que combinem autonomia, velocidade e inteligência para responder às fraudes cada vez mais sofisticadas impulsionadas pela tecnologia. Automação e eficiência na gestão tributária Diante das constantes mudanças na legislação brasileira e dos desafios trazidos pela Reforma Tributária, que terá implementação gradual até 2033, a automação da gestão fiscal se tornou um fator estratégico para as empresas. Nesse contexto, soluções da Systax, como o Vertex O Series, se destacam por automatizar a determinação tributária em tempo real, garantindo maior precisão nos cálculos e reduzindo riscos de erros manuais Integrado ao SAP S/4HANA, o motor de cálculo centraliza regras fiscais complexas, facilita a atualização diante de mudanças regulatórias e assegura maior conformidade tributária em diferentes operações e localidades.

  • Brasil se consolida como referência regional em personalização financeira, aponta pesquisa

    A Galileo Financial Technologies, plataforma de tecnologia financeira do grupo SoFi Technologies (NASDAQ: SOFI), divulgou os resultados do seu Galileo Adaptive Banking Report, que mostra que o Brasil entrou oficialmente em uma nova fase de personalização no setor financeiro. Enquanto boa parte da América Latina ainda luta com desafios básicos de infraestrutura e de prevenção a fraudes, o país já deu um passo à frente e voltou sua atenção para a experiência do usuário. A pesquisa ouviu 337 CTOs e CIOs de empresas da região e revelou uma vantagem expressiva do Brasil nesse quesito: 50% das empresas brasileiras já alcançaram um nível avançado de personalização, quase duas vezes e meia a média latino-americana, de 21,1%. Experiência do cliente já disputa espaço com segurança entre as prioridades Esse é um dos pontos que mais chamam a atenção no estudo: diferentemente do restante da região, as empresas brasileiras não tratam mais a segurança como o único grande desafio. Em mercados como o México, a fraude ainda lidera, isoladamente, como a principal preocupação dos clientes (50,9%). No Brasil, porém, experiência do cliente e personalização (35,9%) já empataram com fraude e segurança (35,9%) no topo da lista. Essa mudança tem tudo a ver com a rapidez com que o país adotou tecnologias em tempo real depois do sucesso do Pix. Hoje, 82,6% das empresas brasileiras já enxergam os serviços financeiros em tempo real como fonte direta de receita, bem acima da média regional, de 53,7%. A velocidade das transações e das transformações Grande parte da região ainda está concentrada na fase de "proteção e controle" do banking digital, com 84,3% das empresas priorizando dados em tempo real principalmente para o combate a fraudes. O Brasil, no entanto, já avança para o que o relatório chama de Adaptive Banking, um modelo que permite ajustar a infraestrutura e a experiência do cliente em tempo real, sem abrir mão do controle operacional. Referência regional em inovação contínua Essa liderança do Brasil se apoia em uma base técnica mais madura, que permite lançamentos mais rápidos e ciclos de melhoria mais curtos: Lançamentos contínuos: uma em cada quatro empresas brasileiras (25%) testa e lança novos serviços de forma contínua, quase o dobro do México (14,5%) e quatro vezes mais que a Colômbia (6,2%). Resposta rápida ao usuário: 31,5% das empresas brasileiras conseguem transformar feedback dos usuários em melhorias reais no produto em menos de 10 dias, muito à frente do México (16,4%) e da Argentina (3,7%). Confiança no crescimento: 63% das empresas no Brasil acreditam que sua infraestrutura seria capaz de escalar de forma permanente em até sete dias, mais do que o dobro da média regional (29,7%). O caminho daqui para frente é o crescimento adaptativo Apesar de toda essa vantagem, ainda existem obstáculos: 25% das empresas brasileiras apontam a infraestrutura legada como uma barreira para inovar mais rápido. Para manter essa liderança, o relatório reforça a importância de integrar as áreas de produto, TI e risco em um único ambiente de dados, o que permite transformar sinais em tempo real em valor comercial imediato. Principais destaques do Brasil 50% das empresas já atingiram um nível avançado de personalização (contra 21,1% na média da América Latina) 35,9% dos usuários apontam experiência do cliente/personalização como principal preocupação, empatado com fraude 82,6% veem os serviços em tempo real como fonte direta de receita 31,5% conseguem implementar melhorias pedidas pelos usuários em menos de 10 dias 52,2% apontam finanças incorporadas (embedded finance) como o principal motor de crescimento futuro

