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  • Insurtech Brasil 2026 destaca inteligência artificial e reúne líderes de tecnologia das principais seguradoras do país

    A inteligência artificial será um dos principais temas do evento Insurtech Brasil 2026, que chega à sua 9ª edição consolidado como o principal encontro de tecnologia e inovação em seguros do país. Realizado no dia 28 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo, o evento deve reunir mais de 1,5 mil participantes entre executivos de seguradoras, empresas de tecnologia, plataformas digitais e especialistas do setor.   Neste ano, a programação reforça o papel da inteligência artificial como um dos motores da transformação do mercado de seguros. O tema atravessa diferentes painéis do evento, abordando desde precificação e subscrição até sinistros, análise de dados e modernização de sistemas.   Outro destaque da edição é a presença crescente de CIOs, CTOs e líderes de inovação das principais seguradoras do país, que participarão tanto como palestrantes quanto como parte do público do evento. Entre os nomes já confirmados estão Alfredo Lalia, CEO da Sompo; Daniel de Rosa, CIO, CTO e COO da Sompo; Adilson Lavrador, COO da Tokio Marine Seguradora; e Victor Horta, Chief Product Officer da Pier Seguradora.   Para José Prado, CEO do Insurtech Brasil, a presença dessas lideranças reflete o momento vivido pelo setor. “A tecnologia passou a ocupar um papel central na estratégia das seguradoras. Executivos responsáveis por tecnologia, dados e inovação estão cada vez mais envolvidos nas decisões de negócio, e isso se reflete também no perfil dos debates do evento”, afirma.   Segundo o executivo, o avanço da inteligência artificial tem acelerado mudanças estruturais no setor. “Hoje a discussão não é mais sobre se a tecnologia vai transformar o mercado de seguros, mas sobre como as empresas estão aplicando inteligência artificial, dados e novas arquiteturas tecnológicas para melhorar eficiência, precisão de risco e experiência do cliente.”   A edição de 2026 também tem atraído um número crescente de profissionais ligados a ciência de dados e analytics dentro das seguradoras, ampliando o perfil técnico da audiência e fortalecendo o evento como espaço de troca entre executivos do setor e empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para o mercado.   Na trilha dedicada à tecnologia em seguros, os debates abordam temas como modernização de sistemas core, arquitetura baseada em APIs, uso de inteligência artificial na precificação de seguros e novas formas de acelerar a inovação dentro das organizações.   Entre os painéis previstos estão discussões sobre plataformas de distribuição e modelos de Insurance as a Service, modernização de sistemas legados das seguradoras e aplicações de inteligência artificial na análise de risco. Também entram na agenda temas como desenvolvimento acelerado com IA, RPA e automação, além da modernização da arquitetura de dados para permitir analytics avançado e personalização de produtos.   Além do conteúdo técnico, o evento também se consolida como uma plataforma de networking qualificado, reunindo executivos responsáveis por tecnologia, inovação e transformação digital em seguradoras, além de empresas que desenvolvem soluções para o setor.   O evento Insurtech Brasil 2026 acontece no dia 28 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. Confira mais informações em https://www.insurtechbrasil.com/

  • Planejamento financeiro integrado ao ERP é tendência ou necessidade?

