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Black Friday coloca Pix e crédito no centro da transformação dos pagamentos no Brasil

há 2 minutos
3 min de leitura

A Black Friday de 2026 evidencia como os meios de pagamento estão passando por uma transformação no Brasil. Segundo levantamento da Serasa Experian divulgado em outubro, mais de 66% dos consumidores com maior propensão a comprar na data preferem o crédito parcelado, enquanto 38% dos entrevistados pretendem utilizar Pix à vista nas compras. Nesse cenário de diferentes modalidades de pagamento e maior movimentação financeira, o Pix começa a ampliar seu papel na economia, avançando para além das transferências e compras imediatas e se aproximando de operações de crédito, cobrança e tributação.


Para este semestre, entre as iniciativas previstas na agenda do Banco Central estão a cobrança híbrida, a integração do Pix ao pagamento de duplicatas e as adaptações necessárias à reforma tributária. São mudanças que, embora possam parecer restritas ao mercado financeiro e empresarial, têm potencial para alterar a experiência de pagamento e a relação dos brasileiros com suas contas no dia a dia.


Cobrança híbrida: boleto e Pix na mesma conta


Uma das novidades é a cobrança híbrida, que combina boleto e Pix em um mesmo documento. A proposta permite que uma cobrança tradicional tenha também um QR Code para pagamento instantâneo. A funcionalidade já pode ser oferecida pelo mercado, mas o Banco Central trabalha na regulamentação de sua utilização e nos mecanismos para evitar pagamentos em duplicidade.


Para o consumidor, a mudança tende a ser simples: ao receber uma cobrança, será possível escolher entre o pagamento tradicional do boleto ou o Pix. Para as empresas, a expectativa é facilitar a conciliação e reduzir etapas no processo de recebimento.

Em períodos de maior movimentação comercial, como a Black Friday, a possibilidade de oferecer diferentes alternativas de pagamento em uma mesma cobrança também pode facilitar a jornada do consumidor e contribuir para a eficiência dos processos de recebimento das empresas.


“É uma mudança que parece pequena para quem paga uma conta, mas pode simplificar bastante a relação entre empresas e consumidores. O Pix passa a estar integrado a uma cobrança que o brasileiro já conhece, sem exigir uma mudança radical de comportamento”, afirma Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, plataforma de empréstimo 100% online.


Duplicata no Pix: mais agilidade para recebíveis


Outra frente em desenvolvimento é a chamada Duplicata no Pix. A proposta prevê a integração do sistema de pagamentos instantâneos à quitação de duplicatas escriturais, facilitando a circulação desses títulos e operações relacionadas a recebíveis.

A iniciativa tem impacto principalmente sobre empresas, mas pode produzir efeitos indiretos sobre consumidores ao contribuir para um fluxo financeiro mais ágil entre fornecedores e compradores.


Para pequenos e médios negócios, por exemplo, operações mais rápidas podem representar maior previsibilidade no fluxo de caixa e facilitar a gestão financeira. Em períodos de maior demanda, como a Black Friday, essa agilidade na circulação de recebíveis pode ganhar ainda mais relevância para empresas que precisam administrar estoques, pagamentos a fornecedores e capital de giro.


“Quando o Pix passa a fazer parte da infraestrutura de recebíveis, ele ganha uma função mais estratégica para as empresas. A tendência é que operações que hoje dependem de diferentes etapas possam se tornar mais rápidas e integradas”, explica Afonso.


Split tributário: o imposto por trás do pagamento


Outra transformação importante está relacionada à reforma tributária sobre o consumo. O chamado split tributário prevê uma adaptação da infraestrutura de pagamentos para permitir a separação dos valores correspondentes aos tributos durante o processo de liquidação das operações.


Na prática, o consumidor não precisará realizar uma etapa adicional para que os impostos sejam recolhidos. A transformação ocorrerá principalmente nos sistemas utilizados por empresas, instituições financeiras e demais participantes da cadeia de pagamentos.


O impacto, portanto, estará mais nos bastidores. Empresas precisarão adaptar seus sistemas financeiros e fiscais para lidar com a identificação das operações e a destinação dos valores relativos aos tributos dentro das novas regras.


O que muda para o consumidor?


Em um período marcado pelo aumento das compras e pela maior utilização de diferentes modalidades de pagamento, como a Black Friday, a evolução do Pix evidencia uma transformação na relação dos brasileiros com o dinheiro. O sistema deixa de funcionar apenas como uma ferramenta de transferência e passa a integrar diferentes etapas da jornada financeira, do pagamento de compras à contratação de crédito.


No entanto, essa expansão também exige atenção do consumidor. Quanto mais operações estiverem conectadas ao Pix, maior será a importância de conferir cobranças, destinatários e condições antes de autorizar uma transação.


“O Pix trouxe uma enorme facilidade para o cotidiano, mas a velocidade do pagamento não deve significar uma decisão financeira automática. Quanto mais funções forem incorporadas ao sistema, mais importante será entender o que está sendo pago e em quais condições”, conclui o especialista da Simplic.

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