  • Invisibilidade bancária: Como o Pix se tornou o passaporte das classes C e D para o mercado de crédito

    Historicamente, milhões de trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores das classes C e D viveram à margem do Sistema Financeiro Nacional. Sem uma carteira de trabalho assinada ou um comprovante de renda formal, essa parcela expressiva da população esbarrava na barreira de falta de dados. Com ausência de registros de suas movimentações financeiras, que ocorriam majoritariamente na informalidade das cédulas de papel, eles eram, muitas vezes, considerados "inexistentes" para os modelos tradicionais de análise de risco das instituições bancárias. Esse cenário de exclusão, conhecido como invisibilidade bancária, começou a desmoronar com a consolidação do Pix como o principal motor de bancarização do país. Ao transformar o hábito diário de pagamento e recebimento, o ecossistema de pagamentos instantâneos funcionou como uma espécie de passaporte para o mercado de consumo e, consequentemente, para o de crédito formal. Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil apontam que, no início de 2026, o número de pessoas físicas que utilizam a ferramenta superou a marca de 170 milhões de cidadãos, o que representa cerca de 80% da população do país. Já nas classes C e D, esse impacto é ainda mais avassalador, com mais de 90% dos consumidores utilizando o mecanismo diariamente para gerenciar desde as compras básicas de supermercado até o faturamento de pequenos negócios informais. O rastro digital que substitui o holerite A grande virada de chave desse fenômeno reside na criação automática de um rastro de dados financeiros. Quando um vendedor ambulante, uma manicure ou um motorista de aplicativo substitui o papel-moeda pelo recebimento via chaves Pix, cada transação deixa de ser um ato isolado e passa a compor um extrato eletrônico robusto e auditável. As ferramentas de inteligência artificial e os algoritmos de análise de risco das instituições financeiras e fintechs agora conseguem ler esse fluxo contínuo de entradas e saídas. A partir dessa digitalização reforçada pelo hábito, as empresas do setor passam a enxergar com clareza a real capacidade de pagamento desses clientes, mapeando a regularidade de seus ganhos e a saúde de seus compromissos financeiros. Esse novo panorama redesenhou a concessão de crédito pessoal e microcrédito no país. Marco Afonso, executivo de Negócios da Simplic, fintech especializada em crédito pessoal 100% online, avalia que “o comportamento do consumidor mudou porque agora ele tem como provar o próprio esforço financeiro. O Pix deu visibilidade para quem sempre trabalhou honestamente, mas não tinha como colocar isso no papel, pois ao trazer a movimentação para o ambiente digital, o cidadão comum ganha uma identidade financeira e abre as portas para as avaliações de crédito.” Planejamento doméstico e dignidade financeira O reflexo prático dessa inclusão se faz notar de forma direta na organização do orçamento doméstico. Segundo o especialista, “com o extrato bancário digitalizado e centralizado nos aplicativos de celular, as famílias das classes C e D ganharam maior previsibilidade e controle sobre suas finanças. O monitoramento em tempo real dos gastos mitigou o uso de linhas de financiamento emergenciais de altíssimo custo, como o cheque especial, abrindo espaço para um planejamento de médio prazo focado no empreendedorismo ou na conquista de bens duráveis. A possibilidade de acessar o crédito formal de maneira consciente transformou a relação dessa população com o dinheiro, substituindo a vulnerabilidade da sobrevivência diária por ferramentas reais de emancipação econômica”, explica. Essa nova engrenagem de consumo e financiamento ganha ainda mais tração à medida que o Banco Central aprimora as funcionalidades do sistema, a exemplo da expansão do Pix Automático e das transações por aproximação consolidadas ao longo de 2025. O volume total movimentado pela ferramenta atingiu patamares inéditos, ultrapassando os 3 trilhões de reais em períodos de pico de atividade econômica, conforme dados consolidados pelo Banco Central. Essa liquidez demonstra que o arranjo de pagamento transformou completamente a economia popular. O futuro do crédito e a próxima fronteira do consumo O amadurecimento desse ecossistema indica que o combate à invisibilidade bancária é um caminho sem volta, cujo principal ganho é a democratização do acesso aos recursos financeiros com base em dados reais e não em garantias patrimoniais. Para Afonso, “o acesso ao crédito com base no histórico do Pix representa uma evolução na dignidade financeira do brasileiro. O crédito consciente serve como um fôlego para o trabalhador, e o fato de o sistema bancário conseguir enxergar esse cliente por meio de suas movimentações diárias humaniza a esteira de aprovação e injeta uma nova força produtiva no mercado nacional”. Com a entrada em operação do Pix Parcelado, essa tendência se fortalece. A nova modalidade, que deve ser regulamentada pelo Banco Central, promete ser uma alternativa de crédito para o varejo, especialmente em compras de maior valor. “Há um oceano de oportunidades no crédito via Pix, mas ele precisa ser usado com responsabilidade. A ideia é dar ferramentas para que a pessoa organize sua vida financeira, não que ela se perca em dívidas. O histórico de pagamentos via Pix é um termômetro muito preciso da saúde financeira, e usá-lo a favor do consumidor é a chave para uma inclusão verdadeira”, conclui.

