

há 19 horas


O uso do Open Finance na análise de crédito pode ir além da aprovação de um empréstimo.
Com informações financeiras compartilhadas mediante a autorização do consumidor, os bancos e fintechs podem acompanhar as mudanças na renda e nas despesas dos clientes e identificar sinais de possíveis dificuldades de pagamento ao longo do contrato.
Essa foi uma das possibilidades destacadas por Guilherme Nasser, cofundador e CEO da Juros Baixos, durante a 6ª edição do Klavi Day 2026, realizada em 6 de outubro, em São Paulo.
Nasser participou do painel “Open Finance: da conexão à decisão”, ao lado de representantes da Velotax e da Omni.
A conversa abordou como o compartilhamento de informações financeiras pode melhorar a análise de crédito e ajudar as instituições a tomar decisões mais alinhadas à realidade de cada consumidor
No geral, as instituições financeiras consideram o score de crédito, a renda declarada, e o histórico de pagamentos para avaliar uma solicitação de empréstimo atualmente.
Embora esses indicadores sejam importantes, eles nem sempre conseguem mostrar toda a situação financeira de uma pessoa.
Com o Open Finance, a análise pode incluir informações sobre a movimentação bancária, como as entradas regulares de dinheiro, as despesas recorrentes e o comprometimento da renda, desde que o consumidor autorize o compartilhamento desses dados.
Um profissional autônomo, por exemplo, pode não ter salário fixo, mas receber pagamentos de diferentes clientes ao longo do mês, e essas movimentações podem ajudar a demonstrar sua capacidade de pagamento, mesmo quando o perfil não se encaixa nos critérios mais tradicionais de avaliação.
“Os dados de open finance vão revolucionar o crédito pessoal. Ao reduzir a assimetria de informação entre os credores, acreditamos que o mercado de crédito deve crescer de maneira mais justa e com taxas mais atrativas aos tomadores de crédito no Brasil”, afirma Guilherme Nasser, CEO da Juros Baixos.
Além da análise inicial, o uso dos dados financeiros pode ajudar as instituições a acompanhar a situação dos consumidores após a contratação do empréstimo.
Uma redução recorrente na renda ou um aumento das despesas, por exemplo, podem indicar dificuldades para manter o pagamento das parcelas.
Com o acompanhamento autorizado dessas informações, é possível identificar esses sinais e avaliar alternativas antes que os atrasos se acumulem.
“Hoje muitas empresas olham para Open Finance no momento da concessão de crédito, mas existe um poder enorme em seguir acompanhando tais dados após a concessão e poder prever movimentos de default e atraso nas parcelas a partir das movimentações bancárias”, destaca Nasser.
Esse acompanhamento pode contribuir para a gestão de risco e ajudar a identificar situações em que uma renegociação pode ser necessária. No entanto, a disponibilidade dos dados, por si só, não garante a prevenção de atrasos ou da inadimplência.
O uso do Open Finance pode beneficiar os consumidores que encontram dificuldades nos modelos tradicionais de análise, como os trabalhadores informais e pessoas com pouco histórico de crédito.
Ao considerar informações que vão além do score, as instituições podem avaliar melhor a capacidade de pagamento desses consumidores e identificar ofertas mais compatíveis com as suas características financeiras.
Essa possibilidade se relaciona à atuação da Juros Baixos como marketplace, que conecta consumidores a diferentes instituições financeiras parceiras.
Com uma análise mais completa do perfil de quem busca empréstimo, é possível direcionar as solicitações para instituições com critérios mais alinhados à realidade de cada pessoa.
Para o mercado de crédito, a possibilidade de conhecer melhor a situação financeira de cada consumidor também abre espaço para adecisões mais bem fundamentadas e condições de empréstimo mais compatíveis com diferentes perfis.


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