Brasil já tem a infraestrutura pronta para liderar o futuro do dinheiro digital
- Fincatch

- há 2 dias
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A discussão sobre o futuro do dinheiro costuma se concentrar nos grandes centros financeiros globais. No entanto, poucos países estão, na prática, tão preparados para essa transição quanto o Brasil. A avaliação é de Rocelo Lopes, Chief of Digital Currency Initiative da Rezolve AI.
Segundo ele, a combinação entre pagamentos instantâneos, alta digitalização bancária e um ambiente regulatório sofisticado colocou o país em posição privilegiada na corrida pela nova infraestrutura financeira global. “O Brasil construiu, com o Pix, uma das infraestruturas de pagamento mais eficientes do mundo. Isso não é apenas inovação tecnológica, é capacidade institucional e operacional para liderar transformações estruturais no sistema financeiro”, afirma Rocelo.
O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central consolidou o país como referência internacional em liquidação em tempo real. Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório brasileiro — considerado um dos mais complexos do mundo — acabou se tornando um diferencial estratégico. “Se uma solução financeira consegue operar dentro do ambiente regulatório brasileiro, ela tende a estar preparada para funcionar em praticamente qualquer outro mercado”, destaca.
Foi nesse contexto que nasceu a Truther, carteira digital que integrou, de forma prática, blockchain, stablecoins e o sistema financeiro tradicional via Pix. O Brasil funcionou como laboratório de inovação para testar a integração entre autocustódia, tokenização e pagamentos instantâneos em escala real.
A experiência acumulada levou à decisão estratégica de reorganizar a operação cripto, mantendo o Brasil como base operacional e levando a estrutura internacional para El Salvador — país que se consolidou como um dos ambientes mais favoráveis à expansão global de ativos digitais. “O Brasil foi nosso laboratório. El Salvador é a plataforma de escala global”, resume Rocelo.
O modelo defendido pela Rezolve AI e implementado na Truther parte de um conceito central: tokenização do depósito fiduciário. Quando um valor em moeda local entra em conta, ele é instantaneamente convertido em token com as informações regulatórias associadas. Quando sai, o token é queimado.
Esse mecanismo cria um sistema de emissão e circulação controladas, com auditoria simplificada e maior transparência. Basta comparar o saldo em conta com a quantidade de tokens emitidos para verificar a integridade do sistema. “O que estamos construindo não é apenas uma solução de pagamento, mas uma nova infraestrutura do dinheiro”, afirma Rocelo.
A proposta evolui para um modelo de banco global baseado em stablecoins, com poucas moedas estratégicas — dólar, ouro, libra, real e, em breve, euro — capazes de cobrir grande parte da economia mundial.
Na prática, isso permite que estrangeiros paguem diretamente em moeda local no Brasil, sem depender do circuito tradicional de cartões internacionais e suas taxas elevadas. O impacto potencial envolve turismo, comércio, remessas e investimentos, com menos fricção e maior eficiência.
Segundo Rocelo, essa transformação tende a reduzir a relevância dos modelos tradicionais baseados exclusivamente em cartões de crédito, substituídos gradualmente por pagamentos instantâneos integrados à blockchain.
Apesar da expansão internacional, a visão estratégica mantém o Brasil no centro da transformação. “O Brasil não é apenas um mercado relevante. É um dos poucos países do mundo onde a infraestrutura para o futuro financeiro já está pronta na prática. Isso coloca o país em posição privilegiada para liderar a próxima fase da transformação global do dinheiro”, conclui.
A Truther segue operando como prova de conceito dessa integração entre Pix e blockchain, enquanto a expansão internacional avança a partir de uma estrutura regulatória mais favorável para ativos digitais.
Para a Rezolve AI, o movimento não representa uma migração, mas uma reorganização estratégica: Brasil como base de inovação e El Salvador como centro de escala global.




















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