Money 20/20: o que esperar do maior e mais influente evento do mundo para as fintechs?
- Fincatch

- 22 de out. de 2025
- 5 min de leitura

Neste mês, a icônica cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos, se tornará o epicentro das discussões sobre o futuro do dinheiro. É quando acontece o Money 20/20, considerado o mais importante evento global do setor financeiro e de fintechs. Reunindo especialistas de diversos países, o encontro consolida-se como um fórum estratégico para debater tendências que moldam os pagamentos e serviços financeiros em escala mundial — da economia digital à inclusão financeira, passando pela inovação em meios de pagamento e pela segurança das transações.
Durante o evento, líderes de bancos, fintechs, empresas de tecnologia, reguladores, investidores e empreendedores participarão de uma imersão nas tecnologias e modelos de negócio que estão redefinindo o ecossistema financeiro. Entre os principais temas em pauta estarão a Inteligência Artificial Generativa, os Pagamentos em Tempo Real, o Open Banking e a Cibersegurança Avançada.
O encontro ocorre em um momento decisivo para o setor. O mercado global de fintechs deve atingir US$1,5 trilhão em receitas até 2030, segundo o relatório Global Fintech: Reimagining the Future of Finance. O crescimento é impulsionado pela adoção de soluções baseadas em IA, pela aceleração dos pagamentos instantâneos e pela personalização de serviços — enquanto milhões de pessoas ainda permanecem fora do sistema bancário, revelando um vasto campo para inovação e inclusão.
"O Money 20/20 representa o epicentro da transformação financeira global. É onde as maiores inovações do setor são apresentadas, onde parcerias estratégicas nascem e onde o futuro do dinheiro é desenhado. Participar deste evento é de grande importância estratégica, e significa nos posicionar na vanguarda das discussões que moldarão os próximos anos da indústria de pagamentos e Fintechs", avalia o CRO da Azify, Gustavo Siuves.
Principais tendências que dominarão o Money 20/20
Além dos temas centrais, o evento destacará as principais inovações que estão moldando o futuro da indústria financeira:
1) Finanças descentralizadas (DeFi) e ativos digitais: a convergência entre finanças tradicionais e descentralizadas está criando novos modelos de negócio. CBDCs (Central Bank Digital Currencies) e stablecoins oferecem alternativas de baixo custo para movimentação de dinheiro, especialmente em transações internacionais.
2) Embedded Finance: a integração perfeita de produtos e serviços financeiros em aplicações não financeiras está expandindo o alcance das fintechs e transformando a experiência do usuário.
3) Pagamentos contactless e wearables: métodos de pagamento sem contato dominam transações presenciais, com crescente adoção até mesmo entre usuários frequentes de dinheiro físico. Dispositivos vestíveis e assistentes de voz estão criando novas interfaces para serviços bancários.
4) Big Data e Analytics: com o crescimento exponencial de dados produzidos e operados por instituições financeiras, a capacidade de coletar, interpretar e aplicar insights em tempo real tornou-se estratégica para competitividade.
5) Hiperpersonalização em escala: consumidores não apenas desejam, mas agora exigem experiências sob medida. A convergência entre IA avançada e dados está possibilitando análises de crédito em tempo real e recomendações de investimento totalmente personalizadas.
6) Governança de IA e uso ético: com o avanço da IA generativa, cresce a necessidade de desenvolver modelos de governança que garantam transparência sobre quem treina os sistemas, quais dados são utilizados no treinamento e como funcionam os algoritmos de recomendação.
7) Transformação de talentos: o setor precisa repensar sua cultura organizacional, investindo na integração entre pessoas e tecnologias, requalificando profissionais e desenvolvendo competências digitais.
8) Regulamentação adaptativa: à medida que tecnologias evoluem, frameworks regulatórios precisam se adaptar para equilibrar inovação com proteção ao consumidor e estabilidade do sistema financeiro.
De IA Generativa à inclusão: as tendências e o futuro das finanças
