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  • Relatório aponta prazo de 30 de outubro para mercado cripto brasileiro e destaca novo padrão de comprovação regulatória

    A CertiK, maior provedora de serviços de segurança Web3 do mundo, divulgou o relatório Intel3D: PSAV and the New Brazil Security Standard, que analisa a etapa final da transição do Brasil para um mercado de ativos virtuais totalmente autorizado. Com a aproximação do prazo de 30 de outubro de 2026 para o protocolo dos pedidos junto ao Banco Central, o relatório aponta que o Brasil está avançando para uma supervisão regulatória completa mais rapidamente do que quase qualquer outra grande jurisdição e que a comprovação independente, realizada por terceiros, de conformidade regulatória tornou-se um requisito para a entrada no mercado. O relatório destaca a velocidade da implementação do novo arcabouço regulatório brasileiro: da primeira lei sobre criptoativos do país, em 2022, à criação de um regime completo de autorização em menos de quatro anos, com os requisitos mais rigorosos concentrados nos últimos 12 meses. As prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs) agora precisam ser formalmente constituídas como entidades financeiras reguladas e manter capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões — aproximadamente US$ 2,11 milhões a US$ 7,27 milhões, considerando a cotação no momento da elaboração do relatório. O requisito se aplica a um mercado estimado em cerca de 120 prestadoras atualmente em operação no país. As empresas também precisarão comprovar que seus controles de compliance funcionam efetivamente, por meio de uma verificação realizada por uma empresa de auditoria independente, antes mesmo de poderem protocolar o pedido de autorização. Essa comprovação será apresentada na forma de um relatório formal de asseguração que deverá abranger controles de prevenção à lavagem de dinheiro, combate ao financiamento do terrorismo e sanções. Instituições financeiras já estabelecidas que pretendam ingressar nesse mercado estarão sujeitas a uma exigência adicional: uma certificação técnica de segurança própria. O relatório também aponta a dimensão dos riscos que o novo regime busca enfrentar. Com base no Hack3d H1 2026 Report, da própria CertiK, as perdas relacionadas a ativos digitais chegaram a US$ 1,32 bilhão em 344 incidentes apenas no primeiro semestre de 2026, tendo o comprometimento de carteiras e o phishing como principais causas dos prejuízos. A análise da CertiK compara o arcabouço brasileiro com os regimes regulatórios da União Europeia, por meio do MiCA; de Dubai, por meio da VARA; e de Singapura, por meio da MAS. Embora a abordagem brasileira seja, em linhas gerais, consistente com os padrões globais, o relatório destaca que a exigência de apresentar uma comprovação independente junto ao pedido de autorização estabelece um cronograma mais rigoroso do que o observado na maioria dos regimes comparáveis. O estudo prevê ainda uma possível onda de consolidação do mercado em 2027, à medida que o volume de negócios não autorizado migre para prestadores devidamente autorizados. Segundo a análise, movimento semelhante foi observado após os prazos de licenciamento estabelecidos pelo MiCA e pela VARA. O relatório reúne ainda perspectivas da Veirano Advogados, um dos principais escritórios de advocacia do Brasil, e da Superteam, sobre os impactos jurídicos e práticos do novo regime para os participantes do mercado. A CertiK atualmente conduz sua própria auditoria externa independente, em conformidade com a Instrução Normativa 701 do Banco Central do Brasil, em seu primeiro trabalho desse tipo no país.

  • OranjeBTC lança DIGY11, primeiro ETF de ações preferenciais do ecossistema Bitcoin com distribuições mensais