    Crescer sem um planejamento financeiro centralizado pode até funcionar (por um tempo) para pequenas e médias empresas. Mas, na maioria das vezes, sem controle financeiro, o avanço ocorre de forma desorganizada, acompanhado de um aumento descontrolado dos custos para sustentar a operação, o que reduz margens, corrói a rentabilidade e pode comprometer a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo. A pesquisa “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios”, do Sebrae, mostrou que 61% dos micro e pequenos empreendedores brasileiros misturam contas pessoais e empresariais, prática que compromete o controle de margem e decisões de preço.     Mas como identificar esse cenário antes que ele comprometa os resultados? E, sobretudo, quais medidas adotar para evitar que o crescimento se transforme em risco financeiro? Dessa forma, executivos de diferentes setores têm colocado uma questão no centro da estratégia: o planejamento financeiro integrado ao ERP  - Sistema Integrado de Gestão Empresarial - é apenas mais uma tendência de mercado ou já se consolidou como uma exigência para a sustentabilidade do negócio? A resposta, como apontam os controllers, CFOs, contadores, consultores e empresários, caminha para a segunda opção. Em um ambiente cada vez mais complexo, operar no escuro, sem integração entre dados financeiros e operacionais e sem uma abordagem estratégica perante eles, passou a representar um risco. "Uma empresa pode literalmente quebrar mesmo vendendo muito", explica. Alysson Guimarães, fundador e CEO da LeverPro, empresa de tecnologia para planejamento e análise financeira de organizações. O caminho para evitar esse cenário passa pela adoção de uma gestão financeira integrada. Segundo o executivo, os sistemas de ERP, plataformas que centralizam e conectam os principais processos de uma empresa, deixaram de atuar apenas como registradores de notas fiscais e controle de estoque. Hoje, funcionam como centros de visibilidade, planejamento e gestão do negócio quando integrados com tecnologias de gestão financeira e controladoria. “Quando bem aplicadas, as tecnologias passam a atuar como alavancas estratégicas — podendo, inclusive, representar a linha que separa a lucratividade da inviabilidade do negócio”, destaca Alysson. Ainda assim, muitas empresas operam com baixa visibilidade financeira, apoiadas em planilhas e sistemas desconectados. “Quando a gestão financeira passa a estar integrada a um ERP e conectada ao contador e às projeções do negócio, a empresa não está apenas controlando o que aconteceu, está planejando o que vai acontecer. Isso pode ser a linha tênue entre terminar o mês no azul ou no vermelho”, afirma. A integração de sistemas de gestão tem sido apontada como um dos principais vetores de eficiência nas empresas. Segundo pesquisa da IDC, organizações com maior maturidade na integração de dados conseguem gerar até 3,7 vezes mais retorno em iniciativas de análise e inteligência.  O executivo explica que a solução pode ser integrada aos principais ERPs do mercado, por meio de APIs e automações, conectando-se diretamente ao sistema financeiro. "Com os dados sincronizados em tempo real, a empresa passa a ter uma única fonte de verdade, permitindo identificar inconsistências e transformar informações em decisões", comenta Alysson. "Essas integrações potencializam e unem a execução operacional via automação e análise financeira, resultando em maior previsibilidade e controle. Entre os principais efeitos estão a redução de custos indiretos; projeções de caixa mais confiáveis e cenários financeiros mais robustos; e maior transparência contábil e fiscal, diminuindo riscos no fechamento mensal". A LeverPro é integrada nativamente a plataformas como Omie e Conta Azul, e também a mais de 80 outros sistemas de gestão do mercado, incluindo ERPs como TOTVS, SAP e Oracle. Essa integração ampla permite consolidar dados de diferentes áreas da empresa e gerar análises estratégicas, transformando informações em decisões que apoiam o crescimento.

  • Deu certo? Fintechs dominam 'naming rights' milionários após flexibilização regulatória

    Em menos de uma década, o sistema financeiro brasileiro passou por uma transformação estrutural profunda. O que começou como um movimento de flexibilização regulatória, com redução de barreiras, novas licenças e incentivo à concorrência, deu origem a uma nova geração de instituições. Fintechs como Nubank, Banco Inter e PagBank conquistaram milhões de clientes e passaram a movimentar volumes bilionários, alterando de forma definitiva a dinâmica do mercado financeiro no país. Mais recentemente, porém, o avanço dessas empresas deixou de ser apenas tecnológico e passou a ganhar contornos institucionais. O investimento em naming rights e patrocínios milionários sinaliza uma mudança estratégica relevante. O Nubank, por exemplo, passou a investir no estádio do Palmeiras, e e está em processo de enquete para que os torcedores escolham o novo nome (Nubank Parque, Nubank Arena ou Parque Nubank). O PagBank, por sua vez, chegou a Faria Lima para adquirir o nome da estação próxima ao centro financeiro mais estratégico da cidade de São Paulo, da Linha 4-Amarela. E o Banco Inter completou 1 ano de parceria da aquisição de uma arena da Major League Soccer (MLS), nos EUA, a Inter&Co Stadium, em Orlando. “Ao investir em naming rights e patrocínios milionários, essas empresas estão comprando algo mais do que visibilidade: estão comprando legitimidade”, afirma Carlos Akira Sato, vice-presidente de Relações Institucionais da PAGOS e especialista em Mercado de Capitais e Fintechs . Esse movimento reflete uma transformação mais profunda no posicionamento dessas companhias. Se antes eram vistas como disruptoras, hoje operam como parte da infraestrutura do sistema financeiro. “Naming rights não são marketing, e sim, uma declaração de que não são mais desafiantes, mas parte do sistema”, explica o especialista. A escala atingida por essas instituições alterou sua natureza, levando-as a desempenhar um papel cada vez mais relevante em pagamentos, crédito e serviços financeiros essenciais. “Estádios, metrôs e grandes eventos não são o ponto central. São sinais de que fintechs deixaram de ser nicho. Além disso, a competição migrou de produto para percepção e se tornou confiança, que é o principal ativo competitivo”. Inversão de papéis Ao mesmo tempo, o setor vive uma inversão de papéis. Bancos tradicionais passaram a incorporar práticas típicas das fintechs, acelerando investimentos em digitalização, experiência do usuário e plataformas. Esse movimento aponta para uma convergência inevitável. “Durante décadas, fintechs tentaram se aproximar do modelo bancário para ganhar escala e confiança. Agora, são os bancos que tentam se aproximar do modelo fintech para ganhar eficiência e relevância”, avalia. Akira explica que instituições como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil vêm acelerando investimentos em: digitalização de serviços simplificação de jornadas experiência do usuário plataformas e ecossistemas “O objetivo é operar com a lógica de fintech, sem perder a estrutura de banco. Isso revela uma inversão estrutural. Durante décadas, fintechs tentaram se aproximar do modelo bancário para ganhar escala e confiança. Agora, são os bancos que tentam se aproximar do modelo fintech para ganhar eficiência e relevância”, acrescenta o especialista. Esse cenário, no entanto, expõe um novo desafio regulatório. Apesar de operarem em escala semelhante, fintechs e bancos ainda estão sujeitos a exigências distintas. “O regulador já começa a reagir, com medidas que indicam maior responsabilização sistêmica, sobretudo em áreas como infraestrutura de pagamentos”. Se antes o foco estava em estimular inovação, agora a discussão passa a ser sobre como regular instituições que já atingiram escala sistêmica. “O Brasil construiu um dos ecossistemas financeiros mais dinâmicos do mundo, mas o verdadeiro desafio agora é entender se o arcabouço regulatório que viabilizou esse crescimento ainda é suficiente para governá-lo”, conclui Akira.