  • Custódia de Bitcoin vai além da compra e define quem realmente controla os ativos digitais

    Comprar Bitcoin é apenas o começo da jornada de um investidor. A etapa mais importante vem logo depois da compra: entender quem possui o controle das chaves privadas responsáveis por movimentar os ativos na blockchain. O tema ganhou novo destaque após o Annual Economic Report 2026, do Banco de Compensações Internacionais (BIS), reforçar conceitos sobre modelos de custódia que também se aplicam ao mercado de criptoativos. Para Clerverson Pereira, Head Educacional da OnilX, a discussão evidencia uma dúvida que ainda acompanha milhares de investidores: afinal, o que realmente acontece depois que alguém compra um Bitcoin? Embora o relatório do BIS tenha como foco principal as stablecoins e a confiança no sistema monetário internacional, o documento diferencia dois modelos fundamentais de armazenamento de ativos digitais: as carteiras custodiais (hosted wallets), administradas por terceiros, e as carteiras de autocustódia (unhosted wallets), nas quais o próprio usuário controla as chaves privadas. Segundo Clerverson, essa distinção é o ponto de partida para compreender como funciona a propriedade dos ativos digitais. "Muitas pessoas acreditam que comprar Bitcoin significa automaticamente assumir o controle sobre ele. Na prática, isso depende de quem possui as chaves privadas. Enquanto os ativos permanecem custodiados por uma exchange, normalmente é essa empresa que tem o controle criptográfico necessário para autorizar as transações. A compra representa a propriedade econômica; a custódia define quem realmente consegue movimentar os bitcoins", explica. Na prática, quando um investidor realiza uma compra em uma corretora de criptomoedas, o saldo costuma ser registrado internamente pela plataforma. Isso significa que o usuário visualiza seus bitcoins na conta, mas as chaves privadas continuam sendo administradas pela infraestrutura da exchange. Somente quando o investidor solicita a transferência para uma carteira própria, ocorre uma transação efetiva na blockchain, passando o controle técnico dos ativos para o titular da carteira. Essa diferença, aparentemente simples, separa dois conceitos que frequentemente são confundidos: comprar e custodiar. Enquanto a compra representa uma operação financeira de aquisição do ativo, a custódia envolve todos os mecanismos responsáveis pela proteção das chaves privadas, autorização de transações, recuperação de acesso e gerenciamento da segurança digital. "A pergunta mais importante não é onde o Bitcoin está armazenado, mas quem pode assiná-lo criptograficamente. Quem controla as chaves privadas controla a capacidade de movimentar os ativos. Esse entendimento é essencial para que o investidor escolha conscientemente entre confiar essa responsabilidade a uma instituição ou assumir a própria custódia", afirma Pereira. Cada modelo apresenta vantagens e desafios distintos. Nas exchanges, o usuário conta com estruturas profissionais de segurança, sistemas de monitoramento, recuperação de acesso e suporte operacional. Em contrapartida, também assume riscos inerentes à dependência de terceiros, como indisponibilidade de serviços, ataques cibernéticos, bloqueios de contas ou eventuais problemas jurídicos envolvendo a instituição custodiante. Já a autocustódia elimina parte desses riscos institucionais, mas transfere integralmente ao investidor a responsabilidade pela proteção do patrimônio digital. Isso inclui armazenar corretamente as chaves privadas e a frase de recuperação, manter backups seguros, proteger dispositivos contra ataques, adotar autenticação multifator e planejar mecanismos de sucessão patrimonial. "A autocustódia oferece autonomia, mas também exige responsabilidade. Se uma pessoa perde a frase de recuperação e não possui outra forma de restaurar a carteira, os bitcoins continuam existindo na blockchain, porém deixam de ser acessíveis. Não existe um administrador central capaz de recuperar essas informações", ressalta. O especialista destaca ainda que grande parte dos incidentes envolvendo perdas de criptoativos não está relacionada a falhas na tecnologia do Bitcoin, considerada uma das infraestruturas criptográficas mais robustas do mundo, mas sim a erros humanos. Golpes de phishing, aplicativos falsificados, engenharia social, reutilização de senhas, exposição da frase de recuperação e armazenamento inadequado de backups continuam entre as principais causas de perdas financeiras. Nesse cenário, compreender a diferença entre chave privada, frase de recuperação, senha e endereço público torna-se parte fundamental da educação financeira voltada aos ativos digitais. A chave privada é utilizada para assinar transações; a frase de recuperação permite reconstruir a carteira; a senha normalmente protege apenas o acesso ao dispositivo ou aplicativo; e o endereço público serve exclusivamente para receber bitcoins. O debate também ganha importância diante do avanço da regulamentação brasileira dos ativos virtuais. A Lei nº 14.478/2022 estabeleceu diretrizes para os prestadores de serviços de ativos virtuais, incluindo atividades relacionadas à custódia. Posteriormente, o Decreto nº 11.563/2023 atribuiu ao Banco Central do Brasil a competência para regulamentar e supervisionar essas empresas, reforçando a necessidade de transparência sobre quem administra os ativos dos clientes e quais mecanismos de proteção são adotados. Para Clerverson Pereira, o amadurecimento do mercado passa necessariamente pelo fortalecimento da educação dos investidores. Segundo ele, compreender como funciona a custódia é tão importante quanto conhecer o comportamento do preço do Bitcoin. "Antes de escolher uma plataforma ou uma carteira, o investidor deve entender exatamente quem controla as chaves privadas, quais mecanismos de segurança existem, como funciona a recuperação de acesso e quais responsabilidades permanecem com o usuário. A custódia deixou de ser um detalhe técnico e passou a fazer parte da estratégia de proteção patrimonial de qualquer pessoa que investe em ativos digitais", conclui.

  • Fintechs e contas digitais atraem intenção de investimento de 84% dos brasileiros bancarizados, aponta pesquisa

