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  • Mercado de apps financeiros no Brasil: concorrido e ninguém domina

    A AppsFlyer, a Modern Marketing Cloud, lançou hoje “The State of Finance for Marketers – Latam 2026 Edition”, um relatório conjunto com a Sensor Tower e o Google Ads que analisa o desempenho de aplicativos de bancos, fintechs, carteiras digitais, crédito e investimentos no Brasil, México, Argentina, Colômbia, Peru e Chile. O relatório confirma que o mercado financeiro mobile continua crescendo, mas conquistar novos clientes está ficando mais caro, e mantê-los depende cada vez mais da plataforma pela qual chegam. No Brasil, maior mercado de aplicativos financeiros da América Latina, essa diferença entre plataformas é evidente. De acordo com dados da AppsFlyer, a fraude em instalações no iOS caiu 70% entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026, superando com folga um avanço mais tímido no Android, enquanto a retenção no Android no 30º dia é de 3,6%, à frente dos 2,3% do México, mas ainda baixa em termos absolutos. Nenhum aplicativo domina o mercado: o Nubank lidera em número de downloads no país, mas capturou apenas 13% dos downloads de aplicativos de bancos mobile no Brasil em 2025, pois os players estão bem diluídos, segundo a Sensor Tower. Principais descobertas para a América Latina Finanças desafiam a desaceleração: em 2025, os serviços financeiros ficaram em segundo lugar entre as categorias de aplicativos mais baixadas da América Latina, superando 1,3 bilhão de downloads e crescendo 8% em relação ao ano anterior. O usuário médio de smartphone na América Latina agora acessa aproximadamente três aplicativos financeiros por mês, segundo a Sensor Tower. Android ganha na aquisição, iOS ganha na fidelidade: as instalações no Android cresceram 55% entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, mais que o dobro do aumento de 26% no iOS. Ainda assim, o iOS reteve uma parcela maior de usuários no 1º, 7º e 30º dias após a instalação na Argentina, no Brasil e no México, segundo a AppsFlyer. Crédito lidera o crescimento da categoria: os downloads de apps de financiamentos (By now Pay later) cresceram quase 58% em relação ao ano anterior, os empréstimos consignados cresceram 43% e os empréstimos em geral cresceram 24%, segundo a Sensor Tower. O investimento desperdiçado está diminuindo, mesmo com o aumento do CPI: as taxas de fraude em instalações caíram nos aplicativos financeiros, com a categoria mais arriscada, investimentos, recuando de mais de 27% em ambas as plataformas no primeiro semestre de 2025 para 19% no Android e 13% no iOS no primeiro semestre de 2026, segundo a AppsFlyer. “À medida que os usuários acumulam vários aplicativos com base na conveniência, ser a primeira escolha deixa de ser uma posição conquistada e passa a exigir uma disputa constante. Cada produto é um campo de batalha por aquele aspecto específico da vida financeira do usuário, e cada interação é uma oportunidade de construir fidelidade”, afirmou Ezequiel Vannucchi, Industry Lead Finance Latam da AppsFlyer. A descoberta começa fora do aplicativo As jornadas dos clientes raramente começam dentro do aplicativo. Descoberta e conversão abrangem busca, web, e-mail, SMS e WhatsApp. O text-to-app representa 35,5% das conversões de mídia própria na América Latina, mais que o dobro da média global do setor financeiro, destacando a importância das mensagens e dos deep links na criação de caminhos contínuos para os aplicativos, segundo a AppsFlyer. Ao direcionar os clientes de forma integrada de campanhas de marketing diretamente para páginas relevantes de um aplicativo instalado, os profissionais de marketing do setor financeiro podem obter taxas de conversão significativamente maiores, com um aumento de até 2,8 vezes, segundo o Google Ads. Enquanto isso, as fintechs estão expandindo para além de suas categorias originais, enquanto plataformas de comércio e mobilidade integram pagamentos e crédito. A IA e as interfaces conversacionais estão criando novas oportunidades para adquirir, atender e reengajar clientes. Para os profissionais de marketing, a oportunidade está em conectar esses sinais. O crescimento sustentável exige aquisição e reengajamento coordenados, jornadas contínuas entre canais e uma mensuração focada em valor além da instalação. Brasil em foco Como o maior e mais competitivo mercado de aplicativos financeiros da América Latina, o Brasil é onde a qualidade da aquisição, e não apenas o volume, começa a diferenciar os vencedores dos demais. Os dados da AppsFlyer e da Sensor Tower para o mercado brasileiro mostram: Bancos lideram os downloads: a categoria de bancos ocupa o primeiro lugar no Brasil em volume, ultrapassando a marca de 569 milhões de downloads em 2025, segundo a Sensor Tower. iOS elimina a fraude mais rapidamente que o Android: a taxa de fraude em instalações no iOS no Brasil melhorou 70% entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026, superando com folga uma melhora mais modesta no Android e ampliando a diferença de qualidade entre as plataformas, segundo a AppsFlyer. Vantagem na retenção, mas ainda baixa: a retenção no 30º dia após a instalação no Android é de 3,6% no Brasil, à frente dos 2,3% do México, embora ainda represente uma pequena fração dos usuários que instalaram o aplicativo, segundo a AppsFlyer. iOS mantém os usuários: o Brasil é um dos três mercados, ao lado da Argentina e do México, em que o iOS retém uma parcela maior de usuários nos dias 1, 7 e 30 do que o Android, segundo a AppsFlyer. Nubank lidera, mas ninguém domina: o Nubank gerou quase 46 milhões de downloads em toda a região entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026 e ficou em primeiro lugar no Brasil, mas capturou apenas 13% dos downloads de aplicativos de bancos mobile do país em 2025, com os cinco principais aplicativos, juntos, respondendo por menos da metade de todos os downloads de aplicativos bancários, segundo a Sensor Tower. Mercado Pago lidera carteiras digitais e P2P: o aplicativo lidera os downloads de carteiras digitais e pagamentos peer-to-peer no Brasil, segundo os rankings da Sensor Tower. Um mercado de investimentos fragmentado: plataformas locais lideram os rankings de downloads de aplicativos de investimentos no Brasil, e restrições regulatórias mantêm alguns players globais, incluindo a IQ Option, totalmente fora do mercado, segundo a App IQ Taxonomy da Sensor Tower. Para os profissionais de marketing financeiro no Brasil, a mensagem do relatório é direta: conquistar o download não é suficiente em um mercado tão fragmentado. Com retenção e desempenho de fraude divergindo fortemente por plataforma, o relatório recomenda tratar Android e iOS como negócios distintos, cada um com seus próprios benchmarks de aquisição e retenção, em vez de depender de um único número combinado, e medir o sucesso pelo uso e pela profundidade das sessões, e não apenas pelos downloads. Sobre a metodologia O relatório analisa uma amostra de 750 aplicativos financeiros na América Latina com pelo menos 1.000 conversões de mídia própria, que, juntos, representam 3,1 bilhões de instalações totais e 1,9 bilhão de instalações não orgânicas entre o terceiro trimestre de 2024 e o segundo trimestre de 2026. Todos os resultados da AppsFlyer são baseados em dados totalmente anônimos e agregados; a equipe da AppsFlyer segue limites de volume e metodologias rigorosos para garantir a validade estatística, e apresenta dados apenas quando essas condições são atendidas. Quando dados normalizados são apresentados, a participação de cada mês no total de todo o período é mostrada para criar uma tendência. Os números de downloads, rankings de aplicativos e classificações das subcategorias financeiras são provenientes da Sensor Tower e de sua App IQ Taxonomy, com dados de agosto de 2026. Os números de iOS e Google Play são apresentados de forma combinada, salvo indicação em contrário. As perspectivas do Google Ads refletem a experiência de sua equipe de Apps na América Latina trabalhando com marcas financeiras em toda a região.

  • O QUE FICOU DO FEBRABAN TECH 2026 E O QUE VEM PELA FRENTE PARA AS FINTECHS?

