Ativos virtuais em 2027: Preservar a experiência de compra do consumidor é essencial para ampliar o uso de ativos digitais

No primeiro semestre de 2026, cerca de R$ 283 bilhões foram movimentados pelo mercado de criptoativos, segundo a Receita Federal (RF). O resultado segue a tendência do ano anterior, período em que o setor movimentou mais de R$ 500 bilhões no Brasil, ainda segundo dados da RF. Junto a isso, quando pareadas a moedas fiduciárias, como dólar ou real, os ativos conhecidos pelo termo “stablecoin” movimentaram mais de R$ 360 bilhões no ano passado. De acordo com a RF, do volume total transacionado em 2025, cerca de 80% correspondia às stablecoins.
Na prática, os números mostram que os ativos virtuais já não se restringem aos usuários nativos digitais e ao mercado B2B. Contudo, ainda há espaço para que essas novas moedas se consolidem, especialmente entre os negócios B2C.
A Pomelo, empresa de infraestrutura para meios de pagamento, vê uma série de movimentos que devem ganhar força já no próximo ano, mas a preservação da experiência do usuário ainda é a maior aposta. “A expansão [dos ativos virtuais] dependerá de maior integração aos meios de pagamento já utilizados pelos consumidores”, afirmou Fabio Pompeo, head de Business Development da Pomelo, durante a palestra “Como ativos virtuais podem potencializar o seu negócio B2C”, realizada no Fórum Payment Anyway 2026, em São Paulo (SP).
Segundo o executivo, é preciso aproveitar a infraestrutura de pagamentos já existente para que os ativos digitais sejam utilizados em transações cotidianas. Essa integração seria benéfica para estabelecimentos comerciais e para consumidores, uma vez que não aumenta a complexidade do pagamento e da operação do negócio. “O segredo para escalar a solução é mudar o mínimo possível a jornada de compra do cliente”, afirmou.
Na prática, o consumidor continuaria utilizando seu meio de pagamento favorito e o comércio seguiria recebendo na moeda local. Outras complexidades, relacionadas à liquidez, regulação e ao compliance, seguiriam tratadas pela infraestrutura responsável pela solução, sem transferir essas etapas para o usuário final.
Movimentos do mercado de ativos digitais em 2027
A busca por experiência de uso facilitada deve estimular ainda o desenvolvimento de inovações tecnológicas, incluindo novas infraestruturas de blockchain e de ativos digitais. “A infraestrutura está aqui e vai evoluir, mas são os casos de uso que construímos sobre elas que vão abrir novas oportunidades”, afirmou.
Outro movimento já observado neste ano pela Pomelo, e que deve ser acentuado no próximo, é a chegada de empresas mais estruturadas ao mercado brasileiro. Apesar dos desafios, “questões vindas da regulação são dores do crescimento”, apontou Pompeo. Em geral, o executivo entende que o amadurecimento do setor favorecerá a criação de soluções que conectem ativos digitais a necessidades concretas de empresas e consumidores.
O desafio, entretanto, será combinar a evolução tecnológica com modelos financeiramente viáveis, segurança e uma experiência de uso simples, para facilitar a adesão do público que não é necessariamente nativo digital. Mesmo assim, “2027 será o ano do cross-border, aumento da demanda de uso de ativos digitais entre pessoas físicas e também no B2B”, completou Fabio Pompeo.





















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