    A OranjeBTC (B3: OBTC3), a Companhia Bitcoin do Brasil, anuncia o lançamento do Digital Yield ETF (DIGY11), primeiro ETF listado na B3 dedicado a ações preferenciais internacionais emitidas por companhias do ecossistema Bitcoin. Estruturado para realizar distribuições mensais em reais, o DIGY11 contará com gestão da 3R Investimentos, índice de referência fornecido pela MarketVector e administração fiduciária do Banco Daycoval. A carteira inicial será composta por ações preferenciais emitidas pela Strategy, por meio do STRC, e pela Strive, por meio do SATA. O fundo terá proteção cambial, liquidez diária e estreia prevista na B3 para o início de setembro. “Desenvolvemos o DIGY11 com base na revolução que Strategy e Strive estão promovendo no mercado de capitais dos Estados Unidos. São instrumentos que combinam renda recorrente com alta proteção patrimonial, apoiada por alguns dos maiores balanços em Bitcoin do mundo. Nosso papel foi transformar essa inovação em um produto local, negociado em reais e acessível pela B3”, afirma Guilherme Gomes, fundador e CEO da OranjeBTC. Renda mensal e acesso à economia digital global O DIGY11 será negociado em reais na B3, com liquidez diária e proteção cambial. Os rendimentos recebidos dos ativos internacionais da carteira serão convertidos e distribuídos mensalmente em reais aos cotistas, observadas as despesas e demais condições do fundo. Nas condições atuais de mercado, o fundo estima distribuições anuais equivalentes ao CDI acrescido de aproximadamente 3% a 5%. A estimativa não considera a variação do valor das cotas e não representa garantia de rentabilidade. Inicialmente, a carteira será composta por ações preferenciais emitidas pela Strategy, por meio do STRC, e pela Strive, por meio do SATA, com o STRC representando a maior parcela da composição inicial. Esses instrumentos foram estruturados para realizar distribuições recorrentes em dólar e são emitidos por companhias que mantêm Bitcoin como parcela relevante de seus balanços. O DIGY11 não investirá diretamente em Bitcoin nem busca substituir a exposição direta ao ativo. Sua proposta é oferecer uma alternativa de renda para os portfólios, com cobertura patrimonial relevante e acesso à economia digital global. Desde seus respectivos lançamentos, e apesar do histórico ainda curto, os instrumentos que compõem a carteira apresentaram volatilidade inferior à do Bitcoin. A estrutura de ETF reúne essa estratégia em um produto local e transparente, com critérios objetivos de composição, divulgação diária da carteira e do valor patrimonial da cota e negociação diária na B3. “O investidor não precisará abrir uma conta no exterior, realizar operações de câmbio ou selecionar individualmente cada ativo. Além disso, a estrutura local pode oferecer maior eficiência tributária em relação ao investimento direto no exterior. O DIGY11 transforma uma estratégia internacional ainda pouco acessível em um produto local, transparente e negociado em bolsa”, explica Guiga Ferreira, CFO da OranjeBTC. Índice desenvolvido pela OranjeBTC e pela MarketVector O ETF acompanhará o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index, cuja metodologia foi desenvolvida pela OranjeBTC em parceria com a MarketVector, empresa do grupo VanEck, uma das principais gestoras globais de investimentos, com mais de US$ 200 bilhões em ativos sob gestão. O índice seleciona, com base em critérios objetivos, ações preferenciais emitidas por companhias abertas do ecossistema Bitcoin, com foco em instrumentos listados, de longo prazo ou sem vencimento, e estruturados para realizar distribuições recorrentes em dólar. A metodologia considera fatores como liquidez, participação do Bitcoin no balanço, tamanho das reservas corporativas, nível de alavancagem e histórico de pagamento das distribuições. Emissores que ultrapassam os limites de alavancagem definidos deixam de ser elegíveis, reforçando o foco em estruturas patrimoniais mais resilientes. O DIGY11 também incorpora proteção cambial, buscando reduzir o impacto das oscilações entre o dólar e o real sobre o desempenho do fundo. “Criamos uma metodologia transparente, baseada em critérios objetivos e preparada para acompanhar a evolução dessa categoria. É um mercado relativamente novo, mas que já reúne emissores relevantes, instrumentos líquidos e balanços robustos”, afirma Gomes. Alta cobertura patrimonial Um dos principais fundamentos da estratégia é a força patrimonial dos emissores cujas ações preferenciais integram o índice. Considerando as obrigações anuais de distribuição e descontadas as obrigações com prioridade sobre esses instrumentos, as reservas combinadas de Strategy e Strive equivalem a aproximadamente US$ 2,80 em caixa e US$ 28 em Bitcoin para cada US$ 1 distribuído anualmente pelas duas companhias. Em outras palavras, o caixa disponível, isoladamente, equivale a cerca de dois anos e meio de distribuições. Incluindo as reservas em Bitcoin, a cobertura patrimonial total corresponde a aproximadamente 30 anos de distribuições, aos preços atuais. “O ponto central da tese é a força dos balanços. Para cada dólar de distribuição anual, existe uma cobertura patrimonial relevante em Bitcoin e caixa. É uma estrutura diferenciada, que combina renda recorrente com ativos globais, líquidos e escassos”, afirma Gomes. Essa cobertura patrimonial não representa garantia de pagamento ou de rentabilidade. Os ativos permanecem nos balanços dos emissores, não são segregados em benefício do fundo ou de seus cotistas, e a parcela da cobertura em Bitcoin varia de acordo com o preço do ativo. O DIGY11 é um ETF de renda variável, não conta com garantia do FGC e está sujeito aos riscos de mercado, crédito, liquidez e às políticas de distribuição dos emissores. Uma inovação criada nos Estados Unidos e acessível no Brasil A Strategy foi pioneira na categoria hoje conhecida como “Digital Credit” — ações preferenciais perpétuas estruturadas para gerar renda recorrente em dólares americanos, respaldadas por balanços corporativos que mantêm reservas substanciais de Bitcoin. Esses instrumentos são valores mobiliários de natureza patrimonial, e não instrumentos de dívida, concebidos para gerar renda, e não exposição ao preço do Bitcoin. A categoria cresceu rapidamente. Pouco mais de um ano após seu lançamento, o STRC, da Strategy, superou US$ 10 bilhões em valor nocional em circulação, com volume médio diário de negociação de aproximadamente US$ 160 milhões nos últimos 30 dias. A Strive tornou-se a segunda emissora da categoria ao lançar o SATA, em novembro de 2025, estruturando sua base de capital em torno desse instrumento e captando mais de US$ 780 milhões. Ambas as empresas vêm realizando distribuições sem interrupção desde o lançamento de seus instrumentos, inclusive durante uma forte correção no preço do Bitcoin. O DIGY11 dará aos investidores brasileiros acesso a essa inovação por meio de um veículo regulado, listado localmente e negociado em reais na B3. “O Crédito Digital é uma nova classe de ativos, e vê-la chegar aos investidores da América Latina por meio de um veículo local e regulado é exatamente o tipo de expansão que o STRC foi criado para viabilizar”, afirma Michael Saylor, fundador e presidente executivo da Strategy. O fundo deterá valores mobiliários de ambos os emissores, e o índice foi desenvolvido para incluir outros emissores à medida que atendam aos seus critérios de elegibilidade. “O Digital Credit está evoluindo de uma inovação pioneira de uma única empresa para uma verdadeira classe de ativos, com múltiplos emissores e uma demanda global crescente. O lançamento de um índice e de um ETF estruturados em torno dessa categoria representa um passo importante para levar renda respaldada por Bitcoin a investidores em todo o mundo”, afirmou Matt Cole, Presidente do Conselho de Administração e CEO da Strive. Parceiros estratégicos A OranjeBTC é a idealizadora do produto, consultora do fundo e investidora-âncora. A companhia também desenvolveu, em parceria com a MarketVector, a metodologia do índice de referência. A 3R Investimentos será responsável pela gestão da carteira e pela implementação da estratégia. A MarketVector atuará como provedora do índice, realizando seu cálculo e manutenção. O Banco Daycoval será responsável pela administração fiduciária e pela operação regulatória do fundo. “Reunimos um grupo de parceiros com competências complementares e líderes em suas áreas: OranjeBTC, 3R Investimentos, MarketVector e Daycoval. Essa combinação de conhecimento, gestão, estruturação, distribuição e infraestrutura foi fundamental para trazer uma estratégia internacional inovadora ao investidor brasileiro”, afirma Tomas Awad, fundador da 3R Investimentos. O lançamento do DIGY11 marca a entrada da OranjeBTC no desenvolvimento de produtos financeiros voltados à economia digital e amplia sua atuação para além da gestão de sua própria tesouraria. “Desde a nossa fundação, deixamos claro que a OranjeBTC seria mais do que uma companhia de tesouraria. Queremos contribuir para a construção da infraestrutura financeira do ecossistema Bitcoin, desenvolver novos produtos e aproximar essa nova economia dos investidores brasileiros”, afirma Guilherme Gomes.