    Por três dias, entre 24 e 26 de agosto, o Distrito Anhembi se transformou no palco que debateu o futuro do sistema financeiro brasileiro. O Febraban Tech 2026 reuniu 70 mil visitantes (incrível!), 627 palestrantes e 220 painéis, em sua maior edição. O tema oficial — “Agentes inteligentes, liderança humana” — já indicava a principal discussão do evento, a inteligência artificial deixou de ser uma promessa e começou a entrar na operação dos bancos. O evento mostrou ainda que a próxima transformação dos serviços financeiros não será apenas tecnológica. Ela vai mudar produtos, modelos de negócio e a própria relação entre bancos, fintechs e empresas. Mas, olhando para o conjunto das discussões, o que mais chama atenção é que a IA não apareceu sozinha. Ela veio acompanhada de uma transformação mais ampla envolvendo dados, pagamentos, segurança, crédito, Open Finance, infraestrutura digital e novas formas de distribuição de produtos financeiros. E talvez essa seja a principal conclusão do evento para as fintechs: as oportunidades que estão surgindo não estão necessariamente em criar novos bancos ou aplicativos financeiros, mas em resolver problemas que aparecem à medida que o sistema se torna mais digital, conectado e automatizado. O TAMANHO DA OPORTUNIDADE Ficou claro que existe dinheiro para financiar essa transformação. Os bancos brasileiros devem fazer investimento de R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada em parceria com a Deloitte. O valor representa crescimento de 8% sobre 2025 e de 58% em cinco anos. Cibersegurança aparece como prioridade para 100% das instituições pesquisadas, enquanto inteligência artificial generativa e computação em nuvem também estão entre os principais destinos dos investimentos. Ou seja, não se trata apenas de discurso sobre inovação, de fato existe um mercado bilionário sendo criado. Para as fintechs, isso é particularmente relevante porque os grandes bancos não precisam necessariamente desenvolver internamente todas as soluções que vão utilizar. Há espaço para empresas e startups de tecnologia, dados, segurança, crédito, pagamentos e automação oferecem suas soluções. A IA ESTÁ COMEÇANDO A FAZER ALÉM DE APENAS RESPONDER A grande estrela do evento foi a inteligência artificial. Mas o que mudou em relação às edições anteriores é o papel atribuído a ela. Os bancos já utilizam IA para analisar documentos, detectar fraudes, recomendar produtos e atender clientes. Agora começam a experimentar sistemas capazes de executar tarefas. É uma diferença importante porque um assistente que responde “qual é meu saldo?” é uma evolução do atendimento digital. Um sistema que recebe a instrução “pague esta conta”, verifica as condições e realiza a operação está em outro patamar. A discussão sobre agentes de IA mostrou justamente esse movimento. O próprio conteúdo oficial do evento destacou que essas ferramentas estão ganhando autonomia, mas ainda dependem de governança, segurança e supervisão humana. Na prática, isso cria uma nova indústria, pois será necessário saber quem autorizou o agente, o que ele pode fazer, quanto pode movimentar, quais informações pode consultar e como suas ações serão registradas. A IA, portanto, pode gerar negócios não apenas para quem desenvolve inteligência artificial, mas também para quem oferece as ferramentas que permitem utilizá-la com segurança. Essa é uma oportunidade especialmente interessante para fintechs de tecnologia. DADOS ESTÃO DEIXANDO DE SER MATÉRIA-PRIMA E VIRANDO PRODUTO Outro tema que ganhou força foi o Open Finance. A discussão já parece ter passado da fase de explicar o que é compartilhamento de dados. O desafio agora é fazer com que esses dados produzam resultados para o consumidor e para as empresas. Segundo levantamentos apresentadas no evento, o ecossistema já registra aproximadamente 40 bilhões de chamadas mensais. O tamanho do número impressiona, mas também evidencia o próximo desafio que é transformar essa enorme quantidade de informação em serviços úteis. É aí que aparece uma oportunidade importante para fintechs. Dados financeiros podem melhorar decisões de crédito, ajudar na prevenção de inadimplência, permitir ofertas mais adequadas e facilitar a gestão financeira de pessoas e empresas. O caminho mais interessante talvez não seja criar mais uma ferramenta para “ver todos os seus bancos em um só lugar”, mas usar os dados para resolver uma necessidade específica como, por exemplo, identificar automaticamente quando uma pequena empresa terá falta de caixa; encontrar uma opção de crédito mais adequada; organizar pagamentos; ou ajudar uma pessoa a renegociar dívidas. O dado, sozinho, vale pouco. A capacidade de transformar o dado em uma decisão útil é que pode valer muito. O PRÓXIMO CAMPO DE BATALHA DO CRÉDITO PODE ESTAR FORA DOS BANCOS Essa combinação entre dados, IA e crédito apareceu de várias formas no evento. Uma das mensagens mais importantes do Banco Central foi justamente a preocupação com o uso responsável do crédito e com o aumento do endividamento. Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica permite analisar informações que antes não estavam disponíveis ou eram difíceis de utilizar. A Carbigdata, uma das vencedoras da competição que aconteceu na Arena Fintech é um bom exemplo. A empresa utiliza informações sobre veículos para melhorar avaliações relacionadas a crédito, risco, fraude e recuperação de ativos. Sua proposta parte de uma ideia simples: uma fotografia cadastral não conta toda a história de um bem; seu comportamento no mundo real também pode ajudar a avaliar riscos. O exemplo é importante porque mostra que a próxima geração de empresas de crédito tende a utilizar fontes de informação muito mais variadas para tomar decisões. A oportunidade está menos em “emprestar dinheiro” e mais em encontrar formas melhores de decidir para quem, quando e em que condições emprestar. O PIX DEIXOU DE SER NOVIDADE PARA SER PLATAFORMA Depois de quase seis anos de existência, o Pix também passou por uma mudança de papel. Já não faz sentido tratá-lo apenas como um novo meio de pagamento, ele se tornou parte da infraestrutura financeira brasileira. A nova oportunidade está nos produtos construídos sobre ele. O Pix Automático é um dos exemplos. A modalidade vem ganhando usuários recebedores e pode abrir espaço para novos modelos de cobrança recorrente em serviços, educação, seguros, assinaturas e outras atividades. Para as fintechs, isso significa que o espaço de inovação está migrando para os iniciadores e pagamento, gestão de recebimentos, conciliação, prevenção a fraudes, crédito e automação. O PAGAMENTO PODE DESAPARECER DA EXPERIÊNCIA DO CLIENTE Essa transformação fica ainda mais interessante quando combinada com a inteligência artificial. Se um agente puder pesquisar um produto, comparar preços e tomar uma decisão de compra em nome do consumidor, ele também precisará realizar o pagamento. Isso significa que o ato de pagar pode deixar de ser uma etapa visível da jornada e passar a acontecer dentro do processo. É uma mudança que pode afetar profundamente bancos, bandeiras, adquirentes, fintechs e empresas de tecnologia. A oportunidade estará em criar sistemas capazes de permitir que uma máquina faça uma transação de maneira segura e autorizada. Mais uma vez, surgem problemas que parecem pequenos, mas podem formar grandes mercados: identificação, autorização, limites, segurança, prevenção a fraudes e controle das operações feitas por agentes de IA. SEGURANÇA VIROU PARTE DO NEGÓCIO Não por acaso, cibersegurança foi apontada como prioridade por todas as instituições financeiras ouvidas na pesquisa da Febraban. Quanto mais dinheiro circula digitalmente, maior é o interesse dos criminosos. E a inteligência artificial torna o problema ainda mais sofisticado. Fraudes podem ser automatizadas, mensagens podem parecer mais convincentes e imagens e vozes podem ser falsificadas. A consequência é que segurança deixa de ser apenas uma preocupação do departamento de tecnologia e passa a fazer parte do produto. Para fintechs, isso representa um mercado em expansão para soluções de identificação, prevenção a fraudes, monitoramento de transações, proteção de dados e segurança de sistemas de IA. E existe uma particularidade importante em cibersegurança, quanto mais automatizado o sistema financeiro, mais automatizada também precisará ser sua defesa. QUANDO O BANCO PODE ESTAR ESCONDIDO DENTRO DO NEGÓCIO Outra tendência que atravessou diferentes discussões foi o embedded finance, ou seja, a incorporação de serviços financeiros a empresas que originalmente não são bancos. O conceito é simples: uma plataforma de comércio pode oferecer crédito; um software de gestão pode oferecer conta e pagamentos; um marketplace pode oferecer serviços financeiros aos vendedores; um ERP pode incorporar cobrança e antecipação de recebíveis. O serviço financeiro passa a fazer parte da experiência que o cliente já utiliza. Para as fintechs, isso cria uma oportunidade enorme, pois em vez de disputar diretamente o cliente com os bancos, elas podem fornecer a tecnologia e a infraestrutura para que outras empresas ofereçam serviços financeiros aos seus próprios clientes. Isso pode transformar ERPs, marketplaces, plataformas de comércio e softwares de gestão em novos canais de distribuição para crédito, pagamentos, seguros e outros serviços financeiros. A ARENA FINTECH MOSTROU ONDE AS STARTUPS ESTÃO ENCONTRANDO PROBLEMAS REAIS Talvez uma das melhores formas de entender o futuro seja observar quais startups conseguiram chamar a atenção de bancos e investidores. Na Arena Fintech do Febraban Tech, 33 empresas se inscreveram e 12 chegaram à etapa final. As vencedoras foram Fintalk e Carbigdata. A Fintalk atua em uma questão bastante concreta: ajudar instituições e empresas a lidar com o endividamento e a renegociação de dívidas. A Carbigdata, como vimos, trabalha com dados de veículos para melhorar decisões relacionadas a risco. São negócios muito diferentes, mas existe algo em comum entre eles: ambos atacam problemas específicos e mensuráveis do mercado financeiro. Essa talvez seja uma das lições mais importantes para quem está criando uma fintech hoje. O mercado parece estar mais interessado em soluções capazes de reduzir custos, aumentar receitas, diminuir riscos ou melhorar decisões. O QUE O FEBRABAN TECH DIZ SOBRE O FUTURO DOS SERVIÇOS FINANCEIROS E DAS FINTECHS O mais interessante do evento talvez esteja justamente naquilo que não foi apresentado como novidade. Pix, Open Finance, cloud, IA e pagamentos digitais já fazem parte do sistema financeiro, o que está mudando é a maneira como essas tecnologias começam a se combinar. IA + dados podem mudar o crédito. Open Finance + IA podem criar novos serviços financeiros personalizados. Pix + automação podem transformar cobrança e pagamentos recorrentes. IA + pagamentos podem criar um novo modelo de comércio realizado por agentes. Dados + crédito podem permitir decisões mais precisas sobre risco. Tecnologia + empresas não financeiras podem levar serviços financeiros para dentro de outras jornadas. IA + segurança será uma condição para que tudo isso funcione. Talvez seja cedo para dizer que estamos diante de uma nova onda para fintechs, mas há sinais suficientes de que uma nova etapa está começando. A primeira geração de fintechs ajudou a digitalizar os serviços financeiros. A próxima poderá fazer algo diferente como tornar os serviços financeiros praticamente invisíveis, mais inteligentes e presentes nos lugares onde as pessoas e as empresas já fazem negócios. E, nesse cenário, as maiores oportunidades podem estar justamente nas startups que resolverem problemas que ainda nem percebemos que existem. É esse movimento que estará no centro do Fintech View 2026, que acontece no dia 15 de outubro, em São Paulo, reunindo especialistas para discutir as transformações que estão redesenhando o mercado financeiro brasileiro. Mais informações em: www.fintechview.com.br

