Pagamentos digitais tem espaço para crescer no Brasil até 2030, aponta Bain
- Fincatch

- há 3 horas
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O Brasil encerrou 2025 com 85% de penetração dos pagamentos digitais, consolidando-se como um dos mercados mais avançados do mundo nesse segmento. Ainda que os sinais de maturidade sejam claros, há espaço para avanço antes da saturação, com o foco migrando gradualmente da expansão de base para a captura de novas oportunidades e tendências no ecossistema financeiro, conforme apontam dados da consultoria estratégica global Bain & Company.
A capacidade de crescimento está diretamente ligada ao forte processo de bancarização observado nos últimos anos. A população brasileira com acesso a serviços bancários saltou de 57% em 2017 para 90% em 2023, criando as condições necessárias para a expansão dos meios digitais. Como consequência, a penetração de cartões no consumo das famílias (PCE) superou 52%, aproximando o Brasil de mercados mais maduros, como Reino Unido (58%) e Estados Unidos (46%), uma redução significativa do gap histórico.
A esse cenário soma-se o Pix, que se destaca como um dos principais vetores de transformação. O sistema se consolidou como um fenômeno global, sem paralelo em outras geografias em termos de adoção no consumo das famílias, e já responde por mais de 40% do mercado endereçável. Ao observar a combinação entre Pix P2B e cartões no total de gastos dos consumidores, fica clara a maturidade do mercado brasileiro. A participação desses meios passou de 35% em 2020 para 85% em 2025 – um patamar que indica ampla digitalização do consumo e menor espaço para expansão se considerada apenas na substituição de meios tradicionais, principalmente dinheiro em espécie.
No entanto, novas frentes de expansão, impulsionadas por mudanças no padrão de consumo e pela evolução do ecossistema digital, indicam que o mercado ainda tem potencial. De acordo com André Mello, sócio da Bain, “quando consideramos, ao mesmo tempo, o avanço do consumo fora do PCE tradicional, a digitalização de novos verticais e a expansão de casos de uso ainda pouco explorados, fica claro que o potencial de crescimento dos pagamentos digitais no Brasil segue relevante. Em 2024, o mercado endereçável já foi até 24% superior ao PCE, o que indica um potencial de expansão de até 38%. Do ponto de vista econômico, esse movimento também se reflete na evolução do setor, que hoje conta com um profit pool de R$ 120 bilhões e pode alcançar R$ 170 bilhões até 2030”.
Nesse contexto, a indústria precisará ajustar as estratégias para sustentar o crescimento. “Para os emissores, a principal oportunidade estará em aprofundar o relacionamento com o cliente, aumentando a principalidade, por meio da expansão da carteira financiada e da integração com outros produtos financeiros, como crédito pessoal, investimentos e seguros. Isso implica usar dados transacionais de forma mais inteligente para personalizar ofertas e capturar mais valor ao longo do ciclo de vida do cliente”, afirma Antonio Cerqueiro, sócio da Bain.
As bandeiras, por sua vez, precisarão reforçar sua proposta de valor em um ambiente mais competitivo. Isso passa por investir continuamente em experiência do usuário, programas de benefícios mais atrativos e, sobretudo, em soluções avançadas de prevenção a fraudes e segurança – elementos que ainda diferenciam os cartões em jornadas de maior valor ou complexidade.
Já as credenciadoras têm que buscar crescimento, evoluindo de processadoras de pagamento para provedoras completas de soluções para o varejo. A oferta de serviços de valor agregado, como antecipação de recebíveis, gestão de caixa, crédito para lojistas e ferramentas de fidelização, tende a ganhar protagonismo. Também há espaço para atuar em novos serviços financeiros, capturando receita para além da adquirência tradicional e aumentando a monetização por cliente.
Com uma base amplamente digitalizada, o futuro dos pagamentos no Brasil dependerá menos da entrada de novos usuários e mais da capacidade dos players de inovar, diversificar receitas e aprofundar o relacionamento com clientes. Ao mesmo tempo, a indústria como um todo deve explorar novos setores, especialmente em pagamentos B2B, menos disruptivos até hoje – movimentos que devem sustentar o crescimento da indústria até 2030.




















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