  • O financeiro como motor de crescimento: como o embedded finance deixou de ser tendência e se tornou estratégia central

    O avanço do embedded finance marca uma mudança importante na forma como empresas enxergam o papel dos serviços financeiros dentro de seus modelos de negócio. O que antes era tratado como um complemento passa a ocupar uma posição central na estratégia de crescimento. Ao integrar pagamentos, contas digitais, crédito e outros serviços financeiros diretamente em suas plataformas, empresas ampliam sua capacidade de capturar valor ao longo da jornada do usuário. Essa integração reduz fricções, aumenta o engajamento e cria novas fontes de receita. O impacto é direto e mensurável. Empresas passam a aumentar seu ticket médio, melhorar suas taxas de conversão e fortalecer o relacionamento com seus clientes. O financeiro deixa de ser um suporte operacional e se transforma em um componente estratégico do negócio. No entanto, essa transformação exige uma mudança de abordagem. Incorporar serviços financeiros não significa apenas adicionar funcionalidades. Significa assumir a responsabilidade por uma operação complexa, que envolve processamento de transações, integração com o sistema financeiro, gestão de risco e conformidade regulatória. Sem essa base, o embedded finance perde consistência. Empresas que tentam implementar essa estratégia de forma superficial acabam enfrentando limitações operacionais e dificuldades de escala. O que deveria ser um diferencial competitivo se transforma em um ponto de fragilidade. Por outro lado, quando bem estruturado, o embedded finance se torna uma das principais alavancas de crescimento. É nesse contexto que a Alphacode tem atuado, apoiando empresas na construção de plataformas financeiras digitais que permitem a integração de serviços financeiros de forma estruturada. Sua abordagem considera não apenas a experiência do usuário, mas toda a complexidade operacional envolvida. Isso permite que empresas avancem com segurança, transformando o financeiro em uma vantagem competitiva real e sustentável, em vez de uma iniciativa isolada.