  • Wall Street começa a migrar para blockchain e a América Latina pode acelerar essa transformação

    A infraestrutura dos mercados financeiros globais está passando por uma das mais significativas transformações das últimas décadas. O que antes era tratado como uma inovação restrita ao universo das criptomoedas passa agora a integrar a agenda estratégica das maiores instituições financeiras do mundo. A tokenização de ativos deixou de ser um experimento para se tornar uma nova camada de infraestrutura capaz de conectar os mercados tradicionais à tecnologia blockchain, ampliando eficiência, liquidação, interoperabilidade e acesso global aos mercados de capitais. Esse movimento já reúne alguns dos principais nomes do sistema financeiro internacional. BlackRock, J.P. Morgan, Mastercard, Franklin Templeton, DTCC, Ripple e outras instituições vêm desenvolvendo iniciativas voltadas à tokenização de ativos, pagamentos e liquidação financeira sobre infraestrutura blockchain. Nesse cenário, a Ondo Finance consolidou-se como uma das principais plataformas institucionais do setor, conectando a liquidez de Wall Street às redes públicas de blockchain e construindo a infraestrutura necessária para levar os mercados financeiros à economia on-chain. Fundada em 2021, a companhia já superou US$ 3,5 bilhões em valor total bloqueado (TVL), movimentou dezenas de bilhões de dólares em volume negociado, conta com mais de 228.000 holders únicos utilizando ativos tokenizados e lidera globalmente o segmento de ações tokenizadas, com participação de 54,1% do mercado. Sua infraestrutura conecta atualmente 15 blockchains, disponibiliza mais de 430 ações e ETFs tokenizados e opera uma plataforma integrada que reúne produtos financeiros, infraestrutura tecnológica e distribuição institucional em escala global. Essa visão estará no centro das discussões do Financial Infrastructure Forum LATAM presented by Cainvest (FIF), realizado durante o Blockchain.RIO, onde a Ondo Finance participará dos principais debates sobre a evolução da infraestrutura financeira digital. Para Matt Blumberg, Head of DeFi da Ondo Finance, a discussão deixou de ser sobre a adoção da tecnologia blockchain e passou a concentrar-se na modernização da própria arquitetura dos mercados financeiros. "A pergunta já não é se blockchain fará parte da infraestrutura financeira. A questão agora é quais mercados migrarão primeiro para esse novo modelo e como essa transformação permitirá construir mercados mais eficientes, programáveis e globais." Além da visão global, a Ondo acredita que a América Latina reúne condições para desempenhar um papel estratégico nessa transformação. Segundo dados reunidos pela companhia, o Brasil já representa a maior economia cripto da América Latina, com aproximadamente 26 milhões de usuários, movimentação estimada em US$ 319 bilhões em ativos digitais e posição entre os cinco maiores mercados globais em adoção de criptomoedas. O país concentra cerca de um terço de toda a atividade cripto da região e vem consolidando um ambiente regulatório cada vez mais relevante para ativos tokenizados, supervisionado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para Melanie Steiner, Diretora Regional LATAM da Ondo Finance, esse cenário transforma a região em uma das prioridades estratégicas da companhia. "A América Latina reúne características únicas para acelerar a adoção da infraestrutura financeira baseada em blockchain. O Brasil combina escala, maturidade institucional, forte adoção de ativos digitais e um ambiente regulatório em evolução, criando condições favoráveis para ampliar o acesso a mercados financeiros globais por meio da tokenização." Nos últimos meses, a Ondo também acelerou sua integração com o ecossistema financeiro internacional. Entre os avanços estão a utilização do fundo BUIDL, da BlackRock, como lastro do OUSG; uma liquidação transfronteiriça quase em tempo real realizada em parceria com J.P. Morgan, Mastercard e Ripple; a participação no consórcio de tokenização da DTCC ao lado de BlackRock e Goldman Sachs; e a integração com provedores de infraestrutura como Chainlink, LayerZero e Broadridge. A Ondo também reforçou sua liderança de mercado com o maior TVL em ações tokenizadas, mint e resgate 24/7 e, em julho, a entrada no mercado de futuros perpétuos com o OndoPerps.xyz. Esses movimentos reforçam que a tokenização vem sendo incorporada por instituições tradicionais como parte da evolução da infraestrutura financeira global. No Blockchain.RIO, a Ondo Finance pretende ampliar esse debate, demonstrando sua liderança global. RWA e tokenização não representam apenas uma nova forma de emitir ativos digitais, mas uma transformação estrutural da infraestrutura que sustenta os mercados financeiros mundiais. Para a companhia, a convergência entre blockchain e finanças tradicionais inaugura uma economia mais aberta, interoperável e global — e a América Latina tem potencial para desempenhar um papel relevante nessa nova etapa.

  • Banco Central cria retenção de até 24 horas para criptoativos e eleva exigências de compliance contra fraudes

    O Banco Central (BC) deu mais um passo para aproximar o mercado de criptoativos das estruturas tradicionais de prevenção a fraudes do sistema financeiro. Uma nova norma publicada na última sexta-feira (7) estabelece procedimentos específicos para prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), incluindo a possibilidade de retenção de determinadas transferências por até 24 horas para análise adicional de risco. A medida considera o uso crescente de criptoativos, inclusive stablecoins, em operações fraudulentas que podem rapidamente ser direcionadas ao exterior ou para carteiras autocustodiadas, dificultando a recuperação dos recursos. De acordo com a Resolução BCB nº 584, a retenção deverá ser aplicada a operações destinadas a prestadores de serviços de ativos virtuais no exterior ou a carteiras autocustodiadas quando o valor superar o equivalente a US$ 10 mil, considerando tanto uma transferência individual quanto o total movimentado pelo cliente no mesmo dia. Mesmo abaixo desse limite, a instituição deverá interromper temporariamente uma operação quando seus mecanismos de gerenciamento de riscos identificarem a necessidade de investigação adicional. A nova sistemática passa a valer em 1º de janeiro de 2027. Para o advogado Fabiano Jantalia, sócio-fundador do Jantalia Advogados e especialista em Direito Bancário e Compliance Financeiro, a principal mudança está na responsabilidade atribuída às empresas que intermedeiam essas operações. “O Banco Central está deixando claro que combate a fraudes não pode ser apenas uma atividade posterior à ocorrência do problema. A instituição precisa ter estrutura de compliance capaz de identificar comportamentos de risco, interromper uma operação quando necessário e produzir elementos que permitam uma análise adequada antes que os recursos deixem o ambiente regulado”, afirma. Na avaliação do especialista, a regra também reforça a importância de investimentos em tecnologia e governança pelas empresas do setor. “Não estamos falando simplesmente de criar uma espera de 24 horas. O desafio jurídico e operacional é muito maior: as prestadoras terão de demonstrar a efetividade de políticas de gerenciamento de risco, mecanismos de monitoramento e procedimentos internos coerentes com o perfil das operações e dos clientes. Compliance passa a ser parte essencial da própria infraestrutura do negócio”, explica. A medida também traz um novo ponto de atenção para operações com carteiras autocustodiadas. Embora elas não estejam sob controle direto de uma instituição financeira ou de uma PSAV, a nova regra cria uma camada adicional de análise antes que determinados ativos sejam transferidos para esses endereços. Para o advogado, o movimento demonstra que a regulação brasileira começa a considerar não apenas a atividade da empresa, mas também o momento em que os ativos deixam o ambiente supervisionado. “A autocustódia não elimina o risco regulatório da operação que a antecede. O ponto de controle pode estar justamente na instituição que realiza a transferência, e é nesse momento que os mecanismos de prevenção precisam funcionar”, diz. A nova resolução do BC faz parte de um processo mais amplo de amadurecimento do marco regulatório brasileiro para ativos virtuais, que vem incorporando as prestadoras desse mercado às estruturas de autorização, supervisão, controles prudenciais e prevenção a ilícitos. Para o especialista, a tendência é a de que o mercado deixe de tratar compliance como uma obrigação acessória e passe a enxergá-lo como elemento de competitividade. “Quanto mais sofisticado fica o mercado de ativos virtuais, maior é a necessidade de demonstrar segurança, rastreabilidade e capacidade de resposta. A empresa que investir em governança e prevenção não estará apenas cumprindo uma exigência do regulador, mas também construindo confiança para operar em um mercado cada vez mais institucionalizado”, conclui.