    Fintechs e contas digitais vêm ampliando sua relevância na vida financeira dos brasileiros não apenas para a realização de transações do dia a dia, mas também quando o assunto é investimento. Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva, encomendado pela 99Pay, conta digital da 99, mostra que 8 em cada 10 brasileiros afirmam que investiram por meio dessas instituições. A confiança é ainda maior entre aqueles que têm conta principal em bancos digitais e fintechs, para esse grupo, a disposição para investir por meio dessas instituições chega a 95%. Entre os jovens de 18 a 29 anos, o percentual chega a 87%, mesmo índice observado entre os brasileiros da classe C. O levantamento também revela que instituições financeiras digitais têm ampliado a presença no cotidiano dos brasileiros em decisões ligadas à organização financeira e ao planejamento de longo prazo. Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados concordam que as fintechs e os bancos digitais ampliaram as opções de investimentos disponíveis para os brasileiros. Na avaliação dos respondentes, essas instituições vêm consolidando sua presença em decisões relacionadas à organização financeira e ao planejamento de longo prazo, à medida que tornam produtos e serviços de investimento mais acessíveis e integrados à rotina dos usuários. “A evolução das fintechs nos últimos anos transformou a relação do brasileiro com o dinheiro, desmistificando a ideia de que fazer o dinheiro crescer é algo complexo. Ao eliminar burocracias e entregar soluções simples, integradas ao cotidiano e alinhadas às necessidades reais do consumidor, expandimos a confiança dos usuários para além de transações básicas. Esse amadurecimento torna o ecossistema financeiro muito mais inclusivo, acessível e presente no dia a dia ”, explica Marcelo Higuchi, gerente sênior de estratégia da 99Pay. A pesquisa contou com a participação de 1.800 brasileiros bancarizados, com idades entre 18 e 65 anos, de todas as regiões do país. As entrevistas foram realizadas entre 31 de outubro e 14 de novembro de 2025.

  • Novas regras do Banco Central aceleram profissionalização das exchanges e fortalecem mercado brasileiro de criptoativos

