Recebíveis deixam de ser apenas fluxo de caixa e passam a ser ferramenta de eficiência tributária para médias empresas
- Fincatch

- há 52 minutos
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Em um ambiente de juros elevados, crédito bancário mais restrito e maior pressão por eficiência com o avanço da reforma tributária, médias empresas brasileiras estão passando a tratar os recebíveis como um ativo estratégico de gestão, e não apenas como fluxo de caixa. A reorganização desses ativos tem permitido reduzir custos financeiros, melhorar a previsibilidade do caixa e gerar ganhos indiretos de eficiência tributária.
Dados da Uqbar Educação e Informação Financeira mostram que o mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ultrapassou a marca de R$ 800 bilhões em patrimônio líquido em 2025, com estimativa de chegar a R$1 trilhão em 2026, impulsionado principalmente pela demanda de médias empresas por alternativas ao crédito bancário tradicional. Na prática, esses fundos muitas vezes operam como um "banco próprio" da empresa, financiando suas operações a partir dos próprios recebíveis estruturados. Companhias que estruturam melhor seus recebíveis conseguem reduzir de forma relevante o custo total do capital de giro ao longo do ano, ao diminuir a dependência de linhas emergenciais de curto prazo, geralmente mais caras.
Segundo estimativas do setor financeiro, empresas que alinham o ciclo de recebimento ao calendário de pagamento de tributos conseguem reduzir em até dois dígitos percentuais os custos financeiros associados à operação, além de mitigar descasamentos entre faturamento, recolhimento de impostos e obrigações com fornecedores. Esse desalinhamento, comum em modelos tradicionais, gera um custo “invisível” que pressiona margens e aumenta a necessidade de endividamento.
“Recebíveis mal estruturados criam uma distorção silenciosa: a empresa paga impostos antes de receber o caixa correspondente e acaba financiando esse intervalo com crédito caro. Isso eleva o custo financeiro e reduz a eficiência do negócio”, afirma Thiago Eik, CEO da Bankme.
Nesse contexto, cresce a adoção dos chamados mini bancos, estruturas que permitem às empresas internalizar funções financeiras como gestão de recebíveis, controle de pagamentos, organização do fluxo de caixa e acesso a crédito estruturado. Ao operar dessa forma, a companhia passa a decidir de maneira estratégica quando antecipar recebíveis, como organizar prazos e qual a melhor estrutura de funding para sustentar sua operação.
Na prática, esse modelo aproxima médias empresas de práticas financeiras antes restritas a grandes grupos econômicos. Com maior controle sobre seus fluxos, o empresário consegue integrar decisões financeiras e tributárias, indo além do planejamento fiscal tradicional e adotando uma gestão baseada em dados e previsibilidade.
“O mini banco dá visibilidade e poder de decisão. Quando a empresa entende seus recebíveis como ativo estratégico, ela reduz a dependência de crédito bancário, melhora o caixa e ganha eficiência operacional e tributária ao mesmo tempo”, explica Eik.
A consolidação desse modelo reflete uma mudança estrutural na gestão financeira das médias empresas brasileiras. Em um contexto de crédito mais caro e maior rigor fiscal, os recebíveis deixam de ser apenas consequência das vendas e passam a ocupar um papel central na estratégia de eficiência, competitividade e sustentabilidade do negócio.




















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