  • Pix no exterior: entenda como brasileiros conseguem usar o sistema de pagamentos fora do país

    O Pix já ultrapassou as fronteiras do Brasil na experiência de consumidores que viajam ao exterior: de acordo com o Banco Central, países como Uruguai, Chile, Portugal, Espanha e França já aderiram a essa expansão. Mas isso não significa que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro tenha se tornado, oficialmente, internacional. Segundo o advogado Fabiano Jantalia, sócio-fundador do Jantalia Advogados e especialista em Direito Bancário, o Pix é desenvolvido e operado pelo Banco Central e, como sistema, permanece restrito a titulares de contas bancárias no Brasil. O que existe atualmente são mecanismos de integração entre instituições brasileiras e estrangeiras que permitem ao consumidor realizar pagamentos fora do país. “Na prática, a operação pode se parecer com um Pix convencional para quem está diante do QR Code, mas juridicamente e financeiramente há uma estrutura diferente por trás da transação. O Pix, enquanto sistema, não é internacional. O Banco Central ainda desenvolve o chamado ‘Pix Internacional’, com previsão de testes para o próximo ano”, explica o especialista. Segundo ele, bancos estrangeiros, em parceria com instituições brasileiras, utilizam tecnologias de integração, como APIs, para viabilizar esse tipo de pagamento. O que acontece por trás do QR Code? Ao realizar uma compra no exterior, o consumidor não está simplesmente transferindo reais diretamente para uma conta estrangeira pelo Pix. “Ao ler um QR Code no exterior, você paga ao seu banco brasileiro, que, por sua vez, processa a remessa de valores para o estabelecimento comercial”, afirma. A lógica é diferente daquela observada em um pagamento tradicional com outro tipo de meio de pagamento. “Quando você realiza uma compra, como um ingresso no Museu do Louvre, em Paris, ao utilizar o cartão de crédito, a operadora processa o pagamento junto ao estabelecimento e posterga a cobrança para a sua fatura. Na verdade, ali ocorre uma operação de câmbio, onde o cartão facilita a transferência de valores entre diferentes jurisdições”, acrescenta Jantalia. Outro ponto de atenção está na proteção de quem compra. “É fundamental ressaltar que, nessas operações, o consumidor não possui a mesma proteção jurídica e os mesmos direitos garantidos pelo Pix dentro do território nacional”, alerta o especialista. Segundo ele, uma exceção ocorre quando o estabelecimento estrangeiro possui uma conta aberta no Brasil, situação permitida. Para o consumidor, isso reforça a importância de compreender qual é exatamente a estrutura utilizada antes de realizar uma operação financeira no exterior. A proteção também vai além da experiência do usuário. “Do ponto de vista prático, qualquer banco brasileiro que receba o Pix, especialmente em operações conectadas a instituições estrangeiras, é obrigado a realizar uma análise rigorosa de compliance”, afirma Jantalia. Assim como ocorre com operadoras de cartão de crédito e corretoras de câmbio, as instituições envolvidas precisam manter estruturas de controle compatíveis com as normas do sistema financeiro brasileiro. “O desafio reside na falta de transparência para o consumidor final, que muitas vezes desconhece a natureza da operação que está realizando”, conclui o advogado.

  • Bancos aceleram integração na América Latina e buscam plataformas únicas para operar em diferentes países

    Após a expansão dos bancos digitais e o avanço dos pagamentos instantâneos, instituições financeiras passam a enfrentar um desafio ainda mais complexo: integrar operações, clientes e serviços em diferentes países, preservando as particularidades regulatórias de cada mercado. Essa é a avaliação da Topaz, empresa de tecnologia financeira do Grupo Stefanini, que levará esse debate ao Febraban Tech 2026. De acordo com a companhia, a convergência financeira na América Latina vem sendo acelerada pela digitalização dos serviços, pela crescente internacionalização das empresas e pela necessidade de oferecer uma experiência integrada aos clientes, independentemente do país em que estejam. "O setor financeiro começa a construir uma visão regional dos negócios, e não apenas operações locais. Grandes instituições buscam plataformas capazes de operar em diferentes países, com arquitetura preparada para ambientes multilíngues, multimoedas e multimercados, compartilhando informações, produtos e serviços sem perder as particularidades de cada mercado", afirma Jorge Iglesias, CEO da Topaz. Para ele, essa evolução exige plataformas concebidas desde a origem para esse cenário. É essa a proposta da Topaz One, plataforma integrada da empresa que reúne soluções financeiras em um único ecossistema e permite que as instituições modernizem suas operações de forma gradual e interoperável. Esse movimento responde a uma demanda crescente de grupos financeiros e empresas multinacionais que desejam centralizar a gestão de clientes, operações e indicadores em uma única plataforma, com informações padronizadas e visão unificada dos negócios. Isso significa que um cliente que mantém relacionamento com uma instituição financeira em diferentes países deverá encontrar uma experiência cada vez mais fluida, com acesso simplificado aos serviços e uma visão integrada de seus produtos financeiros. Brasil ganha protagonismo Na avaliação da Topaz, o Brasil ocupa posição de destaque nesse processo por reunir um dos ambientes regulatórios mais sofisticados da região e por ter desenvolvido soluções que hoje inspiram outros mercados latino-americanos. O Pix é um dos principais exemplos desse movimento: sua arquitetura e seus conceitos operacionais passaram a servir de referência para iniciativas de modernização em outros países da região. "A experiência brasileira mostrou que é possível construir uma infraestrutura de pagamentos rápida, segura e escalável. Muitos mercados acompanham esse modelo e adaptam suas iniciativas à realidade local, acelerando a evolução dos serviços financeiros", afirma Iglesias. Apesar desse avanço, a convergência financeira regional ainda esbarra em questões como as diferenças regulatórias entre os países, além de as instituições precisarem lidar com exigências específicas de compliance, modelos operacionais e normas de cada Banco Central. De acordo com Iglesias, o desafio não está apenas na integração dos sistemas, mas na forma como eles são desenvolvidos. "As plataformas precisam ser modulares e parametrizáveis para incorporar rapidamente as regras de cada mercado, permitindo que as instituições modernizem seus ambientes por etapas, sem a necessidade de substituir toda a infraestrutura de uma única vez", reforça o CEO da Topaz. Ao levar essa discussão ao Febraban Tech 2026, de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, a Topaz também destaca que a integração financeira regional precisa avançar no mesmo ritmo da segurança: em um ambiente cada vez mais conectado, temas como inteligência artificial, rastreabilidade das transações e prevenção a fraudes tornam-se cada vez mais relevantes para esse processo. "A inovação acontece em uma velocidade cada vez maior, mas ela precisa caminhar lado a lado com segurança, conformidade regulatória e flexibilidade tecnológica. Esse equilíbrio será decisivo para a evolução do setor financeiro na América Latina nos próximos anos", conclui Jorge Iglesias, da Topaz.