  • A nova fronteira da inadimplência no consignado privado

    O Crédito do Trabalhador, nova fase do crédito consignado para empregados do setor privado, representa uma das transformações mais relevantes do mercado de crédito de pessoa física no Brasil desde a expansão do consignado do INSS no início dos anos 2000. Com potencial para ampliar o acesso ao crédito com garantia de desconto em folha para milhões de trabalhadores formais, a modalidade cresce rapidamente mas ainda enfrenta desafios estruturais típicos de um produto em fase inicial de maturação.  Diante de um ambiente cada vez mais competitivo, os participantes deste mercado têm investido aceleradamente em tecnologias escaláveis ao longo de toda a cadeia de crédito, da concessão à cobrança. Soluções como a plataforma ToolBox da GYRA+, voltada à automação inteligente da aprovação de crédito, e a plataforma Paiper, especializada na automação da comunicação para cobrança e escrituração, exemplificam essa corrida por eficiência operacional e capacidade de crescimento sem perda de controle. Os números confirmam essa aceleração. Em 2025, o volume total de crédito consignado concedido a trabalhadores do setor privado alcançou cerca de R$ 100 bilhões, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, consolidando a modalidade como uma nova avenida de expansão do crédito ao consumo no país. Ao mesmo tempo, o saldo total da carteira praticamente dobrou em 12 meses, passando de R$ 40 bilhões para R$ 76,7 bilhões ao final do ano, refletindo crescimento anual superior a 90%. Esse avanço não ocorre por acaso. O Crédito do Trabalhador nasce com três objetivos principais: ampliar o acesso ao consignado para trabalhadores CLT sem convênio prévio com bancos, reduzir o custo médio do crédito pessoal e permitir a migração de dívidas mais caras para uma linha com garantia salarial. Em muitos casos, a taxa média gira em torno de 3,5% ao mês, ainda elevada em termos absolutos, mas significativamente inferior ao crédito pessoal sem garantia, que frequentemente supera 10% ao mês. Apesar do crescimento expressivo, a inadimplência nas primeiras safras da modalidade tem surpreendido negativamente parte do mercado. No entanto, diferentemente do que ocorre em outras linhas de crédito ao consumo, a principal causa não está necessariamente na incapacidade de pagamento do trabalhador. Estudos recentes mostram que aproximadamente 35% das empresas que já operam o Crédito do Trabalhador registram algum nível de inadimplência desde o início da operação. Mais relevante ainda é a composição dessa inadimplência: cerca de 65% dos casos decorrem de falhas operacionais e não de atraso voluntário do tomador. Entre os principais fatores estão: atrasos na comunicação entre RH e instituições financeiras (30%); falhas de integração com eSocial ou Dataprev (22%); problemas na execução do desconto em folha (13%). Esse dado muda completamente a leitura tradicional do risco de crédito da modalidade. Em vez de inadimplência clássica associada ao comportamento do tomador, observa-se um risco operacional distribuído ao longo da cadeia de execução da consignação. Isso ocorre porque o Crédito do Trabalhador representa uma mudança estrutural na lógica histórica do consignado privado. Diferentemente do modelo anterior baseado em convênios bilaterais entre empresa e banco, o novo formato digitaliza o acesso à contratação e amplia significativamente o número de empregadores envolvidos na retenção das parcelas. Na prática, o empregador passou a assumir papel operacional central na liquidação da dívida. E é justamente nesse ponto que surgem os maiores gargalos. Grandes empresas, com departamentos estruturados de recursos humanos, jurídico e contabilidade, tendem a se adaptar rapidamente às exigências operacionais do produto. Essas organizações já possuem processos consolidados de folha de pagamento, integração sistêmica com obrigações trabalhistas e governança adequada para cumprir prazos regulatórios. Já entre pequenas e médias empresas, o cenário é diferente. Uma parcela relevante dessas organizações ainda enfrenta dificuldades para operacionalizar corretamente o registro da consignação, realizar retenções dentro do prazo ou integrar sistemas internos com plataformas governamentais. Em muitos casos, a inadimplência observada decorre simplesmente de falhas de execução administrativa, e não de inadimplência econômica do trabalhador. Outro dado importante ajuda a contextualizar esse desafio: cerca de 46% das empresas brasileiras ainda não conhecem plenamente o funcionamento do Crédito do Trabalhador ou não dominam seus fluxos operacionais. Essa lacuna de conhecimento ajuda a explicar por que as primeiras safras da modalidade apresentam comportamento diferente daquele observado historicamente no consignado público e do INSS. Além disso, há um componente estrutural adicional: o perfil do tomador. Mais de 60% das operações recentes foram contratadas por trabalhadores com renda de até quatro salários mínimos, grupo historicamente mais sensível a choques de renda e volatilidade do emprego. Esse fator amplia a importância de mecanismos de proteção operacional e governança na execução da consignação, já que pequenas falhas administrativas podem gerar impactos relevantes sobre o fluxo de pagamento das operações. Outro aspecto relevante é que o Crédito do Trabalhador ainda convive com taxas significativamente superiores às observadas no consignado público tradicional. Enquanto servidores públicos e beneficiários do INSS pagam taxas próximas de 24% ao ano, o consignado privado ainda opera em patamares superiores a 50% ao ano em muitos contratos recentes. Esse diferencial reflete, principalmente, o estágio inicial da modalidade, a menor previsibilidade da estabilidade do vínculo empregatício no setor privado e a ausência histórica de infraestrutura consolidada de consignação universal para trabalhadores CLT. Ainda assim, o potencial de expansão permanece elevado. O governo estima que cerca de 19 milhões de trabalhadores formais podem acessar a modalidade nos próximos anos, com capacidade de gerar até R$ 120 bilhões adicionais em crédito no médio prazo. À medida que sistemas de folha evoluem, integrações com eSocial se consolidam e empregadores se adaptam aos fluxos operacionais do produto, a expectativa é que a inadimplência estrutural caia rapidamente nas próximas safras. Nesse sentido, o Crédito do Trabalhador não deve ser interpretado apenas como uma nova linha de crédito, mas como a construção de uma nova infraestrutura de consignação digital no país. Como ocorreu anteriormente com o consignado do INSS e com o crédito para servidores públicos, a fase inicial tende a apresentar ruídos operacionais e ajustes regulatórios. A diferença é que, desta vez, o desafio não está apenas no comportamento do tomador, mas na capacidade de coordenação entre instituições financeiras, plataformas governamentais e empregadores. A consolidação dessa engrenagem será o fator determinante para transformar o Crédito do Trabalhador em uma das principais avenidas de expansão sustentável do crédito de pessoa física no Brasil na próxima década.

