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Nova onda de fraudes no Pix: segurança deve ir além da transação

há 7 minutos
2 min de leitura

A sofisticação dos golpes financeiros no Brasil está ampliando o desafio de segurança para bancos e instituições de pagamento. Se antes boa parte do esforço de prevenção estava concentrada na análise da transação, hoje uma fraude pode começar muito antes do Pix: em uma mensagem falsa, no roubo de credenciais, no comprometimento de um dispositivo ou na manipulação do próprio usuário.


De acordo com o Mapa da Fraude da Serasa Experian, foram registradas mais de 50,7 milhões de mensagens associadas a golpes no Brasil somente no primeiro semestre de 2026, uma média de 3,2 por segundo. No mesmo período, foram detectados 20.840 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos, crescimento de 27,2% em relação ao primeiro semestre de 2025.


O avanço das ameaças ocorre enquanto o Pix ganha ainda mais relevância no sistema financeiro brasileiro. Segundo o Banco Central, foram quase 80 bilhões de transações e cerca de R$ 35 trilhões movimentados pelo sistema somente em 2025. Para Roberto Mendes, CEO da DataRunk, empresa especializada em inteligência em cibersegurança aplicada à resiliência do negócio, o cenário reforça a necessidade de olhar para a fraude como parte de uma cadeia mais ampla de segurança.


“Uma fraude financeira dificilmente começa no momento da transferência. Antes dela podem existir sinais em identidade, dispositivo, canal digital, comportamento, APIs ou na própria infraestrutura. O problema é que boa parte das instituições olha só para a transação e não para o que veio antes dela.  Quando essas informações não estão conectadas à entidade  financeira, a organização enxerga apenas partes do problema. O desafio é correlacionar os sinais para identificar comportamentos anormais e agir antes que a fraude se materialize”, explica.


Segurança precisa acompanhar toda a jornada


Para o especialista da DataRunk, a mudança de abordagem passa pela integração entre áreas que tradicionalmente operaram separadas, como cibersegurança, prevenção a fraudes e resposta a incidentes. Na prática, isso significa combinar diferentes fontes de dados e contexto para entender não apenas se uma transação parece suspeita, mas também o que aconteceu antes dela e quais eventos podem estar relacionados.


"Tem alguns pontos que precisam estar no radar das instituições: monitoramento contínuo de identidade e dispositivo, correlação de eventos entre canais diferentes, análise comportamental. Mas também tem algo que a gente vê pouco: integrar inteligência de ameaças com dados antifraude, e ter capacidade de investigar e responder 24 horas por dia. Sem isso, você sempre vai estar um passo atrás do fraudador", indica Roberto.


A DataRunk vem trabalhando justamente para que dados isolados possam ser analisados dentro de um contexto de atuação sempre com o olhar voltado ao negócio, para que as instituições possam antecipar cenários e bloquear fraudes antes de elas ocorrerem. "Quanto mais rápido a instituição consegue conectar um comportamento transacional atípico a outros sinais de risco, maior é sua capacidade de investigar, responder e reduzir a janela disponível para o fraudador”, completa o executivo.


O próprio Banco Central mantém uma agenda permanente de segurança do Pix, com mecanismos como marcação de fraudes, compartilhamento dessas informações entre participantes, bloqueio cautelar e MED. Para as instituições, entretanto, o avanço dos golpes reforça que atender aos mecanismos regulatórios é apenas parte da estratégia: a prevenção depende também de capacidade operacional para detectar, correlacionar e responder continuamente às ameaças.

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