  • Pix amplia participação nas vendas de bares e restaurantes e avança em todas as regiões do país

    O Pix segue ampliando sua presença nos bares e restaurantes brasileiros e já responde, em média, por 20,5% das vendas de salão e balcão do setor. Os dados mostram o avanço da modalidade em relação ao patamar de 16,5% registrado em levantamento anterior da Abrasel em 2024, confirmando a consolidação do pagamento instantâneo na rotina de consumidores e empresários. Enquanto o Pix cresce, o dinheiro físico perde espaço. Hoje, ele representa apenas 8,3% das vendas presenciais dos estabelecimentos, percentual inferior ao registrado em pesquisas anteriores e alinhado à tendência nacional observada em diversos segmentos da economia. O cartão de crédito segue liderando, com 41,5% das vendas, seguido pelo cartão de débito, com 25,1%. A adesão ao Pix é mais intensa entre as empresas de menor porte. Nos estabelecimentos com faturamento anual de até R$ 130 mil, o meio de pagamento responde por 30,4% das vendas de salão e balcão. Entre os negócios com faturamento de R$ 130 mil a R$ 360 mil, a participação é de 22,6%, enquanto aqueles que faturam entre R$ 360 mil e R$ 1 milhão registram índice de 24%. Nas empresas de maior porte, a modalidade continua relevante, mas com participação mais moderada, variando entre 14,9% e 17,5%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica da Abrasel, realizada em junho de 2026 com empresários do setor de alimentação fora do lar em todo o país. Ao todo, a pesquisa ouviu mais de 1,6 mil empreendedores, distribuídos entre as cinco regiões brasileiras. O levantamento também mostra diferenças importantes entre os tipos de operação. Nos estabelecimentos de alimentação rápida, o Pix já representa 24,6% das vendas. Em restaurantes especializados, a participação chega a 21%, enquanto nos bares e casas noturnas alcança 19,9%. Já nos restaurantes de almoço (como os restaurantes a quilo), é de 17%. Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, o crescimento do Pix reflete mudanças profundas no comportamento do consumidor e na gestão financeira das empresas. “O cliente quer rapidez, praticidade e segurança no momento do pagamento. Ao mesmo tempo, o empresário busca soluções que reduzam custos e tragam mais previsibilidade ao fluxo de caixa. O Pix conseguiu atender a essas duas necessidades e, por isso, se tornou uma ferramenta essencial para os bares e restaurantes”, afirma. As diferenças regionais reforçam a expansão da modalidade. A região Norte continua liderando o uso do Pix nos bares e restaurantes, com participação média de 29,8% nas vendas de salão e balcão, acima dos 25,5% registrados em levantamento anterior da Abrasel. O Nordeste aparece em seguida, com 24,2%, também acima da média nacional. Já Sudeste (18,1%), Centro-Oeste (17,9%) e Sul (16,5%) apresentam participação menor, embora o Pix já esteja consolidado como um dos principais meios de pagamento nessas regiões. Em todas elas, o uso de dinheiro físico permanece abaixo de 11% das vendas, evidenciando a digitalização do consumo em todo o país. O avanço do Pix acompanha uma transformação mais ampla na forma como os brasileiros realizam pagamentos. Pesquisa recente do Google mostrou que a modalidade já alcança 93% da população e respondeu por 47% de todas as transações realizadas no país em 2024. No mesmo período, o uso de dinheiro em espécie caiu de 43% para apenas 6% dos consumidores. Segundo Solmucci, o uso do pix por parte dos consumidores impusiona novos modelos de relacionamento entre empresas e clientes. “O Pix não é apenas uma forma de pagamento. Ele cria oportunidades para que bares e restaurantes desenvolvam programas de fidelidade, integrem pedidos digitais e ofereçam novas experiências ao consumidor. Estamos diante de uma transformação cultural que exige adaptação, mas que também abre espaço para mais eficiência, inovação e competitividade no setor”, conclui.

  • Lemon lança no Brasil seu cartão Visa para pagamentos em reais e cashback em dólares digitais

