Open Finance e IA: 76% dos consumidores cogitam trocar de banco por melhores serviços digitais
- Fincatch

- há 3 dias
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A capacidade de prever comportamentos financeiros está ganhando importância na estratégia de bancos e fintechs. Impulsionadas pelo avanço do open finance, instituições financeiras passaram a alimentar modelos de inteligência artificial com um volume cada vez maior de dados autorizados pelos clientes, ampliando sua capacidade de antecipar necessidades, aprimorar análises de crédito e identificar oportunidades de negócio.
Segundo o relatório The State of Open Finance 2026, da Mastercard, que ouviu 300 executivos do setor financeiro e 8 mil consumidores em 11 países, incluindo o Brasil, 60% das organizações já utilizam dados compartilhados pelos clientes para gerar insights em tempo real com apoio de inteligência artificial. Outros 57% usam essas informações para fortalecer mecanismos de segurança e prevenção a fraudes, enquanto 49% afirmam ter ampliado sua capacidade de atender consumidores com histórico financeiro limitado, tradicionalmente mais difíceis de avaliar pelos modelos convencionais de crédito.
Além disso, 75% dos executivos afirmam que o uso de dados autorizados pelos clientes contribuiu para o crescimento da receita por meio do desenvolvimento de produtos e serviços novos ou aprimorados. Com base nas informações fornecidas pelas empresas entrevistadas, a Mastercard estima que iniciativas de open finance responderam, em média, por 3,3% do crescimento da receita dessas organizações no último ano.
O potencial econômico dessa transformação é particularmente relevante no Brasil. Segundo a pesquisa, empresas brasileiras estimam ter deixado de capturar 6,13% de receita adicional por dificuldades na obtenção do consentimento dos consumidores para compartilhar dados financeiros, o maior percentual entre todos os mercados analisados.
Para Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X, a mudança vai além da adoção de novas tecnologias e representa uma transformação estrutural na forma como as instituições financeiras entendem seus clientes.
“Durante décadas, bancos trabalharam olhando para o retrovisor. A análise era baseada principalmente em histórico bancário e eventos passados. Agora, passamos a construir modelos capazes de identificar padrões de comportamento, antecipar necessidades e oferecer soluções antes mesmo que o cliente perceba uma demanda”, explica.
Open finance amplia alcance do crédito e melhora análises de risco
O avanço do open finance ampliou significativamente a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis para análise. Com autorização dos consumidores, as instituições conseguem acessar informações distribuídas em diferentes bancos, contas, produtos de crédito e investimentos, construindo uma visão mais abrangente da vida financeira de cada cliente.
Essa base de dados mais rica permite que algoritmos de IA desenvolvam avaliações mais precisas sobre risco, comportamento e capacidade financeira. Segundo o levantamento da Mastercard, 51% das organizações afirmam que o open finance permitiu ampliar a concessão de crédito para pessoas físicas, enquanto 40% conseguiram expandir a oferta para pequenas empresas.
“O ganho não está apenas em aprovar mais crédito, mas em aprovar melhor. A inteligência artificial consegue identificar sinais que modelos tradicionais muitas vezes não capturam, reduzindo riscos e aumentando a precisão das decisões. Isso cria oportunidades tanto para as instituições quanto para consumidores que antes ficavam à margem do sistema financeiro”, afirma Rabusky.
O impacto também chega ao consumidor final. De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados acreditam que os insights e recomendações oferecidos pelas instituições financeiras estão mais úteis hoje do que há um ano. Além disso, 65% afirmam que administrar as próprias finanças se tornou menos estressante graças a novos recursos digitais disponibilizados pelos provedores financeiros.
Consumidores cada vez mais dispostos a trocar de banco
A corrida por experiências mais relevantes tende a acelerar. O estudo The State of Open Finance 2026 mostra que 76% dos consumidores estariam dispostos a trocar de instituição financeira para acessar recursos digitais que facilitem a gestão do dinheiro, enquanto 70% migrariam em busca de recomendações individuais para tomar decisões financeiras.
Para o Diretor de Negócios da Lina Open X, esse movimento mostra que a disputa deixou de acontecer apenas em torno de produtos financeiros tradicionais. “O open finance está criando uma mudança importante na forma como as instituições tomam decisões. Quanto mais completa é a visão sobre a vida financeira do cliente, maior é a capacidade de oferecer crédito, produtos e serviços de forma mais precisa. Isso reduz ineficiências para as empresas e melhora a experiência para o consumidor."
A percepção é compartilhada pelas próprias instituições. Segundo a pesquisa, 62% dos executivos acreditam que suas organizações correm risco de perder clientes para concorrentes caso não avancem em iniciativas que tornem as interações financeiras mais convenientes.
Embora o potencial seja significativo, a evolução desse modelo depende de fatores como confiança, transparência e qualidade dos dados. O levantamento aponta que melhorar padrões de dados e APIs, modernizar sistemas legados e simplificar processos de consentimento estão entre os principais desafios enfrentados pelas empresas.
“O cliente já se acostumou com experiências altamente personalizadas em praticamente todos os setores da economia. O sistema financeiro está caminhando na mesma direção. A combinação entre open finance e inteligência artificial cria condições para que produtos, crédito e serviços sejam cada vez mais aderentes à realidade de cada pessoa, e isso tende a redefinir a forma como bancos e fintechs irão competir pelos próximos anos”, ressalta Murilo Rabusky.
À medida que o open finance amadurece, a capacidade de interpretar dados tende a se tornar tão importante quanto a capacidade de coletá-los. Para bancos e fintechs, isso significa competir cada vez mais pela relevância das recomendações, pela precisão das decisões de crédito e pela qualidade da experiência oferecida ao cliente. Para os consumidores, a mudança pode resultar em serviços financeiros mais alinhados às suas necessidades e ao seu momento de vida.




















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