A Inteligência Artificial continua sendo a força motriz da transformação fintech. A IA generativa está criando novas oportunidades para personalização em escala, automação de processos complexos e desenvolvimento de produtos financeiros inovadores, ao mesmo tempo em que apresenta novos desafios relacionados à segurança e governança.
De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, realizada pela Deloitte, oito em cada dez bancos já incorporaram a inteligência artificial generativa (GenAI) em suas operações e devem aumentar, até o final de 2025, o orçamento total destinado à tecnologia, atingindo R$47,8 bilhões, um crescimento de 13% em relação a 2024.
"A IA não está substituindo a inteligência humana, mas a expandindo. Quando aplicada de forma responsável e ética, a IA tem o potencial de aumentar significativamente a confiança do cliente dentro do sistema financeiro e bancário, oferecendo transparência, segurança, justiça e engajamento personalizado", destaca Gustavo.
Pagamentos em tempo real: o novo padrão global
Com 83% dos brasileiros afirmando que têm usado cada vez menos cédulas e moedas, segundo a pesquisa “Meios de pagamento 2025”, realizada pela Opinion Box, os pagamentos instantâneos estão transformando a forma como o dinheiro circula globalmente. Inspirados pelo sucesso do PIX no Brasil e do UPI na Índia, sistemas de pagamento em tempo real estão se expandindo rapidamente, oferecendo conveniência, inclusão e eficiência sem precedentes.
“Esses sistemas têm sido bem-sucedidos por diversos fatores: apoio governamental que confere credibilidade, infraestruturas tecnológicas robustas construídas com princípios cloud-first capazes de lidar com grandes volumes de transações, designs personalizados e interfaces amigáveis que permitem a qualquer pessoa com um smartphone realizar pagamentos instantâneos”, analisa Siuves.
Segurança e confiança: prioridades absolutas
Com o aumento exponencial das transações digitais e o avanço das ameaças cibernéticas, a segurança tornou-se prioridade absoluta. A IA desempenha papel central nesse cenário, permitindo analisar padrões de transação em tempo real para identificar desvios suspeitos, aplicar autenticação multifator avançada com biometria, utilizar modelos de pontuação de risco que agregam dados de processadores e bancos, criar datasets sintéticos por meio de IA generativa para simular fraudes e treinar sistemas de detecção, além de promover aprendizado contínuo que ajusta os algoritmos conforme surgem novas táticas de fraude.
“Investir em soluções baseadas em IA não é apenas uma forma de prevenir fraudes: é também um compromisso com a segurança dos clientes e a construção de relações de confiança que perdurem no tempo”, explica Gustavo.
Inclusão financeira e Open Banking: oportunidades globais
Com milhões de pessoas ainda sem acesso adequado a serviços bancários ao redor do mundo, a inclusão financeira representa tanto um imperativo social quanto uma enorme oportunidade de mercado. Fintechs estão na linha de frente dessa transformação, oferecendo soluções digitais acessíveis que contornam as barreiras tradicionais do sistema bancário.
“A evolução de modelos alternativos de pagamento — como carteiras digitais, pagamentos peer-to-peer e soluções Buy Now Pay Later (BNPL) — demonstra como a inovação fintech está democratizando o acesso ao crédito e aos serviços financeiros para populações historicamente desassistidas”, acrescenta o CRO da Azify.
Já o Open Banking está redefinindo o relacionamento entre instituições financeiras tradicionais e fintechs. O que começou como disrupção evoluiu para colaboração estratégica, com fintechs oferecendo soluções white-label que permitem acesso a mercados maiores e integrações mais robustas.
Empresas que começaram como disruptoras construíram reconhecimento de marca e confiança ao longo do tempo, posicionando-se como alternativas viáveis aos bancos tradicionais.
"O Money 20/20 não é apenas um evento, é um termômetro do futuro das finanças. Ele mostra como tecnologia, colaboração e ética caminham juntas para criar um sistema financeiro mais inclusivo, seguro e inteligente, e estar presente significa participar ativamente da construção desse futuro", finaliza Gustavo Siuves.




















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