  • Pix Automático pode reduzir custo de cobrança, mas migração exige atenção à inadimplência

    A migração das cobranças recorrentes para o Pix Automático pode representar uma redução importante nos custos de arrecadação das empresas, mas olhar apenas para a tarifa cobrada por transação pode esconder outro efeito da mudança: o comportamento de pagamento dos clientes que ainda não aderiram à nova modalidade. Diferentemente do débito automático, a autorização para o Pix Automático precisa ser consentida previamente pelo próprio consumidor no ambiente de sua instituição financeira. Essa mudança, embora possa parecer semântica, traz consigo um empoderamento do consumidor à luz da LGPD, segundo a qual somos titulares de nossas informações e o uso desses dados precisa ser consentido. Esse consentimento não vem sozinho. Ele é acompanhado do direito de cancelar pagamentos em determinadas situações, inclusive quando o consumidor não concorda com o valor cobrado, entre outras possibilidades. Para empresas com bases numerosas de clientes recorrentes, portanto, a transição depende não apenas da implantação tecnológica, mas também da capacidade de converter os atuais pagadores para a nova modalidade e prever novos métodos para o questionamento de valores cobrados. Além disso, durante a transição entre os serviços, podem surgir problemas quando um cliente deixa de utilizar o débito automático, mas não conclui o consentimento para adesão ao Pix Automático. Até que uma nova forma recorrente seja estabelecida, o pagamento pode voltar a depender de uma ação ativa do consumidor, como abrir uma fatura, acessar um aplicativo ou efetuar manualmente a transação. Outras situações que não estavam presentes no débito automático também passam a existir. No consentimento, os consumidores podem definir limites de débito, o que cria uma nova classe de ocorrências. Há também integrações entre os bancos pagadores que podem apresentar indisponibilidades momentâneas. Para José Tadeu Bijos, CEO e presidente da Multipagamentos, é justamente nesses pontos que as empresas precisam ampliar a análise sobre os ganhos esperados com a migração. “Reduzir a tarifa de arrecadação é um ganho concreto, mas não pode ser a única métrica. Se uma parte dos clientes deixa uma modalidade automática e não conclui a autorização da nova cobrança, a empresa precisa entender o que acontece com esse recebimento. A economia de um lado pode ser parcialmente anulada por atraso, inadimplência ou necessidade de novas ações de cobrança”, afirma Bijos. “E, no fim da linha, o contas a receber não mente.” O impacto pode ser especialmente relevante para negócios que trabalham com grandes volumes de pagamentos mensais, nos quais pequenas alterações na taxa de sucesso das cobranças podem produzir efeitos significativos sobre o fluxo de caixa. Nesse cenário, indicadores tradicionalmente acompanhados por áreas diferentes passam a precisar de uma leitura conjunta. O custo da arrecadação, a taxa de conversão para o Pix Automático, o índice de pagamentos realizados no vencimento, a inadimplência e o impacto sobre o capital de giro fazem parte da mesma equação. “Dentro das empresas, tarifa, inadimplência e capital de giro muitas vezes são acompanhados por áreas diferentes. O risco é cada uma enxergar apenas uma parte da migração. Para saber se a mudança realmente trouxe eficiência, é preciso consolidar o resultado econômico de ponta a ponta”, explica o executivo. A adesão também passa a ter peso maior na estratégia de cobrança. Como a constituição da autorização depende do consumidor, as empresas precisam identificar quem já aderiu, quem ainda não completou o processo e quais clientes deixaram de contar com uma forma automática de pagamento. Para Bijos, isso transforma a migração em um processo que combina finanças, tecnologia e relacionamento com o cliente. “Não basta disponibilizar o Pix Automático e esperar que toda a base migre naturalmente. Existe uma jornada entre oferecer a modalidade, conquistar a autorização e efetivamente receber aquela cobrança todos os meses. É essa continuidade que precisa ser administrada”, diz. A Multipagamentos, que há mais de 15 anos atua na integração de cobranças recorrentes entre grandes faturadores e o sistema bancário, vem utilizando agentes de inteligência artificial para acompanhar diferentes etapas desse ciclo, como identificação da base elegível, evolução das autorizações, abandono da jornada e ações de reengajamento. Na avaliação da companhia, a discussão sobre eficiência em pagamentos recorrentes tende a avançar além do preço de cada transação. O desafio será medir qual combinação de meios de pagamento oferece não apenas menor custo, mas também maior previsibilidade e capacidade de recebimento. “Uma cobrança barata que não é concluída deixa de ser eficiente. A conta mais importante não é apenas quanto custa processar o pagamento, mas quanto custa garantir que o dinheiro efetivamente entre no caixa no prazo esperado”, conclui Bijos.

  • C6 Bank compra Alymente e entra no mercado de benefícios

    O C6 Bank, banco brasileiro que tem como sócio o JPMorganChase, fechou acordo para comprar a startup de benefícios corporativos Alymente. A aquisição marca a entrada do banco no mercado de benefícios, que movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano, e amplia sua oferta para clientes empresariais, com vale-alimentação, vale-refeição e outros serviços voltados à gestão de funcionários. A conclusão do negócio está sujeita à aprovação do Banco Central do Brasil e ao cumprimento de condições precedentes. Criada em 2017, a Alymente é uma plataforma de benefícios flexíveis com atuação nacional, que atende mais de 100 mil beneficiários e tem entre seus clientes Heineken, Nissan, BIC e Pernod Ricard. A empresa oferece um cartão multibenefícios com nove categorias, que incluem alimentação, mobilidade e bem-estar, além de serviços como telemedicina, apoio psicológico e acesso a academias. A plataforma também reúne funcionalidades para as áreas de RH, como gestão de premiações, frotas, despesas corporativas e reembolsos de funcionários. Um de seus diferenciais é a possibilidade de personalizar a oferta de benefícios de acordo com as necessidades de cada empresa e de seus colaboradores. Após a conclusão da aquisição, a Alymente passará a se chamar C6 Benefícios e o cartão será emitido pela Mastercard. O negócio faz parte da estratégia do C6 Bank de ampliar sua atuação no segmento de pessoas jurídicas. O banco já tem uma oferta completa de produtos e serviços para empresas, que inclui conta, pagamentos e recebimentos, maquininhas, cartões, crédito, investimentos e soluções internacionais. Com a operação, o C6 Bank acrescenta os benefícios corporativos a esse portfólio ao mesmo tempo em que os clientes empresariais atendidos pela Alymente passam a ter acesso às soluções financeiras da instituição. “Nossa ambição sempre foi ser um banco completo para as empresas. Isso significa acompanhar e atender às necessidades do negócio, que muitas vezes vão além dos serviços financeiros tradicionais. Benefícios são parte importante da gestão de qualquer empresa que tenha funcionários, inclusive das pequenas e médias, que representam uma parcela relevante dos nossos clientes”, diz Ricardo Botelho, head de pessoa jurídica do C6 Bank. “Com essa aquisição, incorporamos uma plataforma pronta e uma equipe que já conhece o setor, além de um serviço que se conecta naturalmente às soluções que oferecemos. É mais um passo na nossa estratégia de ser um one-stop shop para o cliente PJ, reunindo em um único lugar soluções para diferentes necessidades das empresas.” A entrada no mercado de benefícios ocorre em um momento de expansão da oferta de produtos e serviços. O banco prepara para os próximos meses o lançamento de sua solução de folha de pagamento, que permitirá às empresas concentrar no C6 Bank também o pagamento de salários de seus funcionários. A folha é considerada um produto estratégico para os bancos por ampliar o relacionamento com as empresas e criar uma porta de entrada para o atendimento de seus colaboradores. Além de oferecer uma plataforma digital completa, com atendimento especializado, a operação de PJ do banco se diferencia pelos custos competitivos. A conta empresarial, por exemplo, não tem tarifa de manutenção e oferece Pix gratuito e ilimitado. Dependendo dos serviços utilizados, a economia com tarifas pode superar R$ 5 mil por ano. “O C6 Bank já reúne tudo que uma empresa precisa do ponto de vista financeiro. E muitos dos nossos clientes começaram a nos demandar justamente produtos que não oferecíamos, como crédito, consignado e folha de pagamento”, afirma André Purri, fundador da Alymente. “Junto com o banco, conseguimos atender a essas necessidades e, ao mesmo tempo, levar nossa plataforma de benefícios a um universo muito maior de empresas, especialmente pequenas e médias que já são clientes do C6 Bank.” O banco chega ao setor de benefícios em meio a uma transformação que deve redesenhar a competição nesse mercado. Hoje, o segmento de vale-alimentação e vale-refeição movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil e atende mais de 22 milhões de trabalhadores, mas ainda é concentrado: quatro grandes operadoras respondem por cerca de 80% desse volume. Esse cenário começou a mudar nos últimos anos, com a chegada de novos players, e ganhou força com as mudanças regulatórias recentes. “A dinâmica competitiva desse mercado vai mudar completamente, abrindo espaço para novos participantes e fazendo com que o diferencial esteja cada vez mais em produto, tecnologia, atendimento e preço”, afirma Botelho.