    A Lemon, carteira digital que reúne mais de 4 milhões de usuários na América Latina, anuncia a chegada do seu consagrado Visa Lemon Card ao mercado brasileiro. A novidade permite que os clientes efetuem pagamentos em moeda nacional e recebam até 1% de cashback em dólares digitais a cada transação. O funcionamento é simples: o cartão, disponível inicialmente em formato virtual e com suporte para Apple Pay e Google Pay, pode ser utilizado em milhões de estabelecimentos comerciais, tanto no território nacional quanto no exterior. As compras são debitadas diretamente do saldo disponível na conta do usuário, seja ele mantido em reais, dólares digitais ou Bitcoin. A política de recompensas prevê 0,5% de cashback para pagamentos com saldo em reais e 1% quando a quitação ocorre com dólares digitais ou outros ativos. "Queremos que as pessoas tenham cada vez mais liberdade para usar seu dinheiro. Seja em reais, dólares digitais ou Bitcoin, queremos que elas possam economizar, enviar dinheiro e pagar da maneira mais simples possível, a partir de um único aplicativo", afirmou Marcelo Cavazzoli, fundador e CEO da Lemon. Com trajetória consolidada na Argentina e no Peru, onde já emitiu mais de 2 milhões de cartões e distribuiu o equivalente a US$ 20 milhões em cashback, a Lemon direciona agora seus esforços para o Brasil. A meta é duplicar a base de usuários até o encerramento do ano. Brasil se destaca como mercado estratégico para o ecossistema O país ocupa posição de relevância no cenário latino-americano, liderando a região em volume de ativos digitais recebidos e concentrando quase um terço de toda a atividade cripto local. Apesar desse protagonismo, parcela significativa dessa movimentação ainda provém de instituições e grandes investidores. A Lemon enxerga nesse cenário uma oportunidade de aproximar a tecnologia do cotidiano da população. Por meio de soluções intuitivas, é possível adquirir Bitcoin ou dólares digitais em poucos segundos, realizar transferências entre países e efetuar pagamentos sem sair de um único aplicativo. "Acreditamos que a próxima etapa de adoção envolve não apenas investir em criptomoedas, mas também usar uma infraestrutura global para resolver as necessidades financeiras do dia a dia. Queremos que enviar dinheiro entre países ou pagar com dólares digitais seja tão simples quanto fazer uma transferência PIX", acrescentou Cavazzoli. Carteira com alcance latino-americano Nos últimos anos, a Lemon estruturou uma infraestrutura capaz de conectar o sistema financeiro tradicional ao universo dos ativos digitais. O Brasil foi um dos primeiros mercados a receber o modelo de carteira dupla, que integra reais e criptomoedas em uma única experiência. A adoção do PIX como meio de entrada e saída permitiu vincular o sistema financeiro local a essa infraestrutura baseada em ativos digitais. Atualmente, os usuários podem comprar Bitcoin ou dólares digitais com reais de forma instantânea, enviar e receber ativos digitais entre distintos países da região e utilizar esses recursos para despesas diárias. No Brasil, a plataforma oferece depósitos e saques em reais via PIX, geração de rendimentos diários sobre dólares digitais, possibilidade de pagamento com o Lemon Card em qualquer estabelecimento credenciado à Visa, compra e venda imediata de mais de 50 ativos digitais — incluindo dólares digitais, Bitcoin e Ethereum — com dinheiro real, além de envio e recebimento de ativos digitais por meio de mais de 18 redes blockchain. A chegada do cartão completa o ciclo: o usuário pode adquirir Bitcoin ou dólares digitais e utilizá-los no dia a dia sem precisar sair do aplicativo Números da Lemon Mais de 4 milhões de usuários validados na América Latina. Mais de 2 milhões de cartões Visa emitidos na Argentina, Peru e Colômbia. Mais de US$ 9,3 bilhões processados em 2025. Mais de US$ 110 milhões em custódia, auditáveis em tempo real por meio de sua Prova de Reservas. Mais de 7 transações por segundo processadas em toda a região.

  • Por que o Bitcoin não caiu em julho mesmo após mês turbulento; o que esperar em agosto?

    Julho testou as criptomoedas em várias frentes, impulsionadas pelas vendas de Bitcoin da Strategy, uma escalada no Oriente Médio e uma correção nas bolsas puxada pelo setor de tecnologia. Ainda assim, o BTC fechou o mês com alta de 5% em relação ao início e entrou em agosto se mantendo firme, mesmo enquanto os mercados mais amplos absorviam um dos eventos macroeconômicos mais incomuns do ano: Estados Unidos e Japão realizaram uma intervenção coordenada para sustentar o iene, a primeira ação conjunta dos dois países desde 2011 e a primeira voltada especificamente ao iene desde 1998. Segundo a Crypto Finance, empresa de ativos digitais do grupo Deutsche Börse, julho elevou a régua de exigência para os ativos de risco em geral. A inflação continuou cedendo, mas os bancos centrais mantiveram a cautela e o dólar seguiu forte, o que levou os investidores a ficarem mais seletivos com ações de IA e de crescimento. O S&P 500 se manteve perto das máximas históricas, mas esse desempenho escondeu um mercado bem mais cauteloso por trás dos números, com a liderança concentrada em um grupo menor de empresas. As criptomoedas resistiram a esse cenário, com o Bitcoin negociando na maior parte do mês entre US$ 62 mil e US$ 65 mil. A empresa aponta os fluxos dos ETFs como o principal fator por trás dessa estabilidade. Os fluxos ficaram mais voláteis no fim do mês, mas a demanda institucional seguiu consistente e ajudou a absorver a pressão vendedora nos momentos de maior fraqueza macroeconômica. O avanço regulatório trouxe um reforço adicional. O CLARITY Act seguiu tramitando ao longo do mês e, apesar de uma resolução final ainda pendente, é visto como um catalisador importante para o setor no segundo semestre do ano. A Strategy, de Michael Saylor, continuou pesando no humor do mercado. A empresa sinalizou que vai seguir vendendo bitcoin na margem até que suas ações preferenciais STRC atinjam a paridade, hoje cotadas em US$ 92,15. Os investidores seguem debatendo o crescimento da linha de produtos estruturados e preferenciais atrelados à Strategy, mas a posição de liquidez mais confortável da empresa e sua maior flexibilidade de financiamento reduziram os receios de uma venda forçada ao longo do mês. Para Mike Schwitalla, Chief Commercial Officer da Crypto Finance, o comportamento observado em julho mostra um mercado mais maduro na forma como precifica risco. "O Bitcoin atravessou uma venda da Strategy, uma correção nas ações de tecnologia e uma intervenção cambial coordenada sem apresentar uma queda equivalente. Isso diz muito sobre para onde os fluxos institucionais estão indo. Quem construiu exposição por meio de estruturas adequadas de custódia, corretagem e liquidação está em melhor posição para atravessar um mês como esse sem precisar reagir a cada manchete. É exatamente esse tipo de infraestrutura que bancos e gestoras de ativos estão buscando ao expandir sua capacidade em ativos digitais", afirmou. A resiliência observada em julho confirma uma tendência que a Crypto Finance vem acompanhando ao longo de 2026. Bancos da América Latina e da Península Ibérica estão ampliando sua capacidade de oferecer exposição a ativos digitais para os próprios clientes, em vez de tratar o setor cripto como algo a evitar ou terceirizar por completo. Esse movimento tem levado as instituições a buscar estruturas de custódia, corretagem e liquidação que atendam ao mesmo padrão regulatório de sua infraestrutura bancária já existente. "O que chamou a atenção em julho foi a capacidade do mercado de se manter firme enquanto outros ativos de risco sofriam pressão. Essa resiliência só se torna algo em que vale a pena investir quando a infraestrutura, a custódia e os processos de liquidação são construídos dentro de padrões institucionais", completou Schwitalla. O que esperar de agosto? Olhando para frente, a Crypto Finance espera que os resultados financeiros de grandes empresas e a divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho americano desta semana influenciem o desempenho das criptomoedas, junto com os desdobramentos do Clarity Act. Se uma moção de encerramento de debate for apresentada na quarta-feira, uma votação pode ocorrer já na sexta. Além disso, o foco do mercado em agosto deve ser na inflação, nos dados de emprego e nos juros dos Treasuries. Com o rendimento dos títulos de 30 anos acima de 5,2%, a empresa espera que os mercados fiquem especialmente sensíveis a qualquer dado que altere as expectativas sobre o caminho de juros do Federal Reserve. O iene também merece atenção, já que movimentos mais fortes no par USD/JPY historicamente trazem consequências para os ativos de risco em geral, dado o papel das operações de carry trade financiadas em iene, e uma nova onda de volatilidade na moeda pode se espalhar para ações, juros e criptomoedas. No mercado de ações, a IA segue como o tema dominante, embora a Crypto Finance espere que os investidores continuem priorizando empresas capazes de mostrar monetização clara e geração de caixa, em detrimento daquelas que ainda dependem de expectativas futuras de crescimento. Para as criptomoedas, os fluxos dos ETFs e os avanços regulatórios seguem como os principais pontos de atenção. Na ausência de entradas institucionais mais fortes ou de progresso relevante no front regulatório, e com a liquidez ainda reduzida típica do verão no hemisfério norte, empresa espera que o Bitcoin siga sendo negociado dentro da faixa estabelecida entre US$ 62 mil e US$ 65 mil ao longo do restante de agosto.