  • Tokenização de ativos: o próximo passo do mercado financeiro tradicional

    A tokenização de ativos vem sendo incorporada ao mercado financeiro tradicional como alternativa para modernizar emissão, registro e liquidação de títulos. No Brasil, iniciativas de autorregulação e testes com infraestrutura digital colocam o país entre os protagonistas desse movimento. A tokenização de ativos, também chamada de real-world assets (RWAs), consiste em representar direitos econômicos ou de propriedade — como títulos, fundos, créditos, imóveis ou recebíveis — por meio de tokens registrados em infraestrutura digital programável, geralmente baseada em DLT ou blockchain. Mais do que “colocar um ativo na blockchain”, o processo envolve reestruturar todo o ciclo de vida do ativo, da emissão à liquidação, com regras de transferência, compliance e registro incorporadas ao sistema.    Na prática, o modelo tradicional envolve múltiplos intermediários, liquidação em prazos como D+1 ou D+2 e processos de reconciliação paralelos. Com a tokenização, as regras do ativo podem ser programadas em código, permitindo liquidação quase simultânea entre entrega e pagamento (DvP), maior transparência e possibilidade de fracionamento. Projeções de consultorias internacionais indicam que o mercado de ativos tokenizados pode alcançar trilhões de dólares até 2030, embora ainda represente parcela pequena do sistema financeiro global. De acordo com Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, o movimento é menos sobre criptoativos e mais sobre eficiência estrutural. “A tokenização é uma reengenharia do backoffice combinada com novos trilhos de distribuição. O objetivo é reduzir fricções operacionais, ampliar acesso e aumentar a eficiência da liquidação, sem abrir mão de governança e conformidade regulatória”, destaca.    Os casos de uso mais avançados concentram-se em fundos de curto prazo, títulos públicos, crédito privado e operações de colateral. Nesses segmentos, a digitalização tende a gerar ganhos operacionais mais imediatos. No entanto, especialistas alertam que a escalabilidade depende da chamada “perna do dinheiro” — ou seja, da existência de ativos digitais de liquidação confiáveis, como depósitos tokenizados, stablecoins reguladas ou moedas digitais de banco central. “Entre os principais pontos de atenção estão a segurança jurídica sobre a titularidade do ativo, riscos operacionais ligados a contratos inteligentes, interoperabilidade entre plataformas e integração com o ambiente regulado. A tendência, segundo analistas, é que a expansão ocorra em ambientes permissionados, com governança estruturada e auditoria constante”, explica Pereira.    No Brasil, o avanço ocorre de forma coordenada entre mercado e reguladores, ainda que com ajustes relevantes ao longo do caminho. Iniciativas conduzidas por entidades do setor e testes com infraestrutura digital seguem em desenvolvimento, alinhados aos princípios de inovação regulada e Open Finance. No entanto, o projeto do Drex, o real digital brasileiro, passou por uma reavaliação importante no final de 2025, quando o Banco Central decidiu descontinuar a plataforma blockchain utilizada nas fases iniciais de testes. O movimento sinaliza uma etapa de recalibração tecnológica, reforçando que a construção de uma infraestrutura digital de liquidação ainda está em evolução.     Mesmo com esse ajuste, o Brasil continua sendo citado como um dos ambientes mais estruturados para experimentação regulada, o que pode acelerar a adoção institucional nos próximos anos. Para o Pereira, o avanço será gradual. “O próximo passo do mercado financeiro não é substituir toda a infraestrutura existente, mas integrar soluções tokenizadas onde há ganho real de eficiência. O processo começa por ativos mais simples e evolui à medida que padrões e modelos de liquidação se consolidam”, conclui.

