Open Finance amplia escopo e acelera avanço do Embedded Finance no Brasil
- Fincatch

- 26 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

O Banco Central do Brasil iniciou, em julho de 2025, uma nova fase do Open Finance, passando a incluir no compartilhamento de dados informações sobre investimentos, seguros e operações de câmbio. A atualização fortalece a personalização de produtos e impulsiona o Embedded Finance, um modelo que incorpora serviços bancários a plataformas de mobilidade, varejo, marketplaces e delivery.
Segundo levantamento da consultoria Bain & Company, o mercado global de Embedded Finance deve movimentar mais de US$7,2 trilhões até 2030. No Brasil, a tendência é que empresas não financeiras se tornem distribuidoras de crédito, contas digitais e seguros, aproveitando o ecossistema aberto para criar experiências mais integradas e baseadas em dados.
Luis Molla Veloso, especialista em Embedded Finance e integração de serviços financeiros em jornadas digitais, explica que o fenômeno já está presente na rotina do consumidor, muitas vezes de forma imperceptível.
“Embedded Finance é quando empresas que não são bancos oferecem serviços financeiros embutidos em suas plataformas. O Uber, por exemplo, faz repasses em contas digitais dentro do próprio app. O iFood faz o mesmo com os entregadores. Até mesmo o antigo carnê das Casas Bahia seguia essa lógica, em que o ganho real vinha dos juros, não do produto. É como colocar um banco dentro de empresas que o consumidor já usa, de forma invisível, contínua e conveniente”, afirma.
Além da conveniência, o modelo aumenta a concorrência e reduz barreiras de acesso a serviços financeiros. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), oito em cada dez brasileiros com acesso à internet já utilizam aplicativos de bancos ou fintechs para transações. A presença de funcionalidades bancárias em apps de outros setores deve acelerar essa adesão.
O Embedded Finance já é realidade em segmentos como mobilidade urbana, varejo digital, saúde, educação e agronegócio. No transporte por aplicativo, empresas como Uber e 99 repassam valores a motoristas por meio de contas digitais integradas, com opção de antecipação.
No varejo, redes e marketplaces oferecem parcelamento no próprio checkout, como Magazine Luiza e Mercado Livre. Na saúde, plataformas como Dr. Consulta viabilizam crédito para procedimentos. No agronegócio, fintechs como a Traive incorporam financiamento rural em marketplaces de insumos, simplificando o acesso ao crédito.
Para Veloso, a ampliação do Open Finance será determinante para a próxima onda de inovação financeira no país. “Com mais dados disponíveis e consentidos pelo usuário, empresas poderão oferecer produtos muito mais personalizados, ajustando taxas, prazos e benefícios ao perfil de cada cliente. É uma mudança estrutural na forma de consumir serviços financeiros, com potencial para aumentar a inclusão e criar novos modelos de receita”, avalia.




















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