  • Expansão do crédito por bancos digitais aumenta desafio de controlar inadimplência, diz especialista

    A expansão do crédito concedido por bancos digitais nos últimos anos ampliou o acesso de consumidores historicamente pouco atendidos pelo sistema financeiro, mas também trouxe novos desafios para a gestão de risco. Para Fernando Martins, cofundador da Core AI, fintech especializada em infraestrutura de crédito baseada em inteligência artificial, a próxima etapa desse processo passa menos por conter a oferta e mais por melhorar a capacidade das instituições de diferenciar os perfis de risco dentro dessa nova base de clientes. Segundo uma análise citada por Martins, a taxa de atrasos em cartões emitidos por bancos digitais passou de cerca de 8% para mais de 20% entre 2021 e 2025. O movimento, na avaliação do executivo, precisa ser analisado à luz da expansão da inclusão financeira promovida pelas instituições digitais. “Nos últimos anos, os bancos digitais ampliaram bastante o acesso ao crédito no Brasil, e a inadimplência acompanhou esse movimento, com a taxa de atrasados em cartões emitidos por bancos digitais saltando de cerca de 8% para mais de 20% entre 2021 e 2025, segundo levantamento da Equifax BoaVista. Isso não significa necessariamente que o modelo de expansão esteja errado: boa parte desse crescimento veio de gente que nunca tinha acessado crédito formal antes, e algum grau de inadimplência é esperado quando se abre a porta para quem historicamente ficou de fora”, explica Fernando. Nesse cenário, a inteligência artificial pode ajudar as instituições a substituir modelos baseados em classificações amplas por análises mais individualizadas. Em vez de aplicar os mesmos limites, prazos e taxas para grandes grupos de consumidores, a tecnologia permite considerar um conjunto maior de informações para estimar a capacidade de pagamento de cada cliente. “O papel da inteligência artificial aqui é permitir que a instituição diferencie, dentro desse público novo, quem tem capacidade real de pagamento, ajustando limite, prazo e taxa de forma individual, em vez de aplicar uma régua genérica. Crescer com qualidade, hoje, é menos sobre freiar a expansão e mais sobre ter modelos capazes de enxergar risco de forma granular antes que ele apareça no balanço”, afirma. A mudança também pode afetar a própria forma como o mercado brasileiro precifica o crédito. Historicamente, categorias profissionais e características cadastrais são utilizadas como referências importantes para determinar o risco de um tomador. Para Martins, modelos de IA permitem considerar o comportamento efetivo de cada operação e, assim, reduzir distorções na precificação. “Historicamente, o Brasil precificou crédito olhando para categorias amplas: autônomo é mais caro, CLT é mais barato, ponto final. A inteligência artificial quebra essa lógica ao permitir precificação em cima da operação específica, considerando o histórico real de pagamento daquele cliente ou daquele recebível, e não apenas a categoria em que ele se encaixa”, ressalta Martins. O movimento já começa a aparecer em operações de antecipação de recebíveis, nas quais a taxa pode ser ajustada conforme o risco de cada transação. Na avaliação do executivo, esse modelo pode beneficiar principalmente bons pagadores que atualmente acabam pagando mais por serem classificados dentro de grupos de risco abrangentes. “Já existem fintechs brasileiras rodando esse modelo em tempo real na antecipação de recebíveis, ajustando a taxa conforme o risco medido operação a operação. Na prática, isso tende a baratear o crédito para quem paga bem e hoje é mal precificado por estar em um grupo genérico de risco. Essa é a promessa real da IA aplicada a crédito: não é só decidir mais rápido, é decidir com mais justiça, cobrando de cada tomador o preço que o risco dele realmente representa”, conclui. Para a Core AI, essa evolução representa uma mudança de paradigma na infraestrutura de crédito: a tecnologia deixa de atuar apenas para acelerar processos e passa a influenciar diretamente a qualidade da originação, a precificação e a sustentabilidade das carteiras. A fintech desenvolve infraestrutura nativa em IA para que empresas possam estruturar e operar suas próprias ofertas de crédito, utilizando dados e modelos automatizados para analisar risco em diferentes verticais.

  • Crédito próprio avança como estratégia de fidelização em meio à digitalização do sistema financeiro