  • Fintechs buscam profissionais capazes de construir sistemas que não podem parar

    Em uma instituição financeira, alguns segundos de indisponibilidade podem significar milhares de transações que deixam de ser processadas. À medida que Pix, contas digitais e outras soluções financeiras ganham escala, fintechs enfrentam um desafio que vai além de desenvolver novos produtos: encontrar profissionais capazes de construir sistemas que processem grandes volumes de operações simultaneamente sem comprometer estabilidade e performance. Essa necessidade tem ampliado o interesse por tecnologias desenvolvidas especificamente para ambientes de alta concorrência. Uma delas é o Elixir, linguagem de programação criada pelo brasileiro José Valim e baseada na máquina virtual Erlang, tecnologia originalmente desenvolvida para sistemas de telecomunicações que precisavam permanecer disponíveis mesmo diante de falhas. “Em sistemas financeiros, bancos digitais e meios de pagamento, duas regras são inegociáveis: o sistema não pode cair e uma transação nunca pode interferir na outra. É exatamente por isso que o Elixir se tornou uma escolha tão forte para esse setor”, explica Lucas Pauli, Tech Lead da Trio. Segundo o especialista, uma das características da linguagem é permitir que diferentes processos sejam executados de maneira simultânea e independente. Dessa forma, uma falha pontual pode ser isolada sem necessariamente comprometer todo o sistema. “Como a linguagem isola completamente cada processo, se houver uma falha inesperada no pagamento de um único cliente, o erro fica contido ali. A transação específica falha de forma segura, mas o sistema geral continua rodando perfeitamente, sem travar ou atrasar as milhares de outras transferências (como as transações via Pix) que estão acontecendo no mesmo milissegundo”, afirma Pauli. Escala aumenta desafio tecnológico das fintechs A necessidade de processar operações simultâneas ganhou ainda mais relevância com a digitalização do sistema financeiro. Em plataformas que atendem grandes volumes de usuários, escalar a operação não significa apenas aumentar a capacidade dos servidores. É preciso desenvolver uma arquitetura capaz de administrar diferentes processos sem permitir que uma falha localizada gere um efeito em cadeia. É justamente nesse cenário que o Elixir encontra espaço. De acordo com Pauli, a linguagem permite administrar grandes quantidades de tarefas simultaneamente com menor necessidade de infraestrutura computacional. “Quando uma aplicação atinge a marca de milhões de usuários, a abordagem tradicional exige o aluguel ou compra de diversos servidores para dar conta de todo o tráfego. O Elixir, por ser extremamente leve e gerenciar várias tarefas ao mesmo tempo de forma inteligente, permite que essas empresas suportem o mesmo número de acessos usando uma quantidade muito menor de máquinas. É a capacidade de fazer muito mais, gastando muito menos com infraestrutura”, explica. A combinação entre alta concorrência, tolerância a falhas e eficiência ajuda a explicar por que a tecnologia desperta interesse em segmentos nos quais interrupções podem gerar impactos imediatos para empresas e clientes. O desafio, entretanto, não está somente em escolher a tecnologia adequada. É preciso encontrar quem saiba utilizá-la. Escassez de profissionais aumenta disputa por especialistas Apesar das características técnicas, Elixir ainda possui uma comunidade profissional menor do que linguagens amplamente difundidas, como Python e JavaScript. Para empresas que utilizam a tecnologia em sistemas complexos, encontrar desenvolvedores experientes pode se tornar um gargalo. “É muito difícil encontrar bons profissionais que tenham domínio da ferramenta. O mercado quando busca um desenvolvedor Elixir, por se tratar de uma ferramenta para problemas complexos e soluções que exigem um nível de raciocínio mais elevado, normalmente espera alguém com um nível de proficiência maior do que linguagens de massa como Python e Javascript”, afirma Pauli. A disputa ultrapassa as fronteiras brasileiras. Segundo o Tech Lead da Trio, profissionais nacionais também são procurados por companhias dos Estados Unidos e da Europa, que podem oferecer oportunidades remotas remuneradas em moedas mais fortes. Isso cria um cenário particular: embora o número absoluto de vagas em Elixir seja menor do que o observado em linguagens mais populares, também existe uma oferta mais restrita de profissionais especializados. “Um bom profissional de Elixir costuma encontrar empregos melhores com mais facilidade do que encontraria em outros ecossistemas. Isso acontece porque, embora o escopo de vagas seja mais restrito, o número de especialistas realmente competentes para preenchê-las é ainda menor”, diz. Trio em parceria com ElixirConf prepara a primeira edição do evento no Brasil em maio de 2027 Para contribuir com a formação de novos profissionais e fortalecer a comunidade brasileira da linguagem, a Trio organizará, nos dias 20 e 21 de maio de 2027, a ElixirConf BR. O evento terá como objetivos ampliar a divulgação da tecnologia, estimular a formação de talentos e aproximar desenvolvedores de diferentes níveis de experiência. A iniciativa também busca fortalecer um ecossistema considerado estratégico para empresas que dependem de sistemas de alta disponibilidade. Para a Trio, contribuir para ampliar a base de profissionais especializados é uma forma de enfrentar um desafio que já afeta fintechs e outras companhias de tecnologia. O Brasil possui uma relação particular com essa comunidade. Além de Elixir ter sido criada por um brasileiro, desenvolvedores do país participam de eventos e projetos internacionais relacionados à linguagem. Pauli, por exemplo, participou da ElixirConf europeia em Cracóvia, em 2025, e em Málaga, em 2026. Para o executivo, aprender Elixir pode representar mais do que adquirir conhecimento sobre uma nova ferramenta. “Aprender Elixir hoje não é apenas colocar mais uma linguagem no currículo. É aprender um novo jeito de se pensar programação, se posicionar próximo de empresas que valorizam a robustez técnica e entrar em um mercado voltado para a resolução de problemas estruturais complexos”, conclui. A expectativa é que a ElixirConf BR ajude a aproximar esse conhecimento de estudantes, desenvolvedores e profissionais interessados em trabalhar com aplicações nas quais escalabilidade, eficiência e disponibilidade são requisitos centrais.

  • Regulamentação de cripto: cinco pontos que empresas precisam comprovar para obter autorização do Banco Central