    As novas regras do Banco Central para as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) estão consolidando uma nova fase para o mercado brasileiro de criptoativos. Embora as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521/2025 já estejam em vigor, seus efeitos continuam sendo percebidos por exchanges, investidores e empresas que atuam no ecossistema de ativos virtuais. Na avaliação de especialistas, a regulamentação representa o amadurecimento de um setor que abandona um cenário de baixa padronização regulatória e passa a operar sob critérios semelhantes aos adotados para instituições financeiras. Baseado na Lei nº 14.478/2022 e no Decreto nº 11.563/2023, o novo marco regulatório atribuiu ao Banco Central a competência para autorizar, regular e supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais. Na prática, empresas que oferecem serviços relacionados a criptoativos passam a operar sob um regime permanente de fiscalização, com exigências de governança corporativa, controles internos, gestão de riscos, prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, segurança operacional e prestação contínua de informações ao regulador. Para Pedro Torres, Head Jurídico da OnilX, a principal mudança está na transformação estrutural do mercado. "A exchange que atua no Brasil deixa de operar apenas com base em modelo contratual, tecnologia e relacionamento comercial com seus clientes e passa a estar sujeita a um regime regulatório próprio, com autorização, supervisão e obrigações permanentes. A prestação de serviços com ativos virtuais passa a exigir estrutura compatível com uma atividade de relevância financeira. O impacto não é meramente burocrático: a regulamentação redefine quais empresas possuem capacidade técnica, jurídica e operacional para atuar nesse mercado”. Na avaliação do especialista, a regulamentação reduz uma das principais barreiras ao desenvolvimento do setor: a insegurança jurídica. Ao estabelecer critérios objetivos sobre quais atividades dependem de autorização, quais controles são exigidos das empresas e quais responsabilidades recaem sobre as prestadoras de serviços, o novo modelo regulatório cria um ambiente mais previsível para todos os participantes do mercado. “Esse avanço tende a fortalecer a confiança não apenas dos investidores, mas também de bancos, instituições financeiras, fintechs, parceiros comerciais e empresas que utilizam ativos virtuais em suas operações. Em um segmento historicamente marcado por assimetria de informações e elevada percepção de risco, regras claras e supervisão estatal contribuem para diferenciar empresas estruturadas de operadores informais e aumentar a credibilidade do ecossistema”, destaca o especialista. Além de elevar a segurança jurídica, a regulamentação traz impactos diretos para a operação das exchanges. A obtenção de autorização para atuar como PSAV, os investimentos em compliance, auditoria, estrutura jurídica, tecnologia, segurança cibernética e controles internos passam a fazer parte da rotina das empresas. Embora isso represente aumento dos custos regulatórios, especialmente para organizações de menor porte, o novo cenário também cria oportunidades para quem estiver preparado. "A elevação do padrão regulatório reduz o espaço para operadores sem capacidade técnica, financeira ou reputacional para lidar com uma atividade dessa relevância. Ao mesmo tempo, fortalece empresas estruturadas, favorece parcerias com bancos, instituições de pagamento, fintechs e grupos financeiros