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Do tapete vermelho ao mercado financeiro: filmes do Oscar viram oportunidade de investimento


Com a cerimônia do Oscar marcada para este domingo, a corrida pela estatueta também movimenta um mercado pouco visível ao público: o financiamento da distribuição de filmes. No Brasil, investidores já participam dessas operações ao aportar recursos no lançamento de produções indicadas à premiação, como o norueguês Valor Sentimental, com nove indicações, e o espanhol Sirât, indicado em duas categorias. A distribuição das obras no país foi financiada pela Hurst Capital.


A visibilidade da premiação tende a ampliar o público dessas produções. Historicamente, filmes estrangeiros indicados ao Oscar registram aumento relevante de audiência após a divulgação dos indicados e durante o período da premiação, o que pode impactar diretamente as receitas de exibição.


No Brasil, Valor Sentimental integra uma operação estruturada pela Hurst Capital em parceria com a MUV Capital, que permite aos investidores participar das receitas de distribuição de filmes já finalizados. O modelo é lastreado em recebíveis da exploração comercial e prevê retorno estimado de até 31% ao ano, com participação nas receitas da primeira janela, que inclui salas de cinema, aluguel digital, streaming e TV paga. A operação segue padrão adotado em mercados internacionais e tem atraído investidores que buscam ativos descorrelacionados do mercado financeiro tradicional.


“A presença no Oscar tende a ampliar o circuito de exibição e aumentar a procura por ingressos. Se o filme cresce no mercado brasileiro, o retorno aos investidores pode ser impactado positivamente, porque a receita da distribuição acompanha esse movimento”, afirma Laura Rossi, head de investimentos em audiovisual da MUV Capital/Hurst.


O reconhecimento internacional costuma funcionar como catalisador comercial para produções independentes, fortalecendo negociações com exibidores, ampliando presença em plataformas digitais e aumentando o valor percebido pelo público. No caso de Valor Sentimental, a combinação entre desempenho crítico, presença em festivais e indicação ao Oscar cria um ambiente favorável para a expansão da distribuição na América Latina.


O interesse por esse tipo de operação acompanha a expansão dos investimentos na economia criativa. As estruturas são realizadas por meio de certificados de recebíveis, com aportes a partir de R$ 10 mil e prazos entre quatro e oito meses, dependendo da obra e da estratégia de distribuição.


A importância da distribuição ficou ainda mais evidente após a trajetória de Anora, vencedor do Oscar 2025. Mesmo com orçamento reduzido, o filme alcançou grande visibilidade graças a uma campanha de marketing coordenada pela distribuidora NEON, responsável também por Sirât e pelo brasileiro Agente Secreto.


O movimento ocorre em paralelo à retomada do setor audiovisual no Brasil. Em 2024, o país superou 125 milhões de ingressos vendidos e movimentou R$ 2,5 bilhões em bilheteria, segundo a Ancine. Com o público em alta e a disputa por espaço nas telas cada vez mais intensa, a distribuição tem se consolidado como uma das etapas mais estratégicas da cadeia.


Nesse cenário, a Hurst, por meio da MUV Capital, estruturou um modelo de co-investimento que permite aos investidores participar diretamente do desempenho comercial de filmes já finalizados. Atualmente, a operação reúne cinco títulos internacionais: Sirât, Woman and Child, Dois Procuradores, Surda e Valor Sentimental, todos premiados ou selecionados em festivais internacionais.


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