    O mercado brasileiro de criptoativos entrou em uma nova fase regulatória, marcada pelo aumento das exigências de prevenção à lavagem de dinheiro, governança, cibersegurança, segregação de ativos e gestão de riscos. De acordo com a LC SEC, especializada em cibersegurança e compliance, esse novo cenário exige que as empresas do setor avancem na estruturação e na comprovação da efetividade de seus controles. Exchanges (plataformas que permitem comprar, vender e negociar criptoativos), custodiantes e outras prestadoras de serviços de ativos virtuais que já estavam em atividade precisam protocolar até 30 de outubro de 2026 a primeira fase do pedido de autorização ao Banco Central e demonstrar controles efetivos nessas áreas. As regras também iniciam a implantação progressiva da Travel Rule, regra que exige maior rastreabilidade das transferências e o compartilhamento de informações sobre quem envia e quem recebe ativos virtuais. As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, publicadas em novembro de 2025 e, em sua maior parte, vigentes desde fevereiro de 2026, estabeleceram o novo marco para autorização e funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais. Empresas que já operavam quando as normas entraram em vigor têm 270 dias para protocolar o pedido inicial de autorização, prazo que se encerra em 30 de outubro de 2026. A Resolução BCB nº 552, publicada em março deste ano, também ampliou a aplicação de regras relacionadas a conformidade, controles internos, auditoria e segurança cibernética às prestadoras autorizadas. Segundo estimativa da Chainalysis, endereços associados a atividades ilícitas receberam pelo menos US$ 154 bilhões em 2025, alta de 162% em relação ao ano anterior. Embora a empresa ressalte que essas operações representaram menos de 1% do volume total analisado, os números reforçam a necessidade de mecanismos capazes de identificar e rastrear movimentações suspeitas. No recorte brasileiro de seu relatório de 2026, a Crystal Intelligence dimensiona o mercado em aproximadamente 6,5 milhões de investidores e afirma que stablecoins estão presentes em 90% das transações consideradas pelo estudo. Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, o momento exige uma mudança de postura das empresas. “A regulamentação deixou de ser uma discussão sobre princípios gerais e passou a exigir evidências concretas de que os controles funcionam. Não basta ter uma política de compliance bem escrita: é preciso demonstrar que processos, pessoas e tecnologia estão preparados para identificar, tratar e reduzir riscos”, afirma. A seguir, o especialista reúne cinco pontos que devem estar no radar das empresas que buscam se preparar para o processo de autorização: 1. Fortalecer os controles de prevenção à lavagem de dinheiro Exchanges e custodiantes precisam demonstrar que conhecem seus clientes, empresas clientes e beneficiários finais, além de classificarem riscos, verificarem pessoas expostas politicamente e listas restritivas e monitorarem comportamentos incompatíveis com os perfis cadastrados. No ambiente cripto, esse trabalho precisa combinar informações cadastrais com dados das transações realizadas em blockchain, tecnologia que registra as movimentações de ativos virtuais e permite rastrear seu histórico. Mais do que gerar alertas automáticos, a empresa deve ser capaz de registrar como cada caso foi analisado, qual decisão foi tomada e quais medidas foram adotadas diante de uma movimentação suspeita. 2. Preparar-se para a Travel Rule A implementação progressiva da Travel Rule aumenta as exigências de rastreabilidade das transferências de ativos virtuais. As informações sobre originador e beneficiário deverão acompanhar as operações realizadas entre prestadoras, exigindo integração entre cadastro, monitoramento de blockchain, avaliação de contrapartes e registros de auditoria. As empresas também precisarão estabelecer procedimentos para situações como informações incompletas, divergências de identidade, transferências envolvendo carteiras autocustodiadas, nas quais o próprio usuário mantém o controle dos ativos e das chaves de acesso, e operações com prestadores estrangeiros. Na avaliação de Luiz Claudio, a adaptação à nova exigência deve envolver não apenas os processos de compliance, mas também a infraestrutura tecnológica necessária para garantir o rastreamento das operações. “A Travel Rule exige que as empresas estejam preparadas não apenas do ponto de vista regulatório, mas também tecnológico. É preciso garantir que as informações acompanhem as transferências de forma segura, padronizada e auditável, inclusive quando houver diferentes prestadores envolvidos na operação”, destaca. 3. Garantir a segregação e a segurança dos ativos dos clientes A Resolução BCB nº 520 estabelece mecanismos para diferenciar os ativos pertencentes aos clientes daqueles que pertencem à própria prestadora. Para as exchanges, isso exige processos capazes de garantir conciliação, controle de carteiras, continuidade operacional e identificação rápida de eventuais divergências. A separação precisa estar refletida não apenas em políticas internas, mas também nos sistemas e controles utilizados pela empresa. Segurança patrimonial, contabilidade e tecnologia devem trabalhar de forma integrada para assegurar que os registros correspondam aos ativos efetivamente mantidos. 4. Transformar cibersegurança em evidência de governança A nova estrutura regulatória aumenta a importância de políticas de segurança, gestão de acessos, avaliação de riscos, monitoramento, resposta a incidentes e controles relacionados à contratação de serviços de tecnologia e nuvem. No mercado de ativos virtuais, esses cuidados precisam alcançar chaves criptográficas, carteiras, APIs (interfaces que permitem a comunicação e a troca de informações entre diferentes sistemas), sistemas administrativos, contas privilegiadas, ambientes de desenvolvimento e fornecedores terceirizados. Testes de segurança, revisão de permissões, planos de resposta a incidentes, backups, ou cópias de segurança, e monitoramento de credenciais passam a fazer parte da estrutura de governança que precisa ser demonstrada pela empresa. 5. Organizar evidências e processos para o processo de autorização Um dos principais desafios para as prestadoras será transformar políticas e procedimentos em evidências verificáveis. O Banco Central avaliará aspectos relacionados à atuação anterior da empresa, à idoneidade de controladores e participantes relevantes, à capacidade econômico-financeira e à estrutura necessária para administrar os riscos da operação. Por isso, é importante organizar previamente documentos, registros, responsáveis, controles, testes e indicadores que comprovem a efetividade dos processos. “O prazo de 30 de outubro não representa a conclusão da autorização, mas o limite para o protocolo da primeira fase. As empresas que ainda estão estruturando seus controles precisam entender que o trabalho de preparação deve começar agora”, pontua Luiz Claudio.

  • Do Real ao dólar digital: inflação, juros e câmbio ajudam a explicar os desafios de preservar o poder de compra

    A estabilidade conquistada com o Plano Real mudou a relação dos brasileiros com o dinheiro, mas preservar o poder de compra continua sendo um desafio para famílias e investidores. Inflação, taxa Selic e cotação do dólar influenciam desde o preço de produtos e o custo do crédito até o desempenho dos investimentos. Mais recentemente, stablecoins atreladas ao dólar e outros ativos digitais acrescentaram novas variáveis à discussão sobre moeda, diversificação e patrimônio. A história econômica brasileira ajuda a dimensionar essa relação. Em 1993, às vésperas do Plano Real, a inflação acumulada ultrapassou 1.900% ao ano. O processo de estabilização foi estruturado em etapas, entre elas a criação da Unidade Real de Valor (URV), até a entrada em circulação do Real, em 01/07/1994. A nova moeda marcou uma mudança na dinâmica dos preços e ampliou a previsibilidade para o planejamento financeiro de famílias e empresas. “Quando o dinheiro perde poder de compra, o impacto vai além do índice de inflação. Ele aparece no consumo, no planejamento financeiro e na capacidade de preservar patrimônio ao longo do tempo. Por isso, entender como inflação, juros e moeda se relacionam é parte importante da educação financeira”, afirma Cleverson Pereira, head educacional e criador da AVO. Inflação, Selic e dólar: como essas variáveis chegam ao patrimônio Mais de três décadas depois da criação do Real, a inflação permanece no centro das decisões econômicas. No Brasil, o IPCA é a principal referência para medir a variação dos preços, enquanto a taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para buscar o controle da inflação. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo pode perder força e as condições de remuneração e avaliação dos investimentos também mudam. O câmbio acrescenta o componente externo a essa dinâmica. Desde 1999, o Brasil adota o regime de câmbio flutuante, no qual a cotação é determinada predominantemente pela oferta e demanda, embora o Banco Central possa realizar intervenções pontuais. Oscilações do dólar podem repercutir sobre importações, custos de produção, inflação e ativos financeiros. A influência da moeda norte-americana, portanto, vai além de viagens ou investimentos no exterior. Decisões de política monetária nos Estados Unidos e mudanças nos fluxos globais de capital podem repercutir sobre o câmbio brasileiro e as condições financeiras domésticas. Essa relação ajuda a explicar como acontecimentos externos podem chegar ao poder de compra e ao patrimônio dos brasileiros. Nesse contexto, a diversificação geográfica e cambial também passa a integrar a discussão sobre planejamento patrimonial. A análise deixa de considerar somente a rentabilidade nominal e incorpora fatores como inflação, poder de compra, exposição a diferentes moedas e distribuição de riscos entre mercados. Não se trata de estabelecer uma estratégia única de investimento, mas de compreender as variáveis que afetam o patrimônio em uma economia globalizada. “Olhar apenas para a rentabilidade pode oferecer uma visão incompleta. O patrimônio também está exposto à moeda em que está denominado e à capacidade dessa moeda de preservar poder de compra. Inflação, câmbio e diversificação, portanto, precisam ser compreendidos de maneira conjunta”, explica Pereira. Stablecoins levam a discussão sobre o dólar para o ambiente digital A digitalização do sistema financeiro acrescentou uma nova camada a essa transformação. Stablecoins são ativos digitais que buscam manter seu valor de referência em outro ativo, como moedas fiduciárias. No caso das stablecoins atreladas ao dólar, elas permitem representar e movimentar digitalmente valores referenciados na moeda norte-americana. O avanço dessas soluções aproxima a infraestrutura de ativos digitais do sistema financeiro tradicional e amplia as possibilidades de movimentação de capital e pagamentos internacionais. A tecnologia muda, mas fundamentos como inflação, política monetária, câmbio e poder de compra continuam relevantes para compreender novas formas digitais de representação e transferência de valor. “Stablecoins podem parecer um assunto exclusivamente tecnológico, mas a discussão começa na economia. Para compreender um dólar representado digitalmente, é preciso entender o que sustenta o valor de uma moeda, por que ela perde poder de compra e qual é o papel do dólar no sistema financeiro internacional”, afirma Pereira. Da moeda aos ativos digitais: inflação continua no radar A discussão sobre inflação e poder de compra também alcança outros ativos digitais, entre eles o Bitcoin. Embora o ativo seja associado à tese de escassez por ter oferta máxima definida em seu protocolo, seu comportamento de preço não acompanha necessariamente a inflação, especialmente no curto prazo. Para o investidor brasileiro, a análise envolve ainda fatores como juros internacionais, liquidez global, percepção de risco e câmbio. Isso significa que inflação e Bitcoin não devem ser observados em uma relação direta de causa e efeito. Uma inflação acima das expectativas, por exemplo, pode alterar as projeções para os juros; mudanças nas taxas de juros podem afetar a disponibilidade de capital e a disposição dos investidores para assumir risco; e oscilações do dólar podem interferir no preço do Bitcoin quando expresso em reais. “A inflação é uma peça importante, mas não deve ser analisada isoladamente. No caso do Bitcoin, juros, liquidez global, dólar e percepção de risco também ajudam a determinar o comportamento do mercado. Entender essas relações é mais importante do que tomar uma decisão com base em um único indicador”, explica Cleverson Pereira. 5 pontos para observar na relação entre inflação e Bitcoin Inflação acima ou abaixo das expectativas Mais do que o índice isolado, é importante observar sua relação com as expectativas do mercado. Uma inflação acima do esperado pode alterar as projeções para juros e provocar movimentos nos preços dos ativos. Trajetória das taxas de juros Inflação persistente pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo. Taxas mais altas alteram as condições de liquidez e podem reduzir o apetite por ativos de maior risco, incluindo criptoativos. Decisões do Federal Reserve A inflação dos Estados Unidos merece atenção porque influencia as decisões do Federal Reserve sobre os juros americanos. Essas decisões repercutem sobre liquidez e fluxos de capital nos mercados globais. Inflação e valorização do Bitcoin são fenômenos diferentes A oferta limitada do Bitcoin é frequentemente relacionada à tese de proteção contra a desvalorização das moedas. Isso, porém, não significa que sua cotação acompanhe os índices de inflação no curto prazo. O ativo está sujeito a elevada volatilidade e a diferentes fatores de mercado. O câmbio também importa para o investidor brasileiro Para quem acompanha o Bitcoin em reais, entram na equação tanto a cotação internacional do ativo quanto a relação entre dólar e real. Inflação brasileira, inflação americana, juros e câmbio podem, portanto, influenciar simultaneamente o cenário observado pelo investidor. Educação financeira passa pela compreensão do valor do dinheiro Da hiperinflação brasileira aos ativos digitais, as formas de armazenar e movimentar valor mudaram, mas inflação, juros, câmbio, política monetária e inovação financeira continuam interligados. Mais do que acompanhar isoladamente a alta do dólar, uma decisão sobre a Selic ou a cotação do Bitcoin, compreender essas relações ajuda a interpretar como mudanças econômicas podem repercutir sobre renda, consumo, investimentos e patrimônio. “Do Real aos ativos digitais, as ferramentas evoluem, mas o princípio permanece: compreender o funcionamento do dinheiro é fundamental para avaliar riscos, preservar poder de compra e tomar decisões financeiras mais conscientes”, conclui Pereira. E-book aprofunda relação entre economia, moeda e patrimônio Para ampliar o acesso a esses conceitos, a AVO Educacional apresenta o e-book “Do Real ao Dólar Digital — Uma jornada pela economia que afeta o seu patrimônio”, de Arthur Torres. A publicação percorre a trajetória da economia brasileira, da hiperinflação e do Plano Real aos fundamentos da política monetária, inflação, juros e câmbio, além de abordar o papel do dólar no sistema financeiro internacional. O conteúdo também avança sobre internacionalização patrimonial, diversificação geográfica e stablecoins, conectando história, economia, geopolítica e inovação financeira. A proposta é oferecer uma visão integrada dos fatores que influenciam o poder de compra e o patrimônio, sem apresentar recomendações de investimento.