e cria uma competição mais saudável. Inovação, segurança operacional e responsabilidade regulatória passam a caminhar juntas", afirma Torres. Outro efeito relevante está na ampliação da proteção aos consumidores. As normas estabelecem padrões mais elevados de transparência, governança e rastreabilidade das operações, além de reforçarem mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. As exchanges também passam a responder por controles mais rigorosos sobre segurança das informações e identificação de usuários, inclusive em operações envolvendo carteiras autocustodiadas. A Resolução BCB nº 521 também trouxe novas diretrizes para operações internacionais com ativos virtuais, incorporando determinadas transações ao mercado de câmbio. Entre elas estão pagamentos e transferências internacionais realizados com criptoativos, utilização internacional de cartões e operações com ativos referenciados em moeda fiduciária, além da vedação da compra ou venda de ativos virtuais com pagamento ou recebimento em moeda estrangeira. Para o advogado, essas medidas aproximam o Brasil das principais tendências internacionais de regulamentação dos ativos virtuais. "Os ativos virtuais são, por natureza, transnacionais. Quanto maior a compatibilidade regulatória entre diferentes jurisdições, maior a integração com bancos, fintechs, empresas globais e estruturas internacionais de pagamento, liquidação, custódia e transferência de valor. O Brasil passa a dialogar com mercados que já incorporaram os ativos virtuais à infraestrutura financeira”, explica o especialista. Esse alinhamento reforça a posição do país como um dos principais mercados de ativos virtuais da América Latina. Segundo Pedro Torres, o Brasil já responde por aproximadamente um terço do volume de ativos virtuais movimentados na região e reúne condições para ampliar esse protagonismo ao combinar escala de mercado, inovação tecnológica e sofisticação regulatória. "O Brasil não está tentando entrar nesse mercado agora. O país já ocupa posição de liderança regional. A regulamentação fortalece esse protagonismo porque oferece contornos institucionais a um setor que já demonstrava relevância econômica e amplia as possibilidades de integração com o sistema financeiro nacional e internacional", observa. Na avaliação do especialista, os benefícios também chegam ao consumidor. A tendência é que o novo ambiente regulatório ofereça maior transparência sobre quem presta os serviços, quais responsabilidades as empresas assumem e quais mecanismos de proteção existem. Esse cenário favorece o desenvolvimento de novos produtos, amplia a confiança dos usuários e cria condições para que os ativos virtuais sejam incorporados de forma cada vez mais segura ao cotidiano de pessoas e empresas. Para organizações interessadas em ingressar ou ampliar operações no mercado brasileiro de criptoativos, o novo marco regulatório também deixa uma mensagem clara: inovação e conformidade regulatória passam a ser indissociáveis. "O mercado brasileiro continua aberto à inovação, mas a fase da informalidade regulatória ficou para trás. Empresas que desejam crescer precisarão incorporar governança, compliance, tecnologia, segurança e relacionamento permanente com o Banco Central como elementos centrais do modelo de negócio. A regulamentação deve ser compreendida como um processo contínuo de evolução. Para empresas sérias, ela representa uma oportunidade de crescimento sustentável em um mercado cada vez mais maduro e confiável", conclui Torres.