    O avanço da transformação digital está mudando o papel do crédito próprio no varejo brasileiro. Antes restrito ao financiamento de compras, o modelo passa a ser utilizado como instrumento de fidelização, geração de receitas financeiras e inteligência sobre o comportamento dos consumidores, em um movimento impulsionado pela digitalização do sistema bancário. Os indicadores da Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2026 mostram a velocidade dessa mudança. O levantamento aponta que 80% dos bancos priorizam investimentos para melhorar a experiência do cliente, enquanto a digitalização de processos como onboarding, validação de identidade e automação operacional ocupa posição crescente nas estratégias das instituições financeiras. Ao mesmo tempo, 78% das transações bancárias já são realizadas por dispositivos móveis, e os canais digitais concentram 83% de todas as operações financeiras do país. O amadurecimento do Open Finance reforça essa transformação. Segundo a pesquisa, o Brasil alcançou 102,8 milhões de consentimentos ativos, crescimento de 122% em relação ao ano anterior. A ampliação do compartilhamento de dados cria condições para que instituições financeiras e empresas desenvolvam ofertas mais personalizadas, integrem serviços e reduzam o tempo necessário para concessão de crédito. Para André Maniezo, CEO da INFOX Payments, essas mudanças alteram a forma como o varejo passa a enxergar suas operações financeiras. "Durante muitos anos, o crédito foi tratado apenas como uma forma de viabilizar vendas. Hoje ele se tornou uma poderosa fonte de inteligência de negócios. Cada operação permite compreender hábitos de consumo, prever comportamento financeiro, personalizar ofertas e fortalecer o relacionamento entre varejista e consumidor." Na avaliação do executivo, a digitalização permite que operações tradicionalmente voltadas ao processamento financeiro passem a gerar informações estratégicas para as empresas. Além do crédito ao consumidor, outro segmento que começa a ganhar espaço na agenda das instituições financeiras é a gestão digital de frotas corporativas. A oferta de cartões destinados ao controle de abastecimento, manutenção, pedágios e demais despesas operacionais vem sendo considerada uma oportunidade para ampliar receitas recorrentes e fortalecer o relacionamento com clientes empresariais. Segundo estimativas do setor, milhões de veículos corporativos ainda operam com processos manuais para controle de despesas, o que abre espaço para a digitalização dessas operações e para a expansão de serviços financeiros voltados ao mercado B2B. Isso indica que a integração entre meios de pagamento, gestão operacional e acompanhamento das despesas permite reduzir custos administrativos, aumentar a eficiência dos processos e criar novas fontes de receita para as administradoras de cartões e instituições financeiras. Para Maniezo, a tendência observada no mercado indica que o crédito e os serviços financeiros embarcados caminham para um modelo cada vez mais integrado às estratégias comerciais das empresas. "Ao centralizar toda a operação financeira, o varejista deixa de depender exclusivamente das margens obtidas na venda de mercadorias e passa a capturar novas receitas provenientes dos serviços financeiros oferecidos aos clientes, além de ampliar sua capacidade de conhecer o comportamento de consumo da própria base", conclui. As discussões em torno desse novo cenário deverão ganhar destaque durante o FEBRABAN Tech 2026, evento que reúne bancos, fintechs, empresas de tecnologia e fornecedores de infraestrutura para debater a próxima etapa da transformação digital do sistema financeiro brasileiro.

  • Fintech de imigrantes estreia remessa internacional para o Brasil em até 30 minutos

    Novidade disrutiva no setor de remessas financeiras. O PTX Group, ecossistema de serviços financeiros pensado para imigrantes, acaba de anunciar no dia 1º de agosto a chegada da PTX Exchange ao Brasil, sua plataforma de remessas internacionais. O serviço permite que brasileiros que vivem e trabalham nos Estados Unidos enviem dinheiro para casa de forma rápida, transparente e sem burocracia direto pelo aplicativo ou pelo WhatsApp, com atendimento em português e a maioria das transferências concluída em até 30 minutos. Além do Brasil, a PTX Exchange também realiza remessas para o México, a Colômbia e a República Dominicana. A proposta é simples e nasceu de uma experiência real: os grandes bancos americanos nunca foram feitos pensando no imigrante. As tarifas se escondem dentro da taxa de câmbio, os limites são baixos e o suporte é um robô que nunca entende a urgência de quem precisa enviar o dinheiro suado para a família. Cada dólar perdido em cobranças invisíveis é um dólar que não chega em casa. De imigrante para imigrante A PTX Exchange não foi criada por um banco, e sim por quem já viveu a rotina de mandar dinheiro para casa. “A gente se cansou de ser apenas um número para os bancos americanos. Já perdemos dinheiro para tarifas invisíveis e passamos horas presos em um suporte que só falava com máquina”, afirma Darley Tomaz, sócio e fundador do grupo. “Por isso construímos a PTX: para que nenhum imigrante perca o fruto do seu trabalho por causa da burocracia. Aqui, você fala com gente que entende o seu idioma e a sua história.” Atendimento em português, pelo WhatsApp Ao contrário dos aplicativos de remessa tradicionais, que dependem de chatbots e páginas de perguntas frequentes, a PTX Exchange oferece suporte humano direto pelo WhatsApp no idioma do cliente. Pela mesma ferramenta que a família já usa para conversar, o brasileiro pode iniciar transferências, acompanhar cada etapa e resolver qualquer dúvida falando com uma pessoa de verdade, em português. O atendimento também está disponível em espanhol e inglês. Segurança de banco: respaldo americano e regulação FinCEN Rapidez sem abrir mão de segurança. A PTX Exchange opera com o respaldo de bancos americanos e é uma Money Services Business (MSB) registrada junto ao FinCEN (Financial Crimes Enforcement Network), o órgão do Tesouro dos Estados Unidos que fiscaliza instituições financeiras, sob o registro número 31000320793963. Cada transferência é protegida por criptografia de padrão bancário, e o cliente vê exatamente quanto envia e quanto a família recebe antes de confirmar com uma tarifa baixa e câmbio em tempo real, sem surpresas depois. Em até 30 minutos, sem burocracia 90% das transferências enviadas pela PTX Exchange é concluída em até 30 minutos, contra os vários dias que os serviços tradicionais costumam levar. “Em vez de o seu dinheiro fazer um voo com várias escalas, criamos uma rota direta”, explica Tomaz. “A família vê os fundos chegarem em minutos, não em dias, e o remetente economiza o que iria embora em taxas escondidas.” O aplicativo ainda oferece limites altos, acompanhamento em tempo real de cada transferência e, num só lugar, acesso a seguros de viagem, de vida e comerciais. Da necessidade à solução A trajetória do PTX Group reflete a experiência pessoal do seu sócio e fundador, Darley Tomaz. Ele emigrou do Brasil para os Estados Unidos após liderar projetos de prevenção a fraudes no setor financeiro brasileiro, e conhece de perto os dois lados da jornada de quem sai do país para trabalhar. Em 2020, fundou a operação de seguros que deu origem ao grupo, ao perceber que a comunidade imigrante, formada em boa parte por prestadores de serviço e donos de pequenos negócios, estava sendo negligenciada pelo mercado tradicional. Hoje o grupo reúne mais de 2 mil clientes ativos em 15 estados americanos e mais de US$5 milhões em vendas recorrentes anuais. A chegada da PTX Exchange ao Brasil marca a expansão do ecossistema, que quer se tornar o principal hub financeiro do imigrante brasileiro, reunindo remessas e serviços financeiros em um só aplicativo. O Brasil está entre os principais destinos de remessas da América Latina, e os Estados Unidos figuram como o maior país de origem desses envios. “O que estamos construindo é uma estrutura para reduzir atrito, proteger o patrimônio e ampliar as possibilidades de uma comunidade que já provou sua capacidade de trabalhar e gerar valor”, resume Tomaz.

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