  • Por que separar os lançamentos do cartão de crédito é tão importante para sua vida financeira?

    O cartão de crédito é uma ferramenta cada vez mais presente na vida financeira dos brasileiros. Ele facilita compras, permite parcelamentos e pode ajudar na organização do fluxo de caixa. O problema começa quando todas as despesas são registradas de forma agrupada, simplesmente como “Fatura do cartão”. À primeira vista, pode parecer mais prático lançar apenas o valor total pago na fatura. Afinal, se a fatura foi de R$ 2.500, por que não registrar simplesmente uma despesa de R$ 2.500? A resposta está na qualidade da informação financeira. Quando os lançamentos do cartão são separados por categoria — alimentação, transporte, lazer, compras, assinaturas, educação, entre outras — fica muito mais fácil entender para onde o dinheiro está indo, identificar excessos e tomar decisões melhores. O problema da categoria “Fatura agrupada” Imagine uma pessoa que, ao longo do mês, utilizou o cartão de crédito para diversas despesas: R$ 500 em supermercado; R$ 300 em restaurantes; R$ 200 em transporte; R$ 400 em compras; R$ 100 em assinaturas; R$ 1.000 em outras despesas. No fechamento da fatura, ela terá uma cobrança de R$ 2.500. Se registrar apenas: Cartão de crédito → Fatura agrupada → R$ 2.500, a informação sobre como esse dinheiro foi utilizado praticamente desaparece. O sistema sabe que R$ 2.500 foram pagos, mas o usuário perde a capacidade de analisar adequadamente seus hábitos de consumo. E esse problema se torna ainda maior quando o objetivo é fazer um diagnóstico financeiro. Quanto foi gasto com alimentação? Quanto foi destinado ao lazer? Quanto as compras parceladas representam do orçamento? Existem despesas recorrentes que poderiam ser eliminadas? Com uma única categoria chamada “Fatura agrupada”, essas perguntas ficam muito mais difíceis de responder. O cartão não é uma categoria de despesa Um ponto importante para entender essa questão é diferenciar meio de pagamento de categoria de despesa. O cartão de crédito é o meio utilizado para pagar uma compra. Ele não representa, necessariamente, a natureza daquela despesa. Por exemplo, uma compra de R$ 200 no supermercado continua sendo uma despesa com alimentação, independentemente de ter sido paga com dinheiro, Pix, débito ou cartão de crédito. Da mesma forma, uma assinatura de streaming paga no cartão continua sendo uma despesa de entretenimento. Por isso, o ideal é que o controle financeiro registre o que foi comprado e também como foi pago. Essa separação permite responder a duas perguntas diferentes: “Onde estou gastando?”e“Como estou pagando?” Separar os lançamentos melhora a análise financeira Quando cada compra do cartão é registrada individualmente, o usuário passa a ter uma visão muito mais detalhada das suas finanças. Isso permite, por exemplo, descobrir que uma parcela aparentemente pequena de R$ 80 não representa muito isoladamente, mas que existem dez ou quinze compras parceladas semelhantes comprometendo o orçamento dos próximos meses. Também é possível identificar categorias que estão consumindo uma parcela excessiva da renda. Imagine que uma pessoa acredite gastar pouco com alimentação fora de casa. Ao analisar os lançamentos individualmente, pode descobrir que restaurantes, delivery e cafés representam R$ 800 ou R$ 1.000 por mês. Essa informação muda completamente a qualidade da decisão. Em vez de simplesmente perceber que “a fatura está alta”, o usuário consegue identificar por que a fatura está alta. E saber o motivo é fundamental para conseguir agir. E as compras parceladas? As compras parceladas merecem atenção especial. Uma compra de R$ 1.200 dividida em 12 vezes pode parecer uma despesa de apenas R$ 100 por mês. Porém, várias compras desse tipo podem se acumular e comprometer uma parcela significativa da renda futura. Por isso, acompanhar os lançamentos individualmente também ajuda a visualizar o impacto das parcelas no orçamento. O controle financeiro deixa de olhar apenas para a fatura atual e passa a considerar os compromissos que já foram assumidos para os próximos meses. Esse é um dos principais motivos pelos quais simplesmente registrar “Fatura do cartão” pode ser insuficiente para uma gestão financeira mais eficiente. Como o Meu Dinheiro pode ajudar É justamente nesse contexto que uma ferramenta de gestão financeira como o Meu Dinheiro pode facilitar bastante o controle. Em vez de utilizar a fatura como uma única despesa, o usuário pode organizar seus lançamentos de acordo com a natureza de cada gasto. Assim, uma fatura de R$ 2.500 deixa de ser apenas um número e passa a representar diversas informações: Alimentação: R$ 800 Transporte: R$ 250 Lazer: R$ 300 Assinaturas: R$ 150 Compras: R$ 500 Outras despesas: R$ 500 Agora existe uma informação muito mais útil para a tomada de decisão. O Meu Dinheiro permite acompanhar receitas e despesas, organizar categorias e visualizar a evolução financeira. Dessa forma, o usuário consegue transformar os lançamentos cotidianos em informações que ajudam efetivamente no planejamento. Mais informação significa melhores decisões Um bom controle financeiro não precisa necessariamente ter centenas de informações. Ele precisa ter as informações certas. Registrar apenas o valor total da fatura pode até tornar o lançamento mais rápido, mas reduz significativamente a capacidade de análise. Já registrar as compras separadamente exige um pouco mais de organização, mas proporciona benefícios importantes: maior controle sobre os gastos; identificação de despesas desnecessárias; acompanhamento das categorias; melhor controle das compras parceladas; identificação de gastos recorrentes; comparação entre meses; planejamento financeiro mais preciso. O objetivo não é transformar a vida financeira em uma burocracia. É utilizar a informação para tomar decisões melhores. Não espere a fatura fechar para descobrir seus gastos Outro benefício de acompanhar os lançamentos individualmente é não precisar esperar o fechamento da fatura para descobrir quanto foi gasto. Se o usuário acompanha suas despesas ao longo do mês, pode perceber antecipadamente que determinada categoria está acima do planejado. Isso permite corrigir o comportamento antes que o problema apareça no valor final da fatura. É uma mudança importante de mentalidade: o controle financeiro deixa de ser apenas um registro do passado e passa a ser uma ferramenta de planejamento e prevenção. A categoria “Fatura agrupada” pode parecer uma solução simples para controlar o cartão de crédito, mas ela acaba escondendo informações importantes sobre os hábitos de consumo. O cartão deve ser entendido como um meio de pagamento, enquanto cada compra deve ser classificada de acordo com sua finalidade. Ao separar os lançamentos, fica muito mais fácil entender para onde o dinheiro está indo, acompanhar parcelas, identificar excessos e planejar os próximos meses. E ferramentas como o Meu Dinheiro ajudam justamente a transformar esses registros em informações úteis para a gestão financeira. No fim das contas, o objetivo de organizar as despesas não é apenas saber quanto você gastou. É saber onde gastou, por que gastou e se esse gasto está de acordo com seus objetivos financeiros. Porque uma boa gestão financeira começa quando você deixa de olhar apenas para o valor da fatura e passa a entender o que existe por trás dela.