  • A reação dos EUA ao Pix: Por que o sistema de pagamentos brasileiro está incomodando as grandes bandeiras

    O Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central do Brasil, já representa 54% das transações realizadas no país, um número que destaca seu impacto no mercado financeiro brasileiro. Em comparação, as transações feitas com cartões de crédito e débito têm mostrado uma queda significativa, com a participação das bandeiras como Visa e Mastercard já abaixo de 15%. Esse crescimento acelerado do Pix tem gerado preocupações nos Estados Unidos, que veem o sistema como uma ameaça direta às grandes bandeiras, que ganham um percentual sobre as transações realizadas. A reação americana não se limita apenas ao mercado brasileiro, mas também a uma possível expansão global dos pagamentos instantâneos, que pode resultar em perdas significativas para as empresas de cartões. De acordo com Marco Zanini, CEO da DINAMO Networks, "o principal motivo pelo qual os americanos não estão felizes com o Pix é que, desde o início, o Pix tem conquistado uma parcela significativa das transações realizadas com cartões de crédito e débito. As principais bandeiras de crédito e débito, Visa e Mastercard, são empresas americanas, e elas ganham um percentual sobre as transações realizadas nesses pagamentos. Quando compramos gasolina, fazemos compras no mercado ou na padaria, uma parte desse valor vai para as bandeiras. E o Pix tem tomado uma fatia significativa disso. O Pix já representa 54% de todos os pagamentos realizados no Brasil, enquanto os cartões vêm perdendo participação, com o último número que vi já abaixo de 15%. Isso tem um impacto muito grande." Em seguida, Zanini completa: "Se outros países começarem a adotar sistemas de pagamentos instantâneos como o Pix, as bandeiras podem perder bilhões de dólares. Então, é uma ação do governo americano para proteger as suas empresas. É natural, e a gente também defende os nossos interesses. Mas o principal motivo é que o Pix está tomando uma fatia das transações que antes eram dominadas pelos cartões de crédito, e as bandeiras estão sendo prejudicadas por isso."

  • ABToken e CertiK lançam guia estratégico de segurança e conformidade regulatória para o mercado de PSAVs

    A Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken) , em colaboração com a CertiK , líder mundial em segurança Web3, anuncia hoje o lançamento do "Handbook Estratégico: Segurança Web3 & Conformidade Regulatória para PSAVs no Brasil" . O documento inédito foi desenvolvido para orientar instituições e tomadores de decisão sobre as novas exigências de certificação técnica e segurança impostas pelo marco regulatório brasileiro. Com a entrada em vigor da Instrução Normativa (IN) 701 do Banco Central, os Previdenciários de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) enfrentam um novo paradigma: a conformidade deixou de ser baseada apenas em declarações formais e passou a exigir evidências técnicas verificáveis. O Handbook detalha como as soluções de auditoria de smart contracts , verificação formal e monitoramento contínuo são essenciais para atender aos 17 domínios de certificação exigidos pelo Banco Central do Brasil (BCB). "Vejo com otimismo este momento de amadurecimento do setor. Estamos reunindo players estratégicos para construirmos juntos um ecossistema de tokenização regulado e seguro, onde a inovação ganha escala institucional. Este handbook é uma ferramenta prática e propositiva para que o Brasil não apenas acompanhe as tendências, mas lidere a transformação financeira global com resiliência e boas práticas de governança", explica Regina Pedroso, diretora executiva da ABToken. Destaques do Handbook: Mapeamento da IN 701: Uma análise detalhada das 17 áreas de certificação exigidas pelo Banco Central e como endereçá-las tecnicamente. Segurança em Três Camadas: Explicação sobre o uso de verificação formal matemática para eliminar riscos lógicos em contratos inteligentes. Panorama Global: Um paralelo entre a regulação brasileira e frameworks internacionais como o MiCA (União Europeia) e as diretrizes de Hong Kong e Singapura. Prova de Reservas (PoR): Orientações sobre a transparência verificável de ativos exigida mensalmente pelo regulador. O material foi elaborado considerando o endurecimento dos controles de cibersegurança e a necessidade de documentação rastreável para o processo de licenciamento de PSAVs, cujas primeiras fases de aplicação encerram-se em outubro de 2026. O Handbook Estratégico está disponível para download gratuito no site \da ABToken ( www.abtoken.com.br ).