  • Núclea anuncia acordo para aquisição da empresa Data Rudder

    A Núclea, referência em infraestrutura tecnológica para o sistema financeiro nacional, anuncia um acordo para a aquisição da Data Rudder, empresa especialista em soluções de prevenção a fraudes. O movimento estratégico tem como objetivo ampliar a recuperação de valores desviados e fortalecer a resposta do mercado financeiro a incidentes em meios de pagamento no Brasil. A transação está pendente agora de aprovação pelo Banco Central. Com o acordo para a aquisição de 100% da operação, a Núclea visa expandir a sua atuação em antifraude e Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo - PLDFT por meio de inteligência de dados e infraestrutura operacional para apoiar instituições financeiras em processos mais coordenados. Ao integrar a robustez de dados com a expertise em prevenção da Data Rudder, a companhia quer eliminar o elo mais crítico no processo da fraude: o tempo entre a identificação do golpe e o bloqueio de ativos. O objetivo é reduzir drasticamente essa janela de exposição de forma a impedir que os recursos sejam desviados antes de qualquer ação criminosa, assim como aumentar a taxa de recuperação de valores. "Ao completarmos 25 anos de história, seguimos olhando para o futuro e investindo na evolução do nosso negócio. A chegada da Data Rudder fortalece a nossa estratégia de expandir a atuação da Núclea em soluções que geram mais segurança, inteligência e eficiência para o mercado financeiro como um todo, ampliando nossa capacidade de inovar e apoiar a transformação do setor. Avançamos como um negócio responsável e sustentável, incrementando a nossa competitividade sistêmica ao longo da cadeia de valor, gestão de riscos e apoio na mitigação de fraudes para o ecossistema, gerando benefícios reais para a sociedade brasileira", declara André Daré, CEO da Núclea. “Fraudes, lavagem de dinheiro, golpes e contas laranja que recebem milhões em poucas horas e dissipam o dinheiro em minutos, tudo isso acontece porque cada instituição vê apenas uma pequena parte do problema. Ao integrar a nossa inteligência antifraude com a volumetria de trilhões de reais que passam pela Núclea todos os meses, você não protege apenas transações, protege todo o sistema financeiro”, afirma Rafaela Helbling, CEO da Data Rudder. A união entre as duas empresas busca aumentar a eficiência do ecossistema financeiro, com potencial para elevar a taxa de recuperação mensal para até 46% das solicitações. O número representa um salto significativo frente ao patamar atual do mercado, em que menos de 10% das contestações resultam em devolução efetiva ao usuário. Histórico de sucesso de olho no futuro Fundada em 2020 por Rafaela Helbing e Thais Nolasco, em Florianópolis (SC), a Data Rudder é responsável pelo monitoramento de cerca de R$ 40 bilhões por mês em transações e atende diretamente mais de 200 instituições, incluindo 60% dos maiores players de banking as a service (BaaS) do país. Entre os produtos que passam a fazer parte do portfólio da Núclea, após a conclusão do negócio, estão o DeLorean Antifraude Pix (solução de monitoramento em tempo real de transações via Pix), o DeLorean Antifraude Transacional (sistema de análise comportamental multicanal voltado a transações via TED, boleto e cartão), o Watchlist (plataforma de rede colaborativa que consolida indícios de fraude em operações com cartões), o DataBusters (ferramenta de interoperabilidade em conformidade com a Resolução Conjunta nº 6 do Banco Central que facilita o envio e cruzamento de indícios de fraude entre instituições financeiras) e o Monitora PLD (solução para monitoramento de lavagem de dinheiro com foco em movimentações atípicas e relacionamentos suspeitos em conformidade com as exigências do COAF). “O enfrentamento ao crime financeiro exige coordenação entre os participantes do ecossistema. Ao integrar capacidades e estruturar o fluxo de informações, ampliamos a eficiência da infraestrutura de contestação e contribuímos para um sistema mais resiliente e colaborativo”, explica André Daré. “Fraude é um fenômeno dinâmico e interconectado. Nesse novo momento, ao combinar inteligência transacional com fluxos estruturados de recuperação, ampliamos a capacidade de prevenção e aumentamos a efetividade das ações, com base em dados e análise integrada do ecossistema”, complementa Rafaela Helbling. Com a aprovação do Banco Central, todos os colaboradores e sistemas serão integrados à Núclea de forma gradativa com foco na continuidade dos negócios, preservação das equipes e captura das oportunidades geradas pela união das empresas. As fundadoras Rafaela Helbing e Thais Nolasco seguirão exercendo papel importante de liderança na condução do negócio e na integração entre as empresas.

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