  • Evolução do Pix com o MED 2.0 exige nova postura de segurança e gestão de riscos do e-commerce

    O Pix alcançou uma escala que transformou a forma como empresas e consumidores movimentam dinheiro no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Banco Central em 2026, mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizam o sistema, que registrou bilhões de transações e movimentou trilhões de reais em um único mês. Ao mesmo tempo em que o meio de pagamento se consolida como peça central do comércio digital, o aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED 2.0, amplia a necessidade de atenção das empresas para riscos relacionados a fraude, rastreabilidade e gestão financeira. Para Nassor de Oliveira Ramos, membro da equipe de Risco/Compliance da UNICOPAG, a evolução do mecanismo muda a percepção de segurança que acompanhou a expansão do Pix e exige uma nova postura das empresas que recebem pagamentos digitais. "Durante muito tempo, o Pix foi tratado pelas operações como um meio de pagamento em que a liquidação imediata representava também uma espécie de encerramento definitivo da transação. Com o avanço dos mecanismos de devolução e de rastreamento, essa percepção precisa ser revista. O negócio passa a precisar de processos capazes de acompanhar a transação para além do momento em que o dinheiro entra em conta, com mais controle, rastreabilidade e capacidade de resposta diante de situações de fraude ou contestação." O movimento ocorre justamente quando o Banco Central amplia as ferramentas de segurança do sistema. O MED 2.0 foi desenvolvido para permitir o rastreamento de recursos transferidos em fraudes para além da primeira conta que recebeu o dinheiro, enquanto o autoatendimento do MED passou a facilitar a contestação de transações fraudulentas diretamente pelos aplicativos das instituições financeiras. Para o e-commerce, a evolução reforça a importância de estruturas de monitoramento e gestão de risco, principalmente em operações de alto volume e margens reduzidas, nas quais ocorrências isoladas podem gerar impactos financeiros relevantes. Nesse contexto, a discussão deixa de estar restrita à segurança bancária e passa a alcançar a própria sustentabilidade das operações digitais, que precisam equilibrar velocidade de recebimento com capacidade de controle e resposta. Na avaliação de Nassor, a mudança representa um amadurecimento do ecossistema de pagamentos e exige que lojistas, plataformas e intermediadores repensem seus processos. "O avanço do MED não deve ser interpretado apenas como um aumento de risco para quem vende, mas como um sinal de amadurecimento do mercado. A velocidade do Pix continua sendo uma vantagem competitiva, mas ela precisa estar acompanhada de inteligência transacional, monitoramento e parceiros preparados para atuar diante de eventos que podem impactar diretamente o caixa e a continuidade da operação.

  • Hurst lança nova operação de cinema com filmes premiados em Cannes e aposta em receitas de bilheteria e streaming

    Depois de levar ao mercado uma carteira que incluiu Valor Sentimental, vencedor do Oscar de Filme Internacional e que alcançou faturamento equivalente a 2,1 vezes o valor investido em seis meses, a Hurst amplia sua atuação no audiovisual com uma nova operação voltada ao financiamento da distribuição cinematográfica. A carteira reúne os filmes internacionais Acampamento Miasma e Josephine e prevê participação dos investidores nas receitas geradas pela exploração comercial das obras. Estruturada pela Hurst em parceria com a MUV Capital e a distribuidora Retrato Filmes, a operação financiará custos associados à comercialização e ao lançamento dos dois títulos no Brasil e na América Latina. Os recursos investidos são lastreados em direitos creditórios provenientes das receitas futuras dos filmes, estimadas entre agosto de 2026 e junho de 2027. A nova oferta tem prazo projetado de dez meses e rentabilidade estimada, no cenário-base, de 26,75% ao ano. As taxas são projeções e não representam garantia de retorno, uma vez que o resultado depende principalmente da performance comercial e do prazo de recebimento das receitas dos filmes. Em operação similar realizada anteriormente, o retorno entregue chegou a 29% ao ano em 5 meses. “Estamos avançando em uma tese que aproxima dois universos que historicamente estiveram distantes no Brasil: mercado de capitais e indústria audiovisual. O investidor passa a ter acesso a uma economia baseada em propriedade intelectual, audiência e distribuição, com uma dinâmica de geração de receita diferente daquela encontrada nos ativos financeiros tradicionais”, afirma Breno Reis, CEO da Hurst Capital. De Cannes às salas brasileiras A carteira é formada por dois filmes com perfis diferentes, estratégia que busca diversificar as fontes de receita da operação. Com 79% da carteira, Josephine é protagonizado por Channing Tatum e dirigido pela cineasta nipo-brasileira-americana Beth de Araújo. O filme estreou no Festival de Sundance e tem lançamento comercial previsto para novembro ou dezembro deste ano. A exploração inclui salas de cinema, aluguel digital e primeiro licenciamento para plataformas ou canais, além de abranger territórios da América Latina. Já Acampamento Miasma, que representa 21% da carteira, chegou aos cinemas brasileiros ainda em agosto. Premiado no Festival de Cannes e adquirido pela MUBI, o filme de terror é estrelado por Hannah Einbinder e Gillian Anderson e acompanha uma jovem realizadora que tenta revitalizar uma franquia de filmes do gênero. “Uma das características interessantes do audiovisual como tese de investimento é que não existe uma única fonte de monetização. Dependendo do título, a receita pode vir das salas de cinema, do aluguel digital, do licenciamento para streaming e da exploração em diferentes territórios. A seleção e a composição da carteira são fundamentais justamente para equilibrar essas diferentes possibilidades”, afirma Laura Rossi, Diretora de Investimentos em Audiovisual da MUV Capital. Investidor participa da distribuição, não da produção A lógica da operação está concentrada em uma etapa específica da cadeia cinematográfica: a distribuição. Em vez de financiar a realização de um filme ainda em desenvolvimento, os recursos são destinados principalmente aos custos necessários para colocar obras já selecionadas comercialmente diante do público. Nesse modelo, a distribuidora licencia os direitos de exploração e investe em despesas de lançamento e comercialização. As receitas obtidas nas diferentes janelas são utilizadas prioritariamente para recuperar esses custos e remunerar a distribuição antes que o excedente siga para o produtor. “A prioridade na cascata de pagamentos é uma das características econômicas que tornam a distribuição um elo importante da cadeia audiovisual”, explica Reis. Os recebíveis da carteira são direcionados para uma conta escrow e auditados pela MUV, responsável pelas distribuições mensais até o encerramento da operação. A estrutura prevê ainda que investidores e Retrato Filmes participem proporcionalmente dos rendimentos gerados pela exploração comercial. Há também um mecanismo de recuperação por meio de receitas futuras. Caso o faturamento das primeiras janelas não alcance o esperado, o investidor mantém participação nas receitas posteriores dos ativos até a devolução integral do capital, conforme as condições contratuais da operação. Do ativo cultural ao ativo financeiro A nova oferta também marca a continuidade da parceria entre MUV e Retrato Filmes. Na carteira anterior, o principal destaque foi Valor Sentimental. Além de conquistar o Oscar de Filme Internacional, a obra alcançou um múltiplo de faturamento de 2,1 vezes sobre o valor investido em seis meses. Para Reis, a evolução dessas operações ajuda a demonstrar como propriedade intelectual e entretenimento podem ocupar espaço maior dentro do universo de ativos alternativos. “O cinema movimenta uma cadeia econômica muito maior do que a bilheteria. Quando conseguimos transformar direitos e receitas futuras dessa cadeia em estruturas de investimento, criamos uma ponte entre capital privado e entretenimento. É uma forma de financiar a circulação das obras e, ao mesmo tempo, permitir que investidores participem economicamente do desempenho desses conteúdos”, afirma. A rentabilidade, porém, está diretamente ligada à performance comercial dos filmes e ao prazo dos recebimentos. Entre os riscos descritos pela própria operação estão desempenho abaixo do projetado, inadimplência das fontes pagadoras, riscos relacionados à securitização e pirataria, podendo haver inclusive perda do capital investido. A operação é estruturada por meio de Certificados de Recebíveis (CRs) lastreados nos direitos creditórios da exploração comercial dos filmes. A oferta é realizada nos termos da Resolução CVM 88 e é dispensada de registro prévio pela CVM.