  • Pix errado: é possível recuperar o dinheiro? Saiba o que diz a legislação

    Com bilhões de transações realizadas todos os meses no Brasil, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do país, e, na mesma proporção, cresceram os casos de transferências feitas por engano. Apesar da praticidade, o sistema não prevê estorno automático quando o erro parte do próprio usuário, o que faz com que muitos consumidores recorram à Justiça para tentar recuperar valores enviados por chave incorreta. Pela legislação brasileira, há respaldo para a devolução. O Código Penal, no artigo 169, trata como crime a apropriação de valores recebidos por erro, enquanto o Código Civil, em seu artigo 884, proíbe o enriquecimento sem causa. Ou seja, quem recebe um valor indevido não pode simplesmente mantê-lo. Esse entendimento já vem sendo aplicado pelos tribunais. Em um caso recente, um consumidor que transferiu R$ 2 mil via Pix para a chave errada conseguiu reaver o valor após comprovar o equívoco, com decisão favorável à restituição. No campo das relações de consumo, decisões judiciais também admitem a responsabilização de instituições financeiras em situações específicas, especialmente quando há falha na prestação do serviço. Já o Mecanismo Especial de Devolução, criado pelo Banco Central, pode ser utilizado em casos de fraude ou erro operacional, mas não se aplica quando o próprio usuário comete um equívoco ao realizar a transferência. Para o advogado Dr. Tony Santtana, o tempo de resposta é um fator decisivo. “Assim que perceber o erro, o consumidor deve acionar imediatamente o banco e tentar contato com o destinatário. Quando não há devolução espontânea, a via judicial tem se mostrado um caminho eficaz, justamente porque a legislação brasileira não permite que alguém se beneficie de um valor recebido indevidamente”, explica. Segundo ele, embora o Pix tenha trazido agilidade ao dia a dia, o uso exige atenção redobrada para evitar prejuízos e possíveis disputas legais.

  • Endeavor Outliers 2026: Confira como as fintechs perfomaram nesta edição

    A Endeavor, comunidade global que apoia empreendedores em 50 países de todos os continentes, divulgou mais uma relação dos Outliers. De acordo com a comunidade, a origem de uma empresa de alto impacto não tem receita pronta. Mas se há um ingrediente que todas elas têm, é uma pessoa empreendedora fora da curva, dando-se o nome de Outlier. As empresas selecionadas apresentaram crescimento médio anual de 81% nos 3 últimos anos, US$ 221 milhões de receita média, mais de 50 mil empregos diretos, US$ 8,6 bilhões de receita total e 11 vezes mais produtivas do que a média nacional. A nível global, 225 empresas foram reconhecidas como Outliers , entre elas gigantes como Mercado Livre (Argentina), Insider (Turquia), Eleven Labs (Polônia) e Careem (UAE). A comunidade de Outliers brasileiros é a maior entre o grupo de países, representando mais de 17% do total. E mais uma vez as fintechs são o grande destaque da lista por aqui, ocupando o segmento de empresa que mais apareceu, com quase metade das empresas (18 na categoria fintech e 1 na categoria insurtech). Na sequência aparecem os segmentos Retail & Consumer (5), Enterprise Softwares & Services (4), Healthcare (2), Cleantech & Infrastructure (2), Education & Talent (2), Food & Beverage (2), Mobility & Supply Chain (1), Media (1), AI (1). As fintechs brasileiras que apareceram na lista de 2026 foram: 180 Seguros, Asaas, Barte, Blipay, Brex, Cora, Creditas, Ebanx, Mercado Bitcoin, Nelogica, Neon, Nomad, Pagaleve, Pismo, QI Tech, Swap. Ainda podemos adicionar à lista soluções B2B com funcionalidades para gestão financeira, como Conta Azul, Flash, Omie Zig. Além disso, fintechs estrangeiras, porém com operação no Brasil também apareceram,  como os casos da Bitso, Clara, Pomelo e Revolut. Da lista total de empresas, ao redor do mundo, 74 são fintechs, o que representa 32,9% da lista. A lista completa pode ser conferida neste link.