  • Soluções financeiras digitais: com Pix no topo, confira os 10 tipos mais pesquisados no Brasil

    A digitalização do sistema financeiro mudou a forma como os brasileiros lidam com o próprio dinheiro. Com bancos e soluções financeiras cada vez mais acessíveis pelo celular, operações que antes exigiam deslocamento e burocracia passaram a ser resolvidas em poucos cliques. Diante disso, acompanhar o interesse dos brasileiros por diferentes soluções financeiras ajuda a entender as transformações do setor e as novas demandas do público. Um levantamento realizado pela Topaz, empresa de tecnologia especializada em soluções financeiras digitais, com base no volume médio mensal de buscas no Google Brasil entre julho de 2025 e junho de 2026 para uma lista fixa contendo as principais soluções financeiras no âmbito nacional, revelou as opções mais pesquisadas pelos brasileiros. O levantamento leva em consideração apenas dados de buscas no Google Brasil, não refletindo, portanto, intenções de contratação ou transações efetivas para além do ambiente digital. Como o Pix e o cartão lideram a preferência por soluções financeiras digitais Os meios de pagamento ocupam posição de destaque entre as soluções financeiras mais pesquisadas. O Pix aparece isolado na liderança, com 1,1 milhão de buscas mensais, o equivalente a aproximadamente 35% do volume somado pelos dez termos analisados. Além disso, o resultado é 2,3 vezes maior que o do segundo colocado, o cartão de crédito, com 474 mil buscas. Gratuito para pessoas físicas, disponível a qualquer hora e capaz de realizar pagamentos e transferências em segundos, o Pix tornou-se uma ferramenta cotidiana. Segundo pesquisa Ipsos-Ipec, 82% dos brasileiros o utilizam para pagamentos e transferências bancárias. Ao mesmo tempo, o cartão de crédito continua relevante por atender a necessidades diferentes, especialmente compras parceladas e pagamentos no comércio físico e digital. Inclusive, no primeiro semestre de 2025, havia 243 milhões de cartões de crédito ativos, conforme dados do Banco Central. No comércio eletrônico, Pix e cartão também aparecem de forma complementar. De acordo com o estudo Panorama E-commerce, o primeiro foi utilizado na última compra online por 45% dos consumidores, enquanto o segundo registrou 47%. Além dos pagamentos, o avanço digital ampliou o acesso a outros serviços. O internet banking e as carteiras digitais, por exemplo, permitem abrir contas, transferir valores e realizar pagamentos sem depender de uma agência física. Nesse sentido, cerca de um terço dos brasileiros que possuem cartão já tem uma carteira digital, enquanto 26% utilizam esse recurso ativamente pelo celular, segundo pesquisa do Datafolha realizada em junho de 2026. Crédito e investimentos: o que é e como investir no tesouro direto O interesse identificado pela Topaz, porém, vai além dos pagamentos. A presença do Tesouro Direto, com 449 mil buscas mensais, e do Certificado de Depósito Bancário (CDB), com 150 mil, indica também uma procura relevante por alternativas de renda fixa e planejamento financeiro. O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) para permitir que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet. Na prática, o investidor escolhe um título emitido pelo governo, aplica seu dinheiro e recebe a remuneração correspondente conforme as regras e o prazo do investimento. A variedade de títulos permite encontrar opções com diferentes características de rentabilidade e vencimento. Para investir no Tesouro Direto, é necessário abrir uma conta em um banco de investimentos ou corretora, selecionar o título, transferir os recursos e concluir a compra. A segurança no ambiente digital envolve verificação da legitimidade da instituição, uso de canais oficiais e recursos como sistemas antifraude. Essa procura acompanha a importância da renda fixa para o investidor brasileiro. No primeiro semestre de 2025, o segmento somou R$ 4,7 trilhões, representando 60% dos investimentos de pessoas físicas, segundo pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Já no crédito, aparecem modalidades voltadas a diferentes momentos do orçamento. Em conjunto, empréstimo pessoal, consórcio, empréstimo consignado e antecipação de salário demonstram a busca por alternativas para obter recursos, organizar despesas ou planejar aquisições. A expansão dessas soluções ocorre em paralelo ao crescimento dos canais digitais. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, com dados de 2025, 83% das transações bancárias dos brasileiros foram realizadas por canais digitais. Das 240,8 bilhões de operações registradas no ano, 78% ocorreram pelo celular, alta de 11% em relação a 2024. Em cinco anos, o mobile banking cresceu 169%. Desse modo, as buscas por soluções financeiras refletem uma transformação mais ampla: serviços de pagamento, crédito e investimento passaram a fazer parte de uma rotina cada vez mais conectada. O cenário indica que a praticidade do ambiente digital não apenas facilita operações, mas também amplia o acesso dos brasileiros a diferentes formas de administrar, movimentar e investir o dinheiro.

  • C6 Bank amplia assistente de IA com lembretes para a rotina financeira

    O C6 Bank acaba de lançar a função Lembretes, novo recurso do C6 Assistant, inteligência artificial integrada ao aplicativo do banco. A funcionalidade permite que os clientes criem avisos personalizados sobre pagamentos, gastos e movimentações financeiras, definindo o que querem acompanhar, quando desejam receber a notificação e com que frequência. A novidade amplia a capacidade do C6 Assistant de ajudar o cliente a organizar sua vida financeira. A partir de comandos simples, é possível automatizar consultas e receber lembretes sobre diferentes serviços e movimentações no banco, sem a necessidade de acessar menus ou procurar informações manualmente. O cliente pode, por exemplo, pedir para ser lembrado sobre um pagamento recorrente, como o de um prestador de serviço ou uma mensalidade escolar, ou solicitar um resumo periódico dos gastos do cartão de crédito. Basta fazer o pedido diretamente no chat: "Me lembre, todo dia 5, que preciso pagar o curso de inglês". No dia e horário definidos, o C6 Assistant envia uma notificação para o cliente. Quando o lembrete envolve uma transação, como um Pix, o C6 Assistant deixa a operação preparada para que o cliente apenas confira as informações e confirme a transferência. A confirmação continua sendo obrigatória e nenhuma movimentação é realizada de forma automática. Os lembretes também podem ser usados para acompanhar informações financeiras de forma recorrente. É possível solicitar um resumo dos gastos do fim de semana separados por categoria, consultar as movimentações da conta em determinado dia ou receber um relatório do uso da C6 Tag ao longo do mês. O cliente pode automatizar consultas relacionadas ao cartão de crédito, inclusive cartões adicionais, e à conta corrente. “Com a função Lembretes, damos mais um passo na estratégia de transformar o C6 Assistant em um assistente pessoal para a vida financeira dos nossos clientes”, afirma Gustavo Torres, head de inovação do C6 Bank. “Em vez de precisar consultar informações ou se lembrar de pagamentos importantes, o cliente pode delegar essas tarefas à IA e receber os avisos no momento certo. É a tecnologia trabalhando para ajudar as pessoas a manterem suas finanças organizadas.” A funcionalidade também pode ser útil para empresas que centralizam suas finanças no C6 Bank. Um cliente PJ pode pedir resumos das transações realizadas pela conta da empresa ao longo do dia, facilitando o acompanhamento da movimentação financeira e o fechamento de caixa. O recurso está disponível para toda a base de clientes do C6 Bank, incluindo pessoa física, pessoa jurídica e MEI. Os comandos podem ser feitos diretamente no C6 Assistant, usando linguagem natural, como em uma conversa. Mais sobre o C6 Assistant Desde o fim de 2024, com o lançamento do C6 Assistant, clientes do banco podem realizar operações bancárias, como Pix e pagamentos, com o auxílio de IA generativa. A ferramenta recebe arquivos, fotos ou prints, detecta a transação desejada e solicita a confirmação do usuário. Os itens podem ser encaminhados para o assistente a partir de qualquer aplicativo externo ao app do banco ou no próprio chat. É possível também enviar Pix aos contatos salvos no app do banco usando apenas comando de voz ou uma mensagem escrita, como "Pix de 100 para Júlia". O C6 Assistant está 100% embarcado no aplicativo do C6 Bank e exige senha ou biometria facial na hora de encaminhar conteúdo a partir de apps externos ao assistente, o que dá total segurança aos clientes. Desde maio deste ano, os clientes do banco também podem "conversar" com a fatura do cartão de crédito e com a conta corrente para entender melhor suas despesas e hábitos de consumo. É possível solicitar, por exemplo, um levantamento completo dos gastos com delivery de comida, farmácia, vestuário e outras categorias nos últimos meses. O assistente de IA também simplificou o investimento em renda fixa. Agora, o cliente pode encontrar produtos de investimentos, tirar dúvidas sobre eles e iniciar aplicações em uma simples conversa com o C6 Assistant.

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