  • Iniciativa prepara ecossistema de pagamentos para o comércio agêntico

    A TNS , provedora global de soluções gerenciadas de conectividade e infraestrutura para pagamentos, e a Pagos , associação de profissionais e empresas de meios de pagamento e fintechs, passam a reunir diversas pontas do setor de pagamentos para organizar o debate técnico e operacional sobre a próxima onda de evolução dos meios de pagamento, o chamado comércio agêntico , modelo de jornada de compra em que agentes de inteligência artificial atuam em nome do usuário para descobrir produtos/serviços, comparar alternativas , executar todas as etapas da transação e   concluir a transação financeira em nome do consumidor , dentro de limites e preferências definidos previamente — incluindo regras de orçamento, marcas preferidas, prazo de entrega e consentimentos. Nesse cenário, o “clique final” tende a dar lugar a autorizações delegadas , exigindo novos controles de confiança, auditoria e segurança. Assim, a iniciativa da TNS e da Pagos propõe preparar o mercado para lidar com uma transformação que está em curso: em vez de jornadas de pagamento iniciadas diretamente por humanos, o ecossistema começa a lidar com transações iniciadas por software, exigindo novos mecanismos de consentimento , autenticações e autorizações delegadas , prevenção a fraudes , governança de dados e regras de responsabilização ao longo da cadeia (A2A Agent to Agent incluir). Esses temas têm ganhado ainda mais tração global com a evolução de iniciativas e protocolos por grandes empresas de tecnologia e pagamentos. Segundo Valéria Carrete, diretora comercial da TNS na América Latina, “ o comércio agêntico não é apenas uma evolução de interface. Ele muda a forma como a intenção de compra é expressa, como credenciais e consentimentos são gerenciados e como riscos são avaliados. Ao participar deste GT, a TNS quer ajudar a trazer luz ao mercado: quais são as implicações reais, quais controles mínimos precisam existir e como empresas podem se preparar para operar com segurança e previsibilidade em um cenário em que agentes de IA passam a iniciar transações ”. A Pagos ressalta que a iniciativa busca alinhar diferentes visões do ecossistema para acelerar a maturidade técnica e orientar melhores práticas. De acordo com Linconl Rocha , diretor presidente da Pagos, “pagamentos eletrônicos dependem de confiança. Quando agentes de IA passam a iniciar transações, precisamos construir rapidamente boas práticas para consentimento, autenticação, segurança e governança de dados. Assim, o mercado precisa desse debate com pragmatismo e visão de futuro, conectando empresas e especialistas em torno de referências que ajudem todas as pontas do mercado a se preparar”. A iniciativa conta com a participação de importantes players do mercado de pagamentos, como ACI Worldwide , Teros , Luby , E-comm , +Payments , Mazaltech , Holdify , Fastpay , MAPS Pay , entre outras empresas e instituições. Ao reunir especialistas para fomentar entendimento, a iniciativa pretende reduzir incertezas e acelerar a preparação do mercado em pontos críticos como: Iniciação de transação e “intenção verificável” : como comprovar que a transação foi autorizada pelo usuário e em quais condições Autenticação e consentimento : como gerenciar autorizações delegadas com segurança e rastreabilidade Segurança, fraudes e disputas : novos vetores de risco, monitoramento e mecanismos de contestação Governança de dados e privacidade : minimização, conformidade e controles de acesso em fluxos orquestrados por IA Interoperabilidade e padrões : como reduzir fragmentação tecnológica e risco operacional no ecossistema No Brasil, a discussão avança em paralelo a experiências e pilotos públicos no setor, indicando que a necessidade de padrões e boas práticas tende a crescer à medida que agentes passam a atuar em etapas críticas da jornada — do checkout à liquidação. O grupo de trabalho pretende produzir, ao longo de 2026, notas técnicas e recomendações de boas práticas para apoiar empresas de tecnologia, instituições financeiras, credenciadoras, subcredenciadoras, varejistas e demais stakeholders na adoção segura desse novo paradigma.

  • O sistema financeiro ganhou velocidade. A pergunta é: quem garante a segurança?

    A digitalização acelerada dos serviços financeiros encurtou processos, ampliou o acesso a produtos bancários e elevou o volume de transações em tempo real. Esse avanço, no entanto, ampliou também os pontos de exposição do sistema. De acordo com o Kaspersky Security Bulletin 2025, organizações financeiras registraram 1.338.357 ataques com trojans bancários no mundo entre novembro de 2024 e outubro de 2025, além do crescimento de incidentes envolvendo ransomware e fraudes automatizadas direcionadas ao setor. “Quanto maior a velocidade das operações financeiras, maior é a exigência por controles que funcionem de forma contínua. Hoje, decisões relacionadas à segurança têm impacto direto na confiança do mercado e na capacidade das instituições de manter seus serviços em funcionamento”, afirma a Ticiana Amorim, CEO e fundadora da Aarin. Os ataques mais recentes mostram um movimento claro dos criminosos: explorar integrações digitais, cadeias de fornecedores e comportamentos fora do padrão em sistemas que operam sem interrupção. Em muitos casos, a falha não está em um único ponto, mas na falta de visibilidade sobre o ambiente como um todo e na demora para identificar sinais de risco antes que eles se transformem em incidentes. Para lidar com esse cenário, o setor financeiro tem buscado abordagens que combinam monitoramento permanente, análise de comportamento e respostas automatizadas, capazes de atuar enquanto as operações seguem ativas. A integração entre prevenção, detecção e recuperação tem sido apontada como um caminho para reduzir impactos operacionais e preservar a confiança dos clientes, especialmente em estruturas que não podem parar. “Manter a fluidez dos serviços financeiros exige segurança alinhada à operação desde o início, com capacidade de acompanhar o ritmo do negócio e reagir rapidamente a qualquer anomalia. Esse equilíbrio é o que sustenta a inovação sem expor dados, transações e infraestruturas críticas